Bezerra confirma que Dnocs terá mudanças na diretoria
Elias Fernandes Neto deve sair para evitar crise maior com o PMDB
Gerson Camarotti/Roberto Maltchik - O Globo
BRASÍLIA - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, confirmou nesta terça-feira à tarde ao GLOBO sua decisão de mudar todas as diretorias do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra à Seca), Codevasf e Sudene. E acrescentou que sobre o caso específico de Elias Fernandes Neto, vai conversar mais uma vez com Michel Temer e Henrique Eduardo Alves, para argumentar que é a melhor solução.
- A posição do ministério é de promover mudanças em todos os quadros de dirigentes desses órgãos. Essas mudanças devem sair até o início de fevereiro.
A demissão de Elias, já dada como certa no Palácio do Planalto, será efetivada a partir de um acordo com o PMDB, para evitar desgaste na base aliada:
- Vou fazer as negociações políticas com o PMDB. Pretendemos manter o espaço do PMDB, mas as mudanças são necessárias agora.
Mais cedo, o Palácio do Planalto já considerava insustentável a permanência de Elias Fernandesno cargo. Avaliação foi feita pela manhã, depois da divulgação de reportagem do jornal O GLOBO que revelou a existência de irregularidades de R$ 312 milhões na autarquia, além de direcionamento de verbas de Defesa Civil, para o estado do Rio Grande do Norte. As irregularidades foram detectadas em auditoria da Controladoria Geral da União. O diretor Elias Fernandes é potiguar e afilhado político do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).Segundo auxiliares da presidente Dilma Rousseff, não será mais possível manter Elias Fernandes Neto no cargo depois da demissão do ex-diretor administrativo e financeiro, Albert Gradvohl, concretizada na segunda-feira. Gradvohl era afilhado político do PMDB do Ceará. Emissários do Planalto já foram acionados para negociar com o líder Henrique Alves a saída de Eias Fernandes. A intenção do Planalto é evitar uma crise política ainda maior com o PMDB, principal partido da base de sustentação do governo, no Congresso Nacional. Para contornar a crise, também já foi acionado o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB.
Henrique Alves reagiu à possibilidade de substituição de Fernandes Neto pelo Palácio do Planalto. Para ele, não há motivos para a substituição do seu afilhado político para o comando da autarquia, já que todas as irregularidades apontadas pelo relatório da Controladoria Geral da União no Dnocs foram esclarecidas pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho. O líder peemedebista embarcou para Brasília, segundo ele, para acompanhar uma audiência da governadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), no Ministério das Cidades. Ele disse que ainda não foi procurado por ninguém do Palácio do Planalto e que deve voltar para Natal ainda nesta terça-feira.
_ Vão tirar o Elias por quê? Eu não vou nem discutir isso. Esse relatório da CGU não é uma posição final. A Controladoria é um órgão opinativo. Já tem uma resposta encaminhada pelo ministro Fernando Bezerra com os esclarecimentos. Quem decide se há irregularidade ou não é o TCU (Tribunal de Constas da União). Não era para nem mesmo o Gradvohl ter saído. Agora, o Elias tem que sair por causa disso? É um absurdo! _ reagiu Henrique Alves, numa referência à demissão do ex-diretor administrativo e financeiro, Albert Gradvohl, concretizada na segunda-feira.
PPS quer investigação contra diretor do Dnocs
O PPS vai solicitar investigação contra o diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes. O líder do partido na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), criticou a gestão petista e disse que a nova denúncia mostra “claramente a profundidade da corrupção” que envolve o governo federal e a base aliada.
Segundo o líder, o governo é conivente com a roubalheira e só toma medidas após denúncias feitas pela sociedade ou a imprensa. Para Bueno, a falta de transparência e de uma fiscalização rigorosa fará com que surjam mais escândalos.
- Mais uma vez, ao invés de cumprirem com suas obrigações, cumprem com a função da base aliada, da roubalheira. Essa sujeira toda precisa ser investigada e nós não descansaremos - avisou.
O relatório da CGU, concluído em dezembro de 2011, revela uma sucessão de pagamentos superfaturados, contratos com preços superestimados e "inércia" da direção do órgão para sanar irregularidades que prosperaram ao longo da última década. A CGU também aponta "concentração significativa" de convênios para ações preventivas de Defesa Civil no Rio Grande do Norte, estado do diretor-geral do Dnocs. Os dois negam favorecimento do órgão.
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