terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ISOLAMENTO DO IRÃ DEVERÁ AUMENTAR CADA VEZ MAIS

EUA pedem para Coreia do Sul importar menos petróleo do Irã
Teerã alerta que sanções a matéria prima iraniana podem piorar crise da Europa
O Globo com agências internacionais
TEERÃ, SEUL e JERUSALÉM — O Departamento de Estado americano
pediu nesta terça-feira que a Coreia do Sul reduza sua importação de petróleo do Irã, para contribuir com a pressão econômica internacional que tenta isolar o país para parar seu programa nuclear. Já o Irã afirmou que um embargo da União Europeia significaria um “suicídio econômico” para o bloco.
Robert Einhorn, assessor especial do Departamento de Estado para a não proliferação e o controle de armas, também pediu que a Coreia cancele seus acordos financeiros com o Banco Central de Teerã. O país já restringiu contratos com mais de 200 grupos e pessoas suspeitas de ter ligações com o programa nuclear iraniano. Entretanto, a Coreia não anunciou até agora planos para cortar as importações de petróleo do Irã.
Sobre a União Europeia, que está considerando a adoção de sanções à compra de petróleo iraniano e representa mais de 80% da receita externa do Irã, o governo iraniano tocou no ponto que mais lhe interessa atualmente: a crise econômica que atinge severamente vários países do bloco.
A agência semioficial iraniana Mehr citou Mohammad Ali Khatibi, representante do Irã na Opec (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que teria dito que qualquer tipo de sanção às exportações de petróleo cru do Irã vai levar a Europa a uma “crise mais profunda”.
Robert Einhorn formulou o pedido de adesão às sanções contra o Irã ao vice-ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Kim Jae-shin, com o qual manteve uma reunião em meio à campanha liderada por Washington para punir o governo iraniano por seu programa nuclear.
- Estamos apelando a todos os nossos parceiros para que nos ajudem e colaborem conosco para exercer mais pressão sobre o governo do Irã - declarou Einhorn, que chegou a Seul na segunda-feira para uma visita de três dias.
Apesar de dizer que Washington é sensível aos interesses econômicos de seus aliados com o Irã, Einhorn afirmou que o mundo deve pressionar o Irã para negociar seriamente seu programa nuclear, que Teerã afirma ser apenas para fins pacíficos. Atualmente, a Coreia do Sul negocia com a autoridade monetária iraniana para realizar os pagamentos de suas importações de petróleo.
Relações de Israel com extremistas são repensadas por causa do Irã
O chefe da divisão de planejamento militar de Israel, o general Amir Eshel, afirmou nesta terça-feira que o poder nuclear do Irã pode dificultar a ação do país contra adversários próximos a seu território.
De acordo com ele, se Teerã tiver armas nucleares, pode restringir um ataque a grupos islâmicos apoiados pelo Irã no Líbano e na Faixa de Gaza - como o Hezbollah e o Hamas. Para Eschel, se Israel for “forçado a fazer coisas em Gaza ou no Líbano, sob o guarda-chuva nuclear iraniano isso poderia ser diferente”.
Israel teme que um Irã com armas nucleares ameace sua sobrevivência e já deu a entender que poderia atacar o país militarmente se as sanções internacionais não pararem o programa nuclear de Teerã.

Ameaças a vizinhos que pensam em lucrar com sanções
Na segunda-feira, o Irã alertou seus vizinhos árabes do Golfo que eles podem sofrer consequências se aumentarem sua produção de petróleo para substituir o material iraniano alvo de sanções.
- Se (eles) derem sinal verde para ocupar o lugar do petróleo iraniano, esses países serão os principais culpados por qualquer coisa que aconteça na região - incluindo o Estreito de Ormuz - ameaçou Mohammad Ali Khatibi, da Opec, ao jornal “Sharq”. - Nossos vizinhos árabes não devem cooperar com esses aventureiros (Estados Unidos e Europa)... Essas medidas não serão encaradas como amigáveis.
No sábado, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, afirmou que o país (maior exportador mundial e o único da Opec que ainda tem uma significante capacidade produtiva não utilizada) está pronto e capacitado para atender qualquer aumento da demanda, mas sem fazer referências diretas ao Irã.

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