quinta-feira, 5 de abril de 2012
EX-SECRETÁRIO DE ESTADO DOS EUA ENGROSSA O MOVIMENTO DOS SEM NOÇÃO
Não, o Brasil não pode parar o Irã
Gustavo Chacra - OESP
O New York Times publicou um artigo de Barnard Aronson com o título “Can Brazil Stop Iran?”. Seu argumento é de que os brasileiros, com as recentes descobertas de petróleo, deveriam abdicar de seu programa de enriquecimento de urânio e pedir para outras nações, incluindo a iraniana, para seguir o seu exemplo.
Honestamente, esperava mais de um ex-secretário de Estado para assuntos inter-americanos na administração de George Bush (o pai), que foi uma das mais hábeis em política externa da história americana. Como ele pode querer que o Brasil abdique de sua soberania e de seus interesses estratégicos para agradar aos americanos? Aliás, Washington sequer cogita exigir isso de Dilma. E quem disse que o Irã seguiria nesta via apenas porque os brasileiros deram o exemplo?
O Brasil deve continuar com seu programa de enriquecimento de urânio, conforme é permitido pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Em relação ao Irã, no máximo, deveríamos servir como mediadores. Mas nem esta alternativa funcionou bem, conforme vimos em 2010. Resumindo, o programa nuclear de Teerã não é um problema brasileiro. Devemos apenas, dentro dos fóruns internacionais, exigir que o regime iraniano cumpra os acordos que assinou.
Lembro que a Líbia de Kadafi abandonou o seu programa nuclear, fez acordos comerciais com o Ocidente, patrocinou campanhas eleitorais na Itália e na França e ajudou os EUA na Guerra ao Terror. No fim, o ditador líbio acabou derrubado justamente pelas nações ocidentais através dos bombardeios da OTAN. Já o Paquistão e a Coréia do Norte fizeram o contrário e seguiram adiante na fabricação de uma bomba atômica. Nenhum deles é ameaçado.
Portanto, qual o caminho que o Irã irá seguir?
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
Gustavo Chacra - OESP
O New York Times publicou um artigo de Barnard Aronson com o título “Can Brazil Stop Iran?”. Seu argumento é de que os brasileiros, com as recentes descobertas de petróleo, deveriam abdicar de seu programa de enriquecimento de urânio e pedir para outras nações, incluindo a iraniana, para seguir o seu exemplo.
Honestamente, esperava mais de um ex-secretário de Estado para assuntos inter-americanos na administração de George Bush (o pai), que foi uma das mais hábeis em política externa da história americana. Como ele pode querer que o Brasil abdique de sua soberania e de seus interesses estratégicos para agradar aos americanos? Aliás, Washington sequer cogita exigir isso de Dilma. E quem disse que o Irã seguiria nesta via apenas porque os brasileiros deram o exemplo?
O Brasil deve continuar com seu programa de enriquecimento de urânio, conforme é permitido pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Em relação ao Irã, no máximo, deveríamos servir como mediadores. Mas nem esta alternativa funcionou bem, conforme vimos em 2010. Resumindo, o programa nuclear de Teerã não é um problema brasileiro. Devemos apenas, dentro dos fóruns internacionais, exigir que o regime iraniano cumpra os acordos que assinou.
Lembro que a Líbia de Kadafi abandonou o seu programa nuclear, fez acordos comerciais com o Ocidente, patrocinou campanhas eleitorais na Itália e na França e ajudou os EUA na Guerra ao Terror. No fim, o ditador líbio acabou derrubado justamente pelas nações ocidentais através dos bombardeios da OTAN. Já o Paquistão e a Coréia do Norte fizeram o contrário e seguiram adiante na fabricação de uma bomba atômica. Nenhum deles é ameaçado.
Portanto, qual o caminho que o Irã irá seguir?
O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
O OCIDENTE CRISTÃO COMEÇA A PERCEBER QUE A PRIMAVERA ÁRABE FOI UM ENGODO E O APOIO DADO A ELA FOI UMA GRANDE ROUBADA
Egito: vinte deputados deixam Assembleia em protesto
AE - Agência Estado
Parlamentares laicos, cristãos e muçulmanos moderados abandonaram em protesto a Assembleia Constitucional do Egito nesta quarta-feira, após o chefe do corpo político ter dito que os trabalhos prosseguirão adiante. Mais cedo, a Irmandade Muçulmana disse que faria uma coalizão eleitoral com os salafistas, que adotam uma visão extrema do Islã, e que um corpo de clérigos terá um papel importante na redação da futura Constituição do Egito. Isso fez com que os parlamentares cristãos, seculares e muçulmanos moderados deixassem a Assembleia em protesto. A aliança política entre a Irmandade e os salafistas têm como objetivo vencer as eleições presidenciais em maio.
Alguns muçulmanos também deixaram a Assembleia em protesto, entre eles um representante da Universidade Al-Azhar do Cairo, além de representantes da comunidade copta cristã do Egito. Cerca de 10% dos 80 milhões de egípcios são cristãos. No total, mais de 20 parlamentares deixaram a Assembleia de 100 deputados. Cerca de 60 deputados são da Irmandade Muçulmana ou ligados aos grupos salafistas.
"O Islã virou apenas o que significa para a Irmandade e os salafistas", disse o deputado muçulmano moderado Ahmed el-Naggar. Os liberais, cristãos e seculares temem que um comitê dominado por islamitas escreva uma Constituição que reflita o Islã e não o conjunto da sociedade egípcia.
"Este é um comitê que foi eleito e formado para trabalhar", disse Saad el-Katatni, chefe do painel e líder da Irmandade Muçulmana. Eles disse que os parlamentares que abandonaram a Assembleia têm até a próxima terça-feira para voltarem e poderão sugerir nomes de outros parlamentares para o comitê. "Nós vamos continuar nesse caminho", afirmou.
Mais cedo, um grupo de clérigos islâmicos ultraconservadores disse que o candidato da Irmandade Muçulmana do Egito prometeu lhes dar poderes para que supervisionem a legislação do país. A Irmandade Muçulmana tenta obter o apoio dos ultraconservadores salafistas, à medida que se aproximam as eleições presidenciais egípcias em maio. O candidato da Irmandade, Khairat El-Shater, quer evitar disputas internas entre os islâmicos e unir todos em uma frente.
Nas eleições parlamentares, os partidos islâmicos ou islâmicos ultraconservadores, como os salafistas, obtiveram quase 70% dos votos. Hoje El-Shater teve uma reunião com um painel de salafistas e outros clérigos muçulmanos, chamado Comissão de Jurisprudência para os Direitos e a Reforma. Segundo os religiosos, El-Shater prometeu que, se eleito presidente, formará um conselho de clérigos para revisar a legislação para garantir que a lei egípcia esteja de acordo com a lei islâmica, a Sharia.
As informações são da Associated Press.
AE - Agência Estado
Parlamentares laicos, cristãos e muçulmanos moderados abandonaram em protesto a Assembleia Constitucional do Egito nesta quarta-feira, após o chefe do corpo político ter dito que os trabalhos prosseguirão adiante. Mais cedo, a Irmandade Muçulmana disse que faria uma coalizão eleitoral com os salafistas, que adotam uma visão extrema do Islã, e que um corpo de clérigos terá um papel importante na redação da futura Constituição do Egito. Isso fez com que os parlamentares cristãos, seculares e muçulmanos moderados deixassem a Assembleia em protesto. A aliança política entre a Irmandade e os salafistas têm como objetivo vencer as eleições presidenciais em maio.
Alguns muçulmanos também deixaram a Assembleia em protesto, entre eles um representante da Universidade Al-Azhar do Cairo, além de representantes da comunidade copta cristã do Egito. Cerca de 10% dos 80 milhões de egípcios são cristãos. No total, mais de 20 parlamentares deixaram a Assembleia de 100 deputados. Cerca de 60 deputados são da Irmandade Muçulmana ou ligados aos grupos salafistas.
"O Islã virou apenas o que significa para a Irmandade e os salafistas", disse o deputado muçulmano moderado Ahmed el-Naggar. Os liberais, cristãos e seculares temem que um comitê dominado por islamitas escreva uma Constituição que reflita o Islã e não o conjunto da sociedade egípcia.
"Este é um comitê que foi eleito e formado para trabalhar", disse Saad el-Katatni, chefe do painel e líder da Irmandade Muçulmana. Eles disse que os parlamentares que abandonaram a Assembleia têm até a próxima terça-feira para voltarem e poderão sugerir nomes de outros parlamentares para o comitê. "Nós vamos continuar nesse caminho", afirmou.
Mais cedo, um grupo de clérigos islâmicos ultraconservadores disse que o candidato da Irmandade Muçulmana do Egito prometeu lhes dar poderes para que supervisionem a legislação do país. A Irmandade Muçulmana tenta obter o apoio dos ultraconservadores salafistas, à medida que se aproximam as eleições presidenciais egípcias em maio. O candidato da Irmandade, Khairat El-Shater, quer evitar disputas internas entre os islâmicos e unir todos em uma frente.
Nas eleições parlamentares, os partidos islâmicos ou islâmicos ultraconservadores, como os salafistas, obtiveram quase 70% dos votos. Hoje El-Shater teve uma reunião com um painel de salafistas e outros clérigos muçulmanos, chamado Comissão de Jurisprudência para os Direitos e a Reforma. Segundo os religiosos, El-Shater prometeu que, se eleito presidente, formará um conselho de clérigos para revisar a legislação para garantir que a lei egípcia esteja de acordo com a lei islâmica, a Sharia.
As informações são da Associated Press.
OUTRO ATENTADO TERRORISTA ISLÂMICO (ALLAH E MAOMÉ DEVEM ESTAR ENVERGONHADOS COM TUDO ISSO)
Atentado em cerimônia oficial na Somália mata ao menos seis
Entre as vítimas estão oficiais responsáveis pelos esportes no país
FSP/AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Um atentado suicida cometido por uma mulher-bomba durante um ato oficial que reunia a cúpula do governo da Somália matou pelo menos seis pessoas na capital do país, Mogadício.
Entre as vítimas, estão dois dos principais responsáveis pelos esportes no país: Aden Yabarow Wiish, presidente do Comitê Olímpico, e Said Mohamed Nur, presidente da Federação de Futebol da Somália.
A ação foi cometida por uma jovem que teria entre 20 e 25 anos, que se fez passar por policial para entrar na cerimônia que recordava o primeiro aniversário do reinício das transmissões da televisão nacional, no Teatro Nacional de Mogadício.
A mulher detonou os explosivos que estavam sob sua roupa durante o discurso do chefe do governo, Abdiweli Mohamed Ali, que teria se ferido na explosão.
O grupo radical islâmico Al Shabab, ligado à Al Qaeda e que tem desafiado o enfraquecido governo de transição, assumiu a autoria do atentado pelo Twitter.
"Mais uma vez o primeiro-ministro confirmou ontem o seu compromisso, assim como o presidente, de continuar garantindo que o país será estabilizado", disse Omar Jamal, representante do país nas Nações Unidas, que estava presente à cerimônia.
O presidente da Fifa (órgão que comanda o futebol mundial), Joseph Blatter, lamentou as mortes no país. "Conhecia pessoalmente os dois [Wiish e Nur] e só posso dizer coisas boas sobre os seus esforço infinitos para promover o esporte e o futebol em seu país", declarou.
O atentado se dá em meio aos esforços do governo de transição, apoiado pela ONU, para restabelecer o controle da capital desde a expulsão do Al Shabab, em agosto.
Entre as vítimas estão oficiais responsáveis pelos esportes no país
FSP/AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Um atentado suicida cometido por uma mulher-bomba durante um ato oficial que reunia a cúpula do governo da Somália matou pelo menos seis pessoas na capital do país, Mogadício.
Entre as vítimas, estão dois dos principais responsáveis pelos esportes no país: Aden Yabarow Wiish, presidente do Comitê Olímpico, e Said Mohamed Nur, presidente da Federação de Futebol da Somália.
A ação foi cometida por uma jovem que teria entre 20 e 25 anos, que se fez passar por policial para entrar na cerimônia que recordava o primeiro aniversário do reinício das transmissões da televisão nacional, no Teatro Nacional de Mogadício.
A mulher detonou os explosivos que estavam sob sua roupa durante o discurso do chefe do governo, Abdiweli Mohamed Ali, que teria se ferido na explosão.
O grupo radical islâmico Al Shabab, ligado à Al Qaeda e que tem desafiado o enfraquecido governo de transição, assumiu a autoria do atentado pelo Twitter.
"Mais uma vez o primeiro-ministro confirmou ontem o seu compromisso, assim como o presidente, de continuar garantindo que o país será estabilizado", disse Omar Jamal, representante do país nas Nações Unidas, que estava presente à cerimônia.
O presidente da Fifa (órgão que comanda o futebol mundial), Joseph Blatter, lamentou as mortes no país. "Conhecia pessoalmente os dois [Wiish e Nur] e só posso dizer coisas boas sobre os seus esforço infinitos para promover o esporte e o futebol em seu país", declarou.
O atentado se dá em meio aos esforços do governo de transição, apoiado pela ONU, para restabelecer o controle da capital desde a expulsão do Al Shabab, em agosto.
ATÉ QUANDO OS EUROPEUS IRÃO SUPORTAR A CRISE ECONÔMICA ANTES QUE REGIMES FASCISTA SURJAM?
Por "fim digno", aposentado se mata em praça pública na Grécia
Farmacêutico de 77 anos disse não ter forma de lutar contra crise
FSP/AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Um aposentado grego de 77 anos se suicidou ontem nas proximidades do Parlamento do país, dizendo ser esse o único "fim digno" possível para ele, numa Grécia que atravessa severa crise.
"Não quero deixar dívidas para os meus filhos", gritou, segundo testemunhas, antes de atirar na própria cabeça, debaixo de uma árvore.
A mídia local o identificou como Dimitris Christoulas, um farmacêutico aposentado, e divulgou uma nota escrita à mão deixada por ele.
No bilhete, ele explicava seus motivos e previa que, no futuro, os jovens gregos sem perspectivas usarão armas para se defender.
"Dado que não tenho idade que me permita responder ativamente (ainda que fosse o primeiro a seguir alguém que tomasse um [fuzil] Kalashnikov), não posso encontrar nenhuma forma de luta, exceto um fim digno antes de ter de começar a procurar comida no lixo", diz o texto.
O suicídio do farmacêutico tomou de imediato o debate público na Grécia, onde uma em cada cinco pessoas está desempregada e sucessivos cortes de salários e pensões atingem os que têm emprego ou estão aposentados.
PROTESTOS
A movimentada praça Syntagma, onde Christoulas se matou -um ponto tradicional de protestos do lado oposto ao Parlamento-, encheu-se de flores, velas e bilhetes escritos à mão com condenações à crise e ao governo.
Estima-se que 1.500 pessoas tenham passado pelo local, convocadas pelas redes sociais. Reprimidos pela polícia, protestos e manifestações também aconteceram em outras cidades gregas.
"Nesses tempos difíceis para nosso país, nós todos -Estado e cidadãos- deveríamos apoiar os que estão do nosso lado e em desespero", disse, em nota, o primeiro-ministro Lucas Papademos.
O líder socialista Evangelos Venizelos classificou o episódio de tão monstruoso que tornava "irrelevante e vão qualquer comentário político". Segundo os dados mais recentes disponíveis, suicídios na Grécia aumentaram 18% desde 2010. Apenas em Atenas, a alta foi de 25%.
Segundo o "New York Times", antes da crise, a Grécia tinha a taxa mais baixa de suicídios da Europa: 2,8 a cada 100 mil habitantes, ou pouco mais de 300 ao ano.
Ainda segundo a mídia grega, o farmacêutico, em sua nota, se referia ao governo como "governo de ocupação de Tsolakoglou".
Georgios Tsolakoglou foi primeiro-ministro colaboracionista durante a ocupação da Grécia pela Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial.
A menção é mais um termômetro da ira grega contra os alemães por conta do papel determinante do governo Merkel na imposição das medidas de austeridade ao país.
A adoção de um drástico pacote de cortes e privatizações foi a condição da "troica" (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) para socorrer a Grécia.
Farmacêutico de 77 anos disse não ter forma de lutar contra crise
FSP/AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Um aposentado grego de 77 anos se suicidou ontem nas proximidades do Parlamento do país, dizendo ser esse o único "fim digno" possível para ele, numa Grécia que atravessa severa crise.
"Não quero deixar dívidas para os meus filhos", gritou, segundo testemunhas, antes de atirar na própria cabeça, debaixo de uma árvore.
A mídia local o identificou como Dimitris Christoulas, um farmacêutico aposentado, e divulgou uma nota escrita à mão deixada por ele.
No bilhete, ele explicava seus motivos e previa que, no futuro, os jovens gregos sem perspectivas usarão armas para se defender.
"Dado que não tenho idade que me permita responder ativamente (ainda que fosse o primeiro a seguir alguém que tomasse um [fuzil] Kalashnikov), não posso encontrar nenhuma forma de luta, exceto um fim digno antes de ter de começar a procurar comida no lixo", diz o texto.
O suicídio do farmacêutico tomou de imediato o debate público na Grécia, onde uma em cada cinco pessoas está desempregada e sucessivos cortes de salários e pensões atingem os que têm emprego ou estão aposentados.
PROTESTOS
A movimentada praça Syntagma, onde Christoulas se matou -um ponto tradicional de protestos do lado oposto ao Parlamento-, encheu-se de flores, velas e bilhetes escritos à mão com condenações à crise e ao governo.
Estima-se que 1.500 pessoas tenham passado pelo local, convocadas pelas redes sociais. Reprimidos pela polícia, protestos e manifestações também aconteceram em outras cidades gregas.
"Nesses tempos difíceis para nosso país, nós todos -Estado e cidadãos- deveríamos apoiar os que estão do nosso lado e em desespero", disse, em nota, o primeiro-ministro Lucas Papademos.
O líder socialista Evangelos Venizelos classificou o episódio de tão monstruoso que tornava "irrelevante e vão qualquer comentário político". Segundo os dados mais recentes disponíveis, suicídios na Grécia aumentaram 18% desde 2010. Apenas em Atenas, a alta foi de 25%.
Segundo o "New York Times", antes da crise, a Grécia tinha a taxa mais baixa de suicídios da Europa: 2,8 a cada 100 mil habitantes, ou pouco mais de 300 ao ano.
Ainda segundo a mídia grega, o farmacêutico, em sua nota, se referia ao governo como "governo de ocupação de Tsolakoglou".
Georgios Tsolakoglou foi primeiro-ministro colaboracionista durante a ocupação da Grécia pela Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial.
A menção é mais um termômetro da ira grega contra os alemães por conta do papel determinante do governo Merkel na imposição das medidas de austeridade ao país.
A adoção de um drástico pacote de cortes e privatizações foi a condição da "troica" (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) para socorrer a Grécia.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
HARÉM EM FÚRIA
A Dilma da Dilma
Lauro Jardim - VEJA
A criação de um bloco parlamentar entre PR e PTB no Senado azedou o clima entre as mulheres de Dilma Rousseff no Planalto. Antes dedicada exclusivamente à burocracia da Casa Civil, Gleisi Hoffmann atropelou Ideli ao articular ontem o encontro dos senadores dos dois partidos com Dilma. Ideli Salvatti sentiu-se enfraquecida e ficou uma arara com a interferência.
Diante dos desencontros no palácio, a parcela de Renan Calheiros no PMDB está em festa. O ato, além de escantear Ideli, mostrou que Eduardo Braga (outro atropelado por Gleisi) não é o canal obrigatório dos governistas com Dilma. Diz um graúdo peemedebista:
- Agora que a Gleisi resolveu dar uma de José Dirceu e Palocci, ninguém precisa mais da Ideli.
(Atualização, às 19h05: Ideli telefona para dizer que não existe crise entre ela e Gleisi e que tudo não passa de intriga do Congresso. As duas estão juntas neste momento conversando no palácio.)
Lauro Jardim - VEJA
A criação de um bloco parlamentar entre PR e PTB no Senado azedou o clima entre as mulheres de Dilma Rousseff no Planalto. Antes dedicada exclusivamente à burocracia da Casa Civil, Gleisi Hoffmann atropelou Ideli ao articular ontem o encontro dos senadores dos dois partidos com Dilma. Ideli Salvatti sentiu-se enfraquecida e ficou uma arara com a interferência.
Diante dos desencontros no palácio, a parcela de Renan Calheiros no PMDB está em festa. O ato, além de escantear Ideli, mostrou que Eduardo Braga (outro atropelado por Gleisi) não é o canal obrigatório dos governistas com Dilma. Diz um graúdo peemedebista:
- Agora que a Gleisi resolveu dar uma de José Dirceu e Palocci, ninguém precisa mais da Ideli.
(Atualização, às 19h05: Ideli telefona para dizer que não existe crise entre ela e Gleisi e que tudo não passa de intriga do Congresso. As duas estão juntas neste momento conversando no palácio.)
RATOLÂNDIA
O paraíso dos corruptos
GIL CASTELLO BRANCO - O GLOBO
Parodiando, às avessas, Milton Nascimento ─ na canção “Nos bailes da vida” ─ dizem que o corrupto vai onde o dinheiro está. Assim, os encontros de funcionários públicos desonestos com comerciantes venais, infelizmente, não são raros. As imagens e os diálogos mostrados no “Fantástico” chocam, mas não compõem um enredo inédito. Ao contrário, o filme é reprisado nos quatro cantos do Pais e a Viúva morre no final.
O governo federal é o maior comprador do Brasil. No ano passado gastou aproximadamente R$ 12,5 bilhões adquirindo materiais de consumo e R$ 33,2 bilhões contratando serviços de terceiros. Como a “bola da vez” são os hospitais, só com material farmacológico, hospitalar e laboratorial foram pagos quase R$ 5 bilhões em 2011. Mas compra-se de tudo. Das lanchas-patrulha, que pescaram doações eleitorais em Santa Catarina, ao Ford Edge, fabricado no México, que serve à Presidência da República. Nos carrinhos de compras dos órgãos públicos não é impossível encontrar chicletes, essência para sauna, obras de arte e até cachaça. O megamercado interessa a muitos. Do contraventor ao senador.
Na contratação de serviços de terceiros não é diferente. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário gastam, por ano, cerca de R$ 375 milhões com vigilância e R$ 486 milhões com limpeza, apenas para dar alguns exemplos de alvos da moda. Se incluirmos a aquisição de equipamentos, o mercado brasileiro é tão interessante que provoca alvoroço até no exterior, como acontece na compra dos aviões caças para a Força Aérea Brasileira.
As irregularidades ocorrem em todas as formas e fases das licitações. Nas dispensas indevidas, nas emergências planejadas, nos concursos e concorrências armados e dirigidos, e até nos pregões presenciais e eletrônicos que também não são imunes às fraudes. Vale tudo para que sejam geradas “gorduras” distribuídas na forma de propinas entre as partes. Nesses casos não há anjos. Há corruptos públicos e privados, nos dois lados do balcão.
A Lei que regula as compras e contratações (Lei 8.666/93) tem 19 anos, 121 artigos e muitos remendos. Cria inúmeras formalidades e enorme burocracia, mas não evita as fraudes cometidas pelos mal intencionados. Parte do problema, portanto, é melhorar a legislação.
A farra da moda são as adesões às atas de registros de preços, também chamadas de “caronas”. A brecha legal permite ao fornecedor vencer licitação em uma repartição pública e posteriormente vender o mesmo produto, durante um ano, a vários outros órgãos. A tese do “onde passa um boi, passa uma boiada”, tem falhas. O “registro vencedor” e a perspectiva de vendas futuras valem ouro e geram negociatas. Além disso, como o preço varia conforme a quantidade, é óbvio que a economia de escala beneficia somente o comerciante. Uma boa ideia seria limitar o valor da carona até, no máximo, o dobro do valor da licitação original. Outra sugestão saneadora seria acabar com os pregões presenciais ─ que não têm qualquer vantagem sobre os eletrônicos ─ e dão margem às combinações prévias.
Pior que a legislação, porém, é a gestão. Mesmo comprando há vários anos, o governo não possui sistema nacional de registro de preços confiável, com valores justos para cada item licitado. Se tivesse, qualquer preço estranho, fora do intervalo padrão, seria detectado. A área de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com frequentes alterações de chefias e estrutura administrativa, ainda não conseguiu normatizar e gerir com eficiência os negócios governamentais.
O exemplo de que as inovações são possíveis vem do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ao comprar ônibus, bicicletas, vestuário, tablets, mesas e carteiras, entre outros itens, para 54 milhões de alunos o FNDE passou a adotar sistemática moderna. Definiu tecnicamente – em parcerias com o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) e universidades ─ o que precisava adquirir, contratou pesquisas de mercado, realizou audiências públicas com fabricantes e fornecedores e criou comitês de compras. Dessa forma, tem adquirido em pregões eletrônicos produtos padronizados, com qualidade atestada, por preços, em média, 20% inferiores aos oferecidos na praça.
O fato é que urgem mudanças na legislação, no planejamento e na gestão das bilionárias compras e contratações da administração pública federal, das estaduais e das municipais. O que assistimos na televisão é apenas o véu da cachoeira desse submundo.
GIL CASTELLO BRANCO - O GLOBO
Parodiando, às avessas, Milton Nascimento ─ na canção “Nos bailes da vida” ─ dizem que o corrupto vai onde o dinheiro está. Assim, os encontros de funcionários públicos desonestos com comerciantes venais, infelizmente, não são raros. As imagens e os diálogos mostrados no “Fantástico” chocam, mas não compõem um enredo inédito. Ao contrário, o filme é reprisado nos quatro cantos do Pais e a Viúva morre no final.
O governo federal é o maior comprador do Brasil. No ano passado gastou aproximadamente R$ 12,5 bilhões adquirindo materiais de consumo e R$ 33,2 bilhões contratando serviços de terceiros. Como a “bola da vez” são os hospitais, só com material farmacológico, hospitalar e laboratorial foram pagos quase R$ 5 bilhões em 2011. Mas compra-se de tudo. Das lanchas-patrulha, que pescaram doações eleitorais em Santa Catarina, ao Ford Edge, fabricado no México, que serve à Presidência da República. Nos carrinhos de compras dos órgãos públicos não é impossível encontrar chicletes, essência para sauna, obras de arte e até cachaça. O megamercado interessa a muitos. Do contraventor ao senador.
Na contratação de serviços de terceiros não é diferente. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário gastam, por ano, cerca de R$ 375 milhões com vigilância e R$ 486 milhões com limpeza, apenas para dar alguns exemplos de alvos da moda. Se incluirmos a aquisição de equipamentos, o mercado brasileiro é tão interessante que provoca alvoroço até no exterior, como acontece na compra dos aviões caças para a Força Aérea Brasileira.
As irregularidades ocorrem em todas as formas e fases das licitações. Nas dispensas indevidas, nas emergências planejadas, nos concursos e concorrências armados e dirigidos, e até nos pregões presenciais e eletrônicos que também não são imunes às fraudes. Vale tudo para que sejam geradas “gorduras” distribuídas na forma de propinas entre as partes. Nesses casos não há anjos. Há corruptos públicos e privados, nos dois lados do balcão.
A Lei que regula as compras e contratações (Lei 8.666/93) tem 19 anos, 121 artigos e muitos remendos. Cria inúmeras formalidades e enorme burocracia, mas não evita as fraudes cometidas pelos mal intencionados. Parte do problema, portanto, é melhorar a legislação.
A farra da moda são as adesões às atas de registros de preços, também chamadas de “caronas”. A brecha legal permite ao fornecedor vencer licitação em uma repartição pública e posteriormente vender o mesmo produto, durante um ano, a vários outros órgãos. A tese do “onde passa um boi, passa uma boiada”, tem falhas. O “registro vencedor” e a perspectiva de vendas futuras valem ouro e geram negociatas. Além disso, como o preço varia conforme a quantidade, é óbvio que a economia de escala beneficia somente o comerciante. Uma boa ideia seria limitar o valor da carona até, no máximo, o dobro do valor da licitação original. Outra sugestão saneadora seria acabar com os pregões presenciais ─ que não têm qualquer vantagem sobre os eletrônicos ─ e dão margem às combinações prévias.
Pior que a legislação, porém, é a gestão. Mesmo comprando há vários anos, o governo não possui sistema nacional de registro de preços confiável, com valores justos para cada item licitado. Se tivesse, qualquer preço estranho, fora do intervalo padrão, seria detectado. A área de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com frequentes alterações de chefias e estrutura administrativa, ainda não conseguiu normatizar e gerir com eficiência os negócios governamentais.
O exemplo de que as inovações são possíveis vem do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ao comprar ônibus, bicicletas, vestuário, tablets, mesas e carteiras, entre outros itens, para 54 milhões de alunos o FNDE passou a adotar sistemática moderna. Definiu tecnicamente – em parcerias com o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) e universidades ─ o que precisava adquirir, contratou pesquisas de mercado, realizou audiências públicas com fabricantes e fornecedores e criou comitês de compras. Dessa forma, tem adquirido em pregões eletrônicos produtos padronizados, com qualidade atestada, por preços, em média, 20% inferiores aos oferecidos na praça.
O fato é que urgem mudanças na legislação, no planejamento e na gestão das bilionárias compras e contratações da administração pública federal, das estaduais e das municipais. O que assistimos na televisão é apenas o véu da cachoeira desse submundo.
O FANATISMO ISLÂMICO IRANIANO VAI LEVAR O ORIENTE MÉDIO A UMA CATÁSTROFE SEM PRECEDENTES II
Israel x Irã: menos "aliados", mais inimigos
Heitor De Paola
Khamenei é muito mais perigoso e mais capacitado que Ahmadinejad para formar novas alianças, como a já iniciada com o Egito. O Irã afirma que ajudará a qualquer país que lute contra Israel.
Como afirmei no artigo anterior, Obama rejeitou qualquer atitude mais efetiva em relação ao Irã, dizendo que novas “ações diplomáticas” ainda podem surtir efeito. Tal como Chamberlain em 1938 o queniano que preside os Estados Unidos prefere ações pacifistas. Com a enorme diferença que Chamberlain, ao que tudo consta, acreditava piamente em Herr Hitler, mas Obama sabe muito bem com quem está tratando, mas prefere negociar porque não se considera intimamente comprometido com o estado judeu. Pelo contrário, ao que tudo indica, é muçulmano e implicitamente prefere uma vitória do Irã que o livraria da chatice de ter que dialogar com Netanyahu ou outros líderes judeus.
Por outro lado, até os grãos de areia do Saara sabiam que a “primavera árabe” nada mais era do que a tomada do poder pelos fundamentalistas islâmicos em todos os países no entorno de Israel. Além dos mal intencionados que sabiam do que se tratava, só os tolos e idiotas úteis, que vibraram com o “fim das ditaduras” árabes e a queda dos terríveis ditadores Mubarak, Kadhafi, e ainda torcem contra Assad, comemoraram a vitória destes movimentos antissionistas.
Após a revolução que derrubou Mubarak as relações entre Egito e Israel se deterioraram. A Fraternidade Muçulmana, apesar de dizer que respeitará os Acordos de Camp David, não descarta negociar aquelas partes que considera “humilhantes” para o Egito. O Parlamento votou a favor da deportação do embaixador de Israel, Yaakov Amitai e a retirada do embaixador egípcio em Israel, já que “o Egito, após a revolução, nunca será amigo da ‘entidade sionista’ (note-se o uso desta terminologia que tinha acabado no Egito desde a paz selada por Begin e Sadat), o inimigo número um da nação árabe, e pediu um boicote por parte dos países árabes às companhias que fazem negócios com Israel como “apoio à resistência palestina”. O presidente do Parlamento, Saad al Katatni, formou um comitê parlamentar para monitorar as demandas exigidas do Executivo, como informou o jornal Al Masry al Youm. Estas exigências incluem a revisão de todas as relações e convênios com “este inimigo” que representa uma ameaça verdadeira para a segurança e os interesses nacionais egípcios. Além de exigir o fim imediato da exportação de gás, ainda sugere que o país deveria rever sua posição de subscritor do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) até que Israel o subscreva também.
O historiador libanês Kamal Salibi afirmou que os árabes não são bons na guerra. Se pudessem guerrear como, por exemplo, os russos, Israel teria deixado de existir há muitos anos, nem teria comemorado seu primeiro aniversário [1]. “A Síria e o Egito tentaram três vezes e a Jordânia duas. O Hamas e OLP há décadas fustigam Israel com guerrilha, terrorismo e ataques de baixa densidade de foguetes, mas jamais chegaram sequer perto de ameaçar a existência de Israel”.
No entanto, a ameaça agora não é de um país árabe mal armado, mas de um Irã com capacidade de ataques de grande densidade com armas nucleares. Ninguém se engane que a derrota de Ahmadinejad perante Ali Khamenei, que conseguiu maioria no Majlis, mudará alguma coisa para melhor: só conterá, talvez, as diatribes furiosas do primeiro contra Israel, mas Khamenei é muito mais perigoso e mais capacitado a formar novas alianças, como a já iniciada com o Egito. O Irã afirma que ajudará a qualquer país que lute contra Israel. Não ficou claro se exportaria armas ou expertise nuclear, mas dada a ameaça do Parlamento egípcio de rever o TNP, é bem possível.
Enquanto isto, a guerra de nervos prossegue: Netanyahu ameaça a toda hora atacar o Irã, mas como disse Bernard Shapiro [2] numa entrevista ao site Accuracy In Media: “Estou farto de israelenses, americanos – todos que falam demais! Se tenciona atacar o Irã, faça-o logo. Não fiquem falando sem parar de uma forma desagradável e nauseante!
Por seu lado o Irã novamente ameaçou ontem (18/03) o fechamento do Estreito de Hormuz: o Ministro da Inteligência, Ali Falahian, afirmou que os EUA e a Europa devem esperar respostas duras do Irã, como o fechamento do Estreito, às sanções, principalmente o corte de relações com os bancos iranianos[3]. Como já escrevi antes, é muito mais ameaças visando relaxamento de sanções, pois existem na área quatro porta-aviões nucleares americanos e franceses e mais de uma dúzia de caça-minas e helicópteros com a mesma finalidade dos dois lados do estreito.
Notas:
[1] Nicholas Blanford, Warriors of God: Inside Hezbollah’s Thirty-Year Struggle Against Israel
[2] Shapiro é Fundador e Chairman de Strategic Studies e Editor da revista The Maccabean Online e publicou recentemente o livro The Battle for Eretz Yisrael: Jews, G-d, and Israel, 1992-2011. A entrevista pode ser ouvida ou lida na íntegra aqui.
[3] http://www.debka.com/article/21837/
Heitor De Paola
Khamenei é muito mais perigoso e mais capacitado que Ahmadinejad para formar novas alianças, como a já iniciada com o Egito. O Irã afirma que ajudará a qualquer país que lute contra Israel.
Como afirmei no artigo anterior, Obama rejeitou qualquer atitude mais efetiva em relação ao Irã, dizendo que novas “ações diplomáticas” ainda podem surtir efeito. Tal como Chamberlain em 1938 o queniano que preside os Estados Unidos prefere ações pacifistas. Com a enorme diferença que Chamberlain, ao que tudo consta, acreditava piamente em Herr Hitler, mas Obama sabe muito bem com quem está tratando, mas prefere negociar porque não se considera intimamente comprometido com o estado judeu. Pelo contrário, ao que tudo indica, é muçulmano e implicitamente prefere uma vitória do Irã que o livraria da chatice de ter que dialogar com Netanyahu ou outros líderes judeus.
Por outro lado, até os grãos de areia do Saara sabiam que a “primavera árabe” nada mais era do que a tomada do poder pelos fundamentalistas islâmicos em todos os países no entorno de Israel. Além dos mal intencionados que sabiam do que se tratava, só os tolos e idiotas úteis, que vibraram com o “fim das ditaduras” árabes e a queda dos terríveis ditadores Mubarak, Kadhafi, e ainda torcem contra Assad, comemoraram a vitória destes movimentos antissionistas.
Após a revolução que derrubou Mubarak as relações entre Egito e Israel se deterioraram. A Fraternidade Muçulmana, apesar de dizer que respeitará os Acordos de Camp David, não descarta negociar aquelas partes que considera “humilhantes” para o Egito. O Parlamento votou a favor da deportação do embaixador de Israel, Yaakov Amitai e a retirada do embaixador egípcio em Israel, já que “o Egito, após a revolução, nunca será amigo da ‘entidade sionista’ (note-se o uso desta terminologia que tinha acabado no Egito desde a paz selada por Begin e Sadat), o inimigo número um da nação árabe, e pediu um boicote por parte dos países árabes às companhias que fazem negócios com Israel como “apoio à resistência palestina”. O presidente do Parlamento, Saad al Katatni, formou um comitê parlamentar para monitorar as demandas exigidas do Executivo, como informou o jornal Al Masry al Youm. Estas exigências incluem a revisão de todas as relações e convênios com “este inimigo” que representa uma ameaça verdadeira para a segurança e os interesses nacionais egípcios. Além de exigir o fim imediato da exportação de gás, ainda sugere que o país deveria rever sua posição de subscritor do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) até que Israel o subscreva também.
O historiador libanês Kamal Salibi afirmou que os árabes não são bons na guerra. Se pudessem guerrear como, por exemplo, os russos, Israel teria deixado de existir há muitos anos, nem teria comemorado seu primeiro aniversário [1]. “A Síria e o Egito tentaram três vezes e a Jordânia duas. O Hamas e OLP há décadas fustigam Israel com guerrilha, terrorismo e ataques de baixa densidade de foguetes, mas jamais chegaram sequer perto de ameaçar a existência de Israel”.
No entanto, a ameaça agora não é de um país árabe mal armado, mas de um Irã com capacidade de ataques de grande densidade com armas nucleares. Ninguém se engane que a derrota de Ahmadinejad perante Ali Khamenei, que conseguiu maioria no Majlis, mudará alguma coisa para melhor: só conterá, talvez, as diatribes furiosas do primeiro contra Israel, mas Khamenei é muito mais perigoso e mais capacitado a formar novas alianças, como a já iniciada com o Egito. O Irã afirma que ajudará a qualquer país que lute contra Israel. Não ficou claro se exportaria armas ou expertise nuclear, mas dada a ameaça do Parlamento egípcio de rever o TNP, é bem possível.
Enquanto isto, a guerra de nervos prossegue: Netanyahu ameaça a toda hora atacar o Irã, mas como disse Bernard Shapiro [2] numa entrevista ao site Accuracy In Media: “Estou farto de israelenses, americanos – todos que falam demais! Se tenciona atacar o Irã, faça-o logo. Não fiquem falando sem parar de uma forma desagradável e nauseante!
Por seu lado o Irã novamente ameaçou ontem (18/03) o fechamento do Estreito de Hormuz: o Ministro da Inteligência, Ali Falahian, afirmou que os EUA e a Europa devem esperar respostas duras do Irã, como o fechamento do Estreito, às sanções, principalmente o corte de relações com os bancos iranianos[3]. Como já escrevi antes, é muito mais ameaças visando relaxamento de sanções, pois existem na área quatro porta-aviões nucleares americanos e franceses e mais de uma dúzia de caça-minas e helicópteros com a mesma finalidade dos dois lados do estreito.
Notas:
[1] Nicholas Blanford, Warriors of God: Inside Hezbollah’s Thirty-Year Struggle Against Israel
[2] Shapiro é Fundador e Chairman de Strategic Studies e Editor da revista The Maccabean Online e publicou recentemente o livro The Battle for Eretz Yisrael: Jews, G-d, and Israel, 1992-2011. A entrevista pode ser ouvida ou lida na íntegra aqui.
[3] http://www.debka.com/article/21837/
O FANATISMO ISLÂMICO IRANIANO VAI LEVAR O ORIENTE MÉDIO A UMA CATÁSTROFE SEM PRECEDENTES
Irã versus Israel: quais as opções?
Heitor De Paola - MSM
In wartime, truth is so precious that she should always be attended by a bodyguard of lies.
Winston Churchill
Relações internacionais são muito mais complexas do que parecem na superfície e não se pode tomá-las prima facie. Em casos de guerra ou ameaças de conflitos, então, a situação é muito mais complicada. Os contendores costumam esconder trunfos reais e anunciar outros, que não possuem, aos quatro ventos. Geralmente estes últimos contém doses razoáveis de blefe. Já Sun Tzu recomendava: se você está forte, faça o inimigo pensar que está fraco, se estiver fraco, alardeie poderes para esconder sua fraqueza do inimigo. Essa é a base da desinformação, que os comunistas transformaram numa verdadeira arte. Um exemplo basta. Em 1961, na crise dos mísseis em Cuba, Krushchev ameaçou com um conflito nuclear mundial contando com apenas 300 ogivas contra 5.000 americanas. O blefe deu certo e o objetivo principal da operação foi atingido: arrancar dos americanos um compromisso de que jamais iriam intervir em Cuba novamente.
Observando por este ângulo podemos perguntar se a gritaria de Ahmadinejad e dos aiatolás não passa de um grande blefe. Isto também se aplica às ameaças de Israel: atacar os reatores nucleares iranianos. Quem quer atacar, ataca, não fica fazendo ameaças dando tempo ao inimigo se armar e preparar melhor as defesas, como alertou recentemente o ministro da Defesa de Israel Ehud Barak: o programa nuclear iraniano entrará em curto prazo numa “zona de imunidade”, na qual suas instalações serão protegidas contra ataques militares em profundas escavações (é o caso das instalações de enriquecimento de Natanz e a nova usina em Fordo). Netanyahu advertia já em 1996: os EUA deveriam impedir a nuclearização dos estados terroristas. Dizia, então: “O prazo para isto está se aproximando rapidamente do ponto crítico (…) A dissuasão (deterrence) deve ser reforçada com prevenção – prevenção efetiva e imediata O prazo está se esgotando”.
Analistas céticos consideram que se Israel estivesse realmente se preparando para um ataque, não estaria ameaçando tão abertamente esta opção, como ocorreu quando dos ataques de surpresa contra Ozyrak em 1981 e contra a Síria em 2007. As ameaças atuais teriam em vista aumentar a pressão para incremento das sanções econômicas e o estrangulamento do Irã, embora não esteja afastada a possibilidade de um ataque ainda neste ano, com ou sem apoio americano. Ocorre que aqueles ataques exigiram um número limitado de bombardeiros para destruir uma única instalação na superfície, o que não é o caso do Irã, muito mais distante com alvos a quase dois mil quilômetros, que dispõe de várias instalações espalhadas por um vasto território e um ataque bem sucedido apenas a algumas, deixando outras intactas, serviria para dar um pretexto ao Irã e ainda colocaria a malfadada “comunidade internacional”, que permanentemente é contrária a Israel, ainda mais à vontade para atacar o estado judeu. Problemas estratégicos, táticos e logísticos a ser enfrentados seriam: o alcance, o reabastecimento, a natureza dos alvos e as rotas de ataque e fuga. A Força Aérea Israelense teria comprado 125 caças F-15I e F-16I, equipados com tanques maiores de combustível - feitos sob medida para ataques de longo alcance e bombas de penetração especiais e desenvolveu grandes aeronaves não tripuladas. Certamente existem muitas coisas que não se sabe sobre a capacidade militar israelense.
Já a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Hormuz na presença de uma armada americana que pode liquidar o Irã em poucas horas, não passa de blefe com a intenção de amarrar a força americana no local. Há também outro fator: por ali escoa a produção de petróleo dos Emirados, Qatar, Bahrein, Iraque e da poderosa Arábia Saudita, sunita, que enfrenta uma oposição xi’ita exatamente na franja do Golfo. Este país, assim como Egito e Turquia tem interesses próprios de hegemonia e não interessa a nenhum deles um Irã como potência nuclear. Os interesses e estratégias na região fazem com que a “identidade muçulmana” seja apenas superficial, não somente por causa das divisões internas do Islam como também porque etnicamente os iranianos são persas, não árabes. Talvez não seja do conhecimento geral, mas o Irã cedeu secretamente as suas bases aéreas para os aviões israelenses pousarem, caso houvesse algum problema de retorno após o ataque ao reator iraquiano. (Nota do autor: Este trecho do artigo vem causando algumas polêmicas. A fonte é o livro de Trita Parsi, Treacherous Alliance – The Secret Dealings of Israel, Iran and the US).
Fontes bem informadas determinaram que Tehran, após uma escalada de ameaças nos exercícios militares no final de fevereiro, estariam se afastando da zona de Hormuz e apresentando uma versão mais defensiva. Em contraste com os exercícios navais de 24/12 a 03/01 (Velayat 90) no Golfo de Oman e Estreito de Hormuz, as grandes manobras navais (Grande Profeta VII) programadas para 19/02 foram adiadas. As operações atuais, de natureza defensiva, se realizam no centro do país, longe do Golfo, do Estreito e da fronteira com o Afeganistão.
As autoridades israelenses determinaram três critérios principais para decidir se e quando atacar: 1) Estão funcionando as sanções internacionais? 2) Israel tem realmente capacidade de destruir com eficiência a capacidade nuclear do Irã? 3) Os EUA darão o sinal verde para um ataque israelense?
Segundo Leon Panetta, Secretário de Defesa americano, o Irã só poderá atingir plena capacidade nuclear dentro de um ano aproximadamente o que seria considerado o point of no return para os EUA e Israel. E acrescentou: “se tivermos que fazê-lo, faremos” (If we have to do it, we will do it). Foi a declaração mais forte de uma autoridade americana até o momento. Mas podemos levá-la a sério? Dificilmente! A retaliação iraniana contra o suprimento de petróleo, mesmo sem fechar o Estreito, faria o preço subir astronomicamente. A retirada das forças americanas no Iraque não significa que seus interesses no petróleo do Golfo cessaram.
Como resultado de um ataque Israel ficaria ainda mais isolado diplomaticamente, além de dar o pretexto para nova onda de anti-semitismo no mundo inteiro. E Israel precisa proteger seus irmãos na Diáspora.
Um ataque iraniano poderia ter o efeito de despertar nova onda de solidariedade aos judeus, como ocorreu após a descoberta do Holocausto.
Enquanto não ata nem desata, segue a onda de atritos: Israel acusou o Irã pelos ataques aos seus diplomatas em Tbilisi e Nova Delhi. Como resposta, o Irã acusou Israel de ter simulado os ataques para por a culpa em Tehran. E la nave va.... Por enquanto em mares revoltos na superfície, mas relativamente calmos nas profundezas. Mas um tsunami pode estar se armando.
Heitor De Paola - MSM
In wartime, truth is so precious that she should always be attended by a bodyguard of lies.
Winston Churchill
Relações internacionais são muito mais complexas do que parecem na superfície e não se pode tomá-las prima facie. Em casos de guerra ou ameaças de conflitos, então, a situação é muito mais complicada. Os contendores costumam esconder trunfos reais e anunciar outros, que não possuem, aos quatro ventos. Geralmente estes últimos contém doses razoáveis de blefe. Já Sun Tzu recomendava: se você está forte, faça o inimigo pensar que está fraco, se estiver fraco, alardeie poderes para esconder sua fraqueza do inimigo. Essa é a base da desinformação, que os comunistas transformaram numa verdadeira arte. Um exemplo basta. Em 1961, na crise dos mísseis em Cuba, Krushchev ameaçou com um conflito nuclear mundial contando com apenas 300 ogivas contra 5.000 americanas. O blefe deu certo e o objetivo principal da operação foi atingido: arrancar dos americanos um compromisso de que jamais iriam intervir em Cuba novamente.
Observando por este ângulo podemos perguntar se a gritaria de Ahmadinejad e dos aiatolás não passa de um grande blefe. Isto também se aplica às ameaças de Israel: atacar os reatores nucleares iranianos. Quem quer atacar, ataca, não fica fazendo ameaças dando tempo ao inimigo se armar e preparar melhor as defesas, como alertou recentemente o ministro da Defesa de Israel Ehud Barak: o programa nuclear iraniano entrará em curto prazo numa “zona de imunidade”, na qual suas instalações serão protegidas contra ataques militares em profundas escavações (é o caso das instalações de enriquecimento de Natanz e a nova usina em Fordo). Netanyahu advertia já em 1996: os EUA deveriam impedir a nuclearização dos estados terroristas. Dizia, então: “O prazo para isto está se aproximando rapidamente do ponto crítico (…) A dissuasão (deterrence) deve ser reforçada com prevenção – prevenção efetiva e imediata O prazo está se esgotando”.
Analistas céticos consideram que se Israel estivesse realmente se preparando para um ataque, não estaria ameaçando tão abertamente esta opção, como ocorreu quando dos ataques de surpresa contra Ozyrak em 1981 e contra a Síria em 2007. As ameaças atuais teriam em vista aumentar a pressão para incremento das sanções econômicas e o estrangulamento do Irã, embora não esteja afastada a possibilidade de um ataque ainda neste ano, com ou sem apoio americano. Ocorre que aqueles ataques exigiram um número limitado de bombardeiros para destruir uma única instalação na superfície, o que não é o caso do Irã, muito mais distante com alvos a quase dois mil quilômetros, que dispõe de várias instalações espalhadas por um vasto território e um ataque bem sucedido apenas a algumas, deixando outras intactas, serviria para dar um pretexto ao Irã e ainda colocaria a malfadada “comunidade internacional”, que permanentemente é contrária a Israel, ainda mais à vontade para atacar o estado judeu. Problemas estratégicos, táticos e logísticos a ser enfrentados seriam: o alcance, o reabastecimento, a natureza dos alvos e as rotas de ataque e fuga. A Força Aérea Israelense teria comprado 125 caças F-15I e F-16I, equipados com tanques maiores de combustível - feitos sob medida para ataques de longo alcance e bombas de penetração especiais e desenvolveu grandes aeronaves não tripuladas. Certamente existem muitas coisas que não se sabe sobre a capacidade militar israelense.
Já a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Hormuz na presença de uma armada americana que pode liquidar o Irã em poucas horas, não passa de blefe com a intenção de amarrar a força americana no local. Há também outro fator: por ali escoa a produção de petróleo dos Emirados, Qatar, Bahrein, Iraque e da poderosa Arábia Saudita, sunita, que enfrenta uma oposição xi’ita exatamente na franja do Golfo. Este país, assim como Egito e Turquia tem interesses próprios de hegemonia e não interessa a nenhum deles um Irã como potência nuclear. Os interesses e estratégias na região fazem com que a “identidade muçulmana” seja apenas superficial, não somente por causa das divisões internas do Islam como também porque etnicamente os iranianos são persas, não árabes. Talvez não seja do conhecimento geral, mas o Irã cedeu secretamente as suas bases aéreas para os aviões israelenses pousarem, caso houvesse algum problema de retorno após o ataque ao reator iraquiano. (Nota do autor: Este trecho do artigo vem causando algumas polêmicas. A fonte é o livro de Trita Parsi, Treacherous Alliance – The Secret Dealings of Israel, Iran and the US).
Fontes bem informadas determinaram que Tehran, após uma escalada de ameaças nos exercícios militares no final de fevereiro, estariam se afastando da zona de Hormuz e apresentando uma versão mais defensiva. Em contraste com os exercícios navais de 24/12 a 03/01 (Velayat 90) no Golfo de Oman e Estreito de Hormuz, as grandes manobras navais (Grande Profeta VII) programadas para 19/02 foram adiadas. As operações atuais, de natureza defensiva, se realizam no centro do país, longe do Golfo, do Estreito e da fronteira com o Afeganistão.
As autoridades israelenses determinaram três critérios principais para decidir se e quando atacar: 1) Estão funcionando as sanções internacionais? 2) Israel tem realmente capacidade de destruir com eficiência a capacidade nuclear do Irã? 3) Os EUA darão o sinal verde para um ataque israelense?
Segundo Leon Panetta, Secretário de Defesa americano, o Irã só poderá atingir plena capacidade nuclear dentro de um ano aproximadamente o que seria considerado o point of no return para os EUA e Israel. E acrescentou: “se tivermos que fazê-lo, faremos” (If we have to do it, we will do it). Foi a declaração mais forte de uma autoridade americana até o momento. Mas podemos levá-la a sério? Dificilmente! A retaliação iraniana contra o suprimento de petróleo, mesmo sem fechar o Estreito, faria o preço subir astronomicamente. A retirada das forças americanas no Iraque não significa que seus interesses no petróleo do Golfo cessaram.
Como resultado de um ataque Israel ficaria ainda mais isolado diplomaticamente, além de dar o pretexto para nova onda de anti-semitismo no mundo inteiro. E Israel precisa proteger seus irmãos na Diáspora.
Um ataque iraniano poderia ter o efeito de despertar nova onda de solidariedade aos judeus, como ocorreu após a descoberta do Holocausto.
Enquanto não ata nem desata, segue a onda de atritos: Israel acusou o Irã pelos ataques aos seus diplomatas em Tbilisi e Nova Delhi. Como resposta, o Irã acusou Israel de ter simulado os ataques para por a culpa em Tehran. E la nave va.... Por enquanto em mares revoltos na superfície, mas relativamente calmos nas profundezas. Mas um tsunami pode estar se armando.
A PRIMEIRA ARMA A GENTE NUNCA ESQUECE
Beretta 92 Stock
Origem: Itália
Calibre: 9 mm
Cap. carregador: 15 munições
Mec. gatilho: ação dupla
Peso: 1 kg
Preço: US$ 300/350 (modelos mais modernos, com a mesma plataforma), nos EUA
Obs. a Taurus fez toda sua linha de pistolas baseada nessa mesma plataforma.
Do Blog:
A Beretta 92 Stock foi a minha primeira arma. Comprei-a nos idos de 1990. Paguei US$ 250 com mais dois carregadores extras.
NAS COXAS, COMO SEMPRE II
Governo atropela interesses dos estados para deter importações
Plano de socorro à indústria inclui medida para anular vantagem tributária concedida nos portos. Impacto nas finanças estaduais pode ser severo
Ana Clara Costa e Benedito Sverberi - VEJA
Porto de Itajaí, em Santa Catarina, deve ser um dos maiores prejudicados pela Resolução 72 (DEDOC)
Há pelo menos três décadas, vários estados lançam mão de uma prerrogativa que a Constituição lhes confere – a possibilidade de estabelecer as alíquotas de ICMS para importados – de modo a tornar suas docas mais atraentes que as dos vizinhos para produtos que vêm de fora. Como todas as modalidades de guerra tributária, essa “guerra dos portos” sempre teve seus críticos, que falam de injustiças fiscais e de desequilíbrios no comércio entre os estados. Também é inegável que ela trouxe benefícios ao país, contribuindo para que polos aduaneiros, com toda a teia negócios que tendem a surgir à sua volta, se formassem em Santa Catarina, Espírito Santo, Pernambuco e outras unidades da federação. Qualquer medida que interfira nesse sistema deveria, portanto, ser objeto de estudo exaustivo e de muita negociação política. Mas foi exatamente o caminho oposto que o governo federal decidiu tomar para tratar do assunto.
Nas últimas semanas, o governo passou a trabalhar afoitamente para levar o Senado a modificar e aprovar o projeto de Resolução 72, de dezembro de 2010, criando uma alíquota interestadual única de 4% para o ICMS. Na prática, isso anularia a vantagem competitiva que a adoção de alíquotas mais baixas nos portos pode representar para os estados. “A orientação é para que se obtenha a aprovação o quanto antes, se possível em quinze dias”, diz um senador governista ao site de VEJA. Não bastasse acionar o rolo compressor no Congresso, o Planalto também se mostra temerário ao submeter um assunto tão importante para o jogo federativo e para as finanças estaduais a uma lógica que lhe é alheia – a da “proteção da indústria nacional”. Aprovar a Resolução 72 foi um dos itens incluídos no pacote econômico anunciado pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira, inteiramente dedicado a socorrer a indústria e acabar com alegadas “distorções que favorecem os produtos importados”.
Pano de fundo – As zonas portuárias especializadas em comércio internacional oferecem hoje alíquotas de 2% a 5% de ICMS sobre bens adquiridos no exterior. Assim, mesmo quando é necessário transportar os insumos por grandes distâncias dentro do Brasil, empresas consideram mais vantajoso utilizar importados do que produtos similares produzidos no país sobre os quais incidem impostos maiores. A alíquota de 4% nas transações interestaduais tenderia a modificar essa equação, tornando mais caros os bens estrangeiros. É assim, basicamente, que raciocina o governo.
Os efeitos colaterais, no entanto, podem ser enormes. “O que vai acontecer é que as importações vão se concentrar mais ainda no porto de Santos, podendo gerar um grave problema logístico para o Estado de São Paulo”, afirma o advogado tributarista Jorge Henrique Zaninetti, do escritório Siqueira Castro,. Atualmente, entra por portos paulistas entre 35% e 40% de tudo que é importado no Brasil. Com a nova alíquota, estima-se que esse número possa saltar para até 65%. A perda de negócios poderia inviabilizar a operação de outros portos importantes do país, e pôr em apuros diversos estados.
Um caso emblemático é o do Espírito Santo, que prevê a perda de um terço da arrecadação com ICMS. Para impedir a implosão do estado, o governador Renato Casagrande pleiteia uma transição que perdure até 2020. “Com investimentos em infraestrutura, antecipação dos royalties do petróleo e exclusão de alguns produtos que estão com alíquota negativa, conseguiremos nos fortalecer para competir com outros estados”, afirmou ao site de VEJA, citando também que metade do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba está ligada à atividade de comércio internacional. Se a mudança for abrupta, a saída é brigar na Justiça. “Se não houver um plano de transição favorável, nós iremos ao Supremo”, diz o governador.
Ação política – Um debate no STF pode não trazer os resultados desejados por Renato Casagrande. Recentemente, a corte considerou inconstitucionais 23 formas de incentivo fiscal envolvendo redução de ICMS para atrair empresas e mercadorias. Além disso, não há nada de ilegal no caminho escolhido pelo governo para atingir seu objetivo. O mesmo artigo da constituição que confere aos estados o poder de definir a alíquota de ICMS para os importados delega ao Senado a competência para instituir a alíquota interestadual do imposto – tema da Resolução 72. Ou seja, a mesma Carta que torna possíveis as guerras fiscais confere a União e ao Judiciário ferramentas para mitigá-las. Isso faz parte do jogo.
O problema – e isto é importante repetir – está na lógica da ação política do governo. Primeiro, na ideia duvidosa de que as importações devam ser contidas para tornar a indústria nacional mais competitiva. Segundo, no uso impositivo e apressado de uma ferramenta tributária que, ao satisfazer os desejos do Planalto, passa por cima dos interesses dos estados.
Calcular de maneira adequada, por exemplo, o prazo de transição de que fala o governador do Espírito Santo, não é algo que se faça de um dia para o outro. E a questão dos portos não pode ser tratada de forma isolada. "Fazer isso é suicídio”, diz o secretário da Fazenda do Estado de Pernambuco, Paulo Câmara. “Hoje, há um bloco de questões gravíssimas que precisa ser parte de um amplo acordo nacional." Entre as questões mencionadas por ele está o respeito a todos os contratos assumidos pelos governos com as empresas já instaladas ou em fase de implantação, além da criação de uma política nacional de redução das desigualdades regionais. "Sua ausência foi o fator determinante da guerra fiscal", diz Câmara.
Para o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, a maneira como o governo Dilma lida com a "guerra dos portos" não abre espaço para o otimismo. “O governo federal não articula adequadamente com os estados. As coisas são mal feitas, mal colocadas e mal conduzidas. Temo ainda que o Planalto sucumba a lobbies isolados sem o exame adequado dos assuntos”, diz ele. Sem ação política verdadeira não há como realizar as reformas – entre elas a tributária – que de fato podem fazer o Brasil dar seu grande salto de desenvolvimento e competitividade.
Plano de socorro à indústria inclui medida para anular vantagem tributária concedida nos portos. Impacto nas finanças estaduais pode ser severo
Ana Clara Costa e Benedito Sverberi - VEJA
Porto de Itajaí, em Santa Catarina, deve ser um dos maiores prejudicados pela Resolução 72 (DEDOC)
Há pelo menos três décadas, vários estados lançam mão de uma prerrogativa que a Constituição lhes confere – a possibilidade de estabelecer as alíquotas de ICMS para importados – de modo a tornar suas docas mais atraentes que as dos vizinhos para produtos que vêm de fora. Como todas as modalidades de guerra tributária, essa “guerra dos portos” sempre teve seus críticos, que falam de injustiças fiscais e de desequilíbrios no comércio entre os estados. Também é inegável que ela trouxe benefícios ao país, contribuindo para que polos aduaneiros, com toda a teia negócios que tendem a surgir à sua volta, se formassem em Santa Catarina, Espírito Santo, Pernambuco e outras unidades da federação. Qualquer medida que interfira nesse sistema deveria, portanto, ser objeto de estudo exaustivo e de muita negociação política. Mas foi exatamente o caminho oposto que o governo federal decidiu tomar para tratar do assunto.
Nas últimas semanas, o governo passou a trabalhar afoitamente para levar o Senado a modificar e aprovar o projeto de Resolução 72, de dezembro de 2010, criando uma alíquota interestadual única de 4% para o ICMS. Na prática, isso anularia a vantagem competitiva que a adoção de alíquotas mais baixas nos portos pode representar para os estados. “A orientação é para que se obtenha a aprovação o quanto antes, se possível em quinze dias”, diz um senador governista ao site de VEJA. Não bastasse acionar o rolo compressor no Congresso, o Planalto também se mostra temerário ao submeter um assunto tão importante para o jogo federativo e para as finanças estaduais a uma lógica que lhe é alheia – a da “proteção da indústria nacional”. Aprovar a Resolução 72 foi um dos itens incluídos no pacote econômico anunciado pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira, inteiramente dedicado a socorrer a indústria e acabar com alegadas “distorções que favorecem os produtos importados”.
Pano de fundo – As zonas portuárias especializadas em comércio internacional oferecem hoje alíquotas de 2% a 5% de ICMS sobre bens adquiridos no exterior. Assim, mesmo quando é necessário transportar os insumos por grandes distâncias dentro do Brasil, empresas consideram mais vantajoso utilizar importados do que produtos similares produzidos no país sobre os quais incidem impostos maiores. A alíquota de 4% nas transações interestaduais tenderia a modificar essa equação, tornando mais caros os bens estrangeiros. É assim, basicamente, que raciocina o governo.
Os efeitos colaterais, no entanto, podem ser enormes. “O que vai acontecer é que as importações vão se concentrar mais ainda no porto de Santos, podendo gerar um grave problema logístico para o Estado de São Paulo”, afirma o advogado tributarista Jorge Henrique Zaninetti, do escritório Siqueira Castro,. Atualmente, entra por portos paulistas entre 35% e 40% de tudo que é importado no Brasil. Com a nova alíquota, estima-se que esse número possa saltar para até 65%. A perda de negócios poderia inviabilizar a operação de outros portos importantes do país, e pôr em apuros diversos estados.
Um caso emblemático é o do Espírito Santo, que prevê a perda de um terço da arrecadação com ICMS. Para impedir a implosão do estado, o governador Renato Casagrande pleiteia uma transição que perdure até 2020. “Com investimentos em infraestrutura, antecipação dos royalties do petróleo e exclusão de alguns produtos que estão com alíquota negativa, conseguiremos nos fortalecer para competir com outros estados”, afirmou ao site de VEJA, citando também que metade do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba está ligada à atividade de comércio internacional. Se a mudança for abrupta, a saída é brigar na Justiça. “Se não houver um plano de transição favorável, nós iremos ao Supremo”, diz o governador.
Ação política – Um debate no STF pode não trazer os resultados desejados por Renato Casagrande. Recentemente, a corte considerou inconstitucionais 23 formas de incentivo fiscal envolvendo redução de ICMS para atrair empresas e mercadorias. Além disso, não há nada de ilegal no caminho escolhido pelo governo para atingir seu objetivo. O mesmo artigo da constituição que confere aos estados o poder de definir a alíquota de ICMS para os importados delega ao Senado a competência para instituir a alíquota interestadual do imposto – tema da Resolução 72. Ou seja, a mesma Carta que torna possíveis as guerras fiscais confere a União e ao Judiciário ferramentas para mitigá-las. Isso faz parte do jogo.
O problema – e isto é importante repetir – está na lógica da ação política do governo. Primeiro, na ideia duvidosa de que as importações devam ser contidas para tornar a indústria nacional mais competitiva. Segundo, no uso impositivo e apressado de uma ferramenta tributária que, ao satisfazer os desejos do Planalto, passa por cima dos interesses dos estados.
Calcular de maneira adequada, por exemplo, o prazo de transição de que fala o governador do Espírito Santo, não é algo que se faça de um dia para o outro. E a questão dos portos não pode ser tratada de forma isolada. "Fazer isso é suicídio”, diz o secretário da Fazenda do Estado de Pernambuco, Paulo Câmara. “Hoje, há um bloco de questões gravíssimas que precisa ser parte de um amplo acordo nacional." Entre as questões mencionadas por ele está o respeito a todos os contratos assumidos pelos governos com as empresas já instaladas ou em fase de implantação, além da criação de uma política nacional de redução das desigualdades regionais. "Sua ausência foi o fator determinante da guerra fiscal", diz Câmara.
Para o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, a maneira como o governo Dilma lida com a "guerra dos portos" não abre espaço para o otimismo. “O governo federal não articula adequadamente com os estados. As coisas são mal feitas, mal colocadas e mal conduzidas. Temo ainda que o Planalto sucumba a lobbies isolados sem o exame adequado dos assuntos”, diz ele. Sem ação política verdadeira não há como realizar as reformas – entre elas a tributária – que de fato podem fazer o Brasil dar seu grande salto de desenvolvimento e competitividade.
A HISTÓRIA SE REPETE, COMO NO BRASIL, OS DESEMPREGADOS DA ESPANHA PROCURAM A VIDA RELIGIOSA.
Vida religiosa é nova alternativa para espanhóis em busca de 'trabalho fixo'
OESP
Em tempos de desemprego recorde, uma nova campanha da Conferência Episcopal Espanhola para chamar a atenção da sociedade para as virtudes do sacerdócio parece estar surtindo efeito entre os espanhóis.
Com o objetivo de atrair jovens para seus seminários, a instituição divulgou na internet um vídeo reunindo depoimentos de padres.
Em dois dias, o filme atraiu 120 mil visitas.
O primeiro depoimento não promete um bom salário e, sim, trabalho fixo e uma vida apaixonante.
"Somos a única classe social que não tem desemprego. No ministério sacerdotal não há desemprego, temos muito trabalho e o pagamento garantido está no Evangelho e, depois, na vida eterna", disse o monsenhor Juan José Asenjo ao jornal espanhol ABC.
De acordo com representantes da Igreja Católica, a estratégia fez aumentar o número de seminaristas no país, que após cair durante nove anos consecutivos, hoje registra um pico de 1.278.
Enquanto isso, cinco milhões de pessoas procuram emprego na Espanha.
Polêmica
Em entrevista à BBC, o bispo e presidente da Comisão Episcopal de Seminários e Universidades da Espenha, Josep Ángel Sáiz, disse que a campanha cumpriu seus obejtivos.
"Queríamos chegar às redes sociais, aos adolescentes e jovens que não vão à igreja e não leem os cartazes (convidando-os a) se inscrever no seminário", disse Sáiz.
"A primeira frase, que faz referência ao trabalho fixo, criou expectativas e polêmica, mas não estamos falando da perspectiva econômica e de emprego", explicou. "A ideia, nas palavras de Jesus, é de uma vida ocupada e cheia de trabalho, mas ela é dita em estilo provocativo e audiovisual".
Estudantes de seminários recebem alojamento, comida, formação e estabilidade - ao menos durante os seis anos de estudos - e, posteriormente, um salário seguro.
Os seminários espanhóis têm razões para estar satisfeitos: neste ano, há mais matrículas e menos desistências.
Em 2011, houve 245 novos ingressos e 124 desistências. Já em 2012, 277 jovens iniciaram cursos e apenas 90 desistiram.
"Esse aumento não tem nada a ver com um trabalho fixo. O sacerdócio não é uma profissão, é uma vocação, Isso foi iniciativa de Deus e é a pessoa humana que, em liberdade, responde a um compromisso para sempre, com renúncias e prazeres", disse Sáiz.
Campeão de Popularidade
O Seminário Metropolitano de Sevilha foi o que atraiu mais alunos novos. Seu novo curso tem 61 alunos - em contraste com 35 no anterior.
"Acredito que as razões fundamentais desse aumento tenham sido as Jornadas Mundiais da Juventude, celebradas em Madri em agosto, além do apoio das orações de muitíssimas pessoas, sacerdotes, catequeses e pastorais (...) que tornam nossa vida eloquente e atrativa", disse o reitor do seminário, Miguel Ángel Núñez.
Para Nuñez, o vídeo que promete trabalho fixo mais do que cumpre seus objetivos, porque o sacerdócio envolve trabalhar 24 horas por dia, 365 dias por ano. Ele não acha, no entanto, que o aumento no número de alunos nos seminários tenha qualquer relação com a conjuntura econômica do país.
"(O aumento) não está em absoluto relacionado à crise. Ninguém entra em um seminário porque não tem alternativa, não é por ter interesse em buscar sua própria sobrevivência, é porque (a pessoa) quer se dedicar a ajudar os outros. De qualquer forma, a Igreja não permitiria que alguém entrasse no seminário para se manter", disse.
Para entrar no seminário, o candidato precisa ser aprovado nas provas de acesso à Universidade e deve demonstrar "pureza de intenção".
"(Os jovens seminaristas) têm de se entregar com uma intenção pura, que não pode distorcer a missão. É preciso maturidade suficiente. E a função dos formadores é assegurar que isso seja assim".
"Aqui sou feliz", disse Alberto Jaime Manzano, de 22 anos, seminarista em Sevilha.
"Passei quatro anos estudando aqui e sei que este é meu caminho, encontrei uma outra família. É bonito seguir o processo da vocação, sem medo. É uma vida apaixonante, tudo o que prometem no vídeo lançado pela Conferência Episcopal é certo".
No vídeo, que reúne declarações de mais de cem padres, os sacerdotes explicam o que é a vida eclesiástica.
"Não te prometo a compreensão dos que te rodeiam, te prometo que saberás que fizestes o correto; não te prometo uma decisão fácil, te prometo que nunca te arrependerás; não te prometo que venhas a ter grandes lucros, mas sim que sua riqueza será eterna", diz uma das declarações.
A primeira e mais polêmica das declarações diz: "Não te prometo um grande salário, te prometo trabalho fixo".
O diretor criativo do vídeo, Santiago Requejo, disse que o posicionamento da frase foi intencional. "(O objetivo) dessa primeira promessa é captar a atenção, para criar impacto. E é verdade, porque é um trabalho para toda a vida, é uma maneira de dizer que é para sempre".
"A sociedade espanhola tem preconceitos, por isso quisemos que a mensagem chegasse limpa e gravamos as declarações em primeiro plano, para que não se veja que quem está falando é um sacerdote. Usamos as regras do jogo do século 21, com habilidade, com uma mensagem atual para chegar aos jovens", disse Requejo.
"Essa primeira afirmação está sendo criticada porque incomoda a sociedade. A vocação leva você a trabalhar sem se ater ao que recebe como salário. Aqui, você faz o trabalho que nasceu para fazer e se sente seguro", concluiu Manzano.
E repetiu: "É verdadeiramente uma vida apaixonante". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
OESP
Em tempos de desemprego recorde, uma nova campanha da Conferência Episcopal Espanhola para chamar a atenção da sociedade para as virtudes do sacerdócio parece estar surtindo efeito entre os espanhóis.
Com o objetivo de atrair jovens para seus seminários, a instituição divulgou na internet um vídeo reunindo depoimentos de padres.
Em dois dias, o filme atraiu 120 mil visitas.
O primeiro depoimento não promete um bom salário e, sim, trabalho fixo e uma vida apaixonante.
"Somos a única classe social que não tem desemprego. No ministério sacerdotal não há desemprego, temos muito trabalho e o pagamento garantido está no Evangelho e, depois, na vida eterna", disse o monsenhor Juan José Asenjo ao jornal espanhol ABC.
De acordo com representantes da Igreja Católica, a estratégia fez aumentar o número de seminaristas no país, que após cair durante nove anos consecutivos, hoje registra um pico de 1.278.
Enquanto isso, cinco milhões de pessoas procuram emprego na Espanha.
Polêmica
Em entrevista à BBC, o bispo e presidente da Comisão Episcopal de Seminários e Universidades da Espenha, Josep Ángel Sáiz, disse que a campanha cumpriu seus obejtivos.
"Queríamos chegar às redes sociais, aos adolescentes e jovens que não vão à igreja e não leem os cartazes (convidando-os a) se inscrever no seminário", disse Sáiz.
"A primeira frase, que faz referência ao trabalho fixo, criou expectativas e polêmica, mas não estamos falando da perspectiva econômica e de emprego", explicou. "A ideia, nas palavras de Jesus, é de uma vida ocupada e cheia de trabalho, mas ela é dita em estilo provocativo e audiovisual".
Estudantes de seminários recebem alojamento, comida, formação e estabilidade - ao menos durante os seis anos de estudos - e, posteriormente, um salário seguro.
Os seminários espanhóis têm razões para estar satisfeitos: neste ano, há mais matrículas e menos desistências.
Em 2011, houve 245 novos ingressos e 124 desistências. Já em 2012, 277 jovens iniciaram cursos e apenas 90 desistiram.
"Esse aumento não tem nada a ver com um trabalho fixo. O sacerdócio não é uma profissão, é uma vocação, Isso foi iniciativa de Deus e é a pessoa humana que, em liberdade, responde a um compromisso para sempre, com renúncias e prazeres", disse Sáiz.
Campeão de Popularidade
O Seminário Metropolitano de Sevilha foi o que atraiu mais alunos novos. Seu novo curso tem 61 alunos - em contraste com 35 no anterior.
"Acredito que as razões fundamentais desse aumento tenham sido as Jornadas Mundiais da Juventude, celebradas em Madri em agosto, além do apoio das orações de muitíssimas pessoas, sacerdotes, catequeses e pastorais (...) que tornam nossa vida eloquente e atrativa", disse o reitor do seminário, Miguel Ángel Núñez.
Para Nuñez, o vídeo que promete trabalho fixo mais do que cumpre seus objetivos, porque o sacerdócio envolve trabalhar 24 horas por dia, 365 dias por ano. Ele não acha, no entanto, que o aumento no número de alunos nos seminários tenha qualquer relação com a conjuntura econômica do país.
"(O aumento) não está em absoluto relacionado à crise. Ninguém entra em um seminário porque não tem alternativa, não é por ter interesse em buscar sua própria sobrevivência, é porque (a pessoa) quer se dedicar a ajudar os outros. De qualquer forma, a Igreja não permitiria que alguém entrasse no seminário para se manter", disse.
Para entrar no seminário, o candidato precisa ser aprovado nas provas de acesso à Universidade e deve demonstrar "pureza de intenção".
"(Os jovens seminaristas) têm de se entregar com uma intenção pura, que não pode distorcer a missão. É preciso maturidade suficiente. E a função dos formadores é assegurar que isso seja assim".
"Aqui sou feliz", disse Alberto Jaime Manzano, de 22 anos, seminarista em Sevilha.
"Passei quatro anos estudando aqui e sei que este é meu caminho, encontrei uma outra família. É bonito seguir o processo da vocação, sem medo. É uma vida apaixonante, tudo o que prometem no vídeo lançado pela Conferência Episcopal é certo".
No vídeo, que reúne declarações de mais de cem padres, os sacerdotes explicam o que é a vida eclesiástica.
"Não te prometo a compreensão dos que te rodeiam, te prometo que saberás que fizestes o correto; não te prometo uma decisão fácil, te prometo que nunca te arrependerás; não te prometo que venhas a ter grandes lucros, mas sim que sua riqueza será eterna", diz uma das declarações.
A primeira e mais polêmica das declarações diz: "Não te prometo um grande salário, te prometo trabalho fixo".
O diretor criativo do vídeo, Santiago Requejo, disse que o posicionamento da frase foi intencional. "(O objetivo) dessa primeira promessa é captar a atenção, para criar impacto. E é verdade, porque é um trabalho para toda a vida, é uma maneira de dizer que é para sempre".
"A sociedade espanhola tem preconceitos, por isso quisemos que a mensagem chegasse limpa e gravamos as declarações em primeiro plano, para que não se veja que quem está falando é um sacerdote. Usamos as regras do jogo do século 21, com habilidade, com uma mensagem atual para chegar aos jovens", disse Requejo.
"Essa primeira afirmação está sendo criticada porque incomoda a sociedade. A vocação leva você a trabalhar sem se ater ao que recebe como salário. Aqui, você faz o trabalho que nasceu para fazer e se sente seguro", concluiu Manzano.
E repetiu: "É verdadeiramente uma vida apaixonante". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
JUDICIÁRIO PREGUIÇOSO
Feriadão da Justiça
Lauro Jardim - VEJA
Quem precisar da Justiça brasileira nesta quarta-feira vai descobrir que no Judiciário já é sexta-feira. Seguindo o calendário do STF, juízes do todo o país encerraram suas atividades e vão aproveitar mais três dias de folga num já folgado judiciário.
Tirando as férias dos magistrados, feriados e finais de semana, os juízes brasileiros vão trabalhar, efetivamente, 195 dias de 2012. Isso dá cinco meses e meio de descanso.
O pior é que, quando há reclamação sobre a lentidão da Justiça e seu fabuloso estoque de 60 milhões de processos, os magistrados adoram colocar a culpa na falta de estrutura e de pessoal…
Lauro Jardim - VEJA
Quem precisar da Justiça brasileira nesta quarta-feira vai descobrir que no Judiciário já é sexta-feira. Seguindo o calendário do STF, juízes do todo o país encerraram suas atividades e vão aproveitar mais três dias de folga num já folgado judiciário.
Tirando as férias dos magistrados, feriados e finais de semana, os juízes brasileiros vão trabalhar, efetivamente, 195 dias de 2012. Isso dá cinco meses e meio de descanso.
O pior é que, quando há reclamação sobre a lentidão da Justiça e seu fabuloso estoque de 60 milhões de processos, os magistrados adoram colocar a culpa na falta de estrutura e de pessoal…
DEPOIS DE TUDO O QUE FOI DESCOBERTO, DEMÓSTENES DEVE PEDIR FILIAÇÃO AO PT, LÁ, ENTRE OS SEUS IGUAIS, FICARÁ MAIS FELIZ QUE PINTO NO LIXO!
O erro do senador farsante foi entender tarde demais que pertence à tribo dos demóstenes
Augusto Nunes - VEJA
Com aplicação e competência, o ator Demóstenes Torres interpretou por muitas temporadas o papel do senador que optou pela oposição por viver permanentemente em guerra contra a corrupção impune, institucionalizada pelo governo federal. É compreensível que tantos homens de boa fé tenham acreditado no que dizia: num país em acelerada decomposição moral, a existência de políticos sem prontuário e sem medo parece tornar menos aflitiva a paisagem vista por gente honesta. É compreensível a vontade de crer que são reais.
Igualmente compreensível, a decepção causada pela aparição do verdadeiro Demóstenes não pode estimular a ressurreição da falácia tão cara aos criminosos: é tudo farinha do mesmo saco. Conversa fiada, devem gritar em coro milhões de brasileiros que cumprem a lei, respeitam princípios éticos irrevogáveis e foram traídos pelo farsante que assimilou a metodologia dos incontáveis demóstenes que infestam o partido que virou quadrilha e a base alugada. Esses reagiram com exemplar correção à descoberta da fraude.
Em vez de garimpar pretextos e álibis, o país que presta enxergou apenas ações criminosas. Em vez de recitar que ninguém é culpado até a rejeição do último recurso, enxergou patifarias suficientes para condenar o autor à morte política. O castigo prontamente aplicado ao vigarista deixou claro que só tem bandido de estimação quem gosta de bandidagem. É mais uma abjeção produzida pelo Brasil Maravilha que Lula inventou.
A indignação dos homens honrados ampliou o abismo que os separa do grande clube dos cafajestes. Graças à indignação dos que não se rendem, os cúmplices profissionais afundaram no silêncio, o corporativismo malandro saiu de férias, a direção do DEM expulsou o esquizofrênico de araque, a Justiça redescobriu a pressa e ninguém tentou o resgate improvável. Demóstenes Torres está só.
Está só por ter atraiçoado o Brasil que pensa, não leva em conta o partido a que pertencem meliantes, não crê em palanqueiros populistas, vota com independência e é inclemente com corruptos. O erro do senador foi ter transformado em gazua um cargo que conseguiu com o apoio de eleitores incompatíveis com pecadores. Deveria ter trocado de lado a tempo. Se tivesse trocado o DEM pelo PMDB, como sugeriram sua mulher e seu parceiro, Demóstenes seria acolhido calorosamente pelos coiteiros dos bandidos que infestam a aliança governista.
Nesse mundo fora-da-lei, abundam canastrões que seguem encarnando personagens tão verossímeis quanto o Demóstenes incorruptível, o Lula estadista, a Dilma supergerente ou uma tempestade de neve no Piauí. Lá, o milionário chefe da seita ainda é o imigrante nordestino que trabalha numa metalúrgica. José Dirceu, chefe da quadrilha do mensalão e facilitador de negócios entre capitalistas selvagens, circula com a farda de guerrilheiro.
Incapaz de pronunciar uma frase inteligível, Dilma Rousseff faz de conta que lê livros. Com o PAC em frangalhos, mantém a camuflagem de supergerente incomparável. Delúbio Soares, o contador do mensalão, voltou para o PT vestido de professor de matemática injustamente castigado. O partido que virou quadrilha luta sem descanso para incorporar à classe média os últimos miseráveis. Os balidos atestam que o rebanho enxerga apenas o que os pastores desenham.
Se tivesse juntado o acervo de bandalheiras numa das malocas governadas pelo morubixaba embusteiro, Demóstenes estaria engordando na tribo dos demóstenes. Com sorte, até o fim do ano viraria ministro.
Augusto Nunes - VEJA
Com aplicação e competência, o ator Demóstenes Torres interpretou por muitas temporadas o papel do senador que optou pela oposição por viver permanentemente em guerra contra a corrupção impune, institucionalizada pelo governo federal. É compreensível que tantos homens de boa fé tenham acreditado no que dizia: num país em acelerada decomposição moral, a existência de políticos sem prontuário e sem medo parece tornar menos aflitiva a paisagem vista por gente honesta. É compreensível a vontade de crer que são reais.
Igualmente compreensível, a decepção causada pela aparição do verdadeiro Demóstenes não pode estimular a ressurreição da falácia tão cara aos criminosos: é tudo farinha do mesmo saco. Conversa fiada, devem gritar em coro milhões de brasileiros que cumprem a lei, respeitam princípios éticos irrevogáveis e foram traídos pelo farsante que assimilou a metodologia dos incontáveis demóstenes que infestam o partido que virou quadrilha e a base alugada. Esses reagiram com exemplar correção à descoberta da fraude.
Em vez de garimpar pretextos e álibis, o país que presta enxergou apenas ações criminosas. Em vez de recitar que ninguém é culpado até a rejeição do último recurso, enxergou patifarias suficientes para condenar o autor à morte política. O castigo prontamente aplicado ao vigarista deixou claro que só tem bandido de estimação quem gosta de bandidagem. É mais uma abjeção produzida pelo Brasil Maravilha que Lula inventou.
A indignação dos homens honrados ampliou o abismo que os separa do grande clube dos cafajestes. Graças à indignação dos que não se rendem, os cúmplices profissionais afundaram no silêncio, o corporativismo malandro saiu de férias, a direção do DEM expulsou o esquizofrênico de araque, a Justiça redescobriu a pressa e ninguém tentou o resgate improvável. Demóstenes Torres está só.
Está só por ter atraiçoado o Brasil que pensa, não leva em conta o partido a que pertencem meliantes, não crê em palanqueiros populistas, vota com independência e é inclemente com corruptos. O erro do senador foi ter transformado em gazua um cargo que conseguiu com o apoio de eleitores incompatíveis com pecadores. Deveria ter trocado de lado a tempo. Se tivesse trocado o DEM pelo PMDB, como sugeriram sua mulher e seu parceiro, Demóstenes seria acolhido calorosamente pelos coiteiros dos bandidos que infestam a aliança governista.
Nesse mundo fora-da-lei, abundam canastrões que seguem encarnando personagens tão verossímeis quanto o Demóstenes incorruptível, o Lula estadista, a Dilma supergerente ou uma tempestade de neve no Piauí. Lá, o milionário chefe da seita ainda é o imigrante nordestino que trabalha numa metalúrgica. José Dirceu, chefe da quadrilha do mensalão e facilitador de negócios entre capitalistas selvagens, circula com a farda de guerrilheiro.
Incapaz de pronunciar uma frase inteligível, Dilma Rousseff faz de conta que lê livros. Com o PAC em frangalhos, mantém a camuflagem de supergerente incomparável. Delúbio Soares, o contador do mensalão, voltou para o PT vestido de professor de matemática injustamente castigado. O partido que virou quadrilha luta sem descanso para incorporar à classe média os últimos miseráveis. Os balidos atestam que o rebanho enxerga apenas o que os pastores desenham.
Se tivesse juntado o acervo de bandalheiras numa das malocas governadas pelo morubixaba embusteiro, Demóstenes estaria engordando na tribo dos demóstenes. Com sorte, até o fim do ano viraria ministro.
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