segunda-feira, 2 de abril de 2012

BANDO DE CRIMINOSOS

Justiça proíbe carteirada que 'dava' trânsito livre a políticos
Papel era fornecido sem amparo legal pela Ordem dos Parlamentares do Brasil
Ministério Público diz que carteirinha poderia confundir autoridades e estava sendo usada para atos criminosos
FLÁVIO FERREIRA/DANIEL RONCAGLIA - FSP
A Justiça de São Paulo determinou a suspensão das atividades de uma entidade que distribuía carteirinhas com o objetivo de conceder facilidades a seus portadores.
O papel, que tem brasão e aparência de documento oficial, traz uma solicitação a autoridades civis e militares para que seja concedido "trânsito livre" aos que o possuem.
A decisão judicial mandou ainda recolher todas as carteirinhas, que eram fornecidas pela OPB (Ordem dos Parlamentares do Brasil).
A entidade, criada em 1976, reúne em sua maioria políticos de pouca expressão e é apontada pelo Ministério Público como "mera associação civil de direito privado, sem nenhuma ligação direta ou indireta" com o Legislativo.
A principal inscrição orienta: "Solicitamos as autoridades civis e militares facilitarem ao portador livre trânsito para o bom desempenho das funções".
Os privilégios concedidos aos portadores da carteira mencionam duas normas que não têm relação com garantias a parlamentares, de acordo com o Ministério Público.
São elas a lei federal 7.437/85, a chamada Lei de Ação Civil Pública, e o decreto federal 92.302, que regulamenta o Fundo para Reconstituição de Bens Lesados.
A OPB diz que está em processo de extinção, devido a problemas financeiros.
Ela afirma ainda que a carteira foi criada na década de 70 "para servir como instrumento de proteção contra a ditadura militar".
CARTEIRADA
A decisão da Justiça de primeira instância de São Paulo (6ª Vara Cível) foi tomada em caráter provisório, em 29 de fevereiro, e publicada no mês passado.
Segundo o promotor Nadir de Campos Júnior, autor da ação civil pública, as carteirinhas tinham o objetivo de confundir as autoridades e estariam sendo usadas por criminosos.
Para ele, a verdadeira finalidade da entidade seria "auferir dinheiro decorrente do pagamento de mensalidades para apenas conferir uma carteirinha aos associados".
Em um dos casos citados, o portador da carteirinha da OPB foi detido por causar um acidente de trânsito e apresentar sinais de embriaguez.
Além de buscar se livrar da detenção, ele teria usado a carteira para tentar dar "voz de prisão" aos policiais.
Na ação, a Promotoria aponta ainda que uma carteira foi apreendida com um homem condenado a 15 anos de prisão sob a acusação de chefiar uma quadrilha de roubo de carga na região de Guaratinguetá (SP).
No documento, ele era indicado como "assessor político".
Em outro caso, o Ministério Público afirma que uma pessoa presa, em março, com 300 quilos de cocaína também portava uma carteira.
HOMENAGENS
Nos últimos anos, a entidade tem como principal atividade a entrega de títulos a empresas que contribuem para a festa de premiação.
A OPB é presidida pelo suplente de deputado Dennys Haddad Serrano (PSB), que teve apenas 1.758 votos na eleição passada.
De acordo com o advogado da OPB, Ricardo Sikler, nem 5% dos associados têm pagado a contribuição nos últimos dois anos.
Segundo o Ministério Público, seriam 2.900 o total de carteirinhas confeccionadas, sendo que metade já teria sido recolhida.
O último encontro da OPB reuniu 21 pessoas, de acordo com a Promotoria.
A entidade tem como sede principal um casarão na região nobre dos Jardins (zona oeste de São Paulo).
O site dela foi tirado ar após a Folha procurar seus representantes na sexta-feira passada.

CUSTO BRASIL

Alto custo de produção
O Estado de S.Paulo - Editorial
Consideradas satisfatórias pelo governo, por alguns setores da indústria e pelo movimento sindical - mas não, certamente, pelos consumidores -, as mudanças no acordo comercial entre o Brasil e o México, para a redução da entrada de veículos mexicanos no mercado interno nos próximos três anos, apenas contornam um grave problema estrutural da economia brasileira. Os automóveis mexicanos estavam conquistando espaços maiores no mercado brasileiro não por causa de eventuais imperfeições no acordo entre os dois países, mas por uma razão muito mais simples, e que o consumidor identificou rapidamente: eles custam menos do que os similares produzidos no Brasil.
O custo de produção de veículos no Brasil é um dos mais altos do mundo, como mostrou reportagem de Cleide Silva publicada no Estado (25/3), fato que, combinado com o câmbio favorável às importações, fez crescer nos últimos tempos a participação dos automóveis importados nas vendas no mercado doméstico.
É muito mais barato produzir um veículo no México do que no Brasil. Enquanto aqui o custo de manufatura de um modelo compacto é de cerca de US$ 1,4 mil, no México é de US$ 600, menos da metade. Os países asiáticos conseguem produzir a custos ainda menores (US$ 500 na Tailândia e US$ 400 na China), de acordo com dados compilados pela empresa internacional de consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC).
Apesar do alto custo da produção no País - equivalente ao dos Estados Unidos e do Japão, países com padrões de vida e de renda muito mais elevados do que os nossos -, grandes investimentos têm sido anunciados e realizados na expansão da capacidade da indústria automobilística brasileira. No entanto, praticamente nenhum dos novos projetos tem como meta a transformação do Brasil em plataforma de exportações para outros países do hemisfério, porque, como mostram os números acima, é muito baixa a competitividade do País.
O que as grandes corporações internacionais pretendem é conquistar fatias no mercado brasileiro, que continua a crescer rapidamente e ainda tem muito espaço para se expandir, ao contrário do que ocorre nos países ricos, cujos mercados já estão saturados e, agora, enfrentam as dificuldades decorrentes da crise financeira internacional. Além disso, as medidas protecionistas adotadas pelo governo brasileiro, como o aumento da taxação das importações de veículos de montadoras ainda não instaladas no País, estão forçando a vinda de novos grupos.
O alto custo da produção de veículos é parte de um problema muito mais amplo, que afeta toda a produção brasileira. Os novos investidores no setor automobilístico, bem como as empresas que operam no País há mais tempo, têm consciência das imensas dificuldades para a realização de negócios no Brasil - apontadas seguidamente em relatórios internacionais.
A qualificação em muitos casos insuficiente do trabalhador e a rigidez das regras trabalhistas estão entre as causas do alto custo de produção da indústria automobilística brasileira. O responsável internacional pela pesquisa da PwC, Dietmar Ostermann, lembra que os trabalhadores americanos e chineses levam em média de 15 a 19 horas para produzir um automóvel. No Brasil, são necessárias de 26 a 30 horas, nas mesmas condições tecnológicas e para o mesmo padrão de produto. Isso eleva o peso do fator trabalho no custo de produção. Ainda no item das relações de trabalho, os encargos da folha de salários e a falta de flexibilidade das jornadas encarecem ainda mais o custo de produção.
Os impostos sobre equipamentos e máquinas, o alto preço da matéria-prima, que encarecem também os componentes, e as deficiências de infraestrutura, que elevam os custos logísticos, também contribuíram para encarecer o produto final.
As empresas que, apesar disso, investem no Brasil, fazem-no "porque não têm outra opção", adverte Ostermann. Quando as opções começarem a surgir, como certamente surgirão, ficará cada vez mais difícil atrair investimentos para uma economia de tão baixa competitividade.
Crime sem castigo
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - socíólogo, foi presidente da República - O Estado de S.Paulo
Houve tempo em que se dizia que ou o Brasil acabava com a saúva ou a saúva acabaria com o Brasil. As saúvas andam por aí, não acabaram, nem o Brasil acabou. Será a mesma coisa com a corrupção? Que ela anda vivinha por aí não restam dúvidas, que acabe com o Brasil é pouco provável, que acabe no Brasil, tampouco. Mas que causa danos enormes é indiscutível. Haverá quem diga que sempre houve corrupção no País e pelo mundo afora, o que provavelmente é certo, mas a partir de certo nível de sua existência e, pior, da aceitação tácita de suas práticas como "fatos da vida", se ela não acaba com o País, deforma-o de modo inaceitável. Estamo-nos aproximando desse limiar.
Há formas e formas de corrupção, especialmente das instituições e da vida política. As mais tradicionais entre nós são o clientelismo - a prática de atender os amigos, e os amigos dos amigos, nomeando-os para funções públicas -, a troca de favores e o patrimonialismo, isto é, a confusão entre público e privado, entre Estado e família. Tudo isso é antigo e deita raízes na Península Ibérica. A frase famosa "é dando que se recebe", de inspiração dita franciscana, referia-se mais à troca de favores do que ao recebimento de dinheiro. Por certo, um sistema político assentado nessas práticas já supõe o desdém pela lei e é tendente a permitir deslizes mais propriamente qualificados como corrupção. Mesmo quando não haja suborno de funcionários ou vantagem pecuniária pela concessão de favores, prática que os juristas chamam de prevaricação, os apoios políticos obtidos dessa maneira são baseados em nomeações que implicam gasto público. Progressivamente, tais procedimentos levam a burocracia a deixar de responder ao mérito, ao profissionalismo. Com o tempo, as gorjetas e mesmo o desvio de recursos - o que mais diretamente se chama de corrupção - aumentam como consequência desse sistema.
Nos dias que correm, entretanto, não se trata apenas de clientelismo, que por certo continua a existir, ao menos parcialmente, mas de algo mais complexo. Se o sistema patrimonialista tradicional já contaminava nossa vida política, a ele se acrescenta agora algo mais grave. Com o desenvolvimento acelerado do capitalismo e com a presença abrangente dos governos na vida econômica nacional, as oportunidades de negócios entremeados por decisões dependentes do poder público ampliaram-se consideravelmente. E as pressões políticas se deslocaram do mero favoritismo para o "negocismo". Há contratos por todo lado a serem firmados com entes públicos, tanto no âmbito federal como no estadual e no municipal. Crescentemente, os apoios políticos passam a depender do atendimento do apetite voraz de setores partidários que só se dispõem a "colaborar" se devidamente azeitados pelo controle de partes do governo que permitam decisões sobre obras e contratos. Mudaram, portanto, o tipo de corrupção predominante e o papel dela na engrenagem do poder. Dia chegará - se não houver reação - em que a corrupção passará a ser condição de governabilidade, como ocorre nos chamados narcoestados. Não, naturalmente, em função do tráfico de drogas e do jogo (que também se podem propagar), mas da disponibilidade do uso da caneta para firmar ordens de serviço ou contratos importantes.
Não por acaso se ouvem vozes, cada vez mais numerosas, na mídia, no Congresso e mesmo no governo, a clamar contra a corrupção. E o que é mais entristecedor, algumas delas por puro farisaísmo, como ainda agora, em clamoroso caso que afeta o Senado e sabe Deus que outros ramos do poder. O perigo, não obstante, é que se crie uma expectativa de que um líder autoritário ou um partido-salvador seja o antídoto para coibir a disseminação de tais práticas. Em outros países já vimos líderes supostamente moralizadores se engolfarem no que diziam combater, e a experiência com partidos "puritanos", mesmo entre nós, tem mostrado que nem eles escapam, aqui ou ali, das tentações de manter o poder ao preço por ele cobrado. Quando este passa a ter a conivência com o setor gris da sociedade, lá se vão abaixo as belas palavras, deixando um rastro de desânimo e revolta nos que neles acreditaram.
A experiência histórica mostra, contudo, que há caminhos de recuperação da moral pública. Na década de 1920, nos Estados Unidos, havia práticas dessa natureza em abundância. O controle político exercido por bandos corruptos aboletados nas câmaras municipais, como em Nova York, por exemplo, onde o Tammany Hall deixou fama, é arquiconhecido. As ligações entre o proibicionismo do álcool e o poder político, da mesma forma. Pouco a pouco, sem nunca, por certo, eliminar a corrupção completamente, o caráter sistêmico desse tipo de procedimento foi sendo desmantelado. À custa de quê? Pregação, justiça e castigo. Hoje, bem ou mal, os "graúdos", ao menos alguns deles, também vão para a cadeia. Ainda recentemente, em outro país, a Espanha, depois de rumoroso escândalo, alto personagem político foi condenado e está atrás das grades. Não há outro meio de restabelecer a saúde pública senão a exemplaridade dos líderes maiores, condenando os desvios e não participando deles, o aperfeiçoamento dos sistemas de controle do gasto público e a ação enérgica da Justiça.
A despeito do desânimo causado pela multiplicação de práticas corruptas e pela impunidade vigente, há sinais alvissareiros. É inegável que os sistemas de controle, tanto os tribunais de contas como as auditorias governamentais e as Promotorias, estão mais alerta e a mídia tem clamado contra o mau uso do dinheiro e do patrimônio públicos. A ação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a validade da Lei da Ficha Limpa mostram que o clamor começa a despertar reações. Mas é preciso mais. Necessitamos de uma reforma do sistema de decisões judiciais, na linha do que foi proposto pelo ministro Peluso, para acelerar a conclusão dos processos e dificultar que bons advogados posterguem a consumação da justiça. Só quando se puserem na cadeia os poderosos que tenham sido condenados por crimes de colarinho branco, o temor, não da vergonha, mas do cárcere coibirá os abusos.
Não nos esqueçamos, porém, de que existe uma cultura de tolerância que precisa ser alterada. Não faltam conhecidos corruptos a serem brindados em festas elegantes e terem quem os ouça como se impolutos fossem. As mudanças culturais são lentas e dependem de pregação, pedagogia e exemplaridade. Será pedir muito? E não nos devemos esquecer de que a responsabilidade não é só dos que transgridem e da pouca repressão, mas da própria sociedade - isto é, de todos nós -, por aceitar o inaceitável e reagir pouco diante dos escândalos.

FALKLANDS

Governo argentino ameaça bancos britânicos, diz jornal
O Estado de S.Paulo
A Embaixada da Argentina em Londres enviou comunicados a vários bancos britânicos e americanos advertindo que as instituições que auxiliarem empresas na exploração de petróleo na região das Malvinas podem sofrer "ações administrativas".
A informação foi revelada ontem pelo jornal britânico The Sunday Times. As cartas teriam sido enviadas nos últimos dez dias a cerca de 15 instituições bancárias. As ameaças reforçam a tensão crescente entre Buenos Aires e Londres a respeito da soberania das ilhas.
Entre os bancos que teriam recebido o comunicado estão Barclays Capital, Royal Bank of Scotland e Goldman Sachs. Em março, o governo argentino já havia ameaçado abrir processos em cortes internacionais contra empresas que operassem na exploração de petróleo das Malvinas. Até o momento, apenas uma empresa anunciou sucesso na prospecção petrolífera nas águas do arquipélago.
Homenagem. Hoje, o início da Guerra das Malvinas completa 30 anos. A presidente argentina, Cristina Kirchner, presidirá uma cerimônia de homenagem aos combatentes mortos. Desde a noite de ontem, veteranos do Exército fazem uma vigília no local do evento, em Ushuaia.
Além da cerimônia, haverá a inauguração de um museu sobre o conflito e a exibição de um documentário sobre o lado argentino da guerra. A presidente também inaugurará uma "chama eterna" diante de um muro com os nomes dos 649 combatentes argentinos mortos no conflito. Completando o evento, veteranos levarão uma nova bandeira argentina para substituir a que tremula na praça central de Ushuaia.
Defesa. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, também deve se pronunciar hoje a respeito do conflito e da tensão recente entre os dois países.
De acordo com informações obtidas pela agência de notícias France Presse, Cameron deve atacar a decisão argentina de desembarcar nas ilhas em 1982 e reafirmar a promessa de defender "o direito dos habitantes das ilhas de decidir o próprio destino". O primeiro-ministro também saudará o "heroísmo" das tropas britânicas no conflito.

DE UM ARGENTINO DESGOSTOSO COM OS RUMOS DO SEU PAÍS, PARA OS NORTE-AMERICANOS QUE TÊM PELA FRENTE UM FUTURO DESALENTADOR

Aos EUA, as nossas lições sobre decadência
Gabriel Saez - FSP
Bem-vindos ao clube! Sentem-se ali junto à França. Decair não é tão ruim: vende-se mais vinho, taxistas viram filósofos. Vai que surge um tango no Kansas?
Tony Soprano: "É bom fazer parte de algo desde o começo. Cheguei tarde para isso, eu sei. Mas ultimamente sinto a sensação de que cheguei no fim. A melhor parte já terminou."
Dra. Melfi: "Acho que muitos americanos têm essa sensação."
Por mais de uma década eu tinha ouvido falar sobre como a série americana "Família Soprano" ("The Sopranos", no original) era ótima. Então finalmente decidi experimentar.
Fiquei chocado quando, após quatro minutos de episódio piloto, o diálogo acima aconteceu. Soou tão familiar... Afinal, é um sujeito de origem italiana reclamando que o presente, apesar de ser mais rico e confortável, é pior que o passado. Era a encarnação do espírito argentino.
Crescer na Argentina implica continuamente praticar o revisionismo histórico e ceder à nostalgia de nossa grandeza passada.
Na realidade, é uma nostalgia da grandeza à qual sentimos ter direito, mas da qual, por alguma razão, fomos privados. A psique argentina reside na terra do "deveria, teria, poderia ter". Se o Brasil é o eterno país do futuro, a Argentina é o país do passado perenemente dourado.
Nós somos obcecados em olhar para trás, para um tempo (há um século, digamos) em que nosso PIB era comparável ao das potências europeias. Coçamos nossas cabeças tentando entender como pudemos fazer tudo errado desde então. Ah, se...
A Argentina é a decana do clube de nações totalmente obcecadas por seu declínio. Logo, é um grande prazer para nós receber os Estados Unidos em nossa irmandade mal-humorada. Isso mesmo, podem ocupar seu lugar ali ao lado da França.
Sejam bem-vindos, mas se preparem para muitos comentários sarcásticos. Pessoalmente, estou farto de ouvir que "o Japão é um exemplo do quanto é possível fazer com tão pouco; a Argentina é o contrário". Há o igualmente irritante "a Austrália é o que a Argentina poderia ter sido". Os brasileiros me dão aflição com o seu convite sutil para que a Argentina se torne "o seu Canadá".
Mas os tempos globais difíceis fazem a nossa experiência parecer relevante. Por isso, nossa presidente aproveita toda oportunidade para pregar sobre o "modelo argentino". Não é um modelo de desenvolvimento. É um modelo de resiliência.
Sabe por que? Quando olhamos a Grécia, sorrimos. Sabemos imediata e instintivamente o que é aquela confusão toda. Vemos os "indignados" espanhóis como irmãos. "Ocupe Wall Street" nos parece ser a versão de Hollywood de "Que se vayan todos", movimento que afastou o presidente De La Rúa, há uma década, e nos permitiu o privilégio raro de ter cinco presidentes em uma semana.
Tá vendo, América? Vocês ainda têm muito chão pela frente.
Não se preocupem: um declínio obsessivo não é de todo ruim. É uma dádiva para livreiros, psicanalistas e analistas políticos pessimistas. Converte taxistas em filósofos. Parece fazer maravilhas também pelo consumo de carne vermelha e vinho, sem falar nas conversas de café de final de noite, cheias de angústia existencial. Buenos Aires curte final de noite e angústia existencial como ninguém. Quem sabe o Kansas assista ao surgimento de sua própria dança melancólica que lembre o tango.
Mas, para que vocês americanos possam entrar para o clube das nações em declínio obsessivo, ainda há algo que precisam fazer. Guerras sem sentido, política fiscal insensata e decadência cultural não bastam.
Vocês também precisam se livrar da sua fé na possibilidade de reinvenção. Sim, precisam desistir daquilo que Mangabeira Unger e Cornel West descreveram como "a religião americana da possibilidade".
A ordem natural das coisas é que a democracia realize um ideal e que os próprios indivíduos se realizem? Esqueçam. Isso é um obstáculo ao gozo pleno do declínio, sempre acompanhado de fatalismo resignado.
A religião americana da possibilidade é o que nós, de outras partes do mundo, mais admiramos nos EUA ao longo da história. Nós, argentinos, estamos tão envolvidos em nosso drama histórico que é difícil perceber quão grandes fomos de fato.
Mas pessoas de todo o mundo vieram para cá, sim, em busca de felicidade e realização. A maioria dos filhos delas ainda ama esta terra. Nossos vizinhos gostam de nós mais do que se dispõem a admitir. Quem sabe algum dia ainda possamos conquistar a grandeza -ou ao menos um ponto de equilíbrio entre humor e angústia existencial, tornando os nossos "poderíamos-ter-sidos" mais folclóricos e menos dolorosos.
Não seria exatamente reinventar a noção de reinvenção, algo que ainda pode estar ao alcance dos EUA, mas pode ser o suficiente para fazer com que o Tony Soprano que existe em nós se sinta um pouco melhor.
GABRIEL SAEZ, 38, mestre em relações internacionais pela Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (Argentina), é assessor na Câmara dos Deputados do país
Tradução de CLARA ALLAIN

BISCATÓN VAI CAUSAR UM "ARGENTINOCÍDIO"

'Tática de Cristina leva país a beco sem saída', diz cientista político
Para Vicente Palermo, os planos da presidente para tentar reaver as Malvinas só aprofundam os ressentimentos
Ariel Palacios - OESP 
BUENOS AIRES - "A estratégia do governo da presidente Cristina Kirchner para reaver as Ilhas Malvinas aprofunda o ressentimento dos ilhéus com a Argentina. Sua posição é cada vez mais rígida e desprovida de alternativas. É um beco sem saída". A frase é de Vicente Palermo, sociólogo e cientista político, pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), membro da Associação Brasileira de Ciência Política e autor de "Sal nas Feridas", obra que analisa o simbolismo das Malvinas na sociedade argentina. A seguir, entrevista concedida ao Estado por Palermo, que integra um recém-criado grupo de 17 intelectuais de prestígio que pedem uma revisão da política da presidente Cristina sobre o disputado arquipélago.
Estado: Nas escolas, desde a primária, semanalmente as crianças aprendem que 'as Malvinas são argentinas'. Qual é o peso simbólico das ilhas hoje no imaginário coletivo argentino?
Vicente Palermo: Antes de 1982, a coisa era muito mais "light", pois não havia ocorrido a guerra. Mas a derrota no conflito do Atlântico Sul deixou uma marca dura no ego. E isso provocou a ideia de uma perda, que talvez seja definitiva. Acho que o argentino médio atual não destina muita atenção ao tema, felizmente, apesar das convicções nacionalistas do governo. Mas muitos argentinos consideram que os direitos de nosso país sobre as Ilhas Malvinas são inquestionáveis e a presença britânica no arquipélago é colonialismo.
Estado: Diversos historiadores afirmam que a junta militar, em caso de sucesso nas Malvinas, tinha planos para uma guerra com o Chile....
Vicente Palermo: Sim, com certeza, o próximo alvo teria sido o Chile. Vários setores muito importantes pensavam que nossa capacidade militar era elevada...
Estado: Quais as chances de a Argentina recuperar as ilhas?
Vicente Palermo: Considero que fica cada vez mais complicada uma eventual recuperação das ilhas. A estratégia atual de pressão não favorece. Se o governo pretende recuperar as ilhas desse jeito, está perdido. Os kelpers se aferrarão mais ainda aos britânicos. E estes, por seu lado, também afirmam-se mais em sua posição de não entregar as ilhas e seus habitantes. Mas se o governo não puder conseguir as Malvinas, a segunda opção é a de definir os britânicos como os inimigos permanentes.
Estado: O respaldo dos países latino-americanos nos esforços do governo argentino para reaver as ilhas possui um efeito prático?
Vicente Palermo: Não terá efeito prático na negociação com a Grã-Bretanha. Acontece que a faixa de negociação de Buenos Aires com Londres é muito estreita. Ou melhor: a Argentina simplesmente não coloca nada na mesa de negociações e somente diz que quer a soberania plena das Ilhas Malvinas. E, por isso, Londres não vai ceder. Além disso, essas pressões sobre a Grã-Bretanha complicam as relações dos outros países sul-americanos com o governo de Londres. E a ideia de uma “soberania compartilhada” parece inverossímil.
Estado: O governo Kirchner argumenta que os ilhéus não contam nestas negociações porque são uma comunidade "transplantada".
Vicente Palermo: Existem dois artifícios entre os preferidos da ortodoxia argentina quando o assunto são os ilhéus. O primeiro é um jogo de números que pergunta qual a relevância de 3 mil pessoas diante de 40 milhões (população da Argentina). Mas acho que mais importante do que isso é que os ilhéus possuem identidade.

domingo, 1 de abril de 2012

OS POLÍTICOS BRASILEIROS QUEREM NOS FAZER DE IDIOTAS (E ESTÃO CONSEGUINDO!)

Substituto à altura
Tutty Vasques - OESP
Chama-se Wilder o primeiro-suplente de Demóstenes Torres no Senado.
Wilder Pedro de Morais declarou à Justiça Eleitoral em 2010 que guardava em casa R$ 2,2 milhões em dinheiro vivo.
Ou seja, o cara não fica nada a desejar ao titular.

SEM SEGURANÇA, VAMOS VIVER UMA COPA "COM EMOÇÃO" (ROUBOS, ASSALTOS, SEQUESTROS, BRIGAS, BALAS PERDIDAS, ETC.) E TUDO ISSO PROPORCIONADO DE GRAÇA PELO GOVERNO DO ZAGUEIRÃO !

Segurança é nova vítima do corte de verbas da Copa
Dos 226 projetos para proteção de delegações e autoridades, apenas 15 recebem recursos, que em 2012 chegam a R$ 64 mi
ALANA RIZZO, FÁBIO FABRINI - O Estado de S.Paulo
Fonte de crise entre o Brasil e a Fifa, os cortes e atrasos em preparativos para a Copa de 2014 atingem em cheio a segurança, uma das áreas mais sensíveis e prioritárias para a competição. Fora os problemas em obras de mobilidade, estádios, portos e aeroportos, que levaram a entidade a sugerir um "chute no traseiro" do País e a cobrar, na sexta-feira, mais ação e menos palavras, o governo tem recusado dinheiro para o setor e mantém praticamente parados alguns dos projetos para evitar crimes e episódios de violência no País durante o evento.
A Polícia Federal (PF) planejou 226 iniciativas para preparar o País para receber turistas, delegações e autoridades estrangeiras, orçadas em R$ 707 milhões. O assunto vem sendo discutido desde 2010 com o Gecopa (grupo de ministros responsável pela gestão da Copa), a Casa Civil e, desde agosto do ano passado, a recém-criada Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), ligada ao Ministério da Justiça, que cuidará também da preparação para a Rio+20, a Olimpíada e outras grandes agendas nacionais.
Em reuniões internas para consolidar o Planejamento Estratégico para a Segurança da Copa, a ser apresentado neste semestre, a maioria já foi excluída. Segundo fontes ligadas às negociações, dos 226 projetos inicialmente propostos, 83 estavam previstos até o fim de 2011, mas por causa da necessidade de remanejar dinheiro do orçamento para outros órgãos da Esplanada, só 15, orçados em R$ 104 milhões até 2015, foram mantidos no planejamento. Neste ano eles devem consumir R$ 64 milhões, metade do inicialmente previsto.
A Sesge alega que não há que se falar em cortes, pois seu planejamento estratégico, que já tem aval da Casa Civil, ainda não foi apresentado oficialmente. Mas autoridades ligadas à segurança na Copa pretendem enviar ao órgão documento justificando a necessidade dos projetos e alertando sobre os riscos para o sucesso dos grandes eventos que o Brasil sediará. As insatisfações partem principalmente da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que têm menos poder que os Estados nas negociações políticas com o governo.
Cortes. A tesoura atingiu seminários e cursos de capacitação de policiais federais, viaturas, armas, lanchas de patrulha costeira, equipamentos de informática, sistemas de segurança aeroportuária, unidades de controle migratório, campanhas educativas e até a contratação de tradutores para auxiliar servidores da PF. Também não estão previstos, por ora, veículos para as equipes do grupo antibomba, embora a PF seja referência na área para as demais polícias.
A compra de helicópteros especiais para a segurança de autoridades também está fora dos planos, segundo fontes que participaram das negociações, assim como diversos aparelhos para prevenção ao terrorismo. Uma das preocupações é que, embora o Brasil tenha tradição pacífica, a entrada de cidadãos de países considerados de risco, como Paquistão, Israel e Estados Unidos, aumente o risco de ataques.
Mesmo que o governo decida adquirir alguns destes equipamentos, haverá dificuldade agora, uma vez que muitos têm de ser encomendados em longo prazo aos fabricantes. "Não se compra só produto, mas um lugar na fila de espera (deste produto)", comenta uma fonte que participou das tratativas com a Sesge.
Se sair mesmo este ano, como promete o Ministério da Justiça, o planejamento estratégico para a Segurança na Copa será entregue quase cinco anos depois de o Brasil ser anunciado como sede da competição. Investimentos para o evento feitos antes foram aprovados pelo Fundo Nacional de Segurança Pública, mas boa parte empacou, apesar da verba assegurada em orçamento.
Não decolou. Na PRF, a compra de aviões para o resgate de vítimas de acidentes, orçada em R$ 38,6 milhões, ficou no papel. Na PF, outros oito, que consumiriam R$ 74 milhões, não avançaram, a exemplo da Integração da Base de Dados para a Copa do Mundo (Cintepol), uma ferramenta que permitiria a troca de arquivos da PF com as demais polícias, além do cruzamento de informações armazenadas.
O sistema é considerado um dos principais legados do evento esportivo para a segurança. Também ficou de fora o Projeto Barramento, cuja proposta é integrar os sistemas policiais que guardam e processam impressões digitais.
A Sesge argumenta que os atrasos em projetos previstos para 2011 se devem a problemas técnicos e operacionais dos próprios órgãos envolvidos. No caso dos aviões da PRF, por exemplo, houve dificuldades com os pregões. A secretaria alega que só passou a ter orçamento próprio este ano e, por isso, não se deve falar em cortes orçamentários.
Em nota, a Sesge não informou quais iniciativas levará adiante. Mas adiantou que seu planejamento estratégico prevê investimentos em "equipamentos, treinamento e integração" para os órgãos federais e dos Estados. "Estão previstos dois Centros de Comando e Controle nacionais (Brasília e Rio) e 12 Centros de Comando e Controle em cada cidade-sede da Copa. Os cursos serão ministrados junto às polícias locais, de modo a unificar a atuação durante a Copa e preparar homens para trabalhar de forma integrada", informou.
O descarte da pessoa, isolada, face ao leviatã
Orlando Braga - MSM
O homem atual não vive no espaço e no tempo; em vez disso, vive na geometria e nos cronômetros.
Nicolás Gómez Dávila
Num dos últimos programas “Avenida da Liberdade” na RTPN, Bagão Félix chamou à atenção para o fenômeno da extrema efemeridade dos acontecimentos, e a tal ponto que fatos e eventos de relevo são esquecidos a uma velocidade estonteante. Na década de 70 do século findo, Alvin Toffler já nos tinha precavido deste fenômeno emergente da velocidade dos acontecimentos, mas nunca o americano poderia ter previsto o caráter de extrema radicalidade da vertigem dos fatos e, sobretudo, as consequências dessa radicalidade não só para a cultura antropológica e intelectual, mas também e essencialmente para a organização da vida em sociedade.
Em seu livro “O Choque do Futuro”, publicado em início da década de 70, Alvin Toffler fez uma comparação que se tornou célebre: a do cidadão atual que faz uma viagem de avião e que, entre aeroportos, se cruza com mais pessoas e em um só dia, do que um aldeão do princípio do século XX em toda a sua vida. Não só os fatos se tornaram efêmeros na memória, mas as pessoas — que não são fatos — tornaram-se descartáveis. Ora, este fenômeno de “descarte da pessoa” não é apenas característico do pós-modernismo: ele teve a sua origem no próprio modernismo com o niilismo ideológico ativo das elites, sendo que, com o pós-modernismo, o niilismo ativo da elite sofreu um efeito de trickle-down e transferiu-se para o cidadão anônimo sob a forma de “niilismo cansado”, segundo o conceito de Nietzsche.
O cidadão que vivia em comunidade, mesmo nos bairros das grandes cidades há apenas 60 anos, passou a viver em rede social a partir da década de 60, e paulatinamente passou a viver em um quase-anonimato. A família natural tem vindo a ser destruída e os laços familiares tornaram-se efêmeros. Com a democracia, a sociedade dividiu-se em uma série de religiões políticas que se opõem, muitas vezes de uma forma irracional e feroz; pais opõem-se a filhos, e irmãos a irmãos; amigos de infância desencontram-se para toda a vida em função de diferenças ideológicas; passamos a viver em uma Babel das Ideias.
O custo da vertigem do tempo subjetivo e da voragem dos fatos, é a morte progressiva da sociedade em que vivemos; é a sua destruição por dentro. Naturalmente que ninguém de bom-senso pode pretender voltar atrás no tempo e/ou eliminar o ruído da modernidade; mas podemos combater o descarte da pessoa, equilibrar e racionalizar o nosso tempo subjetivo, voltar à comunidade do bairro através do associativismo ativo, das comunidades e instituições da sociedade civil — e fazer com que os acontecimentos passem à velocidade que nós queremos, apesar de sermos por isso criticados pelos apologistas “progressistas” e apocalípticos do trans-humanismo.
“O ruído é uma invenção moderna. O ruído moderno ensurdece a alma.”
Nicolás Gómez Dávila

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BLACK COUNTRY COMMUNION - BURN

SER PETISTA NÃO É TAREFA PARA AMADORES

‘Como é doloroso ser petista’ 
MAURO PEREIRA
Realmente, a política é fascinante. Às vezes é despojada, até mesmo oferecida, e mostra-se por inteiro logo no primeiro olhar. Noutras, faz-se recatada e custa revelar-se. Normalmente nessas ocasiões quer-se pudica para esconder suas mazelas. Assim é o PT. Esbanjador para propagar obras que nunca foram realizadas e difundir as maravilhas de um Brasil que jamais existiu, mas nada generoso ao expor suas feridas e seus fracassos.
Aliás, na arte de disfarçar seus pecados os pupilos de Lula são peritos. Não pareceram constrangidos, por exemplo, quando argumentaram que o salário mínimo de R$ 560,00 oferecido pelo governo era mais benéfico aos trabalhadores do que os R$ 600,00 propostos pela oposição. Sem ficarem ruborizados, culpam os beneficiários do Bolsa Família pelo caos dos aeroportos brasileiros, além de sustentarem que o governo só autorizou o aumento nos preços dos remédios convencido de que essa medida resultará numa estupenda retração nos preços dos medicamentos.
Há que considerar-se, ainda, a desenvoltura do ministro do Esporte que elegeu o atraso nas obras da Copa como ponto fundamental para que os prazos assumidos junto a FIFA sejam cumpridos. Também merece atenção aquele outro ministro apelidado de aloprado pelo chefe que incorporou a fantasia de Diógenes contemporâneo, arrastando suas lamparinas pela escuridão que assola o governo, em busca de um homem de caráter no seio da companheirada. Com certeza haverá de encontrar, contudo, não antes de consumir alguns bons barris de querosene.
É no PAC, contudo, que se superaram, celebrando o fracasso do PAC 1 com a empulhação do PAC 2. As obras de transposição do Rio São Francisco confirmam que os ministros têm que trabalhar o dobro para produzir a metade. Também comprovam que o governo do PT tem que gastar o dobro para construir a metade. Coisas de profissionais.
Deve ser doloroso ser petista nos dias de hoje. Acredito até que alguns perdem o sono ao lembrarem os tempos das vacas magras, quando a sobrevivência na oposição demandava a mais impiedosa sabotagem disfarçada de criatividade. Como consolo, responsabilizam a má sorte pelo fato de o presidente Fernando Henrique, depois de oito anos de mandato, não lhes ter proporcionado sequer a oportunidade de acusá-lo de ter algum membro de sua família envolvido em negócios nebulosos.
A frustração petista se consolida ao terem à sua disposição o governo incompetente, corrupto e perdulário que sempre pediram a Deus quando assombravam seu antecessor. É visível o inconformismo que lhes corrói a alma ao sentirem na própria carne o manipular cínico e debochado do destino que lhes concedeu como única alternativa apenas aquela destinada aos medíocres: ver com os olhos e lamber com a testa.
Sem dúvida, ser petista não é tarefa para amadores.

QUALQUER SEMELHANÇA COM OS DIAS ATUAIS É MERA COINCIDÊNCIA

LINHA DURA NO COMANDO DA PM É UM ALÍVIO PARA A POPULAÇÃO HONESTA E UM TORMENTO PARA OS VAGABUNDOS QUE PULULAM AS RUAS DE SÃO PAULO

Painel
VERA MAGALHÃES  - FSP
Sob nova direção
O governo paulista antecipará a troca no comando da Polícia Militar, promovendo mudanças nos postos-chave da corporação já a partir desta semana. O atual comandante, Álvaro Camilo, irá para a reserva em maio, mas a cúpula da Segurança Pública decidiu acelerar a transição, que deve imprimir novo perfil à PM.
Entre os nomes à mesa de Geraldo Alckmin o favorito é César Franco Morelli, hoje à frente da Tropa de Choque. Próximo do secretário Antonio Ferreira Pinto e tido na polícia como "linha dura", ele liderou a desocupação da reitoria da USP em novembro. Seu efetivo também agiu na cracolândia e no Pinheirinho.
Reciclagem: Com a saída de Camilo, no cargo desde abril de 2009, a tendência é de substituição gradativa nos 12 postos de comando do organograma da PM.

ELIÂNICAS

Dilma, Obama e energia
Eliane Cantanhêde - FSP
ESTOCOLMO - Quando Lula e Bush confraternizaram-se em Brasília e em São Paulo (lembra de Lula brincando com o "ponto G"?), a pauta Brasil-EUA girava em torno dos biocombustíveis. Os dois países são líderes nessa área, que remete ao futuro.
Desde então, muita coisa mudou além dos dois presidentes. A energia continua prioritária na pauta, mas pouco se fala de etanol e muito se fala do velho, bom -e poluente- petróleo. É o efeito pré-sal.
Dilma e Obama vão falar de tudo um pouco, mas esta será a questão central no encontro da segunda-feira pós-Semana Santa, nos EUA. Os interesses são complementares e não vamos esquecer que se trata da área de expertise de Dilma.
O pré-sal brasileiro, a zona do Orinoco, na Venezuela, e o golfo da Guiné, na África, formam um triângulo poderoso e um trunfo na nova geopolítica internacional.
Para o Brasil, segundo produtor da região, só atrás da Venezuela, é a garantia de recursos e de desenvolvimento, mas também de prestígio político. Dilma não quer apenas vender petróleo, mas investir no Brasil como polo de produção, distribuição e referência em ciência e tecnologia no setor. Os EUA e seus pontos de excelência, como Houston, podem dar boa contribuição.
E, para os EUA, trata-se de questão estratégica e particularmente de segurança, palavrinha mágica para o país das guerras modernas e da indústria de defesa -e alvo, portanto.
O "triângulo" fica justamente numa área patrulhada pela Marinha norte-americana, o Atlântico sul, e bem longe do sempre conflituoso e agora especialmente tenso golfo Pérsico. Isso já diz tudo.
Ou seja, Dilma vai para Washington no bom ataque -e não no ataque retórico, mas, sim, preparada para a ocupação de espaço e para ganhos econômicos. E Obama vai recebê-la jogando na defesa -do território, da energia e da segurança.
Tudo faz muito sentido.

SE É VERDADE QUE TODO HOMEM TEM O SEU PREÇO, O BRASIL "T´Á" EM LIQUIDAÇÃO. CASAS BAHIA DA CORRUPÇÃO

Cachoeira usava servidores para contrabando, afirma PF
Funcionários de Infraero e Receita em Brasília ajudavam a liberar bagagem
Em gravação feita pela polícia, empresário liga de Miami para combinar como iria ser a entrada no Brasil
LEANDRO COLON/FERNANDO MELLO/FILIPE COUTINHO - FSP
Gravações feitas pela Polícia Federal revelam que o grupo do empresário Carlos Cachoeira utilizou servidores da Infraero e da Receita Federal para obter facilidades na entrada e saída de mercadorias contrabandeadas no aeroporto de Brasília.
Preso desde o dia 29 de fevereiro, Cachoeira é acusado de comandar um esquema ilegal de jogos caça-níquel.
Um dos citados nos diálogos é Raimundo Costa Ferreira Neto, servidor da Infraero (estatal que administra aeroportos) com sala no terminal.
O outro é Wagner Wilson de Castro, inspetor-chefe da Alfândega da Receita em Brasília, chamado durante a madrugada para liberar malas do grupo de Cachoeira.
Segundo a investigação da PF, o servidor da Infraero, chamado de Ferreirinha, "tem como função facilitar a chegada de material contrabandeado/descaminhado" do grupo de Cachoeira.
Seu telefone foi monitorado, com autorização judicial. Numa conversa em 4 de janeiro de 2011, Cachoeira estava em Miami e acertou com o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, a volta ao Brasil, por Brasília.
Apontado no inquérito como o araponga do grupo, Dadá informou a Cachoeira que iria procurar Ferreirinha.
Minutos depois, Dadá volta a falar com Cachoeira e avisa: "Ele falou que pode vir aqui por Brasília."
Oito dias depois, Dadá e Cachoeira discutem a chegada a Brasília de outras pessoas do grupo e acertam o número de malas e a roupa de um deles para passar pela fiscalização: uma camisa roxa.
Em outra gravação, uma pessoa não identificada orientou Dadá sobre como evitar a fiscalização: "Se titubear, mandam entrar".
Dadá ligou para Cachoeira da sala do funcionário da Infraero. "Cheguei agora aqui na sala do Ferreirinha, tô com ele aqui." E repassou pedido do servidor: "Ele só tá cobrando o uísque dele". Cachoeira responde: "Tá bom, vou dar".
O chefe da Alfândega da Receita no aeroporto, Wagner de Castro, não foi monitorado, mas é citado como alguém que teria ajudado o grupo.
Numa noite, foi chamado para solucionar impasse envolvendo malas de Cláudio Abreu, diretor da Delta Construção e denunciado pelo Ministério Público Federal.
Num diálogo, Dadá disse que o servidor da Receita foi "solícito". Em outro, o dono da Delta afirma que visitaria Castro para "agradecer a cortesia" e "levar uma agenda".

HIPOCRISIA: EX-ATOR "ENGAJADO" É PEGO COM A MÃO NA CUMBUCA RECEBENDO UMA PEQUENA "AJUDA" DE CARLINHOS CACHOEIRA E PEDE AFASTAMENTO DO PPS

Stepan Nercessian pede licença do PPS
Deputado admitiu ter recebido R$ 175 mil
FERNANDO MELLO - FSP
O deputado federal pelo Rio de Janeiro e ator Stepan Nercessian, do PPS (Partido Popular Socialista), pediu ontem sua licença temporária do partido.
Após a Folha revelar que Nercessian recebeu R$ 175 mil do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o PPS solicitou explicações ao parlamentar.
Na nota em que pede sua licença, Nercessian colocou-se à disposição da Comissão de Ética do partido.
Ele também solicitou o seu afastamento de todos os cargos ocupados no PPS.
Ontem a Folha revelou que o deputado admitiu ter recebido o dinheiro de Cachoeira após ser informado, pela reportagem, de que as transações aparecem em grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que levou à prisão de Cachoeira.
Ele confirmou que recebeu do empresário um depósito no valor de R$ 160 mil em 17 de junho do ano passado e mais R$ 15 mil em março.
Segundo Nercessian, o primeiro depósito era para ser usado na compra de um apartamento no Rio, avaliado em mais de R$ 500 mil.
No dia 20 de junho, o deputado devolveu o dinheiro para a mesma conta de uma empresa do grupo de Cachoeira, segundo extrato enviado à Folha.

DÓRICAS

Operação salva-vidas
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
Há quem tenha visto como um golpe fatal na Lei Seca a decisão do Superior Tribunal de Justiça de determinar o teste do bafômetro ou o exame de sangue como as únicas formas de se penalizar a direção perigosa por ingestão de álcool.
Na prática talvez ocorra o oposto: a sentença pode acabar funcionando como o empurrão que faltava ao indispensável ajuste para evitar que a legislação vire letra morta em decorrência da perda de seu poder de punição.
O STJ explicitou uma situação para a qual o ministro da Justiça vinha alertando. "A mudança é imprescindível porque, da forma como a lei está redigida, não assegura a punição dos infratores e, portanto, pode se tornar inócua", disse José Eduardo Cardozo em janeiro último.
O Congresso, ao seu modo lento e dispersivo, também estava "ligado" no problema, discutindo uma série de projetos em tramitação para corrigir um equívoco de origem: a colisão do texto da lei com a Constituição.
Ao estabelecer como parâmetro para punição a existência de um nível x (0,6 grama) de concentração de álcool no sangue do motorista, a lei criou um obstáculo à sua aplicação, pois constitucionalmente ninguém é obrigado a produzir prova contra si e, assim, conferiu legalidade ao ato de recusa ao teste.
No início houve um efeito coercitivo. As pessoas temiam as operações policiais de fiscalização e evitavam dirigir quando bebiam. À medida que figuras conhecidas se recusavam a fazer o teste invocando a Constituição, as pessoas foram percebendo que poderiam fazer o mesmo.
Resultado: a Lei Seca começou a correr sério risco de cair no vazio e com isso se perder todo o avanço já conseguido em matéria de mudança de comportamento na sociedade.
A proposta que o ministério gostaria de negociar com o Congresso seria a retirada da dosagem de álcool como parâmetro em substituição ao critério da prova testemunhal a fim de levar as pessoas a fazer o teste para produzir prova de defesa e não necessariamente de acusação.
Tanto ao mar. Na entrevista que deu à Folha de S. Paulo para falar primordialmente sobre a doença, o ex-presidente Lula faz duas observações políticas: diz que o processo da candidatura de Fernando Haddad é igual ao que levou Dilma Rousseff à Presidência e afirma que ela só não será candidata em 2014 "se não quiser".
Em ambos os casos não é necessariamente bem assim. Quando fez de Dilma candidata vitoriosa, Lula estava na posse plena da saúde, da caneta presidencial, da exposição proporcionada pelo cargo e da perspectiva de poder que encarnava frente a todos os partidos que se engajaram no processo.
Quanto à reeleição de Dilma, hoje depende menos da vontade dela e muito mais da disposição dos partidos, PT incluído, de conviver com ela pelos próximos sete anos, até 2018.
Disque-agonia. Instrumento fundamental na interface entre sociedade e autoridades no combate ao crime, o Disque-Denúncia corre sério risco de entrar em processo de extinção.
Mantido por doações, de empresas e governos, nos últimos tempos o serviço sofreu uma queda acentuada de aporte de recursos. No Rio de Janeiro, onde começou em 1995 e é responsável pelo esclarecimento de 8% a 10% dos crimes, nada menos que 30 empresários da Federação da Indústria (Firjan) deixaram de fazer doações.
Em boa medida pela percepção (equivocada) de que a questão da segurança pública estaria equacionada com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos territórios dominados pelo tráfico de drogas.
O governo do Estado, embora reconheça a importância do Disque-Denúncia como auxiliar da polícia e do engajamento da população nesse trabalho, não vem respondendo à altura das necessidades materiais.
A situação é crítica: se nada for feito, uma iniciativa bem-sucedida pode resultar em uma oportunidade perdida.

CAPITALISMO LEVANDO O CONHECIMENTO PARA LUGARES PERIFÉRICOS DA CIVILIZAÇÃO

Faculdades de elite dos EUA e da Europa abrem filiais nos Emirados Árabes Unidos
Sara Hamdan - Herald Tribune
Quando Shaikha al-Falasi estava preenchendo os formulários de universidades no ano passado, ficou dividida entre um desejo de se desafiar em uma competitiva escola nos Estados Unidos ou ficar perto de sua família nos Emirados Árabes Unidos, onde nasceu.
Quando o campus da Universidade de Nova York em Abu Dhabi abriu as portas em 2010, ela estava determinada a se matricular.
“Sou uma garota e há algumas restrições culturais que vêm com a ideia de estudar fora, embora minha família me apoiasse nesta escolha”, disse Falasi, agora com 18 anos, que entrou na NYU aos 17. “Por que eu iria para o exterior, se posso ter o mesmo diploma, com o mesmo acesso à qualidade, aqui mesmo?”
Depois de negociações com potenciais investidores em 2008 – e um presente de US$ 50 milhões de Omar Saif Ghobash, um doador dos Emirados – a NYU abriu seu primeiro campus completo fora dos Estados Unidos no outono de 2010.
A Universidade Paris-Sorbonne; o Instituto de Tecnologia de Massachusetts; a Wharton School da Universidade da Pennsylvania; e o Insead, uma escola de administração de empresas com sede na França, também abriram escolas nos Emirados nos últimos anos.
As escolas estrangeiras enfrentam desafios e problemas crescentes, entretanto, numa região em que as exigências para entrar nas universidades locais não são tão grandes quanto as das universidades de prestígio como NYU e Sorbonne.
Para encorajar os moradores locais, sem flexibilizar os padrões de admissão, as universidades pediram a estudantes promissores dos Emirados e do Qatar que não preencham as qualificações, que participem de programas de “ponte acadêmica”. Isso normalmente significa um ano a mais de estudos depois do segundo grau.
“O governo está se esforçando para reformar o sistema do segundo grau e melhorar as habilidades dos estudantes – nós tivemos alunos que não conseguiram ficar na universidade ou tiveram de fazer um ano extra de treinamento antes de cursar”, disse Jean-Yves de Cara, diretor-executivo da Sorbonne Abu Dhabi. “Não podemos mudar nossos altos padrões e arriscar a reputação de nossa instituição.”
Instituições acadêmicas estrangeiras, que crescem com dinheiro do governo local, atraíram um amplo interesse. De acordo com a NYU, 43 mil estudantes se candidataram à universidade no ano passado, 15.489 dos quais expressaram interesse em estudar no campus de Abu Dhabi, que ofereceu apenas 150 vagas em 2012. Os estudantes vêm de mais de 70 países, enquanto que os professores vêm do campus de Nova York da NYU, bem como de Harvard, Stanford e da Escola de Economia de Paris.
O sucesso inicial da NYU levou a outros planos. Um campus maior na Ilha Saadiyat em Abu Dhabi deverá ficar pronto em 2014 e acomodar até 2.200 estudantes de graduação e 600 de pós-graduação. Enquanto isso, a universidade planeja um segundo “campus portal” em Xangai em 2013.
“Sabemos que há uma sede por um tipo diferente de educação global, mas ainda estamos surpresos com os números”, disse Josh Taylor, vice-chanceler assistente da NYU em Abu Dhabi. “Inicialmente, a NYU só queria estabelecer um programa de intercâmbio no Oriente Médio, mas ficou claro que o movimento certo era estabelecer um campus completo.”A Universidade Paris-Sorbonne Abu Dhabi, que é totalmente financiada pelo governo de Abu Dhabi, abriu oficialmente em fevereiro de 2011, embora as aulas já estivessem sendo realizadas desde dezembro de 2009. A universidade de língua francesa tem 650 estudantes de humanidades de 64 nacionalidades.
Seu currículo foi planejado para atender às necessidades locais. Por exemplo, as aulas de história da arte e estudos de museus podem preparar os alunos para empregos nas filiais do Louvre e do Guggenheim de Abu Dhabi, que devem ser inauguradas em 2013 e 2014.
“Eles estão abrindo museus e exposições, ansiosos para se envolver no mercado de artes, e as pessoas precisam de treinamento para trabalhar neste mercado”, disse o Dr. de Cara da Sorbonne Abu Dhabi. “Esses programas não são necessariamente os mesmos que temos em Paris, mas costumam ser customizados especialmente para as necessidades do país.”
Os cursos de direito também se mostraram populares, uma vez que a tradição legal local é derivada do código civil francês, enquanto o turismo é escolhido amplamente como área de concentração para as especializações em administração.
As universidades também estão contribuindo com pesquisas originais muito necessárias no Oriente Médio, uma vez que os especialistas dizem que as pesquisas existentes podem ser inconsistentes e datadas. O instituto da NYU Abu Dhabi está gastando US$ 35 milhões em pesquisa sobre questões do Oriente Médio. A Wharton Abu Dhabi, um escritório que abriu no início de 2010, está supervisionando 30 projetos de pesquisa financiados pela Fundação CERT, o braço empreendedor do Higher Colleges of Technology em Abu Dhabi.
“Nosso objetivo é criar e disseminar conhecimento na região e a melhor forma de fazer isso foi estabelecer um escritório no Oriente Médio”, disse Pankaj Paul, gerente regional do escritório UAE da Wharton, o único da escola de administração fora dos Estados Unidos.
Em 2001, o Qatar construiu um grande complexo chamado Cidade da Educação nos arredores de Doha, que hoje abriga os campi de seis universidades dos Estados Unidos, além de uma da Inglaterra e uma da França. No ano passado, a École des Hautes Études Commerciales de Paris e o University College London foram inaugurados, juntando-se a escolas como Georgetown e Carnegie Mellon.
Cursos de jornalismo da Universidade Northwestern em Illinois estão disponíveis em sua filial na Cidade da Educação, e formarão sua primeira turma de 36 estudantes em maio próximo. Os estudantes desfrutam de classes pequenas, com um total de 140 alunos que aprendem com professores visitantes.
“Elaboramos um programa baseado no conhecimento norte-americano e o calibramos para as necessidades do país e da região”, disse Everette Dennis, reitor e diretor executivo da Universidade Northwestern Qatar. “Nosso objetivo é educar e treinar as pessoas que podem ser parte de qualquer equipe global de mídia.”
Ele acrescentou que um dos desafios de elaborar um currículo de mídia e comunicações é fazer isso numa região onde a liberdade de expressão pode ser tolhida.
“Há empreendimentos bem-sucedidos de mídia na região, mas a percepção que o público tem da mídia demora a acompanhar. Entretanto, estão acontecendo mudanças encorajadoras.”
Na Universidade Northwestern Qatar, 36% dos alunos são do país, muitos dos quais entraram depois de concluir um programa de ponte acadêmica. Similarmente, 33% dos estudantes da filial da Sorbonne são dos Emirados Árabes Unidos.
“Não há uma quota a preencher ou nada parecido, mas há uma necessidade forte de ter um número substancial de qatarianos, uma vez que o Qatar nos trouxe aqui”, disse Dennis. “Mas eles precisam preencher os mesmos requisitos acadêmicos que os estudantes de nossos campi americanos, então o programa de ponte acadêmica é uma boa maneira de ajudar a prepará-los para o estudo rigoroso, enquanto nos permite manter nossos padrões altos.”
Nem todas as tentativas de estabelecer filiais de universidades estrangeiras foram bem-sucedidas. A Michigan State University, que abriu uma filial em Dubai em 2008, fechou em 2010 depois de dois anos e milhões de dólares em prejuízos.
O maior problema foram dificuldades de financiamento, de acordo com reportagens de jornais locais. Os governos de Abu Dhabi e Qatar estão tentando evitar este problema financiando em peso suas iniciativas para aumentar a pesquisa e melhorar a qualidade dos professores.
“As instituições que já existem em Abu Dhabi ainda estão em fase de crescimento em termos de capacidade de estudantes e planos de pesquisa”, disse Jihad Mohaidat, gerente da divisão de parcerias globais do Conselho Educacional de Abu Dhabi. “O orçamento para a educação aumentou todo ano até agora.”
E com isso, as inscrições de alunos continuam aumentando.
“Recebemos muitos dos professores que dão aula na sede da NYU, e aqui, os professores até moram nos mesmos prédios que nós, então nós encontramos com eles no jantar e interagimos muito mais”, disse Falasi. “É uma vantagem muito grande para nós.”
Tradutor: Eloise De Vylder

NA PELE DO FILHO, OS PAIS


Henfil

sábado, 31 de março de 2012

"O brasileiro não está preparado para ser "o maior do mundo" em coisa nenhuma.  Ser "o maior do mundo" em qualquer coisa, mesmo em cuspe em distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade."
Nelson Rodrigues