domingo, 8 de janeiro de 2012

A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA EM NÚMEROS

Recorde sem festa na indústria automobilística
O Estado de S.Paulo - Editorial
As montadoras vêm quebrando sucessivos recordes nos últimos anos, o que se repetiu em 2011, mostrou o balanço do setor divulgado pela associação das empresas (Anfavea). Mas o resultado se deveu quase exclusivamente ao bom comportamento das vendas no primeiro semestre. Excluindo os veículos importados, teria havido queda de 2010 para 2011.
Foram produzidos no País, em 2011, cerca de 25 mil veículos mais do que em 2010, mas o número de automóveis que saiu das fábricas foi inferior em 50 mil unidades - de 2,584 milhões, em 2010, para 2,534 milhões, em 2011. A produção nacional só cresceu 0,7%, entre 2010 e 2011, em razão do aumento da fabricação de veículos comerciais leves e caminhões - leves, semipesados e pesados.
As vendas anuais de 3,633 milhões de veículos superaram em 3,4% as de 2010, mas a comercialização de nacionais diminuiu 2,8%, o equivalente a quase 80 mil unidades, e a de importados teve aumento de 30%, quase 200 mil unidades.
Os veículos importados conquistaram 4,8 pontos de porcentagem do mercado total, trazendo como consequências a diminuição da participação, nos licenciamentos, dos veículos mais econômicos (1.0) e dos veículos a álcool, levando em conta que a maioria dos importados é movida a gasolina.
Entre 2010 e 2011, as vendas de veículos nacionais recuaram em oito meses do ano e em todos os meses do segundo semestre, o que já havia ocorrido em março e em abril.
Apesar das dificuldades de comercialização no segundo semestre, alguns analistas ainda são otimistas com relação a este ano. A economista Tereza Fernandez, da MB Associados, que atua em parceria com a federação das revendedoras (Fenabrave), estima um crescimento próximo de 6% nas vendas deste ano, numa classificação que inclui motos e outros veículos. A Anfavea acredita em aumento de 1% na produção e em 4% a 5% nas vendas.
Os principais fatores de crescimento do mercado de veículos não estão sob controle do setor. As vendas de veículos dependerão, neste ano, não apenas do ritmo de crescimento econômico, mas da oferta de crédito, que tem sido rarefeita, e da capacidade de endividamento dos consumidores, que já se mostraram mais cautelosos no Natal.
Com o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de preços, algumas linhas de veículos importados perderão competitividade em relação às nacionais. Mas, para que a indústria local recupere posição, parece essencial evitar a tentativa de reaver margens via alta de preços.

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