segunda-feira, 9 de abril de 2012

NA CÚPULA DAS AMÉRICAS SÓ VAI DAR ÍNDIO NARCO-TRAFICANTES, BRANCOS CORRUPTOS E NEGROS INCOMPETENTES. NINGUÉM HONESTO, NÃO IMPORTA A COR

A nova miopia latino-americana
Mac Margolis - O Estado de S.Paulo
Quando os chefes das nações americanas se reunirem na próxima semana cidade colombiana de Cartagena das Índias, na Cúpula das Américas, assunto não lhes faltará.
As economias latino-americanas vão bem, mas o comércio entre os vizinhos está menos livre e politizado demais. Nos principais países bolivarianos - Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela -, a liberdade de imprensa está em retrocesso. Em vários lugares, cartéis criminosos usurpam a paz e a ordem democrática, enquanto a América Central enxuga o gelo em uma guerra contra o tráfico de drogas.
No entanto, para quem imagina que surgirão acordos de peso na costa colombiana, a sexta Cúpula das Américas tem tudo para decepcionar. No lugar de pactos, haverá palavras bonitas e foguetório ideológico. Das 33 nações com presença confirmada, duas devem monopolizar os debate.
A primeira, pela sua ausência, é Cuba, cujo regime, embora habilitado a voltar à Organização dos Estados Americanos (OEA), foi "convidado" a não comparecer para garantir a participação da segunda, os EUA. Sem o presidente Barack Obama, a cúpula não passaria de um happy hour com cumbia.
Mesmo assim, a presença gringa pode não trazer muitas luzes. Com a Síria em polvorosa, a guerra inglória no Afeganistão e as ambições atômicas do Irã, a América Latina mal aparece no radar de Washington.
E, quando aparece, não encaixa, já que nenhum governo latino-americano apoia o cinquentenário embargo americano a Cuba e quase todos rejeitam as sanções unilaterais contra Teerã. Inclusive o governo da brasileira Dilma Rousseff, que deve antecipar o recado em sua visita à Casa Branca a partir de amanhã.
Eleição. Tampouco ajuda o fato de que Obama trava em casa a maior batalha de sua carreira. O presidente tenta a reeleição enquanto a Suprema Corte ameaça defenestrar sua ousada reforma da saúde publica. Tamanho é seu desprestígio que a principal diplomata para as Américas, Roberta Jacobson, sequer foi confirmada no cargo pelo Congresso de maioria republicana.
Por essas e outras é que o ex-presidente peruano Alan García chamou a cúpula de "diálogo de surdos em que cada presidente chega com seu discurso feito para culpar alguém por seus problemas". Quase sempre o culpado é o Tio Sam ou o "horroroso" sistema financeiro internacional.
Mais do que a estridência, o perigo desse evento trienal da OEA é a irrelevância. O condomínio das Américas já teve momentos de coragem e de lucidez. O maior deles foi na "Carta Democrática Interamericana", de 2001, que afirmou que "os povos da América têm direito à democracia e seus governos têm a obrigação de promovê-la e defendê-la".
O problema é que o continente ficou prisioneiro de uma definição ultrapassada de democracia. Finda a Guerra Fria, o golpe de estado clássico está em vias de extinção na América Latina, senão no mundo - o de Mali está aí para me desmentir, mas foi mais uma exceção à regra no continente africano.
No entanto, esbanja saúde seu sucessor, o golpe velado, por meio do qual governantes populistas insuflam sua maioria para centralizar o poder, esvaziar parlamentos, lotear a justiça e retalhar regras eleitorais.
Quem precisa de tropas e de tanques quando pode controlar juízes, transmitir notícias por canais oficiais e governar por Twitter?
Assim, a OEA não titubeou ao condenar o golpe contra Hugo Chávez, em 2002, mas ignorou a manipulação escancarada do pleito venezuelano no ano passado que atropelou as urnas e presenteou o chavismo com o controle do Parlamento.
Honduras. Governantes soltaram o grito retumbante contra a derrubada do presidente hondurenho Manuel Zelaya, em 2009, mas não disseram nada quando Zelaya tentou drible a Constituição para permanecer no poder, no melhor estilo bolivariano.
O absurdo da base americana de Guantánamo e o bloqueio à economia cubana são sempre denunciados, mas a liberdade sufocada na ilha some no Triângulo das Bermudas dos países latino-americanos. Golpe amigo é outra coisa.
Eis a nova miopia latina, onde a democracia virou a prática torta escrita por linhas certas. Sem uma revisão de sua cartilha, a Cúpula das Américas pode não passar de uma câmara de ventos.

PELO FIM DAS TAREFAS ESCOLARES!

Pais se declaram em greve contra a lição de casa dos filhos na França
Miguel Mora e J. A. Aunión - El País
As tarefas de casa estão proibidas na escola primária francesa (de 6 a 11 anos) desde 1956, quando o Ministério da Educação aprovou uma circular nesse sentido. Mas os professores continuam impondo aos alunos menores que realizem deveres em casa. Desde 26 de março, dezenas de milhares de pais e colegiais franceses disseram basta. A FCPE (Federação de Conselhos de Pais de Alunos da França) convocou uma greve de deveres de duas semanas, em protesto contra os "trabalhos forçados" fora do horário letivo.
Eles argumentam que os deveres não servem para nada, são antipedagógicos, causam tensões na família ao obrigar os pais a servir de professores, prolongam desnecessariamente a jornada de seis horas diárias, impedem as crianças de dedicar tempo à leitura e aumentam as desigualdades entre os alunos que podem ou não se beneficiar da ajuda da família.
A associação majoritária de pais e mães de alunos na Espanha (Ceapa) compartilha muitas dessas ideias e por isso lançou um comunicado de apoio, no qual diz que pretende fazer algo semelhante.
Há um grande leque de tarefas que os professores mandam os estudantes fazer em casa, fora do horário letivo - trabalhos, ensaios, leitura de livros, exercícios de matemática ou análises morfológicas - e parece difícil pôr em dúvida que praticar, em geral, é bom para adquirir qualquer habilidade. Mas o debate sobre se os deveres têm mais efeitos positivos ou negativos, sobretudo, se são tantos que sobrecarregam a vida do aluno, percorrem há anos muitos sistemas educacionais de todo o mundo, dos EUA à Espanha. No ano passado, o Conselho Escolar de Navarra se pronunciou sobre isso a pedido do Defensor do Povo (Ministério Público).
Apesar da controvérsia científica, que não deixa claro até que ponto os deveres servem para melhorar o rendimento, dizia em um texto: "É um fato que as tarefas escolares ou lições de casa estão arraigadas no ambiente escolar de forma secular. [...] Parece que em princípio existe o consenso em nossa comunidade docente de que as tarefas servem para inculcar nos alunos o valor do esforço pessoal e da responsabilidade em sua formação e educação", concluiu. Por isso limitou-se a dar uma série de recomendações sobre as características que as tarefas escolares para casa devem cumprir, como por exemplo ser motivadoras, não causar discriminações nem ser usadas como castigo.
No entanto, os mais firmes críticos acreditam que deveriam desaparecer, pelo menos na escola primária. Nos EUA é constantemente citado nas fileiras dos inimigos dessas lições de casa o livro "The case against homework" [O caso contra os deveres de casa]. Uma de suas autoras é Sara Bennett, uma mãe americana que empreendeu há anos sua luta particular: "Há muito poucas evidências que relacionem os deveres aos melhores resultados, especialmente nos primeiros cursos da educação, e mesmo assim dedicam muito tempo a essas tarefas em casa. Quando as crianças são pequenas, são incapazes de fazer os deveres sozinhas, e afinal o que aprendem é a depender de seus pais. Assim, em vez de aprender a automotivação, disciplina e responsabilidade (como dizem os que os defendem), aprendem a depender de outros e a motivar-se somente à base de negociações e castigos", escreve Bennett por e-mail.
A associação de pais espanhola diz que a escola se vê obrigada a sobrecarregar as crianças de tarefas que, na realidade, "deveriam ter realizado na escola"; queixa-se de que é uma prática "pouco motivadora e distante da cultura audiovisual em que cresceram" e que provocam desigualdades sociais: "Enquanto alguns pais tentam ajudar seus filhos, outros recorrem a aulas particulares ou academias e muitos outros não têm nível educacional nem dinheiro para poder pagar por esses apoios".
Jean Jacques Hazan, presidente da FCPE, explica que "muitos professores, sindicatos e inspetores de educação aderiram ao protesto e à discussão, porque os deveres são um dos sintomas da degradação que vive a escola pública na França". Segundo Hazan, "o tempo letivo é muito mal organizado, e os deveres só acrescentam um trabalho suplementar de repetição que não ajuda os alunos a entender as matérias. Se alguém não entendeu a lição na aula com o professor, será um milagre que a aprenda em casa só ou com seus pais. É preciso que as crianças mostrem em casa o que aprenderam no colégio, e não que mostrem na classe o que fizeram em casa".
A greve de deveres, que para alguns talvez pareça uma brincadeira e que foi rejeitada pelo ministro da Educação, Luc Chatel, como uma iniciativa "demagógica", tem uma profunda leitura política e reabriu o debate sobre a escola pública em plena campanha eleitoral para as presidenciais francesas. A federação de pais de alunos, que atua como grupo de pressão, convidou alguns candidatos para analisar em detalhe seu programa educacional.
Embora sua associação não tenha dado ordem de voto, o líder da FCPE explica que "o mandato de Sarkozy foi catastrófico para a educação republicana, certamente o pior da história. Ele aplicou ao ensino seu lema 'trabalhar mais para ganhar mais', uma filosofia totalmente errônea e antipedagógica. Suprimiu 80 mil professores em cinco anos, mais de 10% do total, e denegriu profundamente a escola pública, reduzindo pela metade os gastos para crianças deficientes e suprimindo totalmente a formação dos professores. Hoje basta um título de física para dar aula de física em um colégio, sem ter a menor noção de pedagogia ou psicologia. Temos professores com mestrado em sua especialidade que são incapazes de transmitir conhecimentos".
A corrente quase global de cortar os orçamentos da escola pública, que faz parte do ideário da direita neoliberal e que em alguns países do sul da Europa ocorreu paralelamente ao aumento dos benefícios e às ajudas para a Igreja Católica, teve características próprias na França laica, explica Hazan. "Aqui a igreja pesa menos que na Espanha ou na Itália. Mas somos a segunda potência da zona do euro e a quinta do mundo, e reduzimos o gasto com educação em 15 anos de 7,5% do PIB para 6,5%. Além disso, foram cortados 150 mil lugares de educação infantil e se favoreceu ao máximo possível o sistema privado. O negócio das academias de reforço floresceu de forma extraordinária, enquanto a imagem do ensino público despencava."
De fato, o debate que a Ceapa coloca na Espanha (onde os plantéis de professores foram reduzidos em milhares e os orçamentos de ensino perderam mais de 3 bilhões de euros em dois anos) também vai além dos deveres, explica Jesús María Sánchez, presidente da confederação de pais. De fato, lembra que em sua nota a respeito reclamavam a reforma do currículo educacional para que seja mais motivador, atraente, prático e adaptado à sociedade do século 21; e mais programas de reforço educacional à tarde nas próprias escolas, como o PROA, que certamente hoje corre risco devido aos cortes orçamentários em educação.
Mas, embora a discussão vá além, não se deve esquecer que o debate sobre os deveres existe e se reaviva periodicamente com grande oposição entre as partes. Para a federação de pais da escola católica (Concapa) parece loucura e uma "grande irresponsabilidade" questionar essas tarefas com uma greve, disse a associação em uma nota.
Os pais da Ceapa, por sua vez, querem que as tarefas fora de classe sejam formação complementar em bibliotecas ou museus, com tarefas de leitura, pesquisa e utilizando as tecnologias da informação e a comunicação; e que também possam ser feitas sem a ajuda de um adulto. Além disso, criticam, mais que sua existência, seu excesso: "Nos últimos anos aumentou o tempo que os menores precisam dedicar em casa às tarefas escolares, o que demonstra que a escola não responde adequadamente às necessidades educacionais".
Embora não se saiba se a situação mudou muito nos últimos cinco anos, o certo é que entre 1997 e 2007 a dedicação diária aos deveres escolares dos alunos do primeiro grau foi aumentando. E enquanto os que dedicavam menos de uma hora (incluindo os que não fazem nada) a essas tarefas passaram de 37% para 20%; os que dedicavam entre uma e duas horas aumentaram de 40 para 48%; e os que passavam mais de duas horas foram de 23% para 32%.
Segundo um dos especialistas que mais estudaram a eficácia de fazer deveres para conseguir melhores notas, o professor Harris Cooper, da Universidade Duke, apesar de os críticos das tarefas o citarem constantemente, a verdade é que não fala em eliminá-las, mas sim limitá-las. "Os alunos que fazem deveres parecem ter melhores resultados que os que não fazem, mas só em quantidades apropriadas a seu desenvolvimento", diz Cooper. Mas ele adverte que também não se deve pôr demasiada fé em que os resultados melhorem de modo espetacular.
Cooper revisou as pesquisas feitas sobre o tema e explica que, segundo parece, os deveres são mais eficazes no segundo grau do que no primeiro porque os pequenos têm mais dificuldades para superar todas as distrações que têm em casa; enquanto os maiores também são capazes de dedicar mais tempo às tarefas mais difíceis (os pequenos as abandonam).
Uma das queixas dos pais do Ceapa é exatamente a luta e o conflito que representa nas famílias perseguir os jovens para que façam as lições. "Criam tensões entre pais e filhos. Muitas vezes, para poder fazer os deveres, eles ficam sem brincar, o que gera rejeição. É verdade que as crianças precisam saber suas obrigações, mas também devem ter tempo para brincar."
Exatamente a isto se refere a professora de educação Diane Ravitch, da Universidade de Nova York: "As tarefas não devem ser excessivas. As crianças precisam de tempo para brincar e sociabilizar-se com os amigos. Para as crianças nos primeiros cursos, não mais de dez minutos por dia. Em nenhum caso devem exceder as duas horas diárias no final do primário". Mas Ravitch acrescenta por e-mail uma firme defesa de certos tipos de tarefas: "Alguns deveres podem ser bons, como ler livros, escrever ensaios e também ficção ou elaborar projetos de ciências".
Em todo caso, o professor Cooper não acredita que a pergunta certa que professores e pais devem fazer nesse debate é se as tarefas escolares têm mais efeitos positivos ou negativos: "Ambos podem ocorrer. Para evitar os efeitos negativos, devem-se evitar quantidades muito grandes de deveres, mas também dar flexibilidade aos professores para levar em conta as necessidades e circunstâncias únicas de cada um de seus alunos", acrescenta. Lembra também que mais tempo não tem por que ser melhor: talvez um aluno demore muito mais para fazer os deveres porque ainda não aprendeu bem e está tendo mais dificuldade.
Na Espanha, lembremos que quase um terço dos alunos do primeiro grau excede esse tempo de duas horas diárias indicado como limite lógico pela professora Ravitch. Além disso, nos últimos anos muitos especialistas em psicologia, como a Sociedade Espanhola de Psiquiatria, alertaram sobre o aumento do estresse entre crianças cujas agendas não param de crescer. Além do colégio, mais de 90% dos alunos espanhóis de ensino obrigatório (de 6 a 16 anos) desenvolvem alguma atividade extracurricular, e pouco mais da metade, duas ou mais por semana.
Perguntado há algumas semanas sobre a cultura do esforço, o catedrático de sociologia da Universidade Complutense, Julio Carabaña, comentou com alguns companheiros que, na realidade, na escola espanhola existe hoje uma "cultura do estresse". "Quando eu era estudante, não me davam deveres; hoje os alunos estão saturados", afirmou.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

INDIA E SUA POLÍTICA EXTERNA. ENQUANTO O BRASIL CISCA, CISCA...

'Índia vê com reservas ações de sócios no Brics'
Para especialista, indianos temem se tornar instrumento na disputa de China e Rússia com o Ocidente
LOURIVAL SANTANNA - O Estado de S.Paulo
Anfitriã da última reunião de cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a Índia vê com reservas essa aliança. Teme que a Rússia e a China a queiram utilizar em suas disputas com o Ocidente. Seu principal interesse é que o Brics seja uma plataforma pela ampliação do Conselho de Segurança da ONU e por maior influência dos países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial. Por isso, a Índia vê mais possibilidades na parceria com o Brasil e a África do Sul, que comungam esses interesses. A análise é do economista Mohan Guruswamy, presidente do Centre for Policy Alternatives, de Nova Délhi. Autor de Chasing the Dragon: Will India Catch Up with China? (Caçando o dragão: a Índia alcançará a China?, de 2009), entre outros estudos sobre a inserção global do país, Guruswamy diz que os indianos, maiores importadores de armas do mundo no ano passado, compradas principalmente da Rússia, estão se armando contra a expansão militar chinesa. Ambos têm disputas territoriais e por causa da ajuda militar chinesa ao Paquistão. Noutro exemplo da diversidade de interesses no interior do Brics, o Irã, apoiado no comunicado final da cúpula, no dia 29, fornece 12% do petróleo consumido pelos indianos. A Índia está construindo no Irã uma ferrovia que lhe dará acesso aos importantes mercados da Ásia Central e da Rússia. Já na Síria, não tem interesse tão direto e defende apenas o princípio de não intervenção, como o Brasil. Seguem trechos da entrevista ao Estado.
Quais os objetivos da Índia nessa parceria com o Brics?
O principal é democratizar o sistema mundial: o Conselho de Segurança, o FMI e o Banco Mundial, bem como a ampliação do G-7 (grupo das 7 maiores economias), de modo a tornar a distribuição de poder mais equitativa. Como grande economia, que caminha rapidamente para se tornar uma das três maiores, e possivelmente a maior em 2050, segundo estudo do Citibank, a Índia gostaria que a gestão financeira mundial se tornasse mais inclusiva e representativa. Os sistemas de segurança e financeiro do mundo são dominados pela aliança da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e pela mentalidade da Guerra Fria. A Índia ainda não está muito segura em relação ao Brics. Ela suspeita que a China e a Rússia queiram usá-la como plataforma de sua rivalidade com o Ocidente, e não para alterar o sistema mundial, uma vez que ambos já são membros permanentes do Conselho de Segurança. Portanto, a Índia vê a possibilidade de uma sub-parceria mais ativa dentro do Brics com o Brasil e a África do Sul (Ibas), que têm muito mais interesses comuns.
Como estão as relações entre Índia e China?
São tensas. Oficialmente, ambos os governos tentam evitar conflitos. Mas temos uma disputa séria de fronteira. Somados, mantemos mais de meio milhão de soldados de frente uns para os outros na fronteira não demarcada no Himalaia. Travamos uma guerra em 1962. De inimigos, passamos a rivais. A Índia está se armando contra a rápida expansão militar chinesa. No ano passado, a Índia foi a maior importadora de armas do mundo. Nos últimos meses surgiram novas tensões por causa da prospecção, por parte da Índia, de petróleo na costa vietnamita do Mar do Sul da China, que os chineses consideram suas águas territoriais. Temos também contenciosos com a China por seu fornecimento de armas e contínua transferência de tecnologia nuclear e de mísseis ao Paquistão. Mas por outro lado a China tornou-se o maior parceiro comercial da Índia. O comércio bilateral deve superar US$ 100 bilhões dentro de dois anos. Muitas empresas chinesas investem na Índia e muitas indianas, na China, particularmente nos setores de tecnologia da informação e fármacos. A recente decisão do Brics de fazer trocas com suas moedas nacionais vai aliviar o resultado negativo da balança comercial indiana. Mas essa é uma rivalidade grave, que continuará tendo consequências sobre o mundo nos anos vindouros.
Qual o interesse da Índia com relação ao Irã?
O Irã fornece 12% do petróleo consumido pela Índia. Uma grande refinaria indiana está configurada exclusivamente para processar o petróleo iraniano. Se a Índia parar de comprar petróleo do Irã, essa refinaria terá de fechar e isso causará falta de gasolina e de óleo diesel. As civilizações dos dois países têm vínculos tradicionais. O acesso da Índia ao crescente mercado da Ásia Central se dá apenas através do Irã. Com esse fim, a Índia está construindo uma ferrovia que liga o porto iraniano de Chahbahar à Ásia Central e, de lá, à Rússia. A Índia respeita o Irã como uma antiga civilização, um país responsável, e não aceita sua demonização por Israel e, consequentemente, pelos Estados Unidos. A Índia acha que os Estados Unidos devem conversar com o Irã e não tentar intimidá-lo. Uma guerra com o Irã mergulhará os mercados mundiais de petróleo numa turbulência e o barril do petróleo (hoje na casa dos US$ 100) irá para US$ 200 a US$ 300.
E em relação à Síria?
A Índia não tem interesse real na Síria. Mas não quer interferência externa em seus assuntos internos.

SÍRIA EM TRANSE

Turquia protesta contra a Síria após ataque em seu território
Forças sírias dispararam pela primeira vez contra campo turco de refugiados
VEJA
A Turquia protestou nesta segunda-feira contra o regime de Bashar Assad depois que as forças sírias abriram fogo na fronteira entre os dois países, matando duas pessoas e ferindo ao menos 17. Foi o primeiro ataque do governo sírio contra um campo de refugiados no país vizinho desde o início da revolta contra o ditador, há mais de um ano.
Entenda o caso
• Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
• Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
• A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.
“Após esse incidente, o enviado da Turquia à Damasco foi chamado de volta e nós exigimos um fim a isso”, disse à agência Reuters um oficial da Chancelaria turca. Segundo a agência Associated Press, um tradutor e um policial da Turquia estão entre os feridos. Para evitar novas mortes no local, o Ministério das Relações Exteriores turco exigiu à embaixada síria em Ancara que os tiroteios cessem imediatamente.
O ataque - que acontece um dia antes de o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, visitar os refugiados sírios na Turquia - deve colaborar com a crescente tensão entre os países vizinhos. As autoridades turcas já receberam, de portas abertas, mais de 24.000 refugiados sírios que escaparam da violência interna. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan recentemente demonstrou preocupação com a crise síria, pedindo mudanças no país, e mostrou-se decepcionado com seu antigo aliado, Assad.
Combates - Segundo a agência britânica BBC, os confrontos entre os rebeldes sírios e as forças de segurança somente cruzaram a fronteira. As tropas de Assad teriam continuado a atirar contra os rebeldes depois que eles entraram no território turco, informa a emissora.
A emissora NTV, porém, informa que as forças sírias 'apontavam para o acampamento', enquanto a sede da CNN na Turquia falava em ‘balas perdidas’. Três ativistas que vivem no local disseram que os soldados sírios disparavam de forma contínua e consciente no acampamento, situado a menos de 100 metros da fronteira. Eles disseram que as forças turcas não souberam proteger os refugiados em seu território.
De acordo com a CNN, antes desse episódio, aproximadamente 100 sírios chegaram Turquia fugindo de outro tiroteio entre o Exército sírio e grupos rebeldes que combatiam perto da fronteira da província de Kilis. Relatos apontam que , os sírios que estavam no acampamento de Öncüpinar saltaram as cercas do recinto, apesar do controle das forças turcas, e correram para darem apoio aos recém chegados. Neste momento, as forças sírias começaram a disparar em direção ao acampamento.
Violência - Em um incidente separado, um cinegrafista libanês da emissora Al-Jadeed teria sido morto durante um tiroteio na região fronteiriça de Síria e Líbano. Enquanto isso, os massacres continuam em vários pontos da Síria, com informações de ao menos 50 mortos somente nesta segunda-feira. Entre os mortos, há 12 membros do Exército Sírio Livre (ESL), que estavam nos combates próximos à Turquia, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos OSDH).
(Com agência EFE)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Por que as políticas antidumping são nocivas
João Luiz Mauad - OL
“Toda questão econômica deve ser tratada do ponto de vista do consumidor, porque os interesses do consumidor são os interesses da humanidade.”
Frédéric Bastiat
O que vai na epígrafe é não apenas uma lição simples, mas acima de tudo profunda. É pela mais absoluta ignorância econômica que os políticos e os burocratas rotineiramente desprezam os interesses dispersos dos desorganizados consumidores em benefício dos bem organizados e concentrados produtores.
O foco da política econômica no trabalho, e não no consumo, está na raiz da maior parte dos problemas econômicos criados pelo intervencionismo governamental. A grande maioria ainda enxerga o trabalho como um fim, e não simplesmente um meio para o alcance dos verdadeiros fins, que são a obtenção de bens e serviços, ou melhor, o consumo de coisas que nos permitem a subsistência e facilitam o bem-estar. Assim como o remédio é somente um dos meios que utilizamos para alcançar o real objetivo – a saúde -, o trabalho não é outra coisa senão o meio que normalmente empregamos para obter aquilo que nos proporciona bem estar, este sim, o verdadeiro fim. Ou, como bem resumiu Milton Friedman, “nós trabalhamos para viver; não vivemos para trabalhar”.
A economia é, frequentemente, uma ciência contra-intuitiva. Aquelas políticas que parecem boas, a primeira vista, muitas vezes se mostram ruins, no fim das contas, e vice-versa. Salário mínimo, protecionismo, regulação, tabelamento de preços, subsídios agrícolas, entre outras, são políticas normalmente percebidas pelo senso comum como boas, quando, na verdade, são comprovadamente nocivas. O famigerado dumping, por outro lado, embora muito mal visto, é potencialmente benéfico, não para as empresas que o praticam, mas para os consumidores em geral – todos nós.
Tecnicamente, o dumping, ou política de preços predatória como também é chamado, consiste em vender um produto abaixo do custo com o propósito de dominar o mercado e, assim, eliminar a concorrência, para, ato contínuo, impor preços altos, deixando os consumidores sem alternativa. Para os arautos das políticas anti-dumping, a utilização de preços predatórios levará os consumidores para uma armadilha inescapável.
Muitas pessoas pensam que o dumping é relativamente comum no mundo dos grandes negócios, afinal os grandes conglomerados teriam bastante musculatura financeira para manter preços de venda abaixo do custo por longos períodos de tempo, enquanto as pequenas empresas, que seriam seus maiores alvos, não aguentam mais do que alguns meses de vendas fracas. Pronto: eis o argumento de fundo para que os governos intervenham e protejam os fracos e os oprimidos.
O principal problema dessa visão assistencialista nem é tanto de lógica, mas acima de tudo empírico. Não há experiência histórica bem sucedida de políticas de preços predatórios. Não há evidência concreta de qualquer empresa que tenha alcançado o tão sonhado monopólio depois de pôr em prática uma estratégia agressiva de dumping. Pelo contrário, os principais exemplos de monopólios são frutos ou da descoberta de novos produtos (p. Ex. Microsoft) ou da ajuda, direta ou indireta, de governos, via legislação ou investimento público.
Este divórcio entre “teoria” e realidade é tão patente que o economista George Stigler chegou a lamentar o fato de alguns economistas profissionais continuarem a tratar a questão do dumping como assunto sério, a ponto de merecer atenção e políticas governamentais para enfrentá-lo. Já seu colega de Chicago, o também Prêmio Nobel, Milton Friedman, costumava dizer, de forma irônica, que o governo (dos EUA) deveria agradecer oficialmente às empresas (e países amigos) que vendem produtos baratos aos consumidores americanos, ao invés de aumentar os tributos sobre eles.
Na maior parte das vezes, as reclamações de dumping são muito mais cortina de fumaça para esconder a ineficiência de produtores locais do que realidade. Afinal, se o concorrente vende mais barato que nós, isso é dumping. Entretanto, se somos nós que vendemos mais barato, isso quer dizer ganho de escala, eficiência, produtividade, etc…
Os produtores brasileiros, por exemplo, vivem reclamando dos preços do alho chinês, que é bem melhor e mais barato que o nacional. Não raro, têm conseguido obter benefícios e barreiras tarifárias do governo. No fim, quem perde é o consumidor, é claro, que acaba obrigado a pagar mais caro por um produto de qualidade pior.
Nem é preciso grandes elucubrações intelectuais para comprovar isso. Suponha que a China tivesse uma super-safra de alho e, sem ter o que fazer com o produto ou como estocá-lo, resolvesse doar os excedentes ao Brasil. Em sã consciência, você acharia justo bloquear esta doação, para não prejudicar os produtores locais? Esses últimos, em alguma medida, sairiam perdendo, é claro, mas o ganho geral dos consumidores superaria em muito estas perdas localizadas.
Mas o caso do alho chinês é emblemático, pois mostra claramente o quão absurdas podem ser as teorias anti-dumping. Uma rápida busca na internet mostrará que existem processos de produtores brasileiros contra as importações chinesas, pelo menos desde 1996. Portanto, se fossem verdadeiras as alegações de dumping, a prática já estaria em vigor há mais de 16 anos. Haja disposição para depredar o mercado alheio, sem sucesso, não é mesmo?
Mas não é só. A China produz nada menos que 64% do alho mundial, enquanto a produção brasileira beira o exíguo 1%. Será que os chineses são tão idiotas de nos vender alho abaixo do custo, por tanto tempo, apenas para “destruir” concorrentes que representam 1% do mercado? Sou capaz de apostar que não.
Sobre o Autor
João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ e profissional liberal (consultor de empresas).
As Falklands são argentinas tanto quanto a Cisplatina (Uruguai) era brasileira.
Ponto final.

MISES ERA UM SÁBIO E UM POETA, SABIA DIZER AS COISAS DA FORMA MAIS SIMPLES E BONITA. ECONOMIA É UMA CIÊNCIA MUITO LINDA. PENA QUE OS MINISTROS BRASILEIROS NÃO SAIBAM LER

A divisão do trabalho e a prosperidadeLudwig von Mises - IMB
Este artigo foi extraído do capítulo 18 do livro Socialism an economic and sociological analysis
Que a vida social dos homens se assemelhe ao processo biológico é uma observação que vem de antiga data. A comparação com o organismo biológico deveria ter ensinado à sociologia uma coisa: assim como um organismo só pode ser concebido como sendo um sistema de órgãos, um arranjo social só pode ser concebido como sendo um sistema composto por indivíduos. E isto significa apenas que a essência de um organismo é a divisão do trabalho. Somente a divisão do trabalho faz com que as partes se tornem membros; é nesta colaboração entre os membros que reconhecemos a unidade do sistema, o organismo. Isto vale tanto para a vida das plantas e dos animais quanto para a sociedade. No que tange ao princípio da divisão do trabalho, o corpo social pode ser comparado ao biológico. A divisão do trabalho é a tertium comparationis (base para comparação) desta analogia.
A divisão do trabalho é um princípio fundamental para todas as formas de vida. A primeira vez que ela foi detectada na esfera da vida social foi quando economistas políticos enfatizaram o significado da divisão do trabalho para a economia social. Subsequentemente, a biologia adotou este conceito, inicialmente sob a exortação de Milne Edwards em 1827. O fato de que podemos considerar a divisão do trabalho como sendo uma lei geral não significa, entretanto, não devemos reconhecer as diferenças fundamentais entre, de um lado, a divisão do trabalho nos organismos animais e vegetais, e, de outro, a divisão do trabalho na vida social dos seres humanos.
Independentemente de como imaginemos ser a origem, a evolução e o significado da divisão fisiológica do trabalho, o fato é que ela claramente não joga nenhuma luz sobre a natureza da divisão sociológica do trabalho. O processo que diferencia e integra células homogêneas é completamente diferente daquele que leva ao crescimento da sociedade humana formada por indivíduos autossuficientes. Neste último processo, a razão e a vontade desempenham suas funções na aglutinação, por meio da qual unidades até então independentes formam uma unidade maior e se tornam partes de um todo, ao passo que a intervenção de tais forças naquele primeiro processo é inconcebível.
Mesmo quando criaturas como formigas e abelhas se agrupam em "comunidades animais", todos os movimentos e mudanças ocorrem instintivamente e inconscientemente. O instinto pode perfeitamente ter operado também nos primórdios da formação social. O homem já é membro de um corpo social quando ele surge como uma criatura racional e munida de vontades e desejos, pois é inconcebível para o homem racional ser um indivíduo solitário. "É somente entre os homens que o homem se torna um homem" (Fichte). O desenvolvimento da razão humana e o desenvolvimento da sociedade humana são exatamente o mesmo processo. Todo o crescimento subsequente das relações sociais será totalmente uma questão de desejo. A sociedade é o produto da razão e da vontade. Ela não existe fora da razão e da vontade. Sua existência está dentro do homem, e não no mundo externo. Ele é projetada de dentro para fora.
Sociedade é cooperação; é comunidade em ação.
Dizer que a Sociedade é um organismo significa dizer que a sociedade é formada pela divisão do trabalho. Para fazer justiça a esta ideia, devemos levar em conta todos os objetivos que os homens se impõem e os meios pelos quais tais objetivos devem ser alcançados. A divisão do trabalho inclui todas as interrelações entre homens racionais munidos de vontade. O homem moderno é um ser social. Não apenas um ser cujas necessidades materiais não poderiam ser supridas caso vivesse em completo isolamento, mas também um ser que alcançou um desenvolvimento de suas faculdades racionais e perceptivas que teria sido impossível fora do contexto da sociedade. O homem é inconcebível como um ser isolado, pois a humanidade existe somente como fenômeno social, e a humanidade transcendeu o estágio da animalidade somente quando a cooperação expandiu as relações sociais entre os indivíduos. A evolução do animal humano para o ser humano foi possibilitada e alcançada única e exclusivamente por meio da cooperação social. E aí jaz a interpretação da máxima de Aristóteles, que diz que o homem é o ser vivo político.
A divisão do trabalho como o princípio do desenvolvimento social
Ainda estamos longe de entender o supremo e mais profundo segredo da vida, o princípio da origem dos organismos. Quem sabe se um dia iremos realmente descobrir? Tudo o que sabemos hoje é que, quando os organismos são formados, algo que até então não existia passa a existir em decorrência da ação de indivíduos. Organismos vegetais e animais são mais do que um conglomerado de células únicas, e a sociedade é mais do que a soma dos indivíduos que a compõem. Ainda não entendemos por completo toda a significância deste fato. Nossos pensamentos ainda estão limitados pela teoria mecânica da conservação da energia e da matéria, a qual não é capaz de nos dizer como um pode virar dois. Aqui, novamente, se quisermos ampliar nosso conhecimento acerca da natureza da vida, compreender como funciona a organização social terá de preceder o entendimento da organização biológica.
Historicamente, a divisão do trabalho se originou em dois fatores da natureza: a desigualdade das capacidades e habilidades humanas, e a variedade das condições externas da vida humana na terra. Estes dois fatos são, na realidade, um só: a diversidade da natureza, a qual não se repete mas cria o universo em variedade infinita e inexaurível. O critério especial de nossa investigação, no entanto, a qual é dirigida para o conhecimento sociológico, nos permite tratar estes dois aspectos separadamente.
É óbvio que, tão logo a ação humana se tornou consciente e lógica, ela certamente foi influenciada por estes dois fatores. Eles, com efeito, se combinaram quase que como para forçar a divisão do trabalho sobre a espécie humana. Jovens e velhos, homens e mulheres, crianças e adultos, todos cooperam entre si ao fazerem os melhores usos possíveis de suas várias habilidades. Aqui está também o germe da divisão geográfica do trabalho: o homem vai à caça e a mulher vai à fonte para buscar água. Fossem as habilidades e a força de todos os indivíduos, bem como as condições externas de produção, idênticas em todos os lugares, a ideia da divisão do trabalho jamais poderia ter surgido. Sob essas condições, o homem, por si só, jamais teria tido a ideia de fazer com que sua luta diária pela sobrevivência fosse facilitada pela cooperação gerada pela divisão do trabalho. Nenhuma vida social poderia ter surgido entre homens de iguais capacidades e habilidades em um mundo que fosse geograficamente uniforme.
Talvez os homens iriam se agrupar para assim conseguir lidar com aquelas tarefas que estivessem além de suas forças individuais; porém, tal tipo de aliança não forma uma sociedade. As relações que ela cria são transientes, e duram somente enquanto durar a ocasião criada por ela. Sua única importância na origem da vida social é que ela cria uma reaproximação, uma reconciliação, entre homens, o que traz consigo o reconhecimento mútuo da diferença que existe entre as capacidades naturais de cada indivíduo, propiciando assim o surgimento da divisão do trabalho.
Uma vez que o trabalho foi dividido, a própria divisão exerce uma influência diferenciadora. O fato de o trabalho ser dividido possibilita um maior aperfeiçoamento do talento individual, o que por si só já faz com que a cooperação seja ainda mais produtiva. Por meio da cooperação, os homens são capazes de alcançar aquilo que estaria além de suas capacidades enquanto indivíduos, e até mesmo o trabalho que um indivíduo é capaz de realizar sozinho se torna mais produtivo. Porém, tudo isto só pode ser entendido em toda a sua complexidade quando as condições que governam o aumento da produtividade sob a cooperação são especificadas com precisão analítica.
A teoria da divisão internacional do trabalho é uma das mais importantes contribuições da Economia Política Clássica. Ela mostra que, enquanto os movimentos de capital e mão-de-obra entre países forem proibidos (por qualquer motivo), serão os custos de produção comparativos, e não absolutos, que governarão a divisão geográfica do trabalho.[1] Quando o mesmo princípio é aplicado à divisão pessoal do trabalho, percebe-se que o indivíduo se beneficia ao cooperar não somente com pessoas superiores a ele em determinadas capacidades, mas também com aquelas que são inferiores a ele em absolutamente todos os aspectos relevantes.
Se, em decorrência de sua superioridade em relação a B, A precisa de três horas de trabalho para produzir uma unidade de mercadoria p, e B precisa de 5 horas, e para a produção da mercadoria q A gasta duas horas e B, quatro, então A irá se beneficiar caso concentre todo o seu trabalho na produção de q e deixe a produção de p por conta de B. Se cada um dedicar sessenta horas à produção tanto de p quanto de q, o resultado do trabalho de A será 20p + 30q, e o de B será 12p + 15q. Em conjunto, a produção de ambos será de 32p + 45q.
Se, no entanto, A se concentrar exclusivamente na produção de q, ele irá produzir sessenta unidades em 120 horas, ao passo que B, caso se concentre exclusivamente na produção de p, irá produzir neste mesmo período vinte e quatro unidades. O resultado desta divisão do trabalho, portanto, será 24p + 60q, o que significa que — dado que p tem para A um valor de substituição de 3 : 2q e para B um de 5 : 4q — a produção foi maior do que para 32p + 45q.
Portanto, torna-se óbvio que toda e qualquer expansão da divisão pessoal do trabalho gera vantagens para todos aqueles que participam dela. Aquele que colabora com os indivíduos menos talentosos, menos capazes e menos laboriosos obtém a mesma vantagem do que o homem que se associa àqueles mais talentosos, mais capazes e mais laboriosos. A vantagem trazida pela divisão do trabalho é mútua; ela não é limitada ao caso em que se faz um trabalho que um indivíduo sozinho jamais seria capaz de realizar.
A maior produtividade gerada pela divisão do trabalho é uma influência unificadora. Ela leva os homens a considerar seus semelhantes como colegas em sua batalha conjunta para a melhoria de seu bem-estar. Ele não os vê como concorrentes em um conflito pela própria sobrevivência. Ela faz com que inimigos se tornem amigos, transforma guerra em paz e possibilita que indivíduos vivam pacificamente em sociedade.

[1] Ricardo, Principles of Political Economy and Taxation, pp. 76 ff.; Mill, Principles of Political Economy, pp. 348 if.; Bastable, The Theory of International Trade, 3rd ed. (London, 1900), pp. 16 ff.
Ludwig von Mises foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico. Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política. Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico. Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".

CHRIS DUARTE - BIG-LEGGED WOMAN

Entrevista-desabafo do senador Pedro Simon, a grande referência moral do Congresso: “Os bons homens já morreram”; “O PT apodreceu”; “Mensalão será o maior momento da história do Supremo”; “Só há saída com mobilização do povo”
Paulo Celso Pereira - VEJA
Pedro Simon (Foto: Cristiano Mariz)
Foto: Cristiano Mariz
Os bons homens se foram: Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Miguel Arraes, Mario Covas. Se esses tivessem ficado e outros tivessem morrido, o Brasil seria diferente" 
Pedro Simon: “Os bons homens já morreram”

O senador diz que a qualidade do Parlamento na média é muito ruim, os líderes políticos só pensam em cargos e que a presidente Dilma não vai conseguir acabar com o fisiologismo
O senador Pedro Simon é um iluminado. Fundador do MDB , participou da oposição à ditadura militar, cerrou fileiras pelas Diretas Já e foi um dos protagonistas da ofensiva que resultou no impeachment do então presidente Fernando Collor.
Com meio século de vida pública, esse gaúcho de Caxias do Sul e 82 anos de idade teria motivos de sobra para festejar a atividade política. Mas ele não vê razões para celebrar.
Simon é hoje um retrato acabado do desânimo com a classe política e com o fisiologismo que governa a relação entre o Poder Executivo e o Congresso. O desalento só é deixado de lado quando o senador fala da mobilização popular como a sua derradeira esperança para mudar as atuais regras do jogo.
O senhor foi um dos maiores críticos do PT no governo. Que avaliação faz da administração da presidente Dilma?
Estou gostando muito, principalmente quando a presidente diz que não vai aceitar o toma lá dá cá. Esse é o grande fato novo na política. Ela já afastou ministros e tem mostrado que quer um entendimento, mas não aceita imposição.
O caso mais típico foi o do PR. Sete senadores do partido deixaram a base porque queriam e não conseguiram continuar mandando no Ministério dos Transportes. Nos governos anteriores, quando isso acontecia, o presidente capitulava. A Dilma quis mostrar que existe um novo método de governar. Isso levou a um choque com os comandos partidários e do Congresso, porque o troca-troca viciou: vota-se aqui, ganham-se as emendas, vota-se ali, nomeia-se o fulano.
O senhor acredita que a presidente vai acabar mesmo com o toma lá dá cá?
Não acredito. Pode até melhorar um pouco, mas acabar não. O que não pode mais, e a presidente está sinalizando nessa direção, é os caras colocarem interesses pessoais acima dos interesses da pátria e da sociedade. É difícil mudar essa prática de uma só vez.
Fazer isso exige mais jogo de cintura. A Dilma não pode ser durona, bater na mesa. Vejo-a dizendo que se entende muito com o presidente do Congresso, o senador Sarney. A primeira pessoa a quem ela deveria fazer um apelo é o Sarney. Ele indicou dois ministros do Maranhão. Onde está a racionalidade de ele e o PMDB , o meu partido, terem dois ministros do Maranhão?
Por que Sarney abriria mão de poder?
O Rui Barbosa é o nosso grande patrono no Senado, mas como político foi um homem de derrotas. Perdeu duas vezes a eleição para presidente da República e não tinha influência no governo.
Quem mandava e elegia presidentes era o (José Gomes) Pinheiro Machado (gaúcho e um dos mais influentes políticos da Primeira República, foi assassinado em 1915), de quem hoje ninguém fala. O Sarney está mais para Pinheiro Machado do que para Rui Barbosa. Vai acabar esquecido pela história.
O que o senhor achou da comparação entre a situação de Dilma e a do ex-presidente Collor?
Tem um lado que é correto. Ele, muito vaidoso, não ligou para o Congresso, não ligou para os empresários e não ligou para as Forças Armadas. Era o rei.
Mas não foi por isso que ele foi cassado. Foi cassado pelas bandalheiras que a gente encontrou. O tesoureiro da campanha pagava as contas dele, da mulher, os luxos da família — tudo com dinheiro roubado.
A Dilma não está valorizando muito o Congresso, mas não fez coisa errada.
O senhor elogia o governo e critica o ministério. Não é contraditório?
O ministério é fraco, um dos piores que já vi. Antes, colocavam-se no ministério os melhores nomes do Parlamento.
Hoje, o ministério consegue ser pior do que a média do Parlamento, que beira a mediocridade.
No esforço de eleger Dilma Rousseff presidente, valeu tudo. O Lula fez acordo aqui e ali, e houve uma despreocupação com relação à seleção dos nomes. Houve também irresponsabilidade dos partidos na indicação dos ministros.
O PMDB indicou um rapaz que tinha pago conta de motel com dinheiro público. Aliás, o PMDB não. Volta e meia se publica que a bancada do Senado exige algo para o ministério. Mentira. Nunca nos reunimos para escolher um cargo. Essa decisão foi tomada pelo presidente do Senado e pelo líder da bancada falando em nome de todo mundo.
Como o PMDB se transformou na marca do fisiologismo?
Deus me perdoe, mas é porque os bons homens se foram: Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Miguel Arraes, Mario Covas.
Se esses tivessem ficado e outros tivessem morrido, o Brasil seria diferente. Se analisarmos no contexto do Congresso, ocorreu mais ou menos a mesma coisa.
Aquele pessoal que iniciou o PT está todo fora. Faz falta aquele PT que se comportava de maneira competente como oposição.
O partido hoje é de uma gente que não sei de onde veio. Aliás, oposição hoje também não existe mais, o que é muito ruim para o país.
O senhor não está pessimista demais com o momento político?
Os poderes estão todos nivelados por baixo. O Judiciário, que sempre esteve em um nível bem superior, foi rebaixado nos últimos tempos a um patamar igual ao nosso, do Parlamento. É avaliado bem abaixo da presidente Dilma e igual ao Legislativo.
Nada o anima?
Há alguns sinais que me animam. Estou há cinquenta anos na vida pública e — tirando as lutas pelas Diretas Já e pela Anistia — não vi momento tão interessante como o que estamos vivendo agora.
O povo conseguiu sensibilizar e pressionar pela aprovação da Lei da Ficha Limpa. Votamos porque o povão pressionou, entrou nas redes sociais e estava na rua. O Supremo votou porque a gurizada estava lá na porta.
Esse é um fato novo que muda tudo.
Por quê?
Um bando de gente já não vai poder ser candidato. O PMDB , por exemplo, está recomendando aos diretórios evitar indicar nomes com problemas com a Justiça.
É o primeiro passo para terminar com a maior maldição do Brasil, que é a impunidade.
Porque a maldita diferença entre nós e o mundo civilizado é que, quando o cara é condenado, aqui ele recorre à segunda, terceira, quarta, quinta, sexta instâncias, até o Supremo. Nesse espaço de tempo, o crime prescreve e ninguém é condenado.
Na Europa e nos Estados Unidos, se for condenado, vai para a cadeia. Pode recorrer, mas está na cadeia.
O que falta para que os avanços sociais que estamos experimentando cheguem à política?
Para derrubar a ditadura, avançamos quando a sociedade avançou. O mesmo aconteceu no impeachment. Ele só deu certo porque o Collor pediu ao povo para ir para a rua de verde e amarelo, e o povo foi de preto, de luto.
As grandes mudanças só ocorreram quando o povo participou.
Não se espere nada do Congresso, do Legislativo e do Executivo se o povo não estiver à frente.
Mas o Congresso não deveria exercer esse papel catalisador?
Eu trouxe um mar de gente para a vida pública: jornalistas intelectuais, membros de tribunal. Mas na última eleição não trouxe ninguém.
Estavam todos com nojo.
As pessoas estão se afastando da política. É aquilo que o doutor Ulysses dizia quando reclamavam da qualidade do Congresso: “Esperem para ver o próximo”. Estamos caminhando nesse sentido.
Com essa história do nosso amigo senador (Demóstenes Torres), estou recebendo um bolo de cartas e telefonemas dizendo que agora só falta eu. É o pessimismo das pessoas.
Eu botava as duas mãos no fogo pelo Demóstenes. Ele era um exemplo de competência parlamentar.
O senhor faz algum prognóstico sobre o destino político dele?
Com todo o respeito, se as coisas que estão aí se confirmarem, ele deve ir para casa. Se tudo isso for verdade, o senador é um excelente ator.
Mas tenho obrigação de esperar as explicações dele antes de qualquer julgamento. O fundamental é o Congresso sair ileso, o Senado mostrar transparência.
O Demóstenes está pedindo para analisarem, julgarem e fazerem o que tem de ser feito. Se as acusações forem provadas, não há outro caminho que não a renúncia ou a cassação.
Por que o senhor diz que há um nivelamento por baixo das instituições?
As instituições foram vulgarizadas nos últimos anos, principalmente no governo do PT.
Todos os meses vocês fazem reportagens demonstrando casos de corrupção e não acontece nada.
O cara não é condenado e também não é absolvido. No Judiciário, surgem denúncias sobre juiz que vende sentença, outro que recebeu não sei o quê, e não acontece nada. Como vamos aceitar isso?
Aparece uma notícia como aquela do Fantástico, completa, indiscutível. Se não tomar cuidado, o diretor do hospital vai acabar demitido, e o jornalista vai para a cadeia, porque no Brasil termina assim.
O poder corrompe?
Parece que a tentação é grande. Eu vi o início do PT. Os caras andavam de pé descalço, caminhavam pelas ruas fazendo campanha em troca de nada, era um troço sensacional.
Nos oito anos do Fernando Henrique, o PT foi um baita de um partido na oposição, até exagerado.
Aí foi para o governo e ofereceu ao carinha de chinelo, que trabalhava feito doido em troca de comida, um cargo de 9 000 reais. Então apodreceu. O poder corrompe, sim.
O poder total corrompe totalmente. O PT desmontou, desapareceu. Se o Lula tivesse posto o Waldomiro Diniz na rua quando ele apareceu na televisão recebendo dinheiro do Carlinhos Cachoeira e tratando de porcentuais, não teria havido o mensalão.
Eu entrei com pedido de CPI, mas o Lula e o Sarney lutaram para não deixar criá-la. Fomos ao Supremo e depois de um ano ganhamos, mas era tarde.
Quem mudou mais, o PT ou o PMDB?
Eu diria que os dois ficaram muito parecidos — para pior. O PMDB deixou passar vários trens da história. O pior que aconteceu com o PMDB foi a maldade que o Tancredo fez conosco. Nosso acordo não previa a morte do Tancredo. Ele morre e deixa o Sarney.
Ali o nosso destino mudou. Tancredo presidente, todos os governadores, com exceção do de Sergipe, eram do PMDB , tínhamos a maioria na Câmara e no Senado. Era uma grande oportunidade. Com o negócio do Sarney, mudou tudo.
Já me convidaram até a sair do partido. Mandaram uma carta com muita elegância dizendo que se eu saísse seria numa boa, ninguém ia me pedir o cargo. Eu disse que não ia sair, porque eles estavam de intrusos e eu fundei o partido.
O senhor falou da queda da qualidade das instituições de maneira geral. Isso se aplica ao Supremo?
Eu não diria isso, mas lá também há indícios dessa vulgarização sobre a qual falei. O Lula nomeou para a corte um advogado dele e do PT na campanha. Esses fatos não são bons. Tem de haver mais rigor nessa seleção.
Esse ministro, o Dias Toffoli, com todo o respeito, não poderia ser nomeado. No processo de indicação dele, fui para a tribuna na hora e disse para o Lula adiar a sua escolha. Agora, descobre-se que ele teria uma namorada que atuou na defesa de um dos homens do mensalão, e ele mesmo trabalhava no governo junto a pessoas do mensalão.
E ele não se dá por suspeito? Isso não me passa pela cabeça.
Qual será a importância do julgamento do mensalão para o Brasil?
Vital. O relator foi muito sério, muito competente. Faço um apelo a ele para ser o mais breve possível, porque temos de votar neste ano. Vai ser a coisa mais triste do mundo se prescrever e não for votado. Esse julgamento será o maior momento da história do Supremo.
Isso não quer dizer que tenha de condenar ou absolver, mas é preciso fazer um julgamento de gabarito, de peso, de seriedade. O importante é julgar.
Eu tenho convicção de que se vai julgar com a consciência e não tenho dúvida de que pelo Brasil inteiro as pessoas vão estar olhando.
Este é seu último mandato?
Em tese, sim. Não pretendo concorrer de novo. Na próxima eleição estarei com quase 85 anos e prefiro sair vivo a sair morto.

GOVERNO PETISTA VOTA CONTRA RESOLUÇÃO DA ONU QUE VISA DAR MAIS SEGURANÇA A JORNALISTAS

Brasil se alinha a países como Cuba, Venezuela e Paquistão para derrubar na ONU resolução para dar mais segurança a jornalistas
Gabriel Manzano - O Estado de S.Paulo
Entidades ligadas à defesa da liberdade de imprensa protestaram nesta terça-feira, 3, contra a decisão do Brasil de rejeitar uma resolução das Nações Unidas destinada a dar mais segurança aos profissionais de imprensa em todo o mundo.
“Estamos consternados por ver que uma oportunidade histórica para tomar medidas concretas nessa área tenha sido frustrada”, disse nos EUA a diretora do Comitê de Proteção aos Jornalistas, a dominicana Gipsy Guillén Kaiser. [O CPJ é uma entidade independente, fundada em 1981 e com sede em Nova York, que se destina a defender jornalistas em perigo por sua atividade em qualquer parte do mundo e é dirigida por um comitê de 30 profissionais de diferentes áreas e nacionalidades].
Além do CPJ, também a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o International News Safety Institute (Insi) disseram-se “decepcionados” ao saber que o Brasil, ao lado de outros quatro países – Cuba, Venezuela, Índia e Paquistão – derrubou numa reunião da Unesco em Paris, no final de março, o texto básico de um novo Plano de Ação da ONU sobre Segurança dos Jornalistas.
Decisão “desconcertante”
O assunto, e com ele um amplo pacote de garantias a jornalistas em todo o mundo, ficam adiados por pelo menos um ano – o comitê encarregado só se reunirá de novo em 2013. Só de um ano para cá morreram no Brasil cinco jornalistas – e 21 desde 1992.
Kaiser, do CPJ, definiu como “desconcertante” o fato de a decisão contra o plano ter partido justamente de um país que divide com os Estados Unidos o comando da Parceria Governo Aberto, que reúne mais de 80 nações na defesa da transparência nos atos de governo. Para Marcelo Moreira, diretor do International News Safety Institute (Insi), a decisão brasileira “é negativa, porque impede a criação de projetos que possam investir em programas antiviolência” no País.
“Procedimentos irregulares”
Em sua defesa, o Itamaraty afirmou que não é contra o plano mas o rejeitava devido a procedimentos irregulares.
Primeiro, não aceitava votar sem ser ouvido e nem aprovar um texto que já chegou pronto à assembleia. Além disso, e contrariando a maior parte das estatísticas conhecidas, os diplomatas brasileiros alegam que “a grande maioria dos casos (de morte de jornalistas) verificados no Brasil não guarda relação direta com o exercício da atividade”.
Em nota, a Abraji “lamenta a decisão (…) porque entende que as supostas imprecisões do documento são menores diante de sua importância e sua oportunidade”. O plano, chancelado por dezenas de países, “daria relevância” ao tema na sociedade e “seria mais um estímulo para a responsabilização e punição dos assassinos”, diz a entidade.

Do Blog:
O governo petista sente-se muito bem em companhia dos governos de Cuba (modelo de democracia petista), da Venezuela (do mentecapto canceroso Chavez), do Paquistão (que acobertou (e acoberta ainda) os terrorista islâmicos salafistas.
Como os petistas gostam da escória da humanidade!  Se Freud estivesse vivo iria se dedicar ao estudo mais aprofundado dessa forma de comportamento esquizofrênica.

ELIÂNICAS

No fim, todos ganham
Eliane Cantanhêde - FSP
ESTOCOLMO - A esta altura, mais de dez anos de idas e vindas, todo mundo (quase literalmente) já sabe que o Brasil precisa comprar 36 caças para renovar a frota da FAB. O que poucos sabem é que esta é apenas a parte visível de um processo bem mais complexo.
Com os caças, o Brasil entrou no radar dos países líderes na área de defesa e está sendo cobiçado e levado a sério no contexto internacional -apesar dos vexames pelo caminho.
As empresas selecionadas para o programa dos caças -Boeing (EUA), Saab (Suécia) e Dassault (França)- vêm descobrindo no Brasil um mercado de ouro tanto para a aviação civil, que cresce exponencialmente, quanto para a defesa.
Como comparação, a Suécia tem mais de 9 milhões de habitantes, e o Brasil, mais de 190 milhões. Com empregos, a renda crescendo, as viagens multiplicam-se e isso não vai parar.
Na área de defesa, os dois programas mais vistosos para as empresas são o Sisfron, sistema integrado de fiscalização e controle da Amazônia e das fronteiras terrestres, e o Sisgaaz, da chamada "Amazônia Azul", ou seja, para o pré-sal e a fronteira marítima. Eles envolvem satélites, radares, inteligência, cibernética, mísseis, torpedos.
Na semana passada, dois técnicos de primeiro time da Boeing estiveram em Brasília para trocar ideias na área militar sobre o que o Brasil precisa e o que eles têm a oferecer. Na semana que vem, será a vez de técnicos da Saab. E, evidentemente, a Dassault não ficará atrás.
Brinca-se em Brasília que os políticos preferem a oferta francesa (Rafale), os pilotos, a norte-americana (F-18), e os engenheiros, a sueca (Gripen), sem falar que Lula manifestava a opção pelos Rafale e o relatório da FAB aponta os Gripen.
Independentemente disso, todos eles fincaram uma estaca no Brasil e estão em frenética fase de prospecção de negócios para os próximos 30, 50 anos. Vieram para ficar.

PEIXE MORRE PELA BOCA, IDELI

Sob Ideli, Pesca deu R$ 770 mil para ONG criar peixe; projeto nunca vingou
Entidade alegou haver grande consumo de peixes na região, mas nenhum viveiro foi instalado
Alana Rizzo - O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Durante a gestão da ministra Ideli Salvatti, o Ministério da Pesca liberou de uma só vez R$ 769,9 mil - de um contrato de R$ 869,9 mil - para a organização não governamental (ONG) de um funcionário comissionado do governo de Agnelo Queiroz (PT-DF) implantar, no entorno de Brasília, um projeto de criação de peixes que não saiu do papel.
Trata-se do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Integral da Natureza - Pró-Natureza, do diretor da Codeplan Salviano Antônio Guimarães Borges. Segundo a justificativa do projeto enviada ao ministério, o Distrito Federal, mesmo sem haver estatísticas oficiais sobre o tema, tem grande consumo e produção de peixes. Só que, 11 meses depois, nenhum viveiro foi instalado. Oficialmente, o projeto da ONG terminou nesta quarta-feira, 4.
No Núcleo Rural Rajadinha, em Planaltina (DF), a 40 quilômetros da sede do ministério, mandiocas crescem no lugar dos tanques de tilápias.
“O pessoal veio aqui uma vez no ano passado e ofereceu o projeto. Nós aceitamos e eles não apareceram mais. Achei que tinham desistido, mas tem 15 dias que voltaram e falaram que os tanques vão ficar prontos em julho. Parece que só agora o projeto foi aprovado e eles vão receber o dinheiro”, relata o agricultor Joami de Souza Ramos.
O agricultor diz que nunca criou peixes, tampouco participou de cursos ou qualquer atividade do projeto. Na chácara ao lado, incluída no rol de beneficiários do ministério, também não há sinal de tanques.
Outros moradores do núcleo confirmam que nunca participaram de capacitações. O único viveiro no local é o de um sítio que está à venda e foi construído pelo próprio morador, que ainda aguarda os peixes do projeto para começar a criação.
Documentos apresentados pela ONG ao ministério e obtidos pelo Estado mostram que, antes mesmo de receber qualquer recurso, a entidade pagou R$ 75,9 mil para a Rover Consultoria Empresarial Ltda. elaborar um diagnóstico sobre a pesca no entorno. A nota fiscal foi emitida em nome de Gabriel Miranda Pontes Rogério, um chef de cozinha.
Sem nenhum tanque pronto ou cursos ofertados, a Pró-Natureza solicitou em 28 de outubro do ano passado, ao ministro Luiz Sérgio (PT-RJ), um aditivo de 16 meses e mais R$ 224,7 mil.
Segundo o ofício, os extras seriam para aprovação de novo cronograma. Pela proposta, entre dezembro e fevereiro de 2012 seriam oferecidos os cursos de capacitação e a obtenção das licença e outorgas para a construção dos viveiros; abril a julho, período de construção e lançamento de edital para aquisição de material; agosto e setembro, primeiro ciclo de criação de peixes; e janeiro e fevereiro de 2013, término do primeiro ciclo dos peixes.
Em 22 de março deste ano, a ONG encaminhou novo ofício cobrando o aditivo financeiro,agora do ministro Marcelo Crivella (PRB-RJ). No mesmo dia, o superintendente da Pesca no DF, o militante petista Divino Lúcio da Silva, pediu atenção especial ao projeto. O ministério chegou a alterar o nome do fiscal do contrato, obrigatório nos convênios, para que o controle ficasse sob a responsabilidade de Divino.
Segundo a ONG, o projeto teria sido elaborado por Divino, indicado ao cargo pelo PT-DF, e por outros representantes do Colegiado Territorial das Águas Emendadas (Cotae). O grupo teria procurado a Fetraf, que levou o projeto à entidade. Esta, por fim, o apresentou ao ministério.
Em nota, o Ministério da Pesca informou que foram concluídas a realização do diagnóstico, a seleção das famílias, a obtenção das outorgas de água e o curso de tecnologia, além de parte do licenciamento ambiental e a impressão do material didático. Afirma que nada impede que o superintendente seja o fiscal do projeto. “Trata-se de um projeto com alcance social para o público de assentamento e agricultores familiares do Território da Cidadania das Águas Emendadas, composta por 11 municípios dos Estados de MG, GO e DF”, alega o ministério.
Justificativa. Por meio de sua assessoria, Ideli afirmou que o convênio com a ONG não foi firmado durante sua gestão. A execução e a liberação dos recursos foram feitas pela ministra em cumprimento ao cargo que ocupava. “Uma vez que não havia qualquer suspeição, a ministra não poderia se negar a pagar o convênio, correndo o risco de responder por não cumprir os compromissos firmados na gestão anterior”, diz sua assessoria.
A reportagem tentou falar com Salviano, porém ele não respondeu. Um e-mail também foi encaminhado à ONG, com perguntas sobre o convênio. Também não houve resposta.

VICE DO BISCATÓN SOB INVESTIGAÇÃO, A ECONOMIA EM CRISE, A POPULARIDADE DO GOVERNO EM BAIXA, A CORRUPÇÃO EM ALTA, E UMA GUERRA PELA FRENTE (?), ISSO É A ARGENTINA

Polícia realiza busca em imóvel do vice argentino
Justiça procura provas em investigação de suspeita de tráfico de influência
Amado Boudou postou mensagem enigmática no Twitter a respeito do episódio, que Cristina Kirchner não comentou
SYLVIA COLOMBO - FSP
Oficiais da gendarmeria (polícia especial militarizada) estiveram ontem no apartamento do vice-presidente argentino, Amado Boudou.
Os agentes cumpriam determinação do juiz Daniel Rafecas, em investigação de suspeita de tráfico de influências envolvendo o vice.
Boudou teria favorecido uma gráfica falida, a Ciccone Calcográfica, de seu amigo Alejandro Vanderbroele. Por conta da atuação do vice, a empresa teria sido salva da falência e feito contratos para imprimir a moeda argentina e panfletos da campanha de Cristina à Presidência.
O apartamento, no luxuoso bairro de Puerto Madero, pertence a Boudou, mas está alugado para Fabián Carosso Donatiello, um empresário sócio e amigo de Vanderbroele, que vive na Espanha. Boudou mora a algumas quadras do local.
O vice de Cristina está na mira da imprensa opositora há dois meses, quando surgiram as primeiras denúncias, por meio da ex-mulher de Vanderbroele, que acusou o ex de ser testa de ferro do vice. Ontem, durante todo o dia, o assunto foi destaque na imprensa argentina, que fez plantão diante do edifício.
Até agora, Boudou não deu explicações públicas sobre a situação. Apareceu apenas no programa governista "6, 7, 8" fazendo críticas ao jornal "Clarín". A presidente também não se pronunciou sobre o caso.
Ontem, ambos estavam num ato oficial, em Bariloche, quando a operação foi levada a cabo.
No final do dia, Boudou colocou a seguinte mensagem em sua conta no Twitter: "Estão fazendo uma busca na minha casa. O cachorro late".

Do Blog:
Já imaginou isso no Brasil?
O PMDB seria pulverizado em segundos!
Mas isso não acontece no Brasil, não é?

AS ECOBAGS CARREGAM JUNTO COM AS COMPRAS UM ECOSSITEMA MICROSCÓPICO (E TUDO ISSO DE GRAÇA!)

Bactérias retornáveis
Análise de ecobags de cem consumidores feita em laboratório a pedido da Folha mostra que a maioria contém micro-organismos como bactérias e fungos; segundo especialistas, sacolas reutilizáveis precisam ser higienizadas com freqüência
DÉBORA MISMETTI - FSP
Bactérias e fungos podem pegar carona, junto com as compras do mês, nas sacolas retornáveis usadas para transportar as compras de supermercado.
Um teste encomendado pela Folha ao laboratório de análises biológicas SFDK, em São Paulo, obteve a contagem de micro-organismos e, entre eles, bolores, coliformes e salmonela, em cem sacolas de consumidores de São Paulo. Eles foram contatados pelo Datafolha, que pediu a cada um a sacola mais usada para transportar as compras.
Segundo Mario Killner, especialista em análises microbiológicas e responsável técnico pelo laboratório, todas as sacolas, que chegaram ao laboratório lacradas em embalagens plásticas, foram abertas e manuseadas em câmaras de fluxo laminar, sistema de controle de ar que evita a entrada de contaminantes externos.
Uma gaze embebida em um líquido especial foi passada na superfície interna de cada uma, para que os micro-organismos presentes fossem capturados para a análise.
Amostras do material retirado das ecobags foram transferidas para meios de cultura. Os micróbios formaram colônias, que foram contadas para determinar a concentração em cada sacola.
O processo revelou que a maioria delas (88 das 100) tinha micro-organismos capazes de formar colônias e algumas tinham grande concentração deles. Em quatro delas, a metade da superfície interna analisada tinha mais de 1 milhão de micróbios.
Killner diz que esses números elevados são sinal de que as ecobags podem conter bactérias que causam doenças. A contagem de coliformes totais, achados em sete das sacolas, também as causam.
A salmonela, tipo de bactéria que pode causar gastroenterite, no entanto, não foi achada em nenhuma delas.
Bolores foram detectados em 59 das 100 sacolas, a maioria em baixas concentrações em relação à superfície. "O mofo em geral não causa doenças, mas reduz a durabilidade dos alimentos."
Killner afirma que os consumidores terão de se acostumar a higienizar as ecobags com frequência. "Talvez pudesse ter havido uma campanha para esclarecer os consumidores sobre isso antes da adoção das ecobags."
Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital das Clínicas, concorda que é necessário lavar as sacolas, mas diz que a presença das bactérias não resulta em risco imediato de doenças.
"Todos os nossos objetos pessoais têm bactérias. O carro tem; nossas mãos, também. A gente não precisa viver numa bolha. O mais importante é a higiene na hora de manipular os alimentos."

Do Blog:
Quero ver alguém conseguir explicar para o pobre que ele tem que "higienizar" a sacola retornável.  Ele mal lava as mãos e escova os dentes...

DÓRICAS

Doença incurável
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Finalmente descortinou-se ao menos uma razão de ser para o Ministério da Pesca: servir de ponte para o trânsito do dinheiro público aos cofres de um partido. No caso, o PT que, diga-se, não é o único a se valer do expediente.
A mesma prática revelou-se em episódios anteriores e voltou a aparecer nas denúncias que levaram ministros à queda ou à berlinda ao modo de uma derrocada em dominó.
Havia nos escândalos recentes envolvendo ministros do PC do B, PDT, PMDB, PR e PSB, o traço - em alguns mais acentuadamente que em outros - do uso da máquina administrativa para algum tipo de favorecimento privado. Partidário ou familiar e, portanto, pessoal.
A denúncia sobre o ministério da Pesca é tão cristalina quanto as que durante o ano passado detectaram a transformação de pastas em feudos de partidos usuários do aparelho (nos dois sentidos) de Estado como fonte de financiamento.
A diferença aqui é que quando se trata do PT o tratamento é mais brando do lado do governo e mais petulante, para não dizer cínico, da parte dos acusados em sua infinita capacidade de negar as evidências. Por mais evidentes que sejam.
Vejamos resumidamente o que nos mostra o "caso das lanchas", a partir de minuciosos relatos dos repórteres do Estado: em 2009, o Ministério da Pesca concluiu uma negociação com a empresa Intech Boating para a compra de 28 lanchas-patrulha no valor de R$ 31 milhões.
A transação deu-se sem necessidade de comprovação da necessidade da aquisição - tanto que a maior parte (19) não foi usada - e acabou caindo na rede do Tribunal de Contas da União sobre licitações supostamente dirigidas.
Em 2010, o secretário de Planejamento do ministério, Karim Bacha, pediu uma doação para a campanha do PT ao governo de Santa Catarina de R$ 150 mil ao dono da empresa fabricante das lanchas. Pedido feito, pedido obviamente aceito por aquele que ganhara um contrato cujo valor, na comparação, tornava a doação irrisória.
Pois a questão aqui não é de montante, nem do fato de os recursos terem sido devidamente contabilizados. A contribuição foi legal, como alega a hoje ministra das Relações Institucionais e à época candidata ao governo de Santa Catarina, Ideli Salvatti, e depois titular da Pesca.
Ilegítima - para dizer bem pouco, já que o direcionamento da licitação é ainda uma suspeita - foi a "troca" perfeitamente caracterizada na solicitação feita por intermédio do ministério.
Aqui não está em jogo só a conduta dos ministros (Ideli e seu antecessor Altemir Gregolim), embora esteja também.
O dado mais relevante é a prática que se repete, se estende aos outros partidos participantes do governo e é responsável pela produção de denúncias numa série, pelo visto, interminável.
Mata-borrão. A julgar por algumas reações diante dos ótimos índices de aceitação da presidente Dilma Rousseff, as pesquisas seriam, além de uma espécie de salvo-conduto ao erro, um fator de aniquilação do senso crítico.
Celebrar a avaliação positiva é uma coisa. Inclusive porque se as pessoas estão gostando da atuação de Dilma, governo e governistas devem mesmo comemorar.
Outra coisa bem diferente é achar que pontuação em pesquisa é um valor absoluto perante o qual devem se curvar os fatos nem sempre levados em conta pela maioria.
Maioria esta que na mesma pesquisa condena a pesada carga tributária, mas não conecta o fato ao desempenho da presidente.
Aparências. Ainda pensando na dupla face do senador Demóstenes Torres: havia no governo Lula algo mais respeitável que as maneiras, a fala e a figura de Antônio Palocci?
Foi praticamente o fiador da ascensão do PT ao poder e acabou, com todo o reconhecimento de valor, sob os escombros de uma casa de lobby em Brasília.
O ensaio de ressurreição que viria depois, com Dilma, foi apenas um estertor.

O MOVIMENTO DOS SEM NOÇÃO CRESCE ASSUSTADORAMENTE NO BRASIL

Surfista morre ao mergulhar perto de plataforma de petróleo
Corpo de jovem foi localizado a 170 metros de profundidade; acidente é investigado
FSP
Um modelo e surfista de 26 anos morreu após se afogar durante um mergulho nas proximidades de uma plataforma de extração de gás da Petrobras, na Bacia de Santos. Luigi Ucelli Maria di Nemi tinha ido ao local na manhã do último sábado praticar pesca submarina.
O corpo dele só foi encontrado no domingo e resgatado na segunda-feira. Ontem, ocorreu a cremação. Um robô da Petrobras e um helicóptero da Marinha foram usados nas buscas.
Segundo relatos de amigos do surfista, o rapaz e outras quatro pessoas foram pescar em alto-mar nos arredores da plataforma Mexilhão, localizada a 107 km de distância de Ilhabela (SP), de onde partiram de barco.
Antes de retornar para a cidade, Nemi disse que precisava mergulhar para pegar um arpão que ele esquecera no fundo do mar. Desta vez, ele mergulhou sozinho. Nemi vestia bermuda, óculos, pés de pato e um peso extra para levá-lo até o fundo.
Minutos depois, um dos amigos viu o arpão do jovem flutuar, mas ele não apareceu. Desesperados, tentaram encontrá-lo. Em vão.
Pediram, então, ajuda aos funcionários da Petrobras que estavam na plataforma. Horas antes do incidente, os amigos não atenderam aos pedidos dos técnicos para deixarem o local por ser de alto risco para pescadores.
Segundo a Marinha, no raio de um quilômetro de cada plataforma é proibido pescar ou ancorar embarcações.
O corpo de Nemi foi encontrado a uma profundidade de 170 metros junto a um pilar da plataforma. O caso é investigado pela Capitania dos Portos.

PROTECIONISMO CABOCLO

Governo endurece regra para desconto de IPI
Montadoras terão de comprovar percentual de 55% de produtos nacionais e regionais apenas na linha de produção
Atualmente, custos como marketing e viagens podem ser incluídos na conta, o que infla o número
MAELI PRADO - FSP
Para ter direito ao desconto integral de 30 pontos percentuais no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), as montadoras precisarão comprovar que 55% dos seus gastos com linha de produção de veículos foram regionais (com peças e outros insumos originários do Brasil, Mercosul ou México).
A informação foi dada ontem pela Receita Federal e pelo Ministério do Desenvolvimento, que detalharam o regime automotivo anunciado anteontem como parte do pacote de estímulo à indústria. As novas regras valem só a partir de 2013.
Até o final deste ano, o percentual de conteúdo regional que as empresas do setor precisam atingir para evitar a alta no imposto é de 65%.
Mas como esse índice é calculado com base no preço final do carro, acaba englobando também gastos fora da linha de produção, como marketing, viagens e até o faturamento da montadora.
Isso faz com que seja mais fácil para as empresas conseguirem o desconto no IPI.
A partir de 2013, elas precisarão atingir 55% de conteúdo regional em cima somente dos gastos com linha de produção (peças, mão de obra e energia elétrica).
Segundo especialistas, hoje esse percentual de conteúdo nacional varia de 35% a 40% e não será difícil para as montadoras atingir os 55%.
Esse percentual, segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alesandro Teixeira, não será aplicado em cima de cada carro, mas da linha de montagem como um todo. Ou seja, as empresas podem fazer um "mix" de modelos para atingir o índice.
No caso das montadoras que não estão instaladas no Brasil, haverá um regime de transição. As importadoras acumularão créditos tributários que, posteriormente, quando começarem a produzir veículos no país, poderão abater de seus débitos.