segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CRÔNICA DA MORTE ANUNCIADA III

Morro desliza, soterra oito casas e deixa três mortos no interior do Rio de Janeiro
Rodrigo Teixeira - UOL
Um morro deslizou na madrugada desta segunda-feira (9) em Sapucaia, região centro-oeste do Estado do Rio de Janeiro, soterrou oito casas e deixou ao menos três mortos. “Existe a suspeita de que entre 14 e 20 pessoas estejam soterradas", disse o secretário de comunicação da cidade de Sapucaia, Sergio Murilo, em entrevista à TV Globo hoje. Os trabalhos de resgate continuam no local.
No momento não há como chegar a Sapucaia nem a Jamapará porque a rodovia Lúcio Meira está fechada nos quilômetros 152, altura de Bemposta, e 122, em Sapucaia, devido à queda de barreira nos dois sentidos. A única alternativa para o motorista é passar por Teresópolis (RJ) e Além Paraíba (MG).
A Defesa Civil do Estado está no local para prestar atendimento às famílias e resgatar as vítimas.
De acordo com o último balanço, até a noite de ontem, 10.759 pessoas estavam desalojadas e 3.980 desabrigadas em todo o Estado do Rio de Janeiro por conta das chuvas. Itaperuna, Italva e Laje do Muriaé foram os municípios que apresentaram o maior índice de chuvas --um acumulado de 100mm em 24 horas.
Situação se normaliza após dique rompido

A situação no distrito de Outeiro, na cidade de Cardoso Moreira, no norte fluminense, onde um dique se rompeu na noite de domingo (8) com a força do rio Muriaé, está normalizada nesta segunda-feira, informou a Defesa Civil de Campos, município vizinho, que prestou os primeiros socorros às mais de 40 famílias atingidas.
A forte chuva da madrugada de sábado (7) parou e as águas do Muriaé baixaram, mas a cidade continua em situação de emergência, além de mais seis municípios castigados no Estado desde o começo desse ano.
No momento do rompimento do dique, o subsecretário de Defesa Civil de Campos, major Edson Pessanha, estava na localidade de Três Vendas, em Campos, vizinha de Cardoso Moreira, que ficou completamente alagada após o rompimento de um trecho da BR-356 que servia de barreira para conter as águas do rio, na última quinta-feira.
“Estávamos com um caminhão de bombeiros a cerca de dois quilômetros do local onde o dique se rompeu e conseguimos realizar uma intervenção rápida e remover as famílias em situação de risco. Estamos com um abrigo de emergência 24 horas e controlando as águas do rio. Hoje, vamos continuar o trabalho de remoção das famílias que ainda estão lá."
De acordo com o subsecretário, em Três Vendas cerca de 30 pessoas ainda insistem em ficar no segundo andar ou na laje das casas. “Essas famílias foram as mesmas que se negaram a sair nas enchentes anteriores, por isso dificilmente devem sair dessa vez. Estamos levando comida e dando suporte com barcos”, explicou o major.
Cerca de 500 famílias foram removidas de Três Vendas, que ainda está tomada pelas águas do Muriaé.
Em 2007, o rio Muriaé já havia destruído parte da BR-356 e alagado Três Vendas. Os moradores ficaram quatro meses com suas casas sob as águas e perderam tudo.
Nesta manhã, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) realiza ação para desobstruir barreira que interdita uma das principais vias de acesso entre Cardoso Moreira e Campos.

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