sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

FOTOGRAFARAM O SALÃO DA MANSÃO DO ASHE THOMPSON

华盛顿:美国国家艺术馆 - 仰望星空 - 橘郡的山坡

GOVERNO PETISTA É A VANGUARDA DO ATRASO

Volta ao passado
FSP - Editorial
Retorna, por iniciativa do Senado, um debate capaz de suscitar estranheza em qualquer país onde estejam arraigados os princípios da liberdade de expressão.
Trata-se, novamente, da obrigatoriedade de diploma específico para o exercício da profissão de jornalista. O assunto -esperava-se-havia sido definitivamente encerrado por decisão do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2009, quando se considerou inconstitucional a exigência.
O mecanismo foi introduzido pela ditadura militar e persistiu, ao longo de décadas, devido a uma dupla distorção ideológica.
A primeira, à qual o mundo político adere de bom grado, é a ideia de que faltam dispositivos para "disciplinar", "regular" ou "organizar" o jornalismo no país.
Tais verbos nada mais são do que eufemismos para o desejo de censura. Nenhum governante ou parlamentar se sente à vontade enquanto vigora, por parte da imprensa apartidária e crítica, um ímpeto genuíno de fiscalização.
A segunda distorção tem origem no corporativismo enquistado em órgãos sindicais, em organizações de estudantes e na burocracia das faculdades de jornalismo.
Mais do que nunca, os jornais necessitam orientar-se para a produção de textos analíticos e aprofundados, que sejam, ao mesmo tempo, de formato ágil e acessível para o leitor contemporâneo.
Bacharéis em direito, pessoas com formação em medicina, especialistas em finanças, geografia ou relações internacionais tornam-se particularmente necessários nesse contexto.
Dispondo de facilidade para a comunicação escrita, nada impede que, mesmo sem o diploma, possam ser contratados pelas empresas de comunicação. E, certamente, capacidade crítica, espírito de contestação e independência não são privilégios dos formados em jornalismo.
A obrigatoriedade do documento serve apenas como reserva de mercado para os egressos das faculdades, restringindo a concorrência no mercado de trabalho -o que resulta, em última análise, em desserviço ao leitor.
Aprovando, por 65 votos a 7, uma emenda constitucional para reviver o velho dispositivo, o Senado Federal certamente sabia o que estava fazendo: atender à pressão corporativista dos burocratas da área e entravar ao máximo a atividade de uma imprensa crítica.

CADEIA PARA OS PILANTRAS DO GOVERNO!

Fim da linha
FSP - Editorial
Novas revelações e recomendação da Comissão de Ética tornam insustentável permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho
Se reluta em demitir o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para não parecer "refém da mídia", como pensa parte de seus correligionários, a presidente Dilma Rousseff acaba de ganhar mais uma oportunidade para livrar-se do problemático colaborador.
Em decisão unânime e inédita, a Comissão de Ética da Presidência da República recomendou o desligamento do titular da pasta.
A comissão, cabe recordar, não tem primado pela intransigência com desvios. Em maio, por exemplo, quando vieram à tona as informações sobre o enriquecimento veloz do então ministro Antonio Palocci, o órgão julgou que nada havia a ser investigado.
Agora, porém, o colegiado viu motivo para demissão na ausência de explicações convincentes de Lupi sobre as suspeitas de irregularidade na gestão de convênios do ministério com organizações não governamentais -servidores são acusados de cobrar propina de 5% a 15% para liberar os repasses.
Em vez de prestar esclarecimentos, o ministro agarra-se ao cargo em meio a fanfarronadas, recuos e humilhações. Por farsesca que se mostre, essa estratégia tem, até aqui, prevalecido -e é o pedetista Lupi, na realidade, quem parece manter a presidente como refém.
O rol de suspeitas que pesa contra o ministro e sua pasta é extenso. Após as primeiras denúncias de irregularidades nos convênios com as ONGs, surgiram indícios de uma mal explicada relação com o dono de uma das entidades sob suspeita, beneficiária de contratos de mais de R$ 10 milhões.
Lupi disse que não conhecia o empresário, mas foi desmentido em seguida, quando surgiram fotografias mostrando os dois lado a lado. Culpou, então, sua "memória falha" por esquecer que havia até pegado carona no jatinho do tal "desconhecido".
A insistência em manter o ministro, que já era um contrassenso, tornou-se indefensável depois de a Folha ter revelado que ele foi funcionário-fantasma da Câmara dos Deputados de dezembro de 2000 a novembro de 2005. Para piorar a situação, descobre-se agora que acumulou outro cargo, por quase cinco anos, na Câmara Municipal do Rio. Segundo aliados, Lupi pelo menos comparecia ao suposto emprego carioca -mas não se sabe ao certo o que fazia.
Consta que a presidente Dilma prepara uma reforma ministerial para o início do ano, o que tornaria inconveniente uma substituição neste momento. Seria preferível que Lupi fosse afastado no bojo dessa mudança mais ampla.
Compreendem-se os cálculos da mandatária, mas a situação chegou ao limite. Melhor nomear um interino até a reforma do que preservar um ministro cuja presença se tornou insustentável.

Do Blog:
E o dinheiro que esses fdp roubaram?  A punição fica só nisso, perder o cargo?  Cadê o judiciário nessa zona petista que virou o país?  Até no puteiro da Alzira tem leis morais mais eficientes do que em Brasília.

ORAZIO GENTILESCHI


Garota tocando violino 1621-24

YES, NÓS TEMOS FAVELAS!

Violência, descontração e festas: os paradoxos das favelas em uma exposição exuberante

Véronique Mortaigne 
Le Monde 
A polícia acaba de “pacificar” a Rocinha, o Vidigal e a Chácara do Céu, as três favelas históricas da zona sul, a mais rica do Rio de Janeiro. No dia 13 de novembro, 3 mil soldados e policiais, com o apoio de blindados, subiram por caminhos estreitos entre as casas construídas em alvenaria, desordenadamente. Essas favelas ficam nas encostas dos morros do Rio de Janeiro, com vista para os bairros chiques do Leblon, de São Conrado e da Gávea. Símbolos da “Cidade Maravilhosa”, elas abrigam meninos de rua, trombadinhas e traficantes, mas também sua cota de faxineiras e pedreiros, além de vaidosos dançarinos e percussionistas.
Famosos, os fogos de artifício multicoloridos há muito tempo são lançados por traficantes quando chega cocaína, uma maneira artística de avisar os consumidores ricos que moram lá embaixo. E como o Rio é agitado, os amantes de cerveja reunidos nos bares têm assim a possibilidade de ter longas conversas sobre violência, drogas, corrupção e o caráter sagrado das pedras portuguesas que revestem a paisagem carioca.
As ruas do Rio de Janeiro encantaram Dieter Roelstraete, curador flamengo da exposição “A Rua”, em cartaz no M HKA, o museu de arte contemporânea de Anvers, na Bélgica, a duas horas de trem de Paris. Ele reuniu obras produzidas por artistas que trabalham no Rio, que refletem esse “espetáculo das ruas” do dia a dia.
Duas séries de obras fotográficas de Joana Traub Csekö, nascida em 1978, se apegam às calçadas da cidade: em uma, “Pedras Portuguesas”, ela estuda o arranjo, a degradação e a restauração às vezes bizarras dos mosaicos pretos e brancos; na outra, “Rodas da Carioca”, ela fotografa do alto de um prédio as variações geométricas dos círculos formados pelos passantes em torno dos artistas de rua, dos praticantes de capoeira e dos pregadores religiosos, no centro da cidade. As fotos de Evandro Teixeira, pioneiro do fotojornalismo brasileiro, insinuam nessa modernidade urbana a memória da violenta repressão exercida contra os opositores do governo militar em 1968, quatro anos após o golpe de Estado de 1964.
A exposição em Anvers é livre, às vezes ao extremo. Ela começa com uma obra de Lygia Pape (1927-2004) intitulada “DNA”. São sessenta bacias em esmalte branco cheias de um líquido vermelho que evoca o sangue, colocadas sobre uma camada de feijões pretos dispostos em círculo e cercados por grãos de arroz. Arroz e feijão, o prato diário dos brasileiros, junto com a violência. Costume este que o governo de Dilma Rousseff quer erradicar, colocando os traficantes atrás das grades tendo em vista a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, duas competições que serão realizadas no Brasil.
O catálogo da exposição enfatiza a imagem original do Rio, “exuberância de um carnaval ao ar livre, os corpos flexíveis que parecem sempre a caminho da praia e a preocupação latente do perigo possível” ou, mais além, “a maneira como o esplendor natural e a engenhosidade humana ali interagem”.
O vídeo é evidentemente muito utilizado pelos artistas. Sob uma espécie de tenda nômade, Ernesto Neto colocou telas, pufes e fones de ouvido a fim mergulhar dentro de “Saturday, Sunday, Monday”, descrição livre da criatividade da gente das ruas, de todas as camadas sociais, no momento do carnaval. A trilha sonora, marchinhas clássicas de carnaval repetidas em pequenos grupos, que enlouquecem e riem, as imagens de personagens maquiadas, são notáveis.
No sexto andar do M HKA, Arthur Omar, nascido em 1948, exibe “Massaker!”, um vídeo realizado em 1996 durante a turnê brasileira de Michael Jackson. Centenas de fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas tentaram acompanhar o astro da música na favela de Santa Marta (“pacificada” em 2008), onde ele planejou gravar o clipe da música “They Don’t Care About Us” com o diretor americano Spike Lee e o grupo de percussionistas afro-baianos Olodum. Arthur Omar mistura as imagens das multidões penduradas nos estreitos terraços das casas da Santa Marta, no alto dos morros que dão vista para a baía, à espera do astro, que um helicóptero deixou no pé do morro. Arthur Omar as combinou com cenas eróticas, tomadas sobre Jackson dançando com barulhos de metralhadoras e outros frissons musicais ao fundo.
Tradução: Lana Lim

O AVIÃO QUE NINGUÉM QUER

Editorial: As faraônicas miragens do caça Rafale
Le Monde
Dois anos atrás, nesta coluna, o presidente da Dassault Aviation, Charles Edelstenne, não escondia sua satisfação: “Agora podemos falar no Rafale sem associar-lhe o eterno epíteto: o avião que nunca foi exportado”. Na época, é verdade, o Brasil havia se comprometido a comprar 36 exemplares do avião de caça francês, para desgosto dos concorrentes americanos.
Desde então, infelizmente, para o carro-chefe da aviação francesa, o compromisso brasileiro se dissipou, como se fosse uma miragem. Da mesma forma que acabou de se perder a esperança em ver a Suíça escolhendo o Rafale para substituir seus velhos aviões de combate F5 Tiger. Berna informou no dia 30 de novembro que, sobretudo por razões orçamentárias, o exército suíço optou por 22 Gripen suecos.
Assim como o Concorde no domínio da aviação civil, em outros tempos, o Rafale continua sendo o avião “que nunca foi exportado”. E que, ao que tudo indica, nunca será. Não é por falta de qualidades inegáveis, como acaba de ser demonstrado no campo de batalha líbio.
Mas isso não basta: nem a construtora francesa, nem o governo se dotaram de meios – políticos e comerciais – para enfrentar com sucesso a concorrência do F18 americano da Boeing e dos dois aviões de combate europeus (o Gripen sueco da Saab e o Eurofighter anglo-germano-ítalo-espanhol). A desunião europeia mais uma vez fez a felicidade dos americanos.
Desde o lançamento do programa Rafale no fim dos anos 1980, e depois sua ativação no exército francês em 2006, a Dassault só conheceu, de fato, decepções no mercado internacional. Após as rejeições da Holanda em 2001, da Coreia do Sul em 2002, de Cingapura em 2005, após a humilhação marroquina em 2007, após as ilusões brasileiras de 2009, após o amargo revés registrado, em novembro, nos Emirados Árabes Unidos, a decisão suíça praticamente anuncia o fim do voluntarismo demonstrado na questão pelo chefe do Estado. Só o mercado indiano alimenta uma vaga esperança de evitar o desastre anunciado do Rafale no mercado mundial.
No entanto, a Dassault vive bem. E com razão: a construtora privada tem um cliente de ouro, fiel e duradouro, que no caso é o exército francês e suas encomendas públicas que comodamente dispensam licitações. A França pretende equipar seus exércitos com 180 Rafales até 2021 e futuramente aumentar esse número para 286. Melhor ainda: como parte da lei de programação militar de 2009-2014, a Dassault obteve dos poderes públicos a garantia de produzir, independentemente do que aconteça na exportação, um avião por mês, a fim de garantir suas instalações industriais, seus empregos e seus preços.
É difícil de encontrar um contrato melhor do que esse: 40,6 bilhões de euros (a 142 milhões por aparelho), três quartos deles financiados por verba pública. Mas num momento em que o governo vem buscando, um a um, os milhões de euros para economizar, é no mínimo estranho que o contribuinte francês continue a financiar uma construtora de aviões, ainda por cima privada.
Tradução: Lana Lim

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

RICARDO NOBLAT ANALISA O CARÁTER DO ZAGUEIRÃO: FAXINEIRA OU UMA OUTRA PORCA?

Dilma aposenta fantasias
A essa altura, pouco importa que na próxima semana, de volta da Venezuela, a presidente Dilma Rousseff demita Carlos Lupi do Ministério do Trabalho como recomendou, ontem, a Comissão de Ética da presidência da República. O estrago na imagem dela já está feito.
O estrago na imagem de Lupi foi feito há mais tempo. Ele é um ministro que agoniza sob o sol há mais de um mês. Descobriu-se que alguns dos seus auxiliares cobravam comissões de ONGs a serviço do Ministério do Trabalho. Que ele, Lupi, mentiu ao Congresso ao negar que tivesse viajado em jatinho de empresário.
Ficou-se sabendo que Lupi foi funcionário-fantasma do PDT na Câmara dos Deputados por mais de cinco anos. E que nesse mesmo período foi funcionário da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. A Constituição proibe a acumulação remunerada de cargos públicos.
Lupi cheira mal.
Dilma peitou a recomendação da Comissão de Ética Pública. Depois de se reunir, esta manhã, com Lupi, anunciou que pedirá à Comissão a documentação em que ela se baseou para sugerir a saída do ministro. Está disposta a analisar a documentação antes de decidir a sorte de Lupi.
Como se fosse politicamente possível a Dilma ignorar a recomendação da Comissão e conservar Lupi ao seu lado! Se procedesse assim, na prática Dilma estaria dissolvendo a Comissão. Aos membros da Comissão não restaria outra alternativa senão a demissão.
Em menos de 10 meses de governo, Dilma demitiu ou aceitou o pedido de demissão de cinco ministros enrascados com denúncias de malfeitos. Foi apresentada ao país como "a faxineira ética". E sua popularidade cresceu, conforme atestaram pesquisas de opinião.
Os malfeitos de Lupi a ele e ao seu partido pertencem - mas quem se enrascou foi Dilma. Jogou fora a fantasia de "faxineira ética". Confiou que a fantasia já lhe dera o que podia. E - sabe-se bem lá por quê - decidiu afrontar o bom senso acreditando ou fingindo acreditar nas mentiras de Lupi.
Lupi jura ser inocente. Lupi disse a Dilma que pedirá a gravação da reunião da comissão que o condenou. E que em seguida tentará convencer a comissão a dar o dito pelo não dito. Algo do tipo: "Pensando melhor, o ministro não feriu a ética. Deve ser mantido no governo".
Assessores da presidente confidenciam que ela pretendia demitir Lupi por ocasião da reforma ministerial prevista para janeiro. E que não queria dar à imprensa o gosto de ter derrubado mais um ministro com as suas denúncias. Sim, porque não foi o governo que se deu conta das maracutaias promovidas pelos caídos. Foi a imprensa.
Agora, assessores de Dilma garantem que ela demitirá Lupi até o meio da próxima semana. Não o fez hoje "para ganhar tempo". Não esclarecem por que ela precisa ganhar tempo. Lupi deveria ter sido demitido ontem, tão logo Dilma recebeu a recomendação da Comissão. Que ela nomeasse um ministro interino. E voasse a Caracas.
Foi apenas um tremendo erro de cálculo o que levou Dilma a se enrolar com Lupi, a se enrolar mais, e a se enrolar completamente? Por que Lupi parece intimidar a presidente? O que foi feito da tigresa que no caso de Lupi só tem miado?
A "faxineira ética" jaz na lixeira. A tigresa ronda a lixeira.

GAROTOS PODRES - PAPAI NOEL VELHO BATUTA


Nós quatro.

judas priest - turbo lover

NÃO SEI NÃO...

O Zagueirão e aquele cara da economia cujo nome lembra o cafá da manhã dizem: consuma!   Sem medo!
Use o crediário!
SINISTRO, MUITO SINISTRO!
Extender crédito para quem ganha pouco vai gerar uma bolha que vai estourar mais cedo ou mais tarde.

JUDAS PRIEST - PAINKILLER


Nós 4

DÓRICAS, SEMPRE.

Dez na berlinda
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
A Justiça dá notícia de que dez governadores correm o risco de ter os mandatos cassados, caso sejam comprovadas as denúncias de que cometeram abusos na campanha eleitoral de 2010.
São acusados de extrapolar do exercício do poder e de usar indevidamente os meios de comunicação.
Eram 11 até anteontem, quando o Tribunal Superior Eleitoral decidiu arquivar o caso do governador de Roraima, Anchieta Júnior. Permanecem na berlinda os governadores do Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Tocantins, Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Piauí.
Não é um acontecimento trivial nem irrelevante. Afinal, nos últimos anos três governadores já foram cassados pela Justiça por motivos semelhantes e agora os chefes de Executivos estaduais que enfrentam o questionamento dos respectivos mandatos são praticamente um terço dos eleitos ou reeleitos.
Pode-se atribuir as ações ao choro dos perdedores, já que os processos são de iniciativa dos adversários que aspiram a assumir no lugar dos que sejam eventualmente afastados.
Fato é, porém, que os governadores correm risco e com eles os resultados das eleições de um ano atrás que bem ou mal, a depender da substância das provas, ficam em aberto.














ESSE É UM PAÍS QUE VAI PRA FRENTE, ÔÔÔÔÔ, NAS MÃOS DE UM GOVERNO CORRUPTO E INCOMPETENTE, ÔÔÔÔÔ

Aula só começa agora em escola de Manaus
Obras em 39 colégios fazem 23,5 mil alunos ficarem em casa; em um, ano letivo de 2011 só começa no fim do mês
Algumas turmas vão conseguir acertar o calendário em 2014; reposições ocorrerão no Natal e no Ano-Novo
KÁTIA BRASIL - FSP
Cerca de 23,5 mil alunos da rede pública de educação de Manaus começaram as aulas em 2011 com, no mínimo, seis meses de atraso em razão de reformas nas escolas. Em ao menos uma, o ano letivo só deve se iniciar neste mês.
As obras levaram ao fechamento temporário de 38 escolas municipais e de uma estadual neste ano. Os alunos terão de se adequar a um calendário especial para recuperar as aulas no período de festas de fim de ano e em 2012, inclusive aos sábados.
Como o calendário do próximo ano já deveria começar em fevereiro, as escolas mais atrasadas só irão conseguir normalizar as aulas em 2014.
Oficialmente, o governo do Estado e a prefeitura não detalham o calendário de reposição das aulas.
O número de estudantes afetados pelos atrasos equivale a 10% da rede municipal e a 0,2% da estadual.
SEM ESTUDAR
Ontem, a Folha visitou a Escola Municipal Jarlece Zaranza, na zona norte da capital do Amazonas. O edifício estava reformado, porém fechado para os estudantes.
Segundo a dona de casa Suelen Silva, 29, que tem um filho de dez anos matriculado na escola, a direção havia informado que as aulas começariam em 18 de novembro. Depois, no dia 29. Agora, ficou para o fim de dezembro.
"Meu filho não estuda faz um ano", afirma Suelen.
Na Escola Municipal Ana Mota Braga, zona sul, o ano começou na segunda para 499 alunos do ensino fundamental. A lavadeira Francisca de Lima, 52, mãe de Ilana, 13, aluna do 7º ano, disse que recorreu ao Ministério Público Estadual com outras nove mães pedindo a volta das aulas.
"A direção disse que o 7º ano será feito em seis meses. Depois de setembro [de 2012], minha filha começará o 8º."
O Juizado da Infância e Juventude atua em duas ações movidas por pais de alunos e pelo Ministério Público Estadual em relação aos atrasos.
'NEGLIGÊNCIA'
A juíza Rebeca de Mendonça Lima determinou que a Secretaria Municipal de Educação alugasse um prédio para receber os alunos da escola Ana Mota Braga, mas a decisão não foi cumprida.
"A situação causa prejuízos às crianças matriculadas em razão da negligência [das autoridades]", diz a juíza.
A legislação que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional diz que a carga horária mínima anual deve ser de 800 horas, distribuídas ao longo de, no mínimo, 200 dias de "efetivo trabalho escolar".
Ano letivo atrasado
REDE MUNICIPAL
22.763 alunos (9,81% da rede) tiveram atraso no início das aulas em 38 escolas
REDE ESTADUAL
820 alunos (0,2% da rede) tiveram atraso no ano letivo em uma escola
CALENDÁRIO
Prevê aulas aos sábados, nos feriados de Natal e Ano-Novo e ao longo de 2012. Regularização só deve ser concluída em 2014

'Não haverá ônus para estudantes', afirma secretário
A Secretaria de Educação do Município de Manaus afirma que o atraso no início das aulas não causará "ônus" para os alunos e que o calendário especial adotado pelas 38 escolas de sua rede permitirá cumprir a legislação. As redes, porém, não detalham o calendário de reposição.
"A legislação de diretrizes e bases nos orienta nestas questões e não haverá ônus para os alunos", afirmou o secretário municipal de Educação, Mauro Lippi.
Segundo ele, 245 das 492 escolas da rede já foram ampliadas e reformadas.
Sobre os casos específicos das escolas municipais Ana Mota Braga e Jarlece Zaranza, o secretário disse que procurou, mas não achou imóveis substitutos para alugar nos bairros correspondentes.
"Não havia nenhum local seguro e com uma infraestrutura adequada que pudesse comportar esses alunos", afirmou o titular da pasta.
A Secretaria de Educação não informou o número de alunos da escola Zaranza e também não permitiu que a reportagem entrevistasse diretores de escolas que adotarão o calendário especial.
A Secretaria de Estado de Educação disse que o calendário especial na escola estadual General Sampaio, que passou por obras e reformas, terminará em janeiro de 2012.
A secretaria afirmou ainda que, em alguns casos, consegue "realizar pequenas intervenções nas escolas sem que seja necessária a suspensão das aulas". Assim, "as obras ocorrem de forma paralela às aulas", concluiu a pasta. (KB)

CANDIDATO DO PT NÃO SABE ONDE ESTÁ A SUA PRÓPRIA B. E ISSO PREOCUPA O ZAGUEIRÃO E TODA A CORJA EM TORNO DELA

Inexperiência de Haddad preocupa PT
Em reunião para tratar de eleições, ministros do governo Dilma criaram grupo para elaborar a sua estratégia de campanha
Partido reclama de deslizes verbais e de autonomia assumida por pré-candidato em negociação com aliados
CATIA SEABRA/ANDRÉIA SADI - FSP
A falta de experiência do ministro da Educação e pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, já incomoda a equipe da presidente Dilma Rousseff.
Recentes movimentos dele foram alvo de preocupação durante jantar de ministros do PT na noite de segunda-feira, na casa de Gleisi Hoffmann (Casa Civil).
Na reunião -convocada para definir a participação dos ministros na campanha eleitoral do ano que vem- os petistas avaliaram como impróprio o comportamento de Haddad ao expor a conversa que teve com Dilma sobre sua permanência no ministério.
Segundo relato de Haddad, a presidente perguntou a ele se pedira para deixar o governo antes do Natal para "trabalhar como Papai Noel". Dilma, afirmam os ministros, não gostou da indiscrição.
De acordo com a assessoria da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, Haddad esteve no jantar.
O diagnóstico dos ministros reforçou a necessidade de convocação de um conselho político para "dirigir" Haddad na pré-campanha.
Oficialmente, ele vai elaborar um programa de governo de Haddad. Assim, o PT minimiza a imagem de tutela. Composto por 24 integrantes -entre eles, a senadora Marta Suplicy e os líderes de bancada-, o grupo terá sua primeira reunião depois de amanhã para fixar estratégia e agenda para Haddad.
Além dos deslizes verbais, o PT reclama da autonomia assumida por Haddad na negociação com aliados. Para petistas, ele caiu numa "armadilha" ao participar de encontro com o comando do PC do B sem análise do partido.
No jantar, o presidente do PT, Rui Falcão, fez um balanço das candidaturas do partido nas principais cidades. Ideli recomendou o engajamento dos ministros na campanha do ano que vem. Mas receitou cautela na disputa com adversários que integram a base do governo.
A intenção é evitar que brigas regionais contaminem a relação com o Congresso.
Segundo participantes, Ideli sugeriu que ministros compatibilizem a agenda oficial com atividades partidárias, desde que respeitando a legislação.
A assessoria da ministra nega a orientação. Mas disse que os ministros do PT se reúnem semanalmente para discutir estratégia eleitoral para 2012.
Entre os presentes no jantar, estavam o chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo, os ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento Industrial), Gilberto Carvalho (Secretaria-geral da Presidência) e Alexandre Padilha (Saúde), o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, e os líderes do PT na Câmara e no Senado.
O cenário das eleições será tema da reunião do Diretório Nacional do PT amanhã.





ESTUDANTES DE DIREITO TENTAM APLICAR GOLPE NA OAB!

OAB descobre documentos falsos de estudantes de direito

O objetivo dos estudantes era obter a carteira de estágio da ordem antes do 8º período, uma exigência da entidade
O Globo
RIO - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Rio) e a Universidade Candido Mendes descobriram um esquema de falsificação de declarações do curso de direito, no campus de Padre Miguel. O objetivo dos estudantes era usar o documento falso para obter a carteira de estágio da ordem antes do 8º período, uma exigência da entidade. Até agora, duas fraudes foram comprovadas e os alunos envolvidos, expulsos da universidade. A pedido da Candido Mendes, a OAB levantou os pedidos de carteira de estagiário feitos de junho de 2010 a maio deste ano. Segundo relatos dos estudantes à Ordem, o esquema foi montado por uma quadrilha.
— Os interessados pagariam R$ 50 para ter a declaração falsa. Era uma maneira de obter a carteira sem cumprir os requisitos: estar, pelo menos, no 8º período e cursando duas disciplinas necessárias no currículo — explicou Ronaldo Barros, presidente da OAB/Bangu.
A OAB pediu ainda ao Ministério Público que denuncie esses alunos pelos crimes de estelionato e fraude.
— Continuamos com as investigações. Aguardamos a confirmação de mais quatro casos de fraude — afirmou Barros.
O superintendente jurídico da Candido Mendes, Luiz Eduardo Duarte Junior, disse que a fraude era comandada por alguém de fora da universidade.

CAÇANDO PILANTRAS, SAFADOS E CORRUPTOS. ISTO É IMPRENSA LIVRE, O GRANDE MEDO DO GOVERNO PETISTA.

Ministro acumulou ilegalmente cargos em Brasília e no Rio
Carlos Lupi foi assessor legislativo no Rio entre 2000 e 2005, mesmo período em que era funcionário-fantasma na Câmara
Constituição proíbe o acúmulo de cargos públicos; ministro diz que poderá devolver salários após consulta
FERNANDO MELLO/ANDREZA MATAIS - FSP
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), ocupou simultaneamente, por quase cinco anos, dois cargos de assessor parlamentar em órgãos públicos distintos, a Câmara dos Deputados, em Brasília, e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
A "acumulação remunerada de cargos públicos" é proibida pela Constituição e pode levar a ações judiciais por improbidade administrativa e peculato, com cobrança da devolução dos recursos recebidos de maneira irregular.
Entre dezembro de 2000 e novembro de 2005, ao mesmo tempo em que era assessor-fantasma da liderança do PDT na Câmara dos Deputados em Brasília, como a Folha mostrou sábado, Lupi também ocupava o cargo de assessor de um vereador do seu partido na Câmara Municipal do Rio, a quase 1.200 km da capital.
Ambas as funções exigiam que ele estivesse, durante 40 horas semanais, nos locais de trabalho.
Em Brasília, a norma da Câmara dos Deputados dizia que o funcionário deveria ser "encontrado" na Casa.
No Rio, cada vereador tem o poder de decidir quais assessores devem ficar no gabinete. Sami Jorge, o ex-vereador que empregou Lupi, afirmou que o ministro "dava expediente todos os dias".
Mas Jorge diz não se lembrar quais funções o ministro exercia no seu gabinete nem soube explicar como o ministro poderia trabalhar nas duas cidades ao mesmo tempo.
"Já faz algum tempo e eu confesso ao senhor que não tenho memória da função de todos os servidores do meu gabinete. Não sei o que fazia e por qual período", disse.
TRAJETÓRIA
Lupi, que ficou no gabinete do vereador até novembro de 2005, é funcionário concursado da Prefeitura do Rio e, por esse motivo, foi cedido à Câmara com ônus, o que significa que o Executivo municipal continuou pagando seu salário. A prefeitura não informou seus ganhos.
Em Brasília, ele recebeu vencimentos que hoje representam R$ 12 mil.
Quando deixou a Câmara dos Deputados, em 2006, Lupi voltou à Câmara Municipal do Rio, no ano seguinte. Dessa vez para outro gabinete, do também pedetista Charbel Zaib, em um cargo cujo salário atual é de R$ 10 mil.
Pouco depois, foi exonerado para assumir o Ministério do Trabalho.
Lupi omite suas passagens como assessor nas suas biografias oficiais.
No período dessas atividades, ele exerceu funções partidárias, como vice e, desde 2004, presidente do PDT.
A Constituição prevê acumulação dos cargos apenas em hipóteses como professor e funcionários da saúde.
Desde 2003, o governo federal expulsou cem servidores que acumularam empregos públicos.
Se for constatado que o funcionário não trabalhou em um dos cargos, procuradores e promotores podem propor ações judiciais, em especial por improbidade administrativa e peculato (crime de apropriação ou desvio de dinheiro ou qualquer bem público).
"Em tese, se ficar claro que era impossível trabalhar nos dois empregos, é um caso de improbidade", diz Alexandre Camanho, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República.
"Cargos de confiança não são acumuláveis. A Constituição é bem restritiva", diz Carlos Ari Sundfeld, presidente da Sociedade Brasileira de Direito Público.
No caso de Lupi, a proposição de uma ação dependeria da análise da prescrição de eventuais delitos.

NUM PAÍS DECENTE, ESSE "PAULINHO DA FORÇA " JÁ ESTARIA PRESO HÁ MUITO TEMPO. OLHO VIVO NO PATRIMÔNIO DELE.

Paulinho da Força diz que Comissão de Ética possui 'gagás e velhinhos'
Deputado do PDT ficou bravo com recomendação do grupo para que Dilma demita Lupi

EUGÊNIA LOPES, ANDRÉ JUBÉ VIANNA E ROSA COSTA - Agência Estado
Surpreendido, o PDT atacou ontem o "mensageiro" e se esquivou sobre a recomendação da Comissão de Ética Pública da Presidência de demitir o presidente licenciado do partido, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), afirmou ontem que a Comissão de Ética Pública da Presidência da República é integrada por "gagás e velhinhos" que perseguem o ministro.
Comissão de ética sugere demissão de Lupi (f) e deixa Paulinho da Força irritado
Segundo Paulinho, como é conhecido o presidente da Força, o PDT vai aguardar a reação da presidente Dilma Rousseff para só então se pronunciar sobre a recomendação da Comissão de exonerar o ministro Lupi.
"Esperamos que ela não ouça essa comissão de gagás. Essa é uma comissão de gagás, de velhinhos que ficam perseguindo o ministro Lupi. Vamos ver se a Dilma vai ouvir essa comissão de retardados", disse Paulinho. "Na verdade, essa comissão de ética sempre perseguiu o ministro Lupi", emendou. Para o presidente da Força, as denúncias não atingem diretamente o ministro.
No passado, Lupi já foi alvo de sanção da Comissão Ética, que o censurou por ocupar a presidência do PDT ao mesmo tempo em que assumiu o Ministério do Trabalho. O ministro acabou se licenciando da presidência do partido.
À exceção de Paulinho, os pedetistas evitaram ontem à noite dar declarações sobre a situação do ministro Lupi. A cúpula do PDT estava disposta a aguardar a reação da presidente. "Precisamos ver se a presidente Dilma vai capitular e atender à recomendação da comissão", observou um pedetista histórico. A avaliação do partido era que a Comissão de Ética fez um ato de "insubordinação" ao Planalto ao propor a demissão de Lupi. Afinal, alegam os pedetistas, a presidente da República e integrantes da base aliada, incluindo parlamentares do PT, já se declararam considerar as denúncias contra o ministro inconsistentes.
Oposição. Para o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), a recomendação da Comissão torna "absolutamente insustentável sua permanência na pasta". "O ministro não tinha qualquer condição de permanecer no cargo já há algum tempo. O que mais, além desse posicionamento da Comissão de Ética, a presidente Dilma está esperando? Isso só comprova que a faxina não existe. A presidente apenas reage e, nesse caso, perdeu o ''timing''", afirmou o tucano.

A QUADRILHA DO PT NÃO SE RENDE AOS FATOS

Pisando na bola
Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA - A sensação é a de que o Congresso está dividido. A maioria dos assessores só dá as caras para receber o seu (e o nosso) rico dinheirinho no fim do mês, e os que comparecem ao serviço vivem um clima de "1984", de George Orwell.
De um lado, a revelação de que o (por enquanto) ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi funcionário-fantasma da Câmara durante quase seis anos funcionou como casca de banana para o líder do PT, Cândido Vaccarezza, e reabriu a discussão sobre a bananeira toda.
Sem ter como defender o indefensável, Vaccarezza escorregou feio e disse que não tem nada demais em ser funcionário-fantasma, já que a maioria dos assessores de deputados "jamais pisou na Câmara". Como se sentem os funcionários que cumprem suas obrigações?
De outro lado, como vem mostrando o jornal "Correio Braziliense", o Senado vem desde 2004 transformando sua polícia legislativa numa força paralela com poderes inerentes à polícia polícia: de revista, busca, apreensão e detenção.
Os seguranças podem andar armados, estão ganhando sofisticadas maletas de rastreamento de grampos telefônicos e por um triz não passaram a ter o direito de acessar dados sobre o uso da internet por funcionários (daqueles que comparecem ao local de trabalho, claro).
A alegação dos gênios que criam o monstro é que o Senado é, nesse caso, meramente empregador e, por entendimento do TST, o empregador tem acesso aos e-mails corporativos.
Mas, para advogados e juristas, trata-se da quebra de sigilo de correspondência sem autorização judicial ou a velha "invasão de privacidade" própria de ditaduras e de regimes dos que se sentem deuses.
Aos assessores, portanto, sobra a alternativa: ou se submetem a quem está brincando de "Grande Irmão" ou desencarnam do serviço e viram fantasmas -como "a maioria", segundo o líder Vaccarezza.





A ALEMANHA E O NEONAZISMO

Relatório indica neonazistas alemães estão bem armados
Der Spiegel
Ao que parece, os neonazistas alemães estão mais bem armados do que se pensava. Segundo um relatório divulgado nesta semana pelo Ministério do Interior alemão em resposta a uma comissão parlamentar de inquérito, as autoridades policiais do país confiscaram 811 armas de extremistas de direita no período de dois anos de 2009 a 2010.
As armas apreendidas incluem pistolas, rifles e até mesmo armamentos utilizados pelas forças armadas. Além disso, a polícia apreendeu 40 artefatos explosivos, diversos tipos de gás pimenta (um tipo de gás lacrimogêneo) e mais de 300 facas e punhais.
"O número crescente de armas descobertas em poder de elementos neofascistas comprova que a direita militante está se armando em um ritmo alarmante", disse Ulla Jelpke, a porta-voz para questões de política interna do partido A Esquerda (em alemão, Die Linke) no parlamento alemão, ao jornal "Berliner Zeitung", que foi o primeiro a noticiar as novas estatísticas relativas às armas. "O que nos preocupa especialmente é o aumento do número de armas de fogo".
O relatório foi divulgado como resposta a uma solicitação ao Ministério do Interior feita pelo bloco do partido A Esquerda no parlamento alemão.
A notícia é publicada em um momento no qual a Alemanha continua a absorver as revelações de que uma célula terrorista neonazista situada na cidade alemã de Zwickau foi responsável por uma operação de assassinatos que tinha como alvo imigrantes, e que resultou em nove vítimas, entre 2000 e 2006, bem como na morte de uma policial em 2007. Embora a violência neonazista na Alemanha tenha sido identificada há muito tempo, a descoberta do trio de assassinos, que passou 14 anos atuando clandestinamente, provocou um choque na sociedade alemã.
"Facção Exército Marrom"
Na quarta-feira (30/11), um comitê parlamentar continuava procurando identificar possíveis erros cometidos pela polícia durante as investigações da onda de crimes. Nas últimas semanas uma grande quantidade de críticas tem se concentrado no Departamento para a Proteção da Constituição (em alemão, Landesbehörden für Verfassungsschutz), a agência de inteligência interna da Alemanha. A agência tem escritórios em todos os Estados alemães, além da sede federal, e os críticos dizem que problemas de comunicação interna foram um motivo significante para que a ação dos criminosos demorasse tanto tempo para ser descoberta.
Além dos detalhes relativos à descoberta de armamentos, o relatório do Ministério do Interior indica também que, desde 2001, 13 grupos de extrema direita vêm sendo investigados com base nas leis alemãs que proíbem a criação de organizações terroristas. Os grupos têm nomes como "Movimento Nacional para a Lealdade Eterna a Hess", "Novo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães", "Associação Alemã de Luta Contra os Judeus" e "Facção Exército Marrom".
A célula de Zwickau, que se autodenominava "Nacional Socialismo Underground", é o mais recente acréscimo a essa lista. Além dos três membros centrais - Uwe Böhnhardt e Uwe Mundlos, ambos encontrados mortos em uma van de camping no início de novembro, e Beate Zschäp, que se encontra atualmente detido – as autoridades policiais suspeitam que havia muito mais gente apoiando o grupo. Na última terça-feira, a polícia prendeu mais um homem que se acredita que tenha vínculos com a célula. Ralf Wohlleben, um ex-membro graduado do direitista Partido Nacional Democrata da Alemanha (em alemão, Nationaldemokratische Partei Deutschlands – Die Volksunion, ou NPD), é suspeito de ter fornecido uma arma e munições ao trio.
Tradução: UOL

O IRÃ E A GUERRA

Irã desafia pressão internacional
Najmeh Bozorgmehr e Roula Khalaf

Financial Times
O regime islâmico do Irã provou em suas mais de três décadas no poder que há uma regra chave que ele segue quando se vê diante de ameaças externas ou domésticas: não recuar.
"Se você der um passo para trás diante de poderes arrogantes, isso permitirá que eles deem um passo à frente", já declarou em um discurso o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
A abordagem ficou evidente na repressão brutal pelo Irã aos maiores distúrbios antirregime do país, que tomaram conta do país após a eleição presidencial de 2009. O movimento Verde de oposição foi esmagado e o regime não fez concessões.
Também em seu programa nuclear, o Irã permanece desafiador, absorvendo a lista cumulativa de sanções contra investimentos e transações financeiras que enfrenta, sem qualquer indício de recuo em suas ambições nucleares.
Na última terça-feira (29), Teerã emitiu a mesma mensagem quando manifestantes invadiram a embaixada britânica, a denunciando como sendo um "ninho de espiões", o mesmo termo usado durante a tomada da embaixada americana na revolução de 1979, quando 52 pessoas foram mantidas reféns por 444 dias.
A causa imediata para as tensões foi a decisão do Reino Unido de ir além de seus pares ocidentais e impor sanções ao banco central iraniano, parte de um esforço para intensificar a pressão sobre o Irã devido ao seu programa nuclear.
A resposta de Teerã foi rápida e agressiva: no fim de semana, ele decidiu expulsar o embaixador britânico e rebaixar os laços ao nível de charge d’affaires. Então empunhou uma vara maior com a invasão da embaixada.
Mas o Irã está olhando além do Reino Unido e além das sanções ao banco central. Pela primeira vez, os países europeus estão discutindo a perspectiva de impor um embargo ao petróleo contra o país, visando uma de suas armas mais potentes.
Após o relatório do mês passado pela agência de energia atômica da ONU, que detalhou os esforços anteriores do Irã para militarizar seu programa nuclear, e do aumento da preocupação de que Israel possa lançar ataques militares contra as instalações nucleares iranianas, as potências ocidentais foram estimuladas a agir.
À medida que o programa nuclear de Teerã, que foi ofuscado neste ano pela onda de levantes árabes, retorna ao centro do palco diplomático global, os governantes da República Islâmica estão alertando que estão longe de impotentes.
Nas últimas semanas, altos comandantes da Guarda Revolucionária de elite e do Ministério da Defesa têm alertado repetidamente que são capazes de contra-atacar, graças em parte ao seu arsenal de mísseis.
"Ironicamente, o Irã se tornou ainda mais agressivo sob pressão internacional", diz um ex-alto funcionário. "Saddam Hussein (do Iraque) ou (Muammar) Gaddafi (da Líbia) costumavam abrir as portas aos inspetores ou encerrar as atividades nucleares assim que eram pressionados", acrescentou o alto funcionário. "Mas o Irã não fará o mesmo."
"Eles querem enviar a mensagem de que o aumento da pressão pelos europeus não será sem custo e que o Irã tem meios de retribuir", disse Karim Sadjadpour, o especialista em Irã do Fundo Carnegie para a Paz Internacional.
Por anos, o Irã desdenhou as sanções americanas e europeias contra seu programa nuclear como sendo ineficazes, alegando que elas fortaleciam a República Islâmica ao promover uma maior independência econômica.
Rostam Ghassemi, o ministro do Petróleo do Irã, disse nesta semana que o Irã não teria problemas para vender seu petróleo e prometeu vencer "a guerra econômica contra os países ocidentais".
De fato, o Irã adotou medidas para se proteger. Ele deslocou seus laços comerciais para o oriente. Hoje, cerca de 30% de seu petróleo é vendido na Europa, com grande parte do restante tendo a Ásia como destino.
Mas mesmo um embargo europeu limitado contra o Irã aumentaria a intensidade do confronto para um novo patamar.
Graças a cerca de US$ 80 bilhões em receitas anuais de petróleo, Teerã tem conseguido atenuar o impacto das sanções financeiras. Um relatório deste ano do Fundo Monetário Internacional apontou que a economia iraniana cresceu 3,2% no ano fiscal até março, devido aos preços mais altos do petróleo e a uma recuperação na agricultura.
As autoridades em Teerã apontam para a fragilidade da economia global e para o golpe que ela sofreria com um aumento dos preços do petróleo, de modo que permanecem confiantes de que um embargo ao petróleo permanece uma possibilidade distante.
Mas o Irã sem dúvida está preocupado com o que pode acontecer à frente. E, caso um embargo robusto ao petróleo venha a se tornar realidade, os cálculos de Teerã poderiam mudar.
Outra regra da República Islâmica poderia ser usada: altere seu comportamento apenas quando estiver encurralado e não possa mais seguir em frente. Isso aconteceu durante a guerra Irã-Iraque dos anos 80, quando Teerã aceitou um cessar-fogo para colocar um fim a oito anos de conflito, em resposta à opinião pública negativa e uma queda dramática nos preços do petróleo.
Tradução: George El Khouri Andolfato