Livro mostra descrença do primogênito de ex-ditador com atual líder
Shaun Walker - Independent

Porco-pai

Porco-primeiro irmão

Porco-caçula
LONDRES - O regime da Coreia do Norte está perto do colapso. A previsão é feita por ninguém menos que Kim Jong-nam, filho mais velho do ditador morto Kim Jong-il. O primogênito, que muitos pensavam ter sido o sucessor preferido para assumir o poder, também afirmou que seu irmão mais novo e atual comandante do país comunista é nada mais que "uma figura nominal".
As revelações foram feitas no livro “Meu pai Kim Jong-il e eu”, que será publicado nesta semana pelo jornalista japonês Yoji Komi, correspondente em Seul do diário "Tokyo Shimbun". Komi conversou pessoalmente com Jong-nam em duas ocasiões, e trocou mais de cem e-mails com ele entre 2004 e 2011, material usado para escrever a obra.
Kim Jong-nam vive atualmente em Macau, após ter sido banido da Coreia do Norte após um incidente comprometedor em 2001 - quando fora pego tentando entrar ilegalmente no Japão, com um passaporte falso, para supostamente visitar a Disneilândia. No livro, aliás, o "querido irmão" diz que viajar usando passaportes falsificados é uma prática comum no alto escalão do regime de Pyongyang. Até o próprio Kim Jong-un já teria visitado o Japão usando um passaporte brasileiro.
Segundo Jong-nam, o pai não queria uma transição dinástica de poder, mas acreditava que esse era o único camiho para assegurar a estabilidade do regime. Em alguns trechos do livro, o primogênito alega que teve as relações estremecidas com o pai porque, após estudar na Suíça, voltara para casa cheio de ideias de reformas.
"Eu me distanciei do meu pai porque insisti em reformas e na abertura do mercado, era visto eventualmente com suspeitas", escrevera Jong-nam em um de seus emails ao jornalista japonês.
Ele conta que os irmãos receberam uma educação menos intensiva no Ocidente porque o pai temia que "virassem capitalistas". Jong-nam também sugere que a sátira americana no filme Team America - na qual o ditador-pai cantava "estou tão só" - era uma verdade.
"Meu pai se sentia muito só depois que me mandou estudar fora. Mas, quando nasceram meus meio-irmãos Jong-chol e Jong-un, além da meio-irmã Yeo-jong, a adoração dele passou para os mais novos".
Kim Jong-nam escreve que ainda tem boas relações com sua tia e tio, que alguns veem como o verdadeiro poder por trás do novo regime, mas admite que nunca conheceu realmente Jong-un. Mas, ele prevê que o regime do caçula "não dura muito tempo". Devido à batalha interna entre várias facções.
"É óbvio que a economia vai ruir sem reformas, mas as reformas vão levar à crise e ao colapso do regime. A Coreia do Norte é muito instável. O meu pai governou com ajuda dos militares, mas o poder dos militares tornou-se forte demais", acredita.
Ao concordar com a reelação de sua correspondência com o jornalista, Jong-nam pode estar voltando do limbo no qual viveu os último anos. Pode ser um sinal de que o filho mais velho do ditador morto está pronto para se tornar uma figura pública. A imprensa japonesa, inclusive, afirma que ele chegou a abrir uma conta no Facebook na semana passada, usando um pseudônimo para atacar seu agora poderoso meio-irmão.
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