segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A NOVA TRAGÉDIA GREGA II

Alemanha ameaça reter ajuda à Grécia
Angela Merkel diz que gregos têm de finalizar acordo com credores para receber 2ª parcela de socorro, de € 130 bi
Chanceler alemã diz ser favorável a discutir taxa sobre transações, ideia de Sarkozy a que o Reino Unido se opõe
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
A chanceler (premiê) da Alemanha, Angela Merkel, ameaçou não liberar a próxima parcela do socorro financeiro à Grécia se o país não finalizar o acordo com os credores privados para a reestruturação da sua dívida.
Em entrevista coletiva ontem, depois de se reunir em Berlim com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Merkel afirmou que é preciso "ver progresso" na reestruturação voluntária da dívida grega.
"O segundo pacote de ajuda, incluindo essa reestruturação, precisa ser colocado em prática rapidamente. Do contrário, não será possível liberar a próxima parcela do socorro", disse a chanceler.
O pacote a que Merkel se refere foi acertado em outubro e prevê que os bancos credores aceitem a perda de 50% do valor dos títulos da dívida grega que eles detêm, em troca de uma série de medidas de austeridade a serem adotadas pelo governo do país, como cortes no gasto público.
A parcela de ajuda estipulada pelo pacote é de 130 bilhões (R$ 305 bilhões), necessários para que a Grécia não dê calote. O premiê do país, Lucas Papademos, afirmou que as decisões tomadas nas próximas semanas definirão o futuro do país na Europa.
A chanceler alemã declarou que é do interesse dela e dos franceses que os gregos continuem na zona do euro. Merkel tem reunião marcada para hoje com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, para discutir o tema.
TAXA POLÊMICA
Merkel também afirmou ser favorável à discussão de uma taxa sobre transações financeiras no continente, proposta de Sarkozy que enfrenta forte resistência, sobretudo por parte do Reino Unido.
"Tanto a França quanto a Alemanha veem essa taxa como uma resposta correta à crise", declarou a chanceler.
Em setembro, a CE (Comissão Europeia) sugeriu tributar em 0,1% compras e vendas de ações e títulos de dívida, o que, segundo cálculos da CE, poderia render 55 bilhões (R$ 129 bilhões) por ano.
No fim de semana, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que vetará a taxa caso França e Alemanha tentem aprová-la no âmbito da União Europeia.
Segundo Cameron, sem que outros lugares do mundo adotem medida similar, o tributo vai prejudicar o mercado de trabalho europeu.
Com uma eleição presidencial pela frente, em abril, e em dificuldades nas pesquisas de intenção de voto, Sarkozy vem insistindo na adoção da taxa europeia. Além disso, pretende instituí-la em seu país ainda antes do pleito.
O primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou que seu governo planeja aprovar o tributo já em fevereiro: "Alguém tem de ser o primeiro a pular na água".

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