segunda-feira, 1 de outubro de 2012




By Antoine Vergas 

LAUREN WOOD

lauren-wood10

MARI PARAÍBA

SYD BARRET

Syd Barrett.
Via nickdrake

LEONARD COHEN

PINK FLOYD - CAREFUL WITH THAT AXE, EUGENE

À flor da pele
Merval Pereira - O Globo
À medida que vai chegando o momento de julgar o núcleo político petista do mensalão – ex-ministro José Dirceu; ex-presidente do PT José Genoino e ex-tesoureiro Delúbio Soares - os ânimos vão ficando exaltados no plenário do Supremo Tribunal Federal, como vimos ontem em mais um, e talvez o mais acalorado, bate-boca entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, respectivamente relator e revisor do processo em julgamento.
Os dois encarnam maneiras diferentes de encarar os fatos narrados nos autos e Barbosa se considera o responsável maior pelo encaminhamento do julgamento, legando a Lewandowski um lugar secundário.
Ontem por exemplo, Joaquim Barbosa deixou escapar esse sentimento ao afirmar que é “absolutamente heterodoxo que um ministro meça o voto de um relator para fazer o voto do mesmo tamanho”.
De gênio irascível, Joaquim Barbosa considera ataque pessoal as discordâncias do revisor, como no caso de Emerson Palmieri, dirigente do PTB, que ele condenara por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e Lewandowski absolveu: “Mas os autos dizem taxativamente que ele recebia o dinheiro. Está na lista feita por Marcos Valério e confirmada por Delúbio Soares e isso vai de encontro ao que eu disse no meu voto”, revoltou-se Joaquim Barbosa diante das incertezas do revisor.
E acrescentou, passando do razoável: “Não podemos fazer vista grossa ao que está nos autos”. O ministro Marco Aurélio de Mello, chamou a atenção de Barbosa em vários momentos da sessão de ontem, pedindo que ele medisse as palavras.
O fato é que o ministro relator Joaquim Barbosa, por mais que pressinta nas intervenções de Lewandowski intenções ocultas, não deveria perder o controle, pois somente ajuda a quem quer prolongar o julgamento, e cria um ambiente de hostilidade contra si.
Mesmo que esteja convencido de que os crimes aconteceram, tem que aprender a conviver com as posições contrárias, por mais sem sentido que lhe pareçam, ou mesmo mal-intencionadas.
Houve um momento em que ele deixou bastante clara essa sua desconfiança quando disse: “Não podemos admitir hipocrisia”.
Quando Ricardo Lewandowski diz, com a voz mais serena do mundo, que sua “análise vertical” dos autos lhe dá razão, ou “já demonstrei o cuidado que tive na leitura desses autos”, o ministro Joaquim Barbosa vai à loucura, sentindo-se objeto de críticas do colega, que sempre nega essa intenção, com a expressão de quem está consternado com a situação criada pelo colega.
Ontem mesmo disse que não sabia se conseguiria continuar lendo seu voto, tal o constrangimento que sentia. Por mais que tenha razão em discordar do ministro revisor, Barbosa não tem o direito de se irritar com posições divergentes, nem do revisor nem de outros ministros.
Se não conseguir convencer seus pares, seja por que motivo for, não há nada a fazer a não ser aceitar a decisão da maioria do Supremo.
No caso da viagem a Portugal de Marcos Valério, Rogério Tolentino e Emerson Palmieri, para uma reunião com o presidente da Portugal Telecom, o relator Joaquim Barbosa tem toda razão em chamar a atenção para a estranha excursão, a mando do ex-ministro José Dirceu.
O ministro Ricardo Lewandowski procurou desqualificar a importância de Palmieri no PTB e da própria viagem, o que, mais adiante, terá consequências em seu voto sobre a atuação do próprio Dirceu.
As informações que constam dos autos são no sentido de que a viagem tinha como objetivo levantar dinheiro para o PTB a partir de negócios de Marcos Valério com a Portugal Telecom e a Telemig, mas Lewandowski tratou-a como sendo do interesse particular de Marcos Valério, para manter os contratos de publicidade que tinha com a Telemig.
Se fosse assim, por que um político do PTB faria parte do grupo e os três viajaram para Portugal “um juntinho do outro” como lembrou o presidente Ayres Britto, numa demonstração de que as passagens foram compradas juntas, pela mesma pessoa?
A viagem é, sem dúvida, “esdrúxula” e faz parte do conjunto probatório do esquema do mensalão, mas Lewandowski, no seu voto, tentou desconstruir a importância de Palmieri no PTB: “Émerson era uma pessoa, podemos dizer, onipresente. Era como "a alma" do partido. Aquelas pessoas que sabem de tudo, conhecem todos os documentos que dizem respeito aos mais variados assuntos...”.
Mas, no entanto, nada sabia dos negócios em Portugal e nem nunca pegou em um tostão dado ao partido pelo esquema do mensalão. Esta, por sinal, é a mesma alegação da defesa dos réus petistas José Dirceu e José Genoino

ASHANTI






Wendigo (via dervishknives)

E LÁ SE VAI MAIS UMA VIRGEM PARA O BELELÉU

Jovem que participa de leilão já tem data para perder a virgindade
TATIANA CAVALCANTI -  AGORA
A jovem catarinense Catarina Migliorini, 20, já tem data marcada para ter sua primeira vez: dia 25 de outubro.
Ela causou polêmica desde que aceitou leiloar sua virgindade como parte de um documentário que conta a história de dois jovens prestes a ter a primeira relação.
O nome da produção é "Virgins Wanted", do diretor australiano Justin Sisely.
"É preciso ter muita coragem para expor uma experiência tão íntima e a Catarina chamou a atenção por ser decidida", disse Sisely.
"Ela está na Indonésia tranquila [gravando] e conta com o apoio de um psicólogo", completa o diretor. Quatro garotas desistiram da proposta antes da brasileira.
Catarina irá perder a virgindade durante um voo que vai da Austrália para os Estados Unidos -para que não haja problemas com legislação de país algum.
O leilão, realizado pela internet, termina no próximo dia 15. Até o momento, o valor mais alto oferecido equivale a R$ 314 mil.
Pelas regras, o vencedor do leilão ficará ao menos uma hora com a garota e o ato não será filmado. Ele deverá usar camisinha, não poderá usar brinquedos sexuais nem levar outra pessoa. Beijar também não faz parte do contrato.
O homem só será identificado se desejar. "Mas nossa intenção é que ele mostre o rosto. De qualquer modo, vamos entrevistá-lo para saber como foi a experiência", conta o diretor.
Ele confessa que não entende por que alguns homens ainda têm o desejo de romper um hímen, mesmo tendo que pagar um alto preço por isso.
Depois de consumado o ato, Catarina voltará para o Brasil, onde o documentário será finalizado.
Com parte do dinheiro ganho no leilão, ela pretende construir casas populares para famílias pobres em Santa Catarina, onde nasceu.
Ela disse ainda que o leilão é apenas um negócio e que nunca deixou de ser romântica e acreditar no amor.
Assim como Catarina, o russo Alexander Stepanov, 21 anos, também está leiloando a virgindade. Mas, enquanto a brasileira terá sua primeira vez com um homem, o jovem o fará com quem der o maior lance, mulher ou homem.

O MUNDO FICA MAIS POBRE SEM HOBSBAWM

Morre, aos 95 anos, o historiador Eric Hobsbawm
VEJA
O historiador Eric Hobsbawm
O historiador Eric Hobsbawm (Hulton Archive/Getty Images)
Eric Hobsbawm, o maior historiador de esquerda do século XX, morreu nesta segunda-feira em Londres, aos 95 anos, após um longo período doente, segundo confirmou a família ao jornal The Guardian. Britânico de origem judaica, Hobsbawm morreu no começo da manhã no hospital Royal Free de Londres, onde estava internado.
Entre suas obras de destaque, que influenciaram gerações de historiadores, está Era dos Extremos: o Breve Século XX: 1914 - 1991. No livro, ele afirma que o século XX começou em 1914 , com a I Guerra Mundial, e terminou em 1991, com o desfazimento da União Soviética. Outra obra importante é Globalização, Democracia e Terrorismo
Lições - Em uma conferência realizada em agosto de 1995 no Masp, o historiador apresentou as suas três lições aos jovens historiadores que investigam e pesquisam fatos do passado: devem procurar saber algo do acontecido antes de fazer a pesquisa; devem saber que a memória dos protagonistas falhará sobre os pontos isolados da História; e devem reconhecer a inutilidade de tentar mudar as ideias e os ideais dos participantes dos acontecimentos.
A última vez que Hobsbawn esteve no Brasil foi em 2003, para participar da Flip.
(Com agência EFE)
 


Processo de secretário tucano é gota d’água que leva ao fim de um blog corajoso e independente: o Blog do Pannunzio 
Ricardo Setti - VEJA 
O jornalista Fabio Pannunzio: coragem agora fora do ar (Foto: band.com.br)
Jornalista corajoso que não escolhe partido nem filiação ideológica de quem precisa mostrar cometendo mazelas, Fabio Pannunzio manteve por três anos, às suas custas, um blog que deu muita dor de cabeça ao lulo-petismo e o transformou em um dos alvos preferenciais da mídia chapa-branca.
Por amarga ironia, a gota d’água que o levou a declarar encerrados os trabalhos do blog na quarta-feira, 26, pelas razões que explica abaixo, partiu não do lulo-petismo, mas de uma figura de proa do governo tucano de São Paulo.
Jornalistas independentes, como eu, mesmo eventualmente discordando de Pannunzio aqui e ali, estão de luto pelo fim de seu blog. Leiam a nota de despedida:
O fim do Blog do Pannunzio
Este é o último post do Blog do Pannunzio. Escrevo depois de semanas de reflexão e com a alma arrasada — especialmente porque ele representa um vitória dos que se insurgem contra a liberdade de opinião e informação.
O Blog nasceu em 2009. Veiculou quase oito mil textos. Meu objetivo era compor um espaço de manifestação pessoal e de reflexão política. Jamais aceitei oferta de patrocínio e o mantive exclusivamente às expensas do meu salário de repórter por achar que compromissos comerciais poderiam conspurcar sua essência.
Ocorre que, em um País que ainda não se habituou à crítica e está eivado de ranços antidemocráticos, manter uma página eletrônica independente significa enfrentar dificuldades que vão muito além da possibilidade individual de superá-las.
Refiro-me às empreitadas judiciais que têm como objetivo calar jornalistas que não se submetem a grupos politicos, ou a grupos dei interesse que terminaram por transformar a blogosfera numa cruzada de mercenários virtuais.
Até o nascimento do Blog, enfrentei um único processo judicial decorrente das milhares de reportagens que produzi para a televisão e o rádio ao longo de mais de três décadas. E ganhei.
Do nascimento do blog para cá, passei a responder a uma enxurrada de processos movidos por pessoas que se sentiram atingidas pelas críticas aqui veiculadas. Alinho entre os algozes o deputado estadual matogrossense José Geraldo Riva, o maior ficha-suja do País; uma quadrilha paranaense de traficantes de trabalhadores que censurou o blog no fim de 2009; e o secretário de segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, cuja orientação equivocada acabou por transformar a ROTA [unidade de elite da Polícia Militar de São Paulo] naquilo que ela era nos tempos bicudos de Paulo Maluf.
A gota d`água foi uma carta que recebi do escritório de advocacia que representa Ferreira Pinto num processo civil, que ainda não conheço, comunicando decisão liminar de uma juíza de primeiro grau que determinou a retirada do ar de um post cujo título é “A indolência de Alckmin e o caos na segurança pública”. O texto contém uma crítica dura e assertiva sobre os desvios da política adotada pelo atual secretário e pelo governador, mas de maneira alguma contém afirmações caluniosas, injuriosas ou difamatórias.
A despeito dessa convicção, o post já foi retirado do ar. Determinação judicial, no entendimento deste blogueiro, á para ser cumprida. Vou discuti-la em juízo assim que apresentar minha defesa e tenho a convicção de que as pretensões punitivas de Antônio Ferreira Pinto não vão prosperar.
Ocorre que o simples fato de ter que constituir um advogado e arcar com o ônus financeiro da defesa já representa um castigo severo para quem vive exclusivamente de fontes lícitas de financiamento, como é o meu caso. E é isso o que me leva à decisão de paralisar o Blog. A cada processo, somente para enfrentar a fase inicial, há custos que invariavelmente ultrapassam cinco ou dez mil reais com a contratação de advogados — e ainda assim quando os honorários são camaradas.
É por estas razões que esta página eletrônica vai entrar em letargia a partir de agora. O espaço vai continuar aqui, neste endereço eletrônico. O acervo produzido ao longo dos últimos quatro anos continuará à disposição dos internautas para consulta. E eventualmente, voltarei a dar meus pitacos quando entender que isso é necessário. Mas a produção sistemática de textos está encerrada.
Espero voltar a esta atividade quando perceber que o País está maduro a ponto de não confundir críticas políticas com delitos de opinião. Quando a manifestação do pensamento e a publicação de fatos não enseje entre os inimigos da liberdade de imprensa campanhas monstruosas como esta que pretende ’kirsnhnerizar’ o Brasil, trazendo de volta o obscurantismo da censura prévia.
Por fim, digo apenas que essa pressão judicial calou o blog, mas não conseguiu dobrar a opinião do blogueiro. E que me sinto orgulhoso por ter conseguido cumprir o compromisso que me impus de respeitar a opinião alheia mesmo quando ela afronta a do editor. Aqui, nunca houve censura a comentários dos leitores que discordavam da minha maneira de ver o mundo. E esta é minha prova de apreço pela liberdade de expressão — inclusive quando ela me desfavorece.
A vocês que me acompanharam deixo meu muito obrigado. A gente vai continuar se encontrando em outra seara, a da televisão.
Muito obrigado. E até breve.


Candidatos favoritos de Lula enfrentam reta final difícil
Só 4 do grupo de 10 que tiveram ex-presidente no palanque lideram disputa
Julgamento do caso do mensalão no STF foi uma das causas citadas para mau desempenho de candidatos petistasCATIA SEABRA, KÁTIA BRASIL E NELSON BARROS NETO - FSP
Candidatos a prefeito pelos quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenhou pessoalmente nas últimas semanas, participando de comícios e programas de TV, chegaram à reta final da campanha eleitoral enfrentando várias dificuldades.
Em sua primeira campanha após deixar o governo com uma aprovação popular de 83%, Lula apareceu no palanque de apenas dez candidatos a prefeito na campanha deste ano. Somente quatro deles lideram a disputa eleitoral em suas cidades.
Outros quatro candidatos pelos quais o ex-presidente se empenhou têm chance de chegar ao segundo turno da eleição, mas ainda aparecem nas pesquisas muito distantes dos candidatos que estão em primeiro lugar na corrida.
Em duas cidades visitadas por Lula, Campinas (SP) e Feira de Santana (BA), os candidatos que ele apóia não parecem ter nenhuma chance, de acordo com as pesquisas.
Lula havia previsto um périplo por palanques de seis aliados no Nordeste, mas na última semana decidiu concentrar esforços na campanha de Fernando Haddad (PT) em São Paulo -que briga com José Serra (PSDB) por uma vaga no segundo turno.
Em Recife, abandonou Humberto Costa, o nome escolhido pelo PT para desafiar o candidato do governador Eduardo Campos (PSB). Humberto, que liderava a corrida no início, hoje é o terceiro colocado e corre o risco de ficar fora do segundo turno.
Lula demorou para entrar na campanha porque precisava se recuperar do tratamento do tumor descoberto em sua laringe no ano passado. Os efeitos colaterais do tratamento da doença impediram que ele cumprisse uma agenda muito intensa.
Na avaliação da cúpula do PT, que recentemente se reuniu para discutir as eleições, o mau desempenho do partido está ligado em parte ao impacto negativo do julgamento do mensalão, em curso no Supremo Tribunal Federal.
Os petistas também afirmam que a alta aprovação do governo Dilma Rousseff rende benefícios eleitorais para todos os partidos aliados ao governo, que são adversários do PT em algumas cidades.
Em Belo Horizonte, o PT enfrenta o PSB. Lula esteve no palanque de Patrus Ananias (PT), que corre o risco de ver Marcio Lacerda (PSB) ser reeleito em primeiro turno.
Manaus foi a única cidade em que Lula apareceu para apoiar um concorrente não petista. Vanessa Grazziotin (PC do B) disputa com o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), antigo desafeto de Lula.

O JUDICIÁRIO BRASILEIRO AINDA VAI ACABAR COM A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E PENSAMENTO

Justiça manda prender outro diretor do Google, que obtém habeas corpus
Textos em blog contra prefeita de Ribeirão originaram ordem de prisão
GABRIELA YAMADA - FSP
O diretor financeiro do Google Brasil, Edmundo Luiz Pinto Balthazar, obteve habeas corpus preventivo contra mandado de detenção por desobediência a ordem judicial feito pelo juiz eleitoral Sylvio Ribeiro de Souza Neto, de Ribeirão Preto (SP).
A medida foi concedida pelo desembargador do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo Antônio Carlos Mathias Coltro no sábado, um dia após ele ter negado pedido de liminar em mandado de segurança no mesmo processo.
O juiz de Ribeirão já se manifestou sobre a decisão e acatou a decisão do tribunal.
Na última sexta, Ribeiro Neto determinou a detenção de Balthazar porque o Google não havia retirado do blog do jornalista Márcio Francisco seis textos considerados ofensivos à prefeita de Ribeirão Dárcy Vera (PSD), candidata a reeleição.
A decisão do juiz é do dia 13 e Ribeiro Neto concedeu um prazo de 24 horas para a suspensão dos textos.
LIBERDADE
A defesa do Google recorreu da decisão sobre a detenção afirmando, entre outros argumentos, que os textos no blog devem ser considerados como "exercício da liberdade de expressão e de pensamento" e que é impossível se responsabilizar pelo conteúdo.
No indeferimento da liminar, o desembargador afirma que "para a manutenção das liberdades é que são necessárias medidas de contenção de abusos e excessos".
Coltro afirmou ainda que a sanção é decorrente de descumprimento da decisão do juiz, e não pelos textos.
No entanto, após um novo escritório de advogados pedir a concessão do habeas corpus a Balthazar, o desembargador voltou atrás de sua decisão.
A Folha não teve acesso aos argumentos de Coltro.
Questões de estilo
Joaquim Barbosa, no plenário do STF, e Teori Zavascki, em sabatina no Senado, adotam atitudes que podem afetar o prestígio da instituição
FSP - Editorial
Órgãos colegiados da Justiça se beneficiam da multiplicação de pontos de vista dos magistrados, que reforça sua imparcialidade.
Em cortes superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF), o benefício é potencializado pela sabedoria acumulada pelo jurista ao longo da carreira que o conduziu ao ápice do Poder Judiciário.
Nem sempre o estilo pessoal do magistrado robustece a instituição. Dois comportamentos de ministros -um em plena atividade, outro em fase de confirmação pelo Senado-, no contexto do julgamento do mensalão pelo Supremo, infelizmente suscitam preocupação.
O primeiro caso afeta o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, que passará a presidir o STF no fim do ano. O rigor e o vigor de seu voto são indissociáveis da personalidade combativa, um traço de caráter que ultimamente tem beirado a animosidade.
Nada há de errado em defender com convicção um ponto de vista. Espera-se do colegiado que decida como tal, pelo debate e pelo convencimento, e não só pela resultante de votos isolados e estanques. No entanto a precondição do diálogo é deixar falar -e ouvir.
Não é essa a disposição que algumas intervenções do relator têm projetado no STF. Sobretudo quando interrompem o revisor, ministro Ricardo Lewandowski, elas parecem motivadas mais por inconformismo a priori com o dissenso -e podem facilmente ser confundidas com tentativas de intimidação.
Essa atitude tem produzido algumas trocas de palavras constrangedoras entre os ministros da corte, o que decerto não contribui para fixar a imagem de um processo ponderado (em contraste com a densidade técnica dos votos).
Não por acaso, Barbosa tem sido admoestado por seus pares. Contudo, o ministro Marco Aurélio Mello, que também não prima pelo comedimento, foi longe demais ao se dizer preocupado, em entrevista, com a chegada de Barbosa à presidência do STF.
Tampouco se pode compreender -e muito menos aceitar- o aspecto evasivo das respostas, em arguição no Senado, do novo ministro do STF indicado pela presidente Dilma Rousseff, Teori Zavascki.
Instado por senadores oposicionistas a se definir diante da hipótese de participar do processo em andamento, Zavascki evitou dar resposta inequívoca. Buscou, ainda, revestir a recusa com uma pátina de indignação, como se o questionamento implicasse suspeita sobre sua conduta pessoal.
Não era o caso. Mas seu comportamento revelou-se decepcionante: um futuro ministro do STF que se escuda em argumento frágil, no contexto -o impedimento de comentar processos em curso.
Ora, um recém-chegado declarar-se inabilitado para julgar o complexo mensalão, como sugere o bom-senso, não implica qualquer prejulgamento sobre o caso. Mas explicitaria mais sobre suas inclinações do que Zavascki se mostrou disposto a demonstrar.
STF deve encerrar polêmica sobre compra de votos hoje
Quatro ministros já disseram que objetivo do esquema era corromper Congresso
Julgamento de Dirceu, Genoino e Delúbio pode começar na quarta, mas só deve acabar depois das eleições de domingo
RUBENS VALENTE, MÁRCIO FALCÃO E FLÁVIO FERREIRA - FSP
A sessão de hoje do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) poderá pôr um ponto final numa das principais controvérsias do escândalo, definindo se o objetivo do esquema era mesmo a compra de apoio político no Congresso ou não.
Os políticos que receberam dinheiro do esquema organizado pelo PT e pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza dizem que o objetivo do mensalão era financiar campanhas eleitorais, e não corromper parlamentares.
Na quinta-feira passada, o julgamento foi interrompido depois que o STF alcançou maioria de votos suficiente para condenar o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que revelou a existência do esquema à Folha há sete anos, e outros líderes partidários por corrupção passiva.
Seis dos dez ministros do STF já apresentaram seus votos. Na sessão de hoje, deverão votar os ministros Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto, que preside o tribunal.
Ao julgar os beneficiários do mensalão, os ministros que já votaram disseram que o destino do dinheiro não importa para caracterizar o crime de corrupção passiva. Basta demonstrar que os políticos receberam o dinheiro, ou seja, uma vantagem indevida, disseram os ministros.
Apesar disso, a discussão sobre o objetivo do esquema tem relevância histórica e política. Se a maioria dos ministros caracterizarem o mensalão como um esquema de compra de apoio no Congresso, a mais alta corte do país terá derrubado a principal tese defendida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos réus do processo desde o início do escândalo.
Se o julgamento dos políticos que receberam dinheiro do esquema for concluído hoje, o Supremo começará a julgar na quarta-feira o ex-ministro José Dirceu e os dois ex-dirigentes do PT acusados de organizar o mensalão, José Genoino e Delúbio Soares.
A condenação de Dirceu e dos outros dois petistas pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, é considerada certa, mas dificilmente haverá tempo nesta semana para todos os demais ministros lerem os seus votos.
O mais provável é que essa etapa do julgamento seja concluída na semana que vem, depois do primeiro turno das eleições de domingo.
APARTES
Na última sessão do julgamento no Supremo, Joaquim Barbosa e os ministros Luiz Fux e Gilmar Mendes deixaram claro que, na sua opinião, a compra de votos era o objetivo do mensalão. Ayres Britto ainda não votou, mas em dois apartes expressou concordância com a tese.
As ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia condenaram os líderes políticos acusados de corrupção passiva, mas preferiram não entrar no mérito da discussão sobre a compra de apoio parlamentar.
O ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, caracterizou o esquema como um sistema de pagamento de dívidas eleitorais por meio de caixa dois, dando razão aos réus do mensalão.
A tendência é que Toffoli também expresse concordância com a tese da defesa hoje. Marco Aurélio e Celso de Mello indicaram em outras oportunidades que concordam com a tese da acusação.
Em aparte na sessão da quinta-feira, Celso de Mello disse que o crime de corrupção passiva está sempre ligado a um ato que se inclui na esfera "das atribuições funcionais" do agente público.
"No âmbito do Parlamento, o ato de ofício do congressista é por excelência o ato de votar, ainda que de plena orientação de sua bancada", afirmou o ministro.
Embora ainda não tenha dito com clareza o que pensa do assunto, a ministra Rosa Weber também indicou apoiar a tese da compra de votos. Durante a última sessão, ela disse que acompanhava "na íntegra" o voto de Barbosa, que havia dito não haver "qualquer dúvida quanto à existência do esquema de compra de votos a essa altura desse julgamento".
No intervalo da sessão, a Folha indagou à ministra se ela também concordava com a tese da compra de apoio parlamentar. Rosa Weber apenas repetiu: "Adoto integralmente a tese do relator".
A absolvição da política
O Estado de S.Paulo - Editorial
Não menos importantes do que a maioria de votos já alcançada para condenar nove políticos por corrupção passiva, dois fatos se sobressaíram na 29.ª jornada do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira. Um foi a consolidação, ao que tudo indica irreversível, da tendência da Corte de rejeitar a balela lançada em desespero de causa pelos cabeças do esquema e endossada pelo ainda presidente Lula de que o PT usou "recursos não contabilizados" - o afamado caixa 2 - para suprir os cofres de partidos da coligação vitoriosa nas eleições de 2002 e atrair outros para a coalizão governista. Tudo se limitaria a um malfeito eleitoral, como se faz "sistematicamente" no País, no inesquecível dar de ombros de Lula. O outro fato foi a absolvição da política.
Em votos e em apartes, quatro dos dez ministros presentes - incluindo o presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto - manifestaram a certeza de que o mensalão consistiu, como desde sempre sustentou a acusação, em usar dinheiro público lavado para a compra de apoio parlamentar ao Planalto, mediante a migração coordenada de deputados para os partidos da base aliada e pelos seus votos favoráveis aos projetos oficiais. "Se o dinheiro é público", raciocinou Britto, "não há como falar em caixa 2." Está claro que o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, fracassa a olhos vistos na tentativa de persuadir os seus pares de que a tese da Procuradoria-Geral da República, respaldada pelo relator da matéria no STF, Joaquim Barbosa, não passa de "mera inferência ou simples conjectura".
Os ministros que condenaram anteontem o delator do mensalão, Roberto Jefferson (que acaba de se licenciar da presidência do PTB), o deputado Valdemar Costa Neto, do PR, antigo PL, além de quatro ex-deputados, assessores e dirigentes dessas legendas, mais o PP e o PMDB, poderiam tê-lo feito sem entrar nas razões por que receberam boladas do valerioduto, a mando do tesoureiro petista Delúbio Soares. Afinal, a obtenção de vantagem indevida configura o crime de corrupção passiva, qualquer que seja o motivo da paga e o destino dado à propina. Mas o ministro Luiz Fux, por exemplo, fez questão de assinalar que "o receber de dinheiro ilícito não tem nenhuma semelhança com não escriturar as contas (de campanhas eleitorais)".
É altamente provável que a convicção da compra de apoio político também fundamente as posições dos ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e do próprio Britto, que só votarão neste capítulo do julgamento na segunda-feira (quando Dias Toffoli, de seu lado, concluir o seu veredicto). Com isso, ficará assente de uma vez por todas que o mensalão não foi um acerto espúrio entre partidos, mas a expressão de uma política deliberada do governo Lula - que só cessou quando interesses contrariados levaram o deputado Roberto Jefferson a denunciar o escândalo. O mensalão foi a solução tóxica para as instituições democráticas encontrada pelos homens do então presidente, com ou sem o seu concurso, para um problema real do sistema político brasileiro: a assimetria entre a votação do candidato vitorioso do Planalto e a dos candidatos de seu partido à Câmara dos Deputados, o que obriga o eleito a construir com outras siglas a maioria parlamentar de que não pode prescindir.
A abordagem dessa questão estrutural pela ministra Cármen Lúcia foi o momento marcante, acima mencionado, da sessão de anteontem no STF. Ao condenar todos os dez políticos acusados de corrupção passiva, ela reconheceu que "um governo que não tenha maioria parlamentar tende a não se sustentar". Nem por isso se pode ser indiferente aos meios adotados pelos governantes para obtê-la, argumentou, fazendo uma consistente defesa da política e uma apaixonada exortação aos jovens para que não se deixem levar pela descrença na democracia. Processos contra políticos corruptos devem estimular não a desesperança, mas o otimismo, observou. "Eu não gostaria", disse de coração aberto, "que, a dez dias da eleição, o jovem brasileiro desacreditasse da política por causa do erro de um ou de outro."
Era o que precisava ser afirmado no julgamento do mensalão.



Dois mil americanos já foram mortos no Afeganistão

Número cresceu nos últimos meses, com ataques de policiais e soldados afegãos

AE - Agência Estado
CABUL - O número de norte-americanos mortos na guerra do Afeganistão alcançou 2 mil, num conflito iniciado há 11 anos que agora atrai pouca atenção da opinião pública, à medida que os EUA se preparam para retirar a maior parte de suas tropas do país até o fim de 2014.
O número de mortos cresceu nos últimos meses, com ataques de policiais e soldados afegãos, supostamente aliados, contra militares norte-americanos e das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar liderada pelos EUA). Esses ataques levantaram dúvidas sobre se as tropas de ocupação estrangeira conseguirão cumprir o objetivo de ajudar o governo afegão a ser capaz de se manter por si mesmo depois da retirada, daqui a pouco mais de dois anos.
Neste domingo, 30, um oficial dos EUA confirmou a morte mais recente, ao revelar que era norte-americano um soldado das forças de ocupação morto no sábado no leste do país, aparentemente por um militar afegão. Dois soldados afegãos e um civil a serviço das forças da Otan também foram mortos nesse ataque, de acordo com um comunicado da coalizão e informes de funcionários provinciais afegãos. A nacionalidade do civil não foi revelada.
Além dos 2 mil norte-americanos mortos desde que a guerra no Afeganistão começou, em 7 de outubro de 2011, pelo menos outros 1.190 militares de outros países que participam das forças de ocupação também morreram, segundo dados da icasualties.org, um grupo independente que acompanha o conflito.
O centro de pesquisas conservador norte-americano Brookings Institution diz que cerca de 40% das mortes de norte-americanos no Afeganistão foram provocadas por "artefatos explosivos improvisados (IEDs). A maioria das mortes aconteceu depois de 2009, quando o presidente Barack Obama aumentou em 33 mil o número de soldados norte-americanos no Afeganistão. Naquela ocasião, o número de soldados dos EUA naquele país elevou-se a 101 mil, o maior de todo o conflito até agora. A segunda maior causa de mortes de norte-americanos, tiros disparados por forças hostis, respondeu por 31% delas.
Acompanhar as mortas de civis afegãos é mais complicado; de acordo com a ONU, 13.431 deles foram mortos entre 2007, quando as agências das Nações Unidas começaram a registrar essas estatísticas, e o fim de agosto deste ano. A maioria das estimativas sobre o número de civis mortos desde o começo da invasão norte-americana está na casa de pouco mais de 20 mil.
A invasão aconteceu pouco depois dos ataques da rede terrorista Al Qaeda contra Washington e Nova York, em 11 de setembro de 2001, que deixaram quase 3 mil mortos. O objetivo era derrubar do poder o governo afegão liderado pelo grupo radical islâmico Taleban, que dava abrigo à Al Qaeda e a seu líder, o saudita Osama bin Laden.
Cabul caiu em poucas semanas e o regime do Taleban foi derrubado com poucas baixas entre as forças dos EUA, mas o governo do então presidente George W. Bush em seguida voltou suas atenções para o Iraque de Saddam Hussein, o que deixou as forças de ocupação no Afeganistão com recursos reduzidos. Com isso, o Taleban e seus aliados se reagruparam e passaram a representar uma ameaça mais séria a partir de 2006.
Com a posse de Obama, em 2009, o volume de tropas dos EUA no Afeganistão foi aumentado e o número de mortes cresceu, mas a opinião pública norte-americana mostrou cansaço crescente com o conflito, especialmente depois da retirada da maior parte das tropas dos EUA do Iraque, no fim de 2011. A guerra no Iraque, iniciada em abril de 2003 a pretexto de supostas ligações entre o regime de Saddam Hussein com a Al Qaeda (inexistentes) e da suposta posse de armas de destruição em massa (também inexistentes), deixou cerca de 4.500 militares norte-americanos mortos; as estimativas sobre iraquianos mortos estão na casa do meio milhão.
"No Afeganistão, a contagem é modesta, pelos padrões históricos das guerras, mas cada baixa é uma tragédia, e 11 anos são tempo demais. Mas tudo isso foi absorvido por um público norte-americano que tem acompanhado essa campanha há bastante tempo. O que tem sido mais noticiado agora são os ataques ''de dentro'', e o sento de desesperança que eles têm provocado", comentou o pesquisador Michael O''Hanlon, da Brookings Institution.
No Afeganistão, os ataques "de dentro", por parte de soldados ou policiais afegãos, ou por insurgentes disfarçados, causaram 52 mortes entre as forças de ocupação da Otan desde o começo de 2012. Esses ataques são considerados uma das ameaças mais sérias á estratégia de retirada dos EUA. Essa estratégia tem se apoiado no treinamento de forças afegãs para que elas assumam o combate ao Taleban e a responsabilidade pela segurança do país depois da saída das forças de ocupação.
Embora Obama tenha prometido que a maioria das forças de combate dos EUA deixará o Afeganistão até o fim de 2014, as mortes de militares da Otan no país continuam a acontecer ao ritmo de uma por dia. Mesmo com a retirada de 33 mil soldados norte-americanos, as forças de ocupação ainda terão cerca de 108 mil militares no Afeganistão ao fim deste ano, 68 mil deles dos EUA.
"Esse é um desafio para o governo: lembrar as pessoas, em face de tantas más notícias do motivo pelo qual essa campanha requer mais perseverança", disse O''Hanlon.
As informações são da agência Associated Press  
Incertezas do futuro da Itália comprometem os caminhos da Europa
Bill Emmott -Prospect
Esse é um drama político, econômico e moral estranho, mas muito atraente. Estranho, porque os principais protagonistas não são os políticos convencionais: eles são um professor, um comediante cabeludo e um contador de piadas bilionário. Atraente porque o país é a Itália, a terceira maior economia da zona do euro e dona da terceira maior dívida pública do mundo. E é um drama porque a forma como a história se desenrolar irá determinar o destino do euro e, também, se o mundo seguirá cambaleando em direção à recuperação ou se cairá de vez na depressão econômica.
Quando essa história começou? Para a maioria das pessoas, foi em novembro do ano passado, quando um forte aumento nos custos para a tomada de empréstimos por parte da Itália - num processo atabalhoado de cortes no orçamento que durou quatro meses e nunca ocorreu realmente -, além da deserção dos aliados do governo no legislativo, levaram à renúncia do primeiro-ministro de Silvio Berlusconi -o playboy bilionário que dirigiu o governo da Itália durante oito dos últimos dez anos. O presidente da república, Giorgio Napolitano, nomeou para o lugar de Berlusconi um professor de renome internacional e ex-comissário europeu, Mario Monti, para reger o que os italianos chamam de "governo técnico", que é formado principalmente de colegas professores de Monti.
Fora da Itália, a ascensão repentina de Monti - a partir de seu antigo e tranquilo cargo como presidente de uma universidade privada de negócios em Milão - cheirou à manobra antidemocrática. Afinal de contas, Monti foi colocado às pressas no parlamento e ganhou o cargo de senador vitalício.
No entanto, poucos italianos consideraram essa situação problemática: a praça diante do palácio presidencial em Roma, o Quirinale, recebeu multidões que comemoraram a queda de Berlusconi. Um filme que mostra uma orquestra improvisada e um coral cantando a "Aleluia", de Handel, se tornou viral no YouTube.
Essa era uma imagem maravilhosamente apropriada: aleluias desejando uma boa viagem a um governo mergulhado em escândalos, que transformaram a Itália em motivo de chacota internacional. E aleluias para celebrar a chegada de um novo messias, Mario Monti, que veio para salvar a Itália de seus pecados.
Mas a história não começou em novembro passado. Ela começou há 20 anos, quando a Itália passou por uma crise financeira e política da qual ainda não se recuperou: à época, a lira se desvalorizou e teve que ser eliminada do então Mecanismo de Câmbio Europeu sob o peso - da mesma forma que agora - da dívida soberana do país, que totalizava 120% da produção nacional. E o antigo sistema político também foi eliminado da política sob o peso do "Mani Pulite", ou "Mãos Limpas", escândalo de corrupção que destruiu os dois partidos que governavam a Itália havia meio século: os democrata-cristãos e os socialistas.
Adivinhem qual foi a resposta que surgiu em 1992: um governo técnico - na verdade dois governos ou, de acordo com algumas definições políticas, três. Primeiro veio Giuliano Amato, um político de ar professoral. Em seguida, Carlo Azeglio Ciampi, presidente do Banco da Itália e, finalmente, Lamberto Dini, um ex-diplomata. Todos procuraram introduzir um rápido conjunto de reformas na esperança de colocar a Itália novamente no caminho certo.
É por isso que os italianos não consideram antidemocrática a administração de Monti. Eles viram esse tipo de governo antes e se sentem confortáveis em considerá-lo perfeitamente constitucional. Mas o que eles também sabem é que, há 20 anos, esse tipo de governo não funcionou. Desde então, a corrupção piorou e a dívida alcançou novamente o patamar de 120% da produção do país. Por isso, as perguntas que eles fazem agora são diferentes: por que esse tipo de governo funcionaria agora? E qual tipo de novos políticos e de política surgirão para preencher esse vácuo?
Essas também são as perguntas que Monti está se fazendo. Ele sabe que a Itália precisa de uma revolução, de uma transformação drástica nas esferas judicial, política e econômica e, mais do que isso, ele sabe que o país precisava dessas mudanças 20 anos atrás - mas elas não aconteceram. No entanto, ele também precisa ficar sabendo de outras três coisas: que o seu período no cargo de primeiro-ministro será de, no máximo, 16 meses antes da realização das próximas eleições, que devem ser ocorrer até abril de 2013, e que as revoluções realizadas em outros países, como aquela comandada pela ex-ministra britânica Margaret Thatcher e por outros governantes, demoraram, pelo menos, entre cinco e dez anos. Monti também precisa saber que as revoluções são geralmente lideradas por indivíduos carismáticos e durões e que, apesar de ele ser durão, ele certamente não é carismático - e que, após suas medidas de austeridade terem prejudicado sua popularidade, os políticos estão tramando para tomar seu lugar.
Entre os principais interessados no lugar de Monti estão dois políticos cujo estilo e cujas ideias são um anátema a esse professor cauteloso, pró-europeu e profundamente católico: Beppe Grillo e Berlusconi. Grillo, comediante que virou ativista político e exibe uma vasta cabeleira encaracolada e grisalha, é um showman cujo Movimento Cinco Estrelas, de oposição, está assustando os principais partidos políticos após vencer as eleições para prefeito e abocanhar uma preferência de 20% nas pesquisas de opinião nacionais. Mas, mais importante do ponto de vista de Monti é o fato de Grillo, além de desejar o fim de todos os partidos políticos estabelecidos, ter como política principal a saída da Itália do euro.
O mundo já sabe o suficiente sobre Berlusconi, o homem cuja saída do governo, forçada pelos mercados de bônus, permitiu que Monti "salvasse" o país. As pessoas também sabem que Berlusconi não é oficialmente um comediante, mas sim um bilionário da mídia cujas piadas e cujo estilo de vida burlesco levaram muitos a cometer o erro de subestimá-lo durante os 18 anos que passou na política. Alguns até foram enganados e levados a crer na declaração pós-renúncia do ex-primeiro ministro, segundo a qual ele planejava sair da linha de frente da política – e que, desde então, se mostrou como uma de suas piadas mais engraçadas.
Muito menos engraçada é a busca pela fórmula populista que poderia alçá-lo de volta ao seu papel de fazedor de líderes políticos no país. Pois é a Grillo e a Berlusconi a quem Monti se refere quando tem alertado os outros líderes da União Europeia a respeito dos perigos que um clima político antieuro e contra a Alemanha que pode estar se avolumando na Itália.
Grillo e Berlusconi jamais poderiam formar uma aliança. Mas o que eles têm em comum são dois pontos perigosos: um talento enorme para fazer campanhas políticas e um ceticismo em relação ao euro. Berlusconi, cujo partido Povo da Liberdade, de direita, deveria apoiar o governo Monti, só tem flertado com medidas de oposição ao euro. Até agora, os membros do Povo da Liberdade têm dito simplesmente que as conversações a respeito de um retorno à lira "não devem ser consideradas uma blasfêmia". Mas o principal jornal da família Berlusconi, o conservador Il Giornale, dedicou sua primeira página, no início de agosto, a um ataque à chanceler alemã, Angela Merkel, no qual descreveu a Alemanha como "O Quarto Reich".
Para Monti, essa agitação antieuro é um perigo e um trunfo ao mesmo tempo. É um perigo porque ele está tentando definir um novo rumo para a Itália, que combina austeridade fiscal e liberalização do mercado, que exige sacrifícios até mesmo em um momento em que a recessão que assola o país gera um aumento na taxa de desemprego (hoje próxima dos 11% da força de trabalho) e uma queda na renda familiar. A última coisa que Monti precisa é que esse trabalho tão delicado seja minado por discursos políticos estridentes e demagógicos.
No entanto, essa agitação também é um trunfo para as relações de Monti com a Alemanha e com outros países credores da zona do euro. Monti pode dizer a eles: se vocês não me apoiarem e não apoiarem as minhas virtuosas políticas fiscais, ajudando a reduzir os custos do meu governo com a tomada de empréstimos, vejam que forças políticas vocês podem ter no meu lugar. Observar partidos extremistas como o Syriza e o Golden Dawn ganharem popularidade em um pequeno país como a Grécia é ok. Mas imagine as consequências se a política italiana sair do controle: seria como se uma avalanche enorme atingisse o euro.
Esse é um equilíbrio difícil de atingir para um homem que nunca concorreu a um cargo eletivo (e que não pretende fazê-lo), que não é respaldado por nenhuma organização política e cujo tempo de mandato é muito limitado.
Ainda assim, as especulações a respeito de uma vida política para Monti são abundantes e vão muito além da eleição geral. O principal boato que tem circulado é que ele tentará substituir Napolitano quando o mandato do presidente terminar, em maio próximo. O ocupante desse cargo - que é em grande parte cerimonial, mas que detém certo poder - é eleito pelas duas câmaras do parlamento.
Os outros boatos giram entorno da probabilidade de Monti quebrar sua promessa de não permanecer no cargo de primeiro-ministro após as próximas eleições. Ele pode tentar fazer isso saindo formalmente como o principal candidato ao cargo à frente de uma coalizão de partidos ou aceitando um convite para fazê-lo depois das eleições - caso a coalizão vencedora assim solicitasse.
A maioria suspeita que, se uma oportunidade de ficar no cargo surgir, Monti a agarrará. A tarefa que ele tem que cumprir no momento é simplesmente difícil demais, e os riscos são muito elevados. A Itália pode ser eliminada do euro caso a política adotada por Monti se mostre pouco amistosa em relação à Alemanha e se os mercados concluírem que a economia do país tem poucas chances de ser reformada.
Monti, que serviu dois mandatos como comissário europeu (1995-2004) não vai ficar sentado esperando que isso aconteça. Mas ele está dolorosamente consciente de que seu governo técnico não pode, por falta de tempo, ser o verdadeiro instrumento de mudança que a Itália precisa. Ele tem que preparar o terreno para uma transformação que seria realizada num prazo muito mais longo.
Quando Monti assumiu o governo, após a série de escândalos nos quais Berlusconi se envolveu, a maioria dos observadores fez comentários sobre os contrastes de personalidade entre os dois homens: a Itália estava passando das mãos de um homem visivelmente entediado pelas questões econômicas para as mãos de alguém que tem dedicado sua vida a elas. O país estava passado do comando de um divorciado louco por organizar festas "bunga bunga" com garotas adolescentes para o controle de um tranquilo monógamo.
Agora, no entanto, são os contrastes políticos que mais importam. Berlusconi governou por meio de anúncios drásticos e de comícios públicos, apesar de realmente ser um primeiro-ministro que não fazia nada. Monti acredita que devagar se vai ao longe - e que esse ritmo pode trazer a vitória no final da corrida. Os líderes estrangeiros mais frequentemente visitados por Berlusconi eram o russo Vladimir Putin e Muamar Kadafi, da Líbia. O líder que Monti mais visita é o Papa Bento 16.
Não há dúvida de que isso reflete a fé católica de Monti. No entanto, essa postura visa gerar uma conclusão adicional: que o papel que Monti gostaria de desempenhar na Itália, no longo prazo, para assegurar a transformação política e econômica que ele deseja, é parecido com o do papa, ainda que de forma secular - ele agiria como um guia severo, mas tranquilo, nos bastidores - embora ocasionalmente pudesse aparecer na varanda.
Para fazer isso seria necessário ter resistência e tenacidade. Não há dúvida de que Monti tem a última qualidade. Quando ele era comissário europeu para políticas de concorrência, ele demonstrou ser muito tenaz ao enfrentar gigantes multinacionais como a Microsoft e a General Electric.
Mas Monti definitivamente não é nem carismático nem franco. Ele é um homem inteligente, com um senso de humor inusitado. Mas esse tipo de humor parece não ser muito eficiente para as comunicações com o público.
Além disso, como a maioria dos professores, ele parece ser um tanto insensível em relação à opinião pública. Quando um escândalo de manipulação de resultados de jogos de futebol foi descoberto no principal campeonato italiano, além de condenar com razão a má conduta por motivos morais, Monti sugeriu que o campeonato fosse suspenso por dois ou três anos. O político responsável por reduzir o pão dos cidadãos por meio de suas políticas fiscais austeras também estava propondo que o "circo" mais popular do país também tivesse suas apresentações suspensas. A declaração não caiu bem.
Quando se trata da política fiscal italiana, no entanto, Monti assumiu um controle rígido, cortando gastos, aumentando de impostos, reforçando a campanha contra a evasão de divisas e adiantando para 2014 a meta anterior do governo de Berlusconi de equilibrar o orçamento. Mas ele deve estar decepcionado com o fato de os mercados financeiros não terem se mostrado mais impressionados por seus esforços: embora a Itália seja o único país da zona euro que tem seguindo as regras do novo tratado fiscal do bloco - apesar de se encontrar em dificuldades e de ter um déficit anual de meros 2,7% do produto interno bruto -, o país ainda tem visto os rendimentos dos títulos de seu governo subirem constantemente rumo ao perigoso território que fica além dos 7%.
Um motivo para que isso esteja ocorrendo é a recessão do país: as mais recentes previsões de consenso apontam que a economia do país encolherá 2,1%. Outro motivo é a preocupação generalizada sobre a estabilidade da zona euro: se a saída da Grécia do bloco de países também causasse uma corrida aos títulos espanhóis, o contágio inevitavelmente se espalharia para a Itália e, por isso, os investidores estão precificando esse risco. O terceiro motivo é o discurso antieuro de Grillo, que Berlusconi está fomentando. Mas há uma quarta e mais importante razão: a ausência crônica de crescimento econômico na Itália. A menos que os mercados comecem a acreditar que essa situação pode mudar, a dívida soberana italiana de 120% do PIB, que totaliza € 2 trilhões (US$ 2,6 trilhões), sempre vai representar um risco.
A receita para a transformação do país baseia-se principalmente na economia e na aplicação das normas do Estado de direito. Mas só a política pode determinar se essa mudança realmente será preparada e colocada sobre mesa para ser discutida.
As reformas liberais começaram furtivamente, mas elas mal arranharam a superfície daquilo que precisa ser feito. Nenhum investidor internacional responsável emprestará dinheiro para a Itália com base em uma onda de liberalização ou de reformas estruturais - e essa onda ainda não aconteceu. Em vez disso, os investidores devem fazer suas apostas na política e na disputa por posições antes e logo após as próximas eleições gerais.
Nem Grillo nem Berlusconi oferecem qualquer esperança para a causa liberal de Monti. Mas, embora eles estejam monopolizando o centro das atenções desse drama político, eles não são os únicos jogadores.
Disparando críticas e correndo por fora dessa disputa está o jovem prefeito de Florença, Matteo Renzi, 37, que espera se tornar candidato ao cargo de primeiro-ministro do Partido Democrata, de esquerda. Há também um membro importante do próprio governo Monti, Corrado Passera, que todos esperam que entre rapidamente no jogo político tradicional, aproveitando-se de sua atual posição como ministro para o desenvolvimento econômico. E, rivalizando com Berlusconi na posição de novo fazedor de líderes, está Pier Ferdinando Casini, líder do pequeno partido UDC, herdeiro formal do antigo partido Democrata-Cristão.
Entre Renzi, Passera e Casini há um vislumbre de esperança para a formação uma coligação pós-eleitoral com a qual Monti se sentiria confortável e que o deixaria livre para administrar as questões presidenciais. Formar essa coalizão de sonho será uma tarefa difícil. Mas, à medida que o outono se desenrola, esse é o resultado para o qual todos os investidores, economistas ou simpatizantes do euro devem rezar. Esse resultado é o único caminho possível para que a visão Monti se concretize.
* Bill Emmott é ex-editor da revista The Economist e autor de ''Good Italy, Bad Italy".
Tradutor: Cláudia Gonçalves
Cerca de 70% dos alemães dizem que o país está indo por água abaixo
Der Spiegel
Apesar da crise do euro, a Alemanha floresceu bastante nos últimos anos. Então, por que os alemães estão sempre reclamando? Um estudo recente mostra que eles são atormentados pela insegurança e pelo medo de perder seu patamar de prosperidade. Afinal de contas, é possível que o estereótipo da torturada alma alemã não seja apenas imaginação.
Tradicionalmente, os alemães sempre foram percebidos como confiáveis e fãs do trabalho duro, mas é possível que eles tenham superado essa reputação. Hoje em dia, parece que o lado negro dos alemães está vindo à tona, como um revendedor de pneus sentiu na própria pele quando a agência de empregos local lhe enviou um postulante a uma vaga de mecânico.
À medida que a entrevista se desenrolava, ficou cada vez mais aparente que o candidato não queria realmente o emprego. Ele até trouxe uma listinha com os motivos pelos quais ele não era o candidato adequado para a vaga. Por fim, ele admitiu que seus benefícios sociais não eram sua única fonte de renda - ele também gerenciava um serviço ilegal de conserto de pneus. "A gente tem que se virar", foi a desculpa dada por ele.
Mas essa desculpa não comoveu o revendedor. Indignado, o comerciante não perdeu tempo e ligou para a agência de emprego - departamento do governo cuja função é recolocar os desempregados no mercado de trabalho - para denunciar o candidato. Mas os funcionários da agência não quiseram saber da denúncia e, em vez disso, sugeriram que o comerciante ficasse quieto. Os funcionários disserem que, se começassem a ir atrás de todos os que tentam burlar o seguro-desemprego, eles não fariam mais nada.

Derrubando um mito
O revendedor de pneus foi um dos 200 participantes de um estudo intitulado "A Vida Dupla dos Alemães", conduzido pelo Rheingold Institute for Qualitative Market and Media Research (Instituto Rheingold de Pesquisa Qualitativa de Mercado e Mídia) e divulgado nas últimas semanas. Outras 1.060 pessoas foram entrevistadas para determinar se as respostas obtidas inicialmente eram representativas para o estudo, que foi encomendado por uma cervejaria alemã. Questionados sobre sua visão em relação à Alemanha e seu povo, as respostas dos entrevistados sugeriram que a famosa dureza alemã é apenas superficial.
"Casos como o do revendedor de pneus têm se tornado cada vez mais parte de nosso dia a dia - mais do que gostaríamos de reconhecer", disse Jens Lönneker, coordenador do estudo.
O estudo revelou que o pessimismo é generalizado, uma vez que 70% dos participantes concordaram com a afirmação de que a Alemanha está, de certa forma, indo por água abaixo. A maior parte dos participantes do estudo disse saber o porquê - 88% culparam a burocracia e a estagnação da economia.
"Os alemães não são tão honestos, pontuais e escrupulosos quanto as pessoas pensam", admitiram 73% dos respondentes da pesquisa. "Há vários trapaceiros entre os alemães também".

Dois pesos e duas medidas
Será que, apesar de todas as queixas dos alemães em relação à falta de uma ética de trabalho nos países mediterrâneos, os próprios alemães são preguiçosos? Não necessariamente, mas, segundo Lönnecker, os alemães levam uma vida dupla - eles valorizam muito a segurança financeira durante sua vida profissional e sua aposentadoria e se orgulham das muitas liberdades individuais de que desfrutam. "Eles vivem de acordo com seu próprio conjunto de valores, mas têm pouco sentimento de responsabilidade social", explicou Lönneker. Igualmente sintomático desse isolamento da vida pública é o fato de apenas 30% dos entrevistados considerarem importante ser politicamente ativo.
Ironicamente, no entanto, 62% também reclamaram sobre o suposto egoísmo e a suposta perda de valores. Sessenta e sete por cento dos entrevistados disseram que gostariam que fossem implementadas medidas para combater essa tendência - e apenas 9% se mostraram confiantes de que os políticos são capazes de conduzir o país na direção correta.
Considerando-se que a maioria dos participantes do estudo acredita que o país não está evoluindo apesar de sua relativa estabilidade econômica, acrescentou Lönneker, "nós precisamos investir mais tempo para pensar sobre que tipo de país queremos que a Alemanha seja".
Mas, em vez de arregaçar as mangas e fazer alguma coisa para sanar as supostas mazelas da sociedade, os alemães dão as costas para os problemas - ou passam a responsabilidade para alguma ONG, que eles próprios se convencem de que é íntegra, alertou o estudo.

Impopular
Será que a crise do euro vai revelar a verdadeira identidade da Alemanha? O olhar do mundo se voltou para o país nos últimos meses e, apesar de a eficiência dessa nação ser amplamente admirada, o modo professoral por meio do qual os alemães tentam dar o exemplo sobre como conduzir a economia começou a irritar seus parceiros.
"Muitos acusam a Alemanha de ter enriquecido após adotar a atitude de modelo a ser seguido", explicou Lönneker. "Mas os alemães ficam irritados por serem criticados por qualidades consideradas tipicamente alemãs".
Cada vez mais, o ponto de vista mundial sobre o país é que, embora os alemães ajam de modo totalmente confiante na arena internacional, por dentro eles parecem muito neuróticos. E, em um período em que os parceiros europeus da Alemanha estão exigindo que o país demonstre sua liderança e solidariedade durante a crise do euro, os cidadãos alemães estão, em vez disso, preocupados com sua própria prosperidade.

Ao mesmo tempo, 72% dos participantes do estudo estão convencidos de que o passado nazista do país impede que a liderança política da Alemanha adote medidas decisivas para resolver os problemas. Os alemães não querem causar uma má impressão. Mas, para Lönneker, os alemães têm vontade de mudar - só está demorando um pouco demais para que façam isso.
Tradutor: Cláudia Gonçalves