Inadimplência impõe limites ao crédito
O Estado de S.Paulo - Editorial
Duas pesquisas sobre inadimplência, divulgadas com apenas dois dias de diferença, mostraram que é alto o grau de incertezas da economia. Entre 2010 e 2011, segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, de 10 de janeiro, ocorreu um forte aumento (21,5%) dos atrasos, a maior taxa desde 2002, em razão do aumento da inflação e dos juros altos. Mas o Indicador de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor, divulgado quinta-feira, mostrou que a inadimplência deverá se estabilizar ou mesmo cair neste ano. As tendências da inadimplência têm impacto importante na oferta de crédito, podendo, assim, contribuir tanto para a acomodação da atividade quanto para uma recuperação, caso se confirme a redução dos atrasos.
O mais importante não é a taxa absoluta de inadimplência das pessoas físicas: segundo os últimos dados do Banco Central, a taxa era de 7,7%, em dezembro de 2009; caiu para 5,7%, no mesmo mês de 2010; e cresceu para 7,3%, em novembro passado.
O principal é a tendência - e esta, que foi preocupante até novembro, segundo a Serasa Experian, registrou uma queda expressiva no mês passado, nos quatro itens pesquisados pela empresa (dívidas não bancárias, dívidas bancárias, protestos e cheques sem fundos).
Só os dados deste trimestre permitirão constatar se o recuo da inadimplência vai ou não se confirmar.
As indicações de que 2012 será um ano de menos atrasos se devem à recomposição da renda, com elevação de 14% do salário mínimo e de 6% das aposentadorias de valor superior ao mínimo, acompanhadas de níveis muito baixos de desemprego. Os atrasos também deverão ser menores, se o nível de endividamento das famílias crescer menos neste ano, em relação ao ano passado.
Historicamente, as maiores pressões sobre a inadimplência ocorrem no final do primeiro trimestre, depois das despesas dos consumidores com o pagamento do IPTU, do IPVA e do plano de saúde, além da matrícula dos filhos na escola. Em muitos casos, os cartões de crédito ficam sobrecarregados com os gastos de fim de ano.
Se a economia der sinais de recuperação neste ano, torna-se mais previsível uma acomodação dos níveis de inadimplência - na verdade, seria desastroso se estes subissem tanto quanto subiram entre 2010 e 2011.
Uma queda dos juros cobrados dos consumidores também poderá facilitar a queda da inadimplência - além de permitir que os bancos aumentem a oferta de crédito.
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