quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

PSICOPATA IRANIANO VISITA GUERRILHEIRO MALUCO

Presidente da Nicarágua inicia terceiro mandato com poder absoluto
Carlos Salinas - El País
Manágua parecia uma cidade sitiada na terça-feira (10). A capital nicaraguense, que é desordenada e agitada, mostrava-se adormecida enquanto as delegações internacionais aterrissavam no aeroporto Augusto Sandino para assistir à posse de Daniel Ortega, a terceira do ex-guerrilheiro sandinista. Mais de 15 mil agentes mantinham a segurança naquela que é uma das capitais mais seguras da América Central, cercando principalmente a Praça da Revolução, no centro da cidade, onde Ortega jurou um novo mandato de cinco anos, apoiado pelos líderes da Aliança Bolivariana para as Américas - entre eles o venezuelano Hugo Chávez e o vice-presidente cubano, Ramiro Valdez - e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Ortega controla agora todos os poderes do Estado, incluindo o Congresso.
É a primeira vez desde a transição de 1990, quando Ortega perdeu a presidência nas urnas, que um mandatário assume o cargo na Nicarágua manipulando todas as rédeas do poder e praticamente sem oposição. Na segunda-feira (9) os deputados da Assembleia Nacional juraram seus cargos e elegeram uma nova junta diretriz controlada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional depois do boicote da oposição, que ficou à margem das decisões do Congresso. Ortega conta com uma arrasadora maioria de 63 deputados, suficiente para impor sua agenda política e uma eventual reforma da Constituição que lhe permita manter-se no cargo.
O presidente nicaraguense foi recebendo ao longo do dia os convidados que participaram de sua posse. O primeiro a chegar foi o príncipe Felipe, da Espanha, que se reuniu em Manágua com Ortega. O príncipe afirmou que a Espanha manterá "na medida do possível" a cooperação com a Nicarágua, que se estende por 25 anos. A chegada de Felipe gerou polêmica no país centro-americano: grupos civis haviam organizado protestos em frente à embaixada espanhola por considerar que a presença do príncipe legitima o que chamam de "fraude eleitoral" nas eleições que deram a Ortega uma vitória arrasadora. Organizações de observação eleitoral locais e a missão da União Europeia denunciaram como "opaca" a votação, da qual Ortega participou violando o artigo 147 da Constituição, que proíbe a reeleição continuada.
Ortega também recebeu o presidente iraniano, que incluiu a Nicarágua em seu giro relâmpago pela América Latina. É a segunda vez que Ahmadinejad viaja ao país, mas nesta ocasião sua presença desperta menos expectativas do que há cinco anos, quando também chegou para a posse de Ortega. Naquela ocasião, Ahmadinejad aterrissou carregado de grandes projetos de cooperação para a Nicarágua, que incluíam investimentos em vários setores e a possibilidade de perdoar a dívida de US$ 152 milhões do país com o Irã.
Até agora não se cumpriu nenhuma dessas promessas, e segundo dados do Banco Central da Nicarágua a cooperação do Irã foi de apenas US$ 300 mil desde 2007. A Nicarágua também não tem muito a oferecer ao Irã, além do apoio verbal de Ortega, que lança longas perorações contra Washington e suas "políticas imperialistas", apesar de os Estados Unidos continuarem sendo os principais parceiros comerciais da Nicarágua.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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