Mortes da Rota na mira da Ouvidoria da PM de São Paulo
Foram 38 resistências seguidas de morte nos 9 primeiros meses de 2007 e 62 neste ano
William Cardoso - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - A Rota, tropa de elite da Polícia Militar, está na mira da Ouvidoria da Polícia. O aumento no número de mortos em confrontos envolvendo integrantes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar - 63% em cinco anos - despertou a atenção do ouvidor Luiz Gonzaga Dantas, que promete acompanhar de perto a atuação do 1.º Batalhão de Policiamento de Choque. Entre segunda-feira e ontem, foram mais duas mortes. Em uma delas, a família diz que houve execução.
O crescimento de 63% nas resistências seguidas de morte (homicídio cometido por policial em suposto confronto) se dá na comparação entre os nove primeiros meses de 2007 e o mesmo período deste ano. "A Ouvidoria está atenta ao desempenho da Rota. Nos últimos anos, teve uma crescente no número de resistências. É preciso propor ações de controle."
Segundo o ouvidor, o policial deve agir dentro da legalidade. "A função primeira da polícia não é matar ninguém. Usar a arma é o último recurso. O PM é agente público, a função é difícil, mas não significa que pode atirar primeiro e perguntar depois."
Há uma semana, a Rota é comandada pelo tenente-coronel Salvador Modesto Madia, acusado pela morte de 74 presos no massacre do Carandiru, em 1992. Cada um dos detentos mortos recebeu em média 4,5 tiros. Nenhum policial morreu. Ele recorre da acusação e diz que não houve execução. O ouvidor também promete acompanhar o trabalho do novo comandante.
Suspeita. Um dos casos mais recentes envolve o vendedor Caio Bruno Paiva, de 25 anos. Ele foi morto por um soldado da Rota às 22h50 de anteontem no Itaim Paulista, zona leste. O policial, de folga, disse que Paiva era integrante do grupo que assaltou sua mulher poucos minutos antes. Ele alegou que foi sozinho atrás dos bandidos, com quem trocou tiros, atingindo o rapaz. Outros dois teriam fugido e a mulher do policial reconheceu o segurança como um dos ladrões.
"O que a gente percebeu é que as testemunhas que foram ouvidas no 50.º DP (Itaim Paulista) concordaram com a versão dada pelo policial", disse o capitão Rogério Santos, porta-voz da Rota. A vítima tinha registro criminal por tráfico de drogas e roubo.
A família de Paiva, porém, falou que o PM chegou atirando e o rapaz ainda implorou para não ser morto. Havia câmera em um condomínio na frente do local onde o vendedor foi baleado, mas a síndica disse à polícia que o equipamento estava "inoperante". O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.
Não foi a única morte envolvendo a Rota nesta semana. Quatro horas depois da morte no Itaim Paulista, um homem foi morto na Rua Carijós, em Perdizes, zona oeste. Segundo a polícia, ele roubou um Citroën, fugiu e atirou contra os PMs, antes de ser baleado. A mulher que o acompanhava foi presa.
A PM diz que houve um grande investimento na Rota nos últimos anos e, por isso, a unidade está cada vez mais atuante, o que aumenta o risco de confrontos. A corporação ressalta também que investe em equipamentos e técnicas menos letais e afirma que abre investigação sobre todas as ocorrências com morte.
Do Blog:
Tô de saco cheio de ver parentes desses bandidos reclamarem na televisão dizendo que o presunto era de família, trabalhador, tinha família, etc.
A rota tem a função de remover esse lixo humano das rua e é isso que ela faz.
Alguém já se preocupou em entrevistar a família de uma vítima desse bandidos vagabundos?
Dá para dizer que eu tenho saudade da Scuderie Le Cocq.
Não acredito em recuperação de ladrões, assaltantes, estupradores e assassinos.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O QUE FAZ O POBRE FELIZ? A SAÚDE É PRECÁRIA, EDUCAÇÃO INEXISTENTE, MORADIA É EM FAVELA, A SEGURANÇA É UM DEUS-NOS-ACUDA. AH, É MESMO, TEM FUTEBOL E SAMBA...
Sambódromo só ficará pronto em janeiro
Ensaios podem acontecer em meio a obras
Genilson Araújo / O Globo
RIO - As obras de reestruturação do Sambódromo vão atravessar as festas de fim de ano. Previstas para ficarem prontas em 20 de dezembro, as estruturas dos oito novos módulos de arquibancadas e camarotes especiais só deverão ser concluídas até o início dos ensaios técnicos das escolas do Grupo Especial, marcado para 8 de janeiro. O desvio do curso de um riacho e de tubulações de esgoto e a construção de duas vigas de proteção para as galerias da Linha 1 do Metrô — que atravessam o terreno da Passarela do Samba — atrasaram o cronograma de quatro dos módulos, segundo a prefeitura.
De acordo com o presidente da Riotur e secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, as estruturas serão entregues em 8 de janeiro para que a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) possa começar a fazer a montagem das estruturas provisórias do Carnaval 2012. Os novos setores só serão usados pelo público nos ensaios técnicos se já oferecerem segurança:
— O uso das arquibancadas pelo público dependerá dos arremates que estiverem sendo feitos na época da reinauguração. Em 15 de dezembro começaremos o recapeamento da pista de desfiles — disse Antônio Pedro.
Segundo o engenheiro responsável pela obra, Fred Boabaid, os módulos 8 (de arquibancadas) e 8A (de camarotes especiais) exigirão reforço nas equipes de trabalho para ficarem prontos na mesma época que os demais. A implantação das fundações desses módulos foi mais trabalhosa em função de um riacho e tubulações de esgoto que existiam no trecho do terreno próximo à Avenida Salvador de Sá. Na outra ponta do lote — junto à Rua Benedito Hipólito — os módulos 2 (de arquibancadas) e 2A (de camarotes) também estão menos adiantados porque, segundo o engenheiro, foi preciso fazer duas vigas de proteção às galerias do Metrô, que passam no subsolo da área.
— No setor 8 teremos uma corrida de chegada. Vamos concentrar boa parte da equipe lá. Já no setor 2, as duas vigas de proteção são estruturas muito pesadas, onde usamos 50 toneladas de aço e 400 metros cúbicos de concreto. Para se ter uma ideia, daria para construir um prédio de médio porte de cinco andares com esse material — explicou Boabaid.
Na próxima semana, o canteiro de obras, que já tem 548 homens trabalhando em dois turnos, ganhará mais um período de serviço, com cem homens, durante as madrugadas. A mobilização só deverá ser interrompida em 1 de janeiro, para que os operários possam aproveitar a festa de virada do ano. As empreiteiras que trabalham na obra ainda não decidiram se vão parar também no dia de Natal.
Um dos módulos de camarotes, o 4A, já está pronto. Já o módulo 4 de arquibancadas começou a receber as vigas que irão sustentar os degraus onde o público poderá sentar. Ainda de acordo com o engenheiro, as estruturas dos módulos estarão prontas até dia 8, mas as empreiteiras que trabalham no novo sambódromo ainda farão serviços de arremate após essa data. O espaço, diz Boabaid, terá condições de ser usado pelo publico nos ensaios técnicos.
— Estamos trabalhando com a data de 8 de janeiro. Os acabamentos vão até o final de janeiro, o que não impedirá a utilização do sambódromo. Vamos ver com a Liesa e Riotur se interessa usar tudo. A lista de desfiles será fresada e recapeada pela prefeitura. Mas podemos continuar trabalhando nos módulos pela parte de trás das arquibancadas — contemporizou Boabaid.
As obras ainda são encaradas com tranquilidade pela iesa, segundo o presidente da entidade, Jorge Castanheira, que visitou na terça-feira a passarela do Samba.
— Mais próximo da época dos ensaios vamos avaliar o ritmo da obra e suas condições. Não estamos preocupados. Os operários estão trabalhando. Se Deus quiser, com o tempo ajudando, vamos conseguir vencer os prazos — disse Castanheira.
A Liga manteve ainda para janeiro e fevereiro a venda dos ingressos de arquibancadas, que no carnaval 2012 terão 12,5 mil entradas a mais por noite de desfiles. Nesta quarta-feira, a Liesa divulga os nomes dos candidatos contemplados na compra dos camarotes.
Enquanto isso, na outra ponta do Carnaval 2012, as obras de reconstrução dos barracões destruídos por um incêndio deverão ter um final feliz no próximo final de semana. De acordo com Castanheira, na madrugada de sábado para domingo será feita a transferência dos carros alegóricos de Portela, União da Ilha e Renascer de Jacarepaguá, que tem seus barracões fora da Cidade do Samba, para os barracões reconstruídos.
— Estamos preparando um grande esquema de transporte dos materiais. Optamos por fazer a mudança no fim de semana e de madrugada para não impactar ainda mais o trânsito da região — concluiu.
Ensaios podem acontecer em meio a obras
Genilson Araújo / O Globo
RIO - As obras de reestruturação do Sambódromo vão atravessar as festas de fim de ano. Previstas para ficarem prontas em 20 de dezembro, as estruturas dos oito novos módulos de arquibancadas e camarotes especiais só deverão ser concluídas até o início dos ensaios técnicos das escolas do Grupo Especial, marcado para 8 de janeiro. O desvio do curso de um riacho e de tubulações de esgoto e a construção de duas vigas de proteção para as galerias da Linha 1 do Metrô — que atravessam o terreno da Passarela do Samba — atrasaram o cronograma de quatro dos módulos, segundo a prefeitura.
De acordo com o presidente da Riotur e secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, as estruturas serão entregues em 8 de janeiro para que a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) possa começar a fazer a montagem das estruturas provisórias do Carnaval 2012. Os novos setores só serão usados pelo público nos ensaios técnicos se já oferecerem segurança:
— O uso das arquibancadas pelo público dependerá dos arremates que estiverem sendo feitos na época da reinauguração. Em 15 de dezembro começaremos o recapeamento da pista de desfiles — disse Antônio Pedro.
Segundo o engenheiro responsável pela obra, Fred Boabaid, os módulos 8 (de arquibancadas) e 8A (de camarotes especiais) exigirão reforço nas equipes de trabalho para ficarem prontos na mesma época que os demais. A implantação das fundações desses módulos foi mais trabalhosa em função de um riacho e tubulações de esgoto que existiam no trecho do terreno próximo à Avenida Salvador de Sá. Na outra ponta do lote — junto à Rua Benedito Hipólito — os módulos 2 (de arquibancadas) e 2A (de camarotes) também estão menos adiantados porque, segundo o engenheiro, foi preciso fazer duas vigas de proteção às galerias do Metrô, que passam no subsolo da área.
— No setor 8 teremos uma corrida de chegada. Vamos concentrar boa parte da equipe lá. Já no setor 2, as duas vigas de proteção são estruturas muito pesadas, onde usamos 50 toneladas de aço e 400 metros cúbicos de concreto. Para se ter uma ideia, daria para construir um prédio de médio porte de cinco andares com esse material — explicou Boabaid.
Na próxima semana, o canteiro de obras, que já tem 548 homens trabalhando em dois turnos, ganhará mais um período de serviço, com cem homens, durante as madrugadas. A mobilização só deverá ser interrompida em 1 de janeiro, para que os operários possam aproveitar a festa de virada do ano. As empreiteiras que trabalham na obra ainda não decidiram se vão parar também no dia de Natal.
Um dos módulos de camarotes, o 4A, já está pronto. Já o módulo 4 de arquibancadas começou a receber as vigas que irão sustentar os degraus onde o público poderá sentar. Ainda de acordo com o engenheiro, as estruturas dos módulos estarão prontas até dia 8, mas as empreiteiras que trabalham no novo sambódromo ainda farão serviços de arremate após essa data. O espaço, diz Boabaid, terá condições de ser usado pelo publico nos ensaios técnicos.
— Estamos trabalhando com a data de 8 de janeiro. Os acabamentos vão até o final de janeiro, o que não impedirá a utilização do sambódromo. Vamos ver com a Liesa e Riotur se interessa usar tudo. A lista de desfiles será fresada e recapeada pela prefeitura. Mas podemos continuar trabalhando nos módulos pela parte de trás das arquibancadas — contemporizou Boabaid.
As obras ainda são encaradas com tranquilidade pela iesa, segundo o presidente da entidade, Jorge Castanheira, que visitou na terça-feira a passarela do Samba.
— Mais próximo da época dos ensaios vamos avaliar o ritmo da obra e suas condições. Não estamos preocupados. Os operários estão trabalhando. Se Deus quiser, com o tempo ajudando, vamos conseguir vencer os prazos — disse Castanheira.
A Liga manteve ainda para janeiro e fevereiro a venda dos ingressos de arquibancadas, que no carnaval 2012 terão 12,5 mil entradas a mais por noite de desfiles. Nesta quarta-feira, a Liesa divulga os nomes dos candidatos contemplados na compra dos camarotes.
Enquanto isso, na outra ponta do Carnaval 2012, as obras de reconstrução dos barracões destruídos por um incêndio deverão ter um final feliz no próximo final de semana. De acordo com Castanheira, na madrugada de sábado para domingo será feita a transferência dos carros alegóricos de Portela, União da Ilha e Renascer de Jacarepaguá, que tem seus barracões fora da Cidade do Samba, para os barracões reconstruídos.
— Estamos preparando um grande esquema de transporte dos materiais. Optamos por fazer a mudança no fim de semana e de madrugada para não impactar ainda mais o trânsito da região — concluiu.
TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI, MAS, NO BRASIL, SE VOCÊ FOR PRETO, POBRE, GAY E TORCEDOR DO TIMÃO, TEM ALGUNS PRIVILÉGIOS
Prefeitura de SP quer que crianças mais pobres furem fila da creche em 2012
Hoje cadastro é único e o déficit passa de 174 mil vagas; para defensor, questão é polêmica
Adriana Ferraz - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - No último ano da gestão Gilberto Kassab (PSD), a Secretaria Municipal da Educação planeja alterar as regras usadas para formar a fila da educação infantil. Em 2012, a proposta é dar prioridade a crianças em situação de maior vulnerabilidade social, que já aguardam por matrícula na rede municipal de creches e pré-escolas.
Segundo o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, a nova fórmula será discutida com representantes do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública. Em debate na Câmara Municipal, Schneider adiantou que não quer assumir sozinho a responsabilidade de escolher quais famílias atender, para depois não ser acusado de "privilegiar determinadas pessoas ou furar a fila de espera".
Mas a questão é polêmica. Segundo o defensor público Luiz Rascovski, os mais vulneráveis socialmente já são priorizados pela Defensoria, mas só em casos urgentes. "E mesmo assim não conseguimos atendimento para todos." Dar preferência às crianças com risco social, na análise dele, pode até ser considerado ilegal por ferir o princípio da igualdade.
A demora em conseguir matricular os filhos já leva muitos pais a procurar ajuda nos Conselhos Tutelares e na Defensoria Pública, que registra cerca de 20 pedidos por dia. A mudança de conceito, porém, pode significar a criação de uma cota para os mais carentes socialmente.
E os próprios critérios ainda não estão claros, já que vários fatores socioeconômicos são usados para definir o índice de vulnerabilidade social. A Fundação Seade considera, na hora de fazer o cálculo, além da renda, a composição familiar, a violência no local de moradia e o acesso a serviços médicos e educacionais.
Promessa. O déficit atual na rede municipal de creches é de 174.168. Zerá-lo é promessa de campanha do prefeito Kassab. Atualmente, a ordem das crianças que aguardam por uma matrícula é definida de acordo com a data de inscrição. O cadastro é único. Cada candidato tem um número de registro, que, se digitado no site da secretaria, revela a posição dele na fila. Segundo a pasta, o sistema só é quebrado quando há ordem da Justiça.
Rua estreita. A Secretaria Municipal da Educação também está desenvolvendo uma forma de flexibilizar as regras que disciplinam a construção de unidades escolares na capital.
A pasta deve apresentar um projeto de lei para que ruas estreitas, da periferia principalmente, possam receber novos prédios. Atualmente, apenas vias com mais de 8 metros de largura têm autorização para abrigar escolas municipais.
Hoje cadastro é único e o déficit passa de 174 mil vagas; para defensor, questão é polêmica
Adriana Ferraz - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - No último ano da gestão Gilberto Kassab (PSD), a Secretaria Municipal da Educação planeja alterar as regras usadas para formar a fila da educação infantil. Em 2012, a proposta é dar prioridade a crianças em situação de maior vulnerabilidade social, que já aguardam por matrícula na rede municipal de creches e pré-escolas.
Segundo o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, a nova fórmula será discutida com representantes do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública. Em debate na Câmara Municipal, Schneider adiantou que não quer assumir sozinho a responsabilidade de escolher quais famílias atender, para depois não ser acusado de "privilegiar determinadas pessoas ou furar a fila de espera".
Mas a questão é polêmica. Segundo o defensor público Luiz Rascovski, os mais vulneráveis socialmente já são priorizados pela Defensoria, mas só em casos urgentes. "E mesmo assim não conseguimos atendimento para todos." Dar preferência às crianças com risco social, na análise dele, pode até ser considerado ilegal por ferir o princípio da igualdade.
A demora em conseguir matricular os filhos já leva muitos pais a procurar ajuda nos Conselhos Tutelares e na Defensoria Pública, que registra cerca de 20 pedidos por dia. A mudança de conceito, porém, pode significar a criação de uma cota para os mais carentes socialmente.
E os próprios critérios ainda não estão claros, já que vários fatores socioeconômicos são usados para definir o índice de vulnerabilidade social. A Fundação Seade considera, na hora de fazer o cálculo, além da renda, a composição familiar, a violência no local de moradia e o acesso a serviços médicos e educacionais.
Promessa. O déficit atual na rede municipal de creches é de 174.168. Zerá-lo é promessa de campanha do prefeito Kassab. Atualmente, a ordem das crianças que aguardam por uma matrícula é definida de acordo com a data de inscrição. O cadastro é único. Cada candidato tem um número de registro, que, se digitado no site da secretaria, revela a posição dele na fila. Segundo a pasta, o sistema só é quebrado quando há ordem da Justiça.
Rua estreita. A Secretaria Municipal da Educação também está desenvolvendo uma forma de flexibilizar as regras que disciplinam a construção de unidades escolares na capital.
A pasta deve apresentar um projeto de lei para que ruas estreitas, da periferia principalmente, possam receber novos prédios. Atualmente, apenas vias com mais de 8 metros de largura têm autorização para abrigar escolas municipais.
REUNIÃO DOS RATOS MALDITOS
Empresários se uniram a políticos para impor novo projeto da Copa em Cuiabá
Documentos aos quais ‘Estado’ teve acesso revelam que empresa interessada no negócio, a T’Trans, fez estudo pago por presidente da Assembleia de MT, José Riva, a favor do VLT
Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Empresários nacionais e internacionais aliaram-se a políticos de Mato Grosso liderados pelo presidente da Assembleia do Estado, José Riva (PSD), e fizeram lobby pela aprovação do projeto de transporte público em Cuiabá (MT) para a Copa do Mundo de 2014, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que aumentou em R$ 700 milhões o gasto original previsto para a mobilidade urbana no município. A alteração no projeto foi autorizada mediante fraude - a alteração em um parecer técnico - no Ministério das Cidades, conforme revelou o Estado na semana passada.
Documentos obtidos pelo Estado mostram que uma empresa interessada no negócio, a T’ Trans Sistemas de Transporte S/A, recebeu dinheiro de José Riva, que preside a Assembleia, para fazer um estudo a favor do VLT e convencer o primeiro escalão local. Agora, já aprovada a proposta pelos deputados estaduais e pelo Palácio do Planalto, a mesma empresa quer fazer parte do negócio - participando da licitação - e vender os carros usados no VLT.
O dono da T’Trans, o italiano Massimo Giavina-Bianchi, confirmou ao Estado que, a pedido do presidente da Assembleia, orientou parlamentares e integrantes do governo de Mato Grosso a aceitar o VLT.
"Pode até ter lobby? Pode ter", disse. Admitiu ainda que recebeu dinheiro para fazer o estudo. "É claro que teve um custo, claro." E afirmou que está interessado em participar do projeto: "Pretendo sim, claro. Para mim, Cuiabá me interessa? Claro que me interessa. Nós temos aí grandes contratos muito superiores a Cuiabá, é mais um negócio, é claro que interessa. A T’Trans tem todas condições de participar dessa concorrência."
Massimo Giavina-Bianchi esteve em Cuiabá no dia 5 de abril na companhia do presidente da Assembleia Legislativa para entregar o estudo. No dia 2 de setembro, a convite do mesmo José Riva, o empresário defendeu o projeto pessoalmente aos deputados. No dia 29 de setembro, a Assembleia autorizou o governo a tomar empréstimo federal para levar adiante o VLT.
O presidente do Legislativo de MT foi o mentor intelectual do governador do Estado, Silval Barbosa (PMDB), para convencer o governo federal a trocar a ideia original, o BRT (uma linha rápida de ônibus), orçada em R$ 489 milhões, pelo VLT, ao custo de R$ 1,2 bilhão dos cofres públicos federais.
A mudança foi aprovada em agosto pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, após reunião com governador, e em detrimento de parecer do Ministério das Cidades contrário à troca. Logo após o aval federal, o presidente da Assembleia desdenhou da presidente. "A presidente Dilma não seria imbecil de vetar o melhor modal".
Documentos aos quais ‘Estado’ teve acesso revelam que empresa interessada no negócio, a T’Trans, fez estudo pago por presidente da Assembleia de MT, José Riva, a favor do VLT
Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Empresários nacionais e internacionais aliaram-se a políticos de Mato Grosso liderados pelo presidente da Assembleia do Estado, José Riva (PSD), e fizeram lobby pela aprovação do projeto de transporte público em Cuiabá (MT) para a Copa do Mundo de 2014, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que aumentou em R$ 700 milhões o gasto original previsto para a mobilidade urbana no município. A alteração no projeto foi autorizada mediante fraude - a alteração em um parecer técnico - no Ministério das Cidades, conforme revelou o Estado na semana passada.
Documentos obtidos pelo Estado mostram que uma empresa interessada no negócio, a T’ Trans Sistemas de Transporte S/A, recebeu dinheiro de José Riva, que preside a Assembleia, para fazer um estudo a favor do VLT e convencer o primeiro escalão local. Agora, já aprovada a proposta pelos deputados estaduais e pelo Palácio do Planalto, a mesma empresa quer fazer parte do negócio - participando da licitação - e vender os carros usados no VLT.
O dono da T’Trans, o italiano Massimo Giavina-Bianchi, confirmou ao Estado que, a pedido do presidente da Assembleia, orientou parlamentares e integrantes do governo de Mato Grosso a aceitar o VLT.
"Pode até ter lobby? Pode ter", disse. Admitiu ainda que recebeu dinheiro para fazer o estudo. "É claro que teve um custo, claro." E afirmou que está interessado em participar do projeto: "Pretendo sim, claro. Para mim, Cuiabá me interessa? Claro que me interessa. Nós temos aí grandes contratos muito superiores a Cuiabá, é mais um negócio, é claro que interessa. A T’Trans tem todas condições de participar dessa concorrência."
Massimo Giavina-Bianchi esteve em Cuiabá no dia 5 de abril na companhia do presidente da Assembleia Legislativa para entregar o estudo. No dia 2 de setembro, a convite do mesmo José Riva, o empresário defendeu o projeto pessoalmente aos deputados. No dia 29 de setembro, a Assembleia autorizou o governo a tomar empréstimo federal para levar adiante o VLT.
O presidente do Legislativo de MT foi o mentor intelectual do governador do Estado, Silval Barbosa (PMDB), para convencer o governo federal a trocar a ideia original, o BRT (uma linha rápida de ônibus), orçada em R$ 489 milhões, pelo VLT, ao custo de R$ 1,2 bilhão dos cofres públicos federais.
A mudança foi aprovada em agosto pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, após reunião com governador, e em detrimento de parecer do Ministério das Cidades contrário à troca. Logo após o aval federal, o presidente da Assembleia desdenhou da presidente. "A presidente Dilma não seria imbecil de vetar o melhor modal".
O BRASIL PRECISA TER UMA POLÍTICA MAIS DURA COM OS SEUS PARCEIROS COMERCIAIS. MAS, COM O GOVERNO AVACALHADO QUE POSSUI É APENAS UM SONHO QUE SE DESFAZ AO PRIMEIRO RAIO DE SOL.
Atenção com a China
FSP - Editorial
Brasil precisa exigir mais reciprocidade dos chineses, que não cumprem promessas e impõem restrições aos investidores estrangeiros
Não causa surpresa o fato de que metade dos grandes projetos de investimento chineses no Brasil, anunciados em 2009 e 2010, ainda não se tenha concretizado. O país asiático tem-se mostrado muitas vezes lento e pouco confiá-vel em suas intenções de investir.
No caso brasileiro, a prioridade chinesa reside na infraestrutura e no acesso a matérias primas, indispensáveis para sustentar sua enorme população e o acelerado ritmo de crescimento.
Não por acaso, os maiores negócios concretizados pela China no Brasil, em 2010, aconteceram na área de energia, com a compra de participação em empresas estrangeiras que atuam no país: US$ 7,1 bilhões por 40% da espanhola Repsol, US$ 3,1 bilhões por 40% de um campo de petróleo da norueguesa Statoil e US$ 3,5 bilhões por 30% da operação da portuguesa Galp no setor.
Ainda assim, na mineração, os asiáticos não concretizaram nem a compra da Itaminas, por US$ 1,2 bilhão, nem o investimento de US$ 3,5 bilhões na EBX, com vistas à construção de uma siderúrgica -investimentos que foram anunciados em março e abril de 2010.
No que se refere a produtos manufaturados, os chineses parecem ainda menos animados com a ideia de montar unidades no Brasil. Mesmo que venham a investir em algumas delas, deverá ser apenas o preço para obter acesso ao mercado interno, como é o caso dos R$ 900 milhões aplicados na montadora JAC, com o óbvio intuito de fugir do aumento do IPI. Mesmo assim, 80% desse valor sairá do bolso do sócio local da montadora.
Também a intenção de investir US$ 12 bilhões, anunciada pela Foxconn quando da visita da presidente Dilma Rousseff ao país, em abril, mostrou-se aquém das expectativas. Posteriormente, a empresa deixou claro que não pretendia aportar recursos, apenas transferir tecnologia em troca de financiamento do BNDES.
As relações econômicas do Brasil com a China são marcadas por assimetrias, que precisam ser, o mais breve possível, corrigidas. Além do desequilíbrio da pauta de exportações, composta quase exclusivamente de produtos primários, há restrições e exigências por parte da China quando se trata de investir em seu mercado interno.
Cabe ao governo -que já vem agindo nesse sentido- avançar com medidas que ajudem a compensar tais distorções. É preciso impor contrapartidas equivalentes às que são pedidas ao empresário brasileiro. Além disso, seria prudente restringir o acesso de estatais chinesas a recursos minerais, terras e cadeias de produção do agronegócio.
Reciprocidade nas condições de investimentos, acesso ao mercado consumidor chinês e cooperação tecnológica são, do lado brasileiro, os itens mais importantes para uma relação mais equilibrada.
Do Blog:
Da presidente ao copeiro, todos estão mais preocupados em saquear o tesouro público do que governar a nação.
FSP - Editorial
Brasil precisa exigir mais reciprocidade dos chineses, que não cumprem promessas e impõem restrições aos investidores estrangeiros
Não causa surpresa o fato de que metade dos grandes projetos de investimento chineses no Brasil, anunciados em 2009 e 2010, ainda não se tenha concretizado. O país asiático tem-se mostrado muitas vezes lento e pouco confiá-vel em suas intenções de investir.
No caso brasileiro, a prioridade chinesa reside na infraestrutura e no acesso a matérias primas, indispensáveis para sustentar sua enorme população e o acelerado ritmo de crescimento.
Não por acaso, os maiores negócios concretizados pela China no Brasil, em 2010, aconteceram na área de energia, com a compra de participação em empresas estrangeiras que atuam no país: US$ 7,1 bilhões por 40% da espanhola Repsol, US$ 3,1 bilhões por 40% de um campo de petróleo da norueguesa Statoil e US$ 3,5 bilhões por 30% da operação da portuguesa Galp no setor.
Ainda assim, na mineração, os asiáticos não concretizaram nem a compra da Itaminas, por US$ 1,2 bilhão, nem o investimento de US$ 3,5 bilhões na EBX, com vistas à construção de uma siderúrgica -investimentos que foram anunciados em março e abril de 2010.
No que se refere a produtos manufaturados, os chineses parecem ainda menos animados com a ideia de montar unidades no Brasil. Mesmo que venham a investir em algumas delas, deverá ser apenas o preço para obter acesso ao mercado interno, como é o caso dos R$ 900 milhões aplicados na montadora JAC, com o óbvio intuito de fugir do aumento do IPI. Mesmo assim, 80% desse valor sairá do bolso do sócio local da montadora.
Também a intenção de investir US$ 12 bilhões, anunciada pela Foxconn quando da visita da presidente Dilma Rousseff ao país, em abril, mostrou-se aquém das expectativas. Posteriormente, a empresa deixou claro que não pretendia aportar recursos, apenas transferir tecnologia em troca de financiamento do BNDES.
As relações econômicas do Brasil com a China são marcadas por assimetrias, que precisam ser, o mais breve possível, corrigidas. Além do desequilíbrio da pauta de exportações, composta quase exclusivamente de produtos primários, há restrições e exigências por parte da China quando se trata de investir em seu mercado interno.
Cabe ao governo -que já vem agindo nesse sentido- avançar com medidas que ajudem a compensar tais distorções. É preciso impor contrapartidas equivalentes às que são pedidas ao empresário brasileiro. Além disso, seria prudente restringir o acesso de estatais chinesas a recursos minerais, terras e cadeias de produção do agronegócio.
Reciprocidade nas condições de investimentos, acesso ao mercado consumidor chinês e cooperação tecnológica são, do lado brasileiro, os itens mais importantes para uma relação mais equilibrada.
Do Blog:
Da presidente ao copeiro, todos estão mais preocupados em saquear o tesouro público do que governar a nação.
APÓS ACIDENTE COM CATAMARÃ, A TARIFA RIO-NITERÓI DEVERA SUBIR 70%. É UMA NOVA FORMA DE FAZER A TRAVESSIA: COM EMOÇÃO! NÓS NUNCA SABEMOS SE VAMOS CHEGAR AO FINAL DA TRAVESSIA INTEIROS.
Ninguém explica acidente com catamarã e tarifa pode aumentar
Agetransp, responsável pela fiscalização, estuda um aumento de R$ 2,80 para R$ 4,70 na tarifa Rio-Niterói
Isabel de Araujo/Waleska Borges/Marcelo Dias - O Globo
RIO - Um dia depois do acidente de segunda-feira, que deixou 65 feridos, as causas da colisão do catamarã social Gávea I contra um píer desativado na Praça Quinze ainda são um mistério. Nem a concessionária Barcas S/A — que arrematou o serviço por cerca de R$ 33 milhões em 1998 e tornou-se detentora do monopólio em 2009 — soube explicar o choque. Apesar dos problemas enfrentados pelos passageiros, a Agência Reguladora de Transportes (Agetransp), responsável pela fiscalização, estuda um aumento de R$ 2,80 para R$ 4,70 na tarifa Rio-Niterói. O estado informou, porém, que não permitirá reajuste neste percentual (67,8%). Ágil quando o assunto é aumento, a agência julgou apenas 11 dos 30 processos abertos contra a concessionária em 2010 e 2011, período em que foram aplicadas multas no valor de R$ 1.441.780,09. A agência não informou quanto desse montante foi pago.
As soluções para os problemas ainda demoram. O governo do estado informou, por meio de nota, que a aquisição de 11 novas embarcações, anunciadas ano passado, não tem data para acontecer. Segundo o estado, a aprovação do empréstimo de cerca de R$ 350 milhões deverá ser concluída até janeiro de 2012, quando então poderá ser aberta a licitação para compra das barcas.
Barca envolvida em acidente deve ficar 10 dias fora de operação
A concessionária que administra o serviço diz que está operando abaixo de sua capacidade para atender à demanda diária que quase 100 mil passageiros. A maré poderá melhorar com a aquisição das embarcações da Transtur, que depende ainda de um processo de desapropriação pelo estado. De acordo com o governo, já foram realizadas as avaliações periciais e judiciais. O estado desapropriará uma barca no próximo mês e a segunda, assim que for reformada pela Transtur.
Usuário deve evitar horário de pico
A colisão de segunda-feira tirou de circulação uma embarcação e provocou a interdição de duas pontes de embarque. O acidente reduziu para 80% a capacidade da concessionária. A Barcas S/A pede que, nos próximos dias, os usuários evitem utilizar o serviço nos horários de pico. A mesma solicitação já foi feita em abril de 2009, um dia depois de um quebra-quebra na Praça Quinze, motivado por atrasos nas embarcações e excesso de passageiros.
Na terça-feira, pelo menos, o pedido foi ignorado, e o cenário nos acessos à Estação Arariboia, em Niterói, ficou caótico. Longas filas se formaram entre 7h e 9h. Os usuários chegaram a aguardar até 30 minutos para conseguir embarcar. Para passar o tempo, o assunto não poderia ser outro: o que teria provocado a colisão foi a pergunta que mais ouvida no saguão.
Por meio de nota, a Capitania dos Portos informou que as causas serão conhecidas em até 90 dias, com a conclusão do inquérito sobre o caso. A capitania também esclareceu que a Gávea I, após reparo, necessitará ser submetida a nova inspeção pelo órgão.
O gerente de logística e relacionamento com o cliente das Barcas S/A, Mário Góis, disse que o acidente está sendo analisado pelos técnicos da empresa. Ele rebateu as acusações de que os tripulantes demoraram a atender as vítimas e informou ainda que o Gávea 1 deve ficar pelo menos dez dias fora de operação.
A concessionária afirma que, no último mês, houve um aumento de 20% na demanda por causa das obras do projeto Porto Maravilha, que têm acarretado longos engarrafamentos na Ponte Rio-Niterói e seus acessos. Somente com passagens, a concessionária arrecada R$ 320.400 por dia. No entanto, a empresa informa que a previsão é de fechar o ano no vermelho, com prejuízo de R$ 27 milhões.
Para o professor do Departamento de Engenharia da PUC-RJ José Eugênio Leal, a concessão não foi um bom negócio para a Barcas S/A:
— Do ponto de vista do operador, a concessão foi a pior possível. A Barcas tem que arcar com tudo, desde a manutenção até a aquisição de novas embarcações. Acredito que a empresa privada quis assumir a concessão para evitar concorrência e se atrapalhou.
Sindicato diz que falta treinamento
Leal acrescenta que o governo estadual e a concessionária devem priorizar o bom senso.
— Estamos falando de um transporte de massa. Nesse caso, o estado não tem a obrigação de intervir, mas pode colaborar. A Barcas também deve negociar.
O engenheiro Fernando Macdowell lembra ainda que, para o bom funcionamento do sistema de transporte marítimo, há necessidade de um plano integrado de transportes. Ele conta que, na década de 80, quando foi contratado pelo governo estadual para fazer um estudo sobre o assunto, sugeriu que os deslocamentos do Rio fossem semelhantes aos de Vancouver, no Canadá.
— Há necessidade de compatibilizar o transporte marítimo com o metrô. Atualmente, também falta flexibilidade operacional à Barcas.
Já o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar), Severino Almeida Filho, alertou para o risco da falta de treinamento da tripulação:
— É inexplicável que o catamarã tenha se aproximado do píer sem que fosse permitida nenhuma manobra. A embarcação deveria estar numa velocidade superior à recomendada. Esses profissionais devem passar por cursos que simulam acidentes e os procedimentos rápidos que devem adotar. Mas esse investimento no profissional não existe. Com isso, estamos abusando da sorte, com risco de vermos acidentes ainda muito maiores — comenta Severino Almeida, que acrescenta: — Não acredito que o acidente tenha sido por questão de máquinas ou equipamentos, mas sim de condições operacionais.
Apenas nos anos de 2010 e 2011, a Barcas S/A teve que responder a 30 processos regulatórios abertos pela Agetransp. De acordo com a agência reguladora, os principais motivos foram atrasos em viagens e problemas técnicos nas embarcações.
Ainda de acordo com a Agetransp, do total de processos aplicados, 11 foram julgados em sessão regulatória, mas dez são passíveis de recurso. Os outros processos estão em fase de instrução.
Agetransp, responsável pela fiscalização, estuda um aumento de R$ 2,80 para R$ 4,70 na tarifa Rio-Niterói
Isabel de Araujo/Waleska Borges/Marcelo Dias - O Globo
RIO - Um dia depois do acidente de segunda-feira, que deixou 65 feridos, as causas da colisão do catamarã social Gávea I contra um píer desativado na Praça Quinze ainda são um mistério. Nem a concessionária Barcas S/A — que arrematou o serviço por cerca de R$ 33 milhões em 1998 e tornou-se detentora do monopólio em 2009 — soube explicar o choque. Apesar dos problemas enfrentados pelos passageiros, a Agência Reguladora de Transportes (Agetransp), responsável pela fiscalização, estuda um aumento de R$ 2,80 para R$ 4,70 na tarifa Rio-Niterói. O estado informou, porém, que não permitirá reajuste neste percentual (67,8%). Ágil quando o assunto é aumento, a agência julgou apenas 11 dos 30 processos abertos contra a concessionária em 2010 e 2011, período em que foram aplicadas multas no valor de R$ 1.441.780,09. A agência não informou quanto desse montante foi pago.
As soluções para os problemas ainda demoram. O governo do estado informou, por meio de nota, que a aquisição de 11 novas embarcações, anunciadas ano passado, não tem data para acontecer. Segundo o estado, a aprovação do empréstimo de cerca de R$ 350 milhões deverá ser concluída até janeiro de 2012, quando então poderá ser aberta a licitação para compra das barcas.
Barca envolvida em acidente deve ficar 10 dias fora de operação
A concessionária que administra o serviço diz que está operando abaixo de sua capacidade para atender à demanda diária que quase 100 mil passageiros. A maré poderá melhorar com a aquisição das embarcações da Transtur, que depende ainda de um processo de desapropriação pelo estado. De acordo com o governo, já foram realizadas as avaliações periciais e judiciais. O estado desapropriará uma barca no próximo mês e a segunda, assim que for reformada pela Transtur.
Usuário deve evitar horário de pico
A colisão de segunda-feira tirou de circulação uma embarcação e provocou a interdição de duas pontes de embarque. O acidente reduziu para 80% a capacidade da concessionária. A Barcas S/A pede que, nos próximos dias, os usuários evitem utilizar o serviço nos horários de pico. A mesma solicitação já foi feita em abril de 2009, um dia depois de um quebra-quebra na Praça Quinze, motivado por atrasos nas embarcações e excesso de passageiros.
Na terça-feira, pelo menos, o pedido foi ignorado, e o cenário nos acessos à Estação Arariboia, em Niterói, ficou caótico. Longas filas se formaram entre 7h e 9h. Os usuários chegaram a aguardar até 30 minutos para conseguir embarcar. Para passar o tempo, o assunto não poderia ser outro: o que teria provocado a colisão foi a pergunta que mais ouvida no saguão.
Por meio de nota, a Capitania dos Portos informou que as causas serão conhecidas em até 90 dias, com a conclusão do inquérito sobre o caso. A capitania também esclareceu que a Gávea I, após reparo, necessitará ser submetida a nova inspeção pelo órgão.
O gerente de logística e relacionamento com o cliente das Barcas S/A, Mário Góis, disse que o acidente está sendo analisado pelos técnicos da empresa. Ele rebateu as acusações de que os tripulantes demoraram a atender as vítimas e informou ainda que o Gávea 1 deve ficar pelo menos dez dias fora de operação.
A concessionária afirma que, no último mês, houve um aumento de 20% na demanda por causa das obras do projeto Porto Maravilha, que têm acarretado longos engarrafamentos na Ponte Rio-Niterói e seus acessos. Somente com passagens, a concessionária arrecada R$ 320.400 por dia. No entanto, a empresa informa que a previsão é de fechar o ano no vermelho, com prejuízo de R$ 27 milhões.
Para o professor do Departamento de Engenharia da PUC-RJ José Eugênio Leal, a concessão não foi um bom negócio para a Barcas S/A:
— Do ponto de vista do operador, a concessão foi a pior possível. A Barcas tem que arcar com tudo, desde a manutenção até a aquisição de novas embarcações. Acredito que a empresa privada quis assumir a concessão para evitar concorrência e se atrapalhou.
Sindicato diz que falta treinamento
Leal acrescenta que o governo estadual e a concessionária devem priorizar o bom senso.
— Estamos falando de um transporte de massa. Nesse caso, o estado não tem a obrigação de intervir, mas pode colaborar. A Barcas também deve negociar.
O engenheiro Fernando Macdowell lembra ainda que, para o bom funcionamento do sistema de transporte marítimo, há necessidade de um plano integrado de transportes. Ele conta que, na década de 80, quando foi contratado pelo governo estadual para fazer um estudo sobre o assunto, sugeriu que os deslocamentos do Rio fossem semelhantes aos de Vancouver, no Canadá.
— Há necessidade de compatibilizar o transporte marítimo com o metrô. Atualmente, também falta flexibilidade operacional à Barcas.
Já o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar), Severino Almeida Filho, alertou para o risco da falta de treinamento da tripulação:
— É inexplicável que o catamarã tenha se aproximado do píer sem que fosse permitida nenhuma manobra. A embarcação deveria estar numa velocidade superior à recomendada. Esses profissionais devem passar por cursos que simulam acidentes e os procedimentos rápidos que devem adotar. Mas esse investimento no profissional não existe. Com isso, estamos abusando da sorte, com risco de vermos acidentes ainda muito maiores — comenta Severino Almeida, que acrescenta: — Não acredito que o acidente tenha sido por questão de máquinas ou equipamentos, mas sim de condições operacionais.
Apenas nos anos de 2010 e 2011, a Barcas S/A teve que responder a 30 processos regulatórios abertos pela Agetransp. De acordo com a agência reguladora, os principais motivos foram atrasos em viagens e problemas técnicos nas embarcações.
Ainda de acordo com a Agetransp, do total de processos aplicados, 11 foram julgados em sessão regulatória, mas dez são passíveis de recurso. Os outros processos estão em fase de instrução.
ALEMANHA SERÁ A TÁBUA DE SALVAÇÃO DA UE?
Alemanha precisa tomar uma decisão ou tudo estará perdido, diz ex-premiê da Itália
Der Spiegel
Para Romano Prodi, ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente da Comissão Europeia, fim da crise depende de coragem da Alemanha
Com o euro caindo pelas tabelas, todos os olhos estão voltados para a Alemanha. Romano Prodi, ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente da Comissão Europeia, diz em uma entrevista a "Der Spiegel" que a Alemanha, o país mais poderoso do continente, precisa finalmente tomar uma atitude e demonstrar a coragem necessária para resolver a crise da dívida.
Der Spiegel: Da mesma forma que o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, você é favorável à criação dos chamados eurobonds para fazer com que a Europa saia da crise?
Prodi: O Banco Central Europeu precisa desempenhar um papel apropriado na crise e os eurobonds precisam ser emitidos. Juntamente com o meu colega, eu propus títulos que seriam garantidos pelas reservas de ouro estatais e por outros fundos.
Der Spiegel: E que efeito teriam essas medidas?
Prodi: Pense só. Por que é que ninguém ataca o dólar? Olhando para o orçamento dos Estados Unidos, vemos que o dólar encontra-se em uma situação muito pior do que o euro. A dívida estadual da Califórnia é muito pior do que a da Grécia. Mas o dólar encontra-se defendido, até mesmo pelo Federal Reserve. Isso faz com que o dólar seja como um cão grande e forte. Ninguém morde o rabo de um cão grande.
Der Spiegel: E o euro poderia ser também um cão grande e forte?
Prodi: Sim, se houver vontade política. Veja que a Alemanha encontra-se neste momento em uma posição realmente forte. A Alemanha é a nova China.
Der Spiegel: Isso sem dúvida é um exagero.
Prodi: Vejamos a reunião de cúpula entre Alemanha e França. Não se pode dizer isso em voz alta, mas é a verdade: a chanceler Angela Merkel, no fim das contas, é obrigada a ditar as regras.
Der Spiegel: Então você está convencido de que a posição alemã em relação aos eurobonds tem que mudar para que a crise do euro seja resolvida?
Prodi: A Alemanha precisa tomar uma decisão em relação à Europa, ou tudo estará perdido. Mas eu não acredito que exista na Alemanha qualquer pessoa disposta a abrir mão da Europa.
Der Spiegel: Você é muito otimista quanto a essa ideia de que a crise pode ser superada. De onde vem esse otimismo?
Prodi: A racionalidade vai se impor. A Alemanha não pode abrir mão da sua fantástica situação econômica no mundo.
Der Spiegel: A situação econômica da Itália é um motivo maior de preocupação. Subitamente, porém, após anos de impasse, tudo aconteceu muito rapidamente: o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi renunciou, o gabinete tecnocrata de Mario Monti ganhou um voto de confiança – tudo isso em um período de uma semana. Houve uma mudança no país?
Prodi: Na verdade, tudo ocorreu muito lentamente. A Itália encontra-se em meio a uma crise profunda que não deveria ter chegado a esse ponto. Berlusconi simplesmente teve que partir.
Der Spiegel: E ele de fato partiu?
Prodi: Eu não tenho certeza quanto a isso. Depois que renunciei ao cargo de primeiro-ministro, eu simplesmente retornei à Bolonha, a minha terra natal. Já Berlusconi dá declarações constantes demonstrando o seu desejo de manter uma porta aberta para um possível retorno ao palco político.
Der Spiegel: Ele disse que gostaria de retornar “com poder dobrado”.
Prodi: De fato, ele parece estar mais ativo na política agora do que quando era primeiro-ministro.
Der Spiegel: Berlusconi poderia se tornar uma ameaça para o sucessor dele, Monti?
Prodi: Não neste momento – Monti é muito respeitado para que isso ocorra. Mas Berlusconi não cederá. Ele perdeu a sua mágica, mas eu estou convencido de que ele tentará retornar à política.
Der Spiegel: Você teme isso?
Prodi: Você não pode imaginar como foi que eu sofri nos últimos anos. Aonde quer que eu fosse, o clima era de “bunga bunga”. Em Pequim, a minha mulher e eu fomos alvos de risadas. Até mesmo no Quênia, os guardas florestais apontavam para os macacos nas árvores e diziam: “Vejam só, eles estão fazendo 'bunga bunga'”.
Der Spiegel: A renúncia momentânea de políticos para dar lugar a um especialista em governo seria a solução correta para a Itália?
Prodi: No que diz respeito aos próximos meses, com certeza. Nós contamos com duas personalidades que podem dar aos mercados garantias de um comportamento racional. Uma delas é Mario Draghi, o diretor do Banco Central Europeu. A outra é o primeiro-ministro. Ambos são excelentes economistas e europeus altamente respeitados em todo o mundo.
Der Spiegel: E isso será suficiente para convencer os italianos de que é necessário fazer sacrifícios para que o país possa sair dessa crise?
Prodi:A questão não diz tanto respeito a crueldades, mas sim à mudança de estruturas e à liberalização de mercados. Eu lutei para fazer isso quando fui primeiro-ministro e enfrentei dificuldades enormes no parlamento.
Der Spiegel: Na Grécia, as tentativas de mudar as estruturas e a mentalidade de um país inteiro também não tiveram resultado até o momento.
Prodi:Não se pode comparar os dois países. Nós não temos que reduzir em 30% os salários dos nossos funcionários públicos. O nosso déficit orçamentário em 2012 será apenas a metade do déficit francês. Entretanto, nós precisamos de um governo forte, e até agora não contávamos com tal governo. Além disso, nós temos dois problemas que diferenciam a Itália dos outros países europeus: a sonegação fiscal generalizada e a economia paralela.
Der Spiegel: Você está falando sobre a corrupção e a máfia.
Prodi: Pense nos assassinatos ocorridos em Duisburg e você verá o quão terrível é capaz de ser o crime organizado na Itália. Nós precisamos tomar providências urgentes nessas áreas.
Der Spiegel: A sonegação fiscal não é um problema fácil de se eliminar.
Prodi: A minha experiência quanto a esse problema foi diferente. Quando fui primeiro-ministro, a arrecadação tributária foi aumentada simplesmente com o anúncio de que pretendíamos combater a sonegação de impostos. Na época as leis não estavam sequer prontas. O que se faz necessário é uma determinação convincente.
Der Spiegel: Apesar da mudança de governo, a pressão do mercado sobre a Itália não diminuiu. Por que?
Prodi: Isso evidencia que a crise já não diz respeito à Itália. Não há dúvida de que a Itália é um ponto fraco na crise como um todo. E quando eu estive em Washington, duas semanas atrás, foi embaraçoso para mim escutar que o ponto fraco das finanças mundiais era a Itália.
Der Spiegel: Você não concorda com isso?
Prodi: Para mim é difícil ver, por exemplo, uma companhia como a Siemens vir à Itália para contratar engenheiros e levá-los para a Alemanha porque esses profissionais têm qualificações excelentes. Eu próprio tenho dois sobrinhos que concluíram os seus programas de doutorado na Itália e agora estão trabalhando na Alemanha. E outros dois estão trabalhando na França.
Der Spiegel: Nesse sentido as coisas não mudaram muito desde a década de sessenta, quando vários italianos emigraram para a Alemanha.
Prodi: Naquela época foram os pobres que deixaram a Itália. Atualmente quem está indo embora são os membros do grupo de maior nível educacional. Isso representa um drama imenso. Mas o nervosismo persistente dos mercados demonstra que isso agora se transformou em um ataque voltado contra o euro. Se tivéssemos agido com mais decisão dois meses atrás, nós já teríamos superado a crise. Mas agora é muito tarde para dar pequenos passos. E a possibilidade de modificarmos a presente rota dependerá da próxima reunião de cúpula da União Europeia, em 9 de dezembro.
Der Spiegel: O que precisa ser feito?
Prodi: Para satisfazer os mercados, nós necessitamos de um ato de solidariedade na política europeia.
Der Spiegel: Isso significa que a Alemanha precisa pagar a conta, ou por meio dos eurobonds, que acabariam com o crédito do país, ou com a aquisição em grande escala de títulos do governo pelo Banco Central Europeu, que poderia levar à inflação?
Prodi: Isso depende da Alemanha. Nós precisamos de vontade política para acabar com a crise. É claro que eu sei que os alemães estão com medo de acabarem sendo os únicos a pagar a conta.
Der Spiegel: Isso é compreensível. Neste momento, a chanceler Angela Merkel parece estar completamente isolada, com todos os parceiros políticos exercendo pressão sobre ela. Essa medida seria efetiva?
Prodi: É dessa forma que a política funciona. Mas, sejamos racionais. A Alemanha está em melhor situação com o euro ou sem ele?
Der Spiegel: Com o euro.
Prodi: Sem dúvida. O retorno ao marco alemão provocaria a revalorização desta moeda e as exportações alemãs desmoronariam. Se o euro realmente acabasse, tal fato seria como uma explosão vulcânica. Ninguém saberia onde as pedras arremessadas pela erupção cairiam.
Der Spiegel: Por outro lado, a perspectiva de inflação em grande escala...
Prodi: …seria um suicídio político na Alemanha, eu sei. Mas também seria suicídio político não demonstrar força na condução de um país. Existem medidas que podem ser implementadas nesta crise.
Der Spiegel: Como é que a Europa mudará como resultado da crise?
Prodi: A Europa sempre se tornou mais forte por meio de crises. Mas a próxima Europa terá uma aparência diferente. Alguns Estados colaborarão ainda mais intensamente. E outros Estados, passo a passo, exigirão mais exclusividade para si e buscarão algo como uma Europa a la carte. O núcleo da Europa tomará cada vez mais decisões em conjunto, enquanto que os outros países ficarão cada vez mais na periferia.
Der Spiegel: Em outras palavras, teríamos uma “Europa de duas marchas”?
Prodi: Poderíamos ter uma Europa de até mais de duas marchas. Mas, no que diz respeito ao futuro da Europa, nós temos que ficar de dedos cruzados e torcer para que ela não tenha o mesmo destino que foi designado para a Itália na Renascença.
Der Spiegel: Você se refere a uma Europa fragmentada, que não seja mais competitiva no cenário mundial?
Prodi: Veneza, Florença, Milão, Gênova – no passado estas cidades tiveram domínio nas ciências, nas artes, no poder militar e na economia e pavimentaram o caminho para a primeira globalização ocorrida no mundo. E depois disso, por estarem divididas, elas permitiram que outras potências como a Espanha e a França as superassem. Atualmente não são só a Europa e os Estados Unidos que estão conduzindo a globalização, mas também a China e outras potências asiáticas.
Der Spiegel: E você teme que a União Europeia possa ficar para trás?
Prodi: Sim. Existem sinais disso. A União Europeia ainda pode ser a número um em termos de produto interno bruto, setor de exportação e produção industrial. Mas no Oriente Médio as pessoas estão fazendo perguntas como esta: se vocês são excelentes em tantas áreas, por que é que não contam com nenhuma autoridade? Essa é uma situação inacreditável.
Tradução: UOL
Der Spiegel
Para Romano Prodi, ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente da Comissão Europeia, fim da crise depende de coragem da Alemanha
Com o euro caindo pelas tabelas, todos os olhos estão voltados para a Alemanha. Romano Prodi, ex-primeiro-ministro italiano e ex-presidente da Comissão Europeia, diz em uma entrevista a "Der Spiegel" que a Alemanha, o país mais poderoso do continente, precisa finalmente tomar uma atitude e demonstrar a coragem necessária para resolver a crise da dívida.
Der Spiegel: Da mesma forma que o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, você é favorável à criação dos chamados eurobonds para fazer com que a Europa saia da crise?
Prodi: O Banco Central Europeu precisa desempenhar um papel apropriado na crise e os eurobonds precisam ser emitidos. Juntamente com o meu colega, eu propus títulos que seriam garantidos pelas reservas de ouro estatais e por outros fundos.
Der Spiegel: E que efeito teriam essas medidas?
Prodi: Pense só. Por que é que ninguém ataca o dólar? Olhando para o orçamento dos Estados Unidos, vemos que o dólar encontra-se em uma situação muito pior do que o euro. A dívida estadual da Califórnia é muito pior do que a da Grécia. Mas o dólar encontra-se defendido, até mesmo pelo Federal Reserve. Isso faz com que o dólar seja como um cão grande e forte. Ninguém morde o rabo de um cão grande.
Der Spiegel: E o euro poderia ser também um cão grande e forte?
Prodi: Sim, se houver vontade política. Veja que a Alemanha encontra-se neste momento em uma posição realmente forte. A Alemanha é a nova China.
Der Spiegel: Isso sem dúvida é um exagero.
Prodi: Vejamos a reunião de cúpula entre Alemanha e França. Não se pode dizer isso em voz alta, mas é a verdade: a chanceler Angela Merkel, no fim das contas, é obrigada a ditar as regras.
Der Spiegel: Então você está convencido de que a posição alemã em relação aos eurobonds tem que mudar para que a crise do euro seja resolvida?
Prodi: A Alemanha precisa tomar uma decisão em relação à Europa, ou tudo estará perdido. Mas eu não acredito que exista na Alemanha qualquer pessoa disposta a abrir mão da Europa.
Der Spiegel: Você é muito otimista quanto a essa ideia de que a crise pode ser superada. De onde vem esse otimismo?
Prodi: A racionalidade vai se impor. A Alemanha não pode abrir mão da sua fantástica situação econômica no mundo.
Der Spiegel: A situação econômica da Itália é um motivo maior de preocupação. Subitamente, porém, após anos de impasse, tudo aconteceu muito rapidamente: o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi renunciou, o gabinete tecnocrata de Mario Monti ganhou um voto de confiança – tudo isso em um período de uma semana. Houve uma mudança no país?
Prodi: Na verdade, tudo ocorreu muito lentamente. A Itália encontra-se em meio a uma crise profunda que não deveria ter chegado a esse ponto. Berlusconi simplesmente teve que partir.
Der Spiegel: E ele de fato partiu?
Prodi: Eu não tenho certeza quanto a isso. Depois que renunciei ao cargo de primeiro-ministro, eu simplesmente retornei à Bolonha, a minha terra natal. Já Berlusconi dá declarações constantes demonstrando o seu desejo de manter uma porta aberta para um possível retorno ao palco político.
Der Spiegel: Ele disse que gostaria de retornar “com poder dobrado”.
Prodi: De fato, ele parece estar mais ativo na política agora do que quando era primeiro-ministro.
Der Spiegel: Berlusconi poderia se tornar uma ameaça para o sucessor dele, Monti?
Prodi: Não neste momento – Monti é muito respeitado para que isso ocorra. Mas Berlusconi não cederá. Ele perdeu a sua mágica, mas eu estou convencido de que ele tentará retornar à política.
Der Spiegel: Você teme isso?
Prodi: Você não pode imaginar como foi que eu sofri nos últimos anos. Aonde quer que eu fosse, o clima era de “bunga bunga”. Em Pequim, a minha mulher e eu fomos alvos de risadas. Até mesmo no Quênia, os guardas florestais apontavam para os macacos nas árvores e diziam: “Vejam só, eles estão fazendo 'bunga bunga'”.
Der Spiegel: A renúncia momentânea de políticos para dar lugar a um especialista em governo seria a solução correta para a Itália?
Prodi: No que diz respeito aos próximos meses, com certeza. Nós contamos com duas personalidades que podem dar aos mercados garantias de um comportamento racional. Uma delas é Mario Draghi, o diretor do Banco Central Europeu. A outra é o primeiro-ministro. Ambos são excelentes economistas e europeus altamente respeitados em todo o mundo.
Der Spiegel: E isso será suficiente para convencer os italianos de que é necessário fazer sacrifícios para que o país possa sair dessa crise?
Prodi:A questão não diz tanto respeito a crueldades, mas sim à mudança de estruturas e à liberalização de mercados. Eu lutei para fazer isso quando fui primeiro-ministro e enfrentei dificuldades enormes no parlamento.
Der Spiegel: Na Grécia, as tentativas de mudar as estruturas e a mentalidade de um país inteiro também não tiveram resultado até o momento.
Prodi:Não se pode comparar os dois países. Nós não temos que reduzir em 30% os salários dos nossos funcionários públicos. O nosso déficit orçamentário em 2012 será apenas a metade do déficit francês. Entretanto, nós precisamos de um governo forte, e até agora não contávamos com tal governo. Além disso, nós temos dois problemas que diferenciam a Itália dos outros países europeus: a sonegação fiscal generalizada e a economia paralela.
Der Spiegel: Você está falando sobre a corrupção e a máfia.
Prodi: Pense nos assassinatos ocorridos em Duisburg e você verá o quão terrível é capaz de ser o crime organizado na Itália. Nós precisamos tomar providências urgentes nessas áreas.
Der Spiegel: A sonegação fiscal não é um problema fácil de se eliminar.
Prodi: A minha experiência quanto a esse problema foi diferente. Quando fui primeiro-ministro, a arrecadação tributária foi aumentada simplesmente com o anúncio de que pretendíamos combater a sonegação de impostos. Na época as leis não estavam sequer prontas. O que se faz necessário é uma determinação convincente.
Der Spiegel: Apesar da mudança de governo, a pressão do mercado sobre a Itália não diminuiu. Por que?
Prodi: Isso evidencia que a crise já não diz respeito à Itália. Não há dúvida de que a Itália é um ponto fraco na crise como um todo. E quando eu estive em Washington, duas semanas atrás, foi embaraçoso para mim escutar que o ponto fraco das finanças mundiais era a Itália.
Der Spiegel: Você não concorda com isso?
Prodi: Para mim é difícil ver, por exemplo, uma companhia como a Siemens vir à Itália para contratar engenheiros e levá-los para a Alemanha porque esses profissionais têm qualificações excelentes. Eu próprio tenho dois sobrinhos que concluíram os seus programas de doutorado na Itália e agora estão trabalhando na Alemanha. E outros dois estão trabalhando na França.
Der Spiegel: Nesse sentido as coisas não mudaram muito desde a década de sessenta, quando vários italianos emigraram para a Alemanha.
Prodi: Naquela época foram os pobres que deixaram a Itália. Atualmente quem está indo embora são os membros do grupo de maior nível educacional. Isso representa um drama imenso. Mas o nervosismo persistente dos mercados demonstra que isso agora se transformou em um ataque voltado contra o euro. Se tivéssemos agido com mais decisão dois meses atrás, nós já teríamos superado a crise. Mas agora é muito tarde para dar pequenos passos. E a possibilidade de modificarmos a presente rota dependerá da próxima reunião de cúpula da União Europeia, em 9 de dezembro.
Der Spiegel: O que precisa ser feito?
Prodi: Para satisfazer os mercados, nós necessitamos de um ato de solidariedade na política europeia.
Der Spiegel: Isso significa que a Alemanha precisa pagar a conta, ou por meio dos eurobonds, que acabariam com o crédito do país, ou com a aquisição em grande escala de títulos do governo pelo Banco Central Europeu, que poderia levar à inflação?
Prodi: Isso depende da Alemanha. Nós precisamos de vontade política para acabar com a crise. É claro que eu sei que os alemães estão com medo de acabarem sendo os únicos a pagar a conta.
Der Spiegel: Isso é compreensível. Neste momento, a chanceler Angela Merkel parece estar completamente isolada, com todos os parceiros políticos exercendo pressão sobre ela. Essa medida seria efetiva?
Prodi: É dessa forma que a política funciona. Mas, sejamos racionais. A Alemanha está em melhor situação com o euro ou sem ele?
Der Spiegel: Com o euro.
Prodi: Sem dúvida. O retorno ao marco alemão provocaria a revalorização desta moeda e as exportações alemãs desmoronariam. Se o euro realmente acabasse, tal fato seria como uma explosão vulcânica. Ninguém saberia onde as pedras arremessadas pela erupção cairiam.
Der Spiegel: Por outro lado, a perspectiva de inflação em grande escala...
Prodi: …seria um suicídio político na Alemanha, eu sei. Mas também seria suicídio político não demonstrar força na condução de um país. Existem medidas que podem ser implementadas nesta crise.
Der Spiegel: Como é que a Europa mudará como resultado da crise?
Prodi: A Europa sempre se tornou mais forte por meio de crises. Mas a próxima Europa terá uma aparência diferente. Alguns Estados colaborarão ainda mais intensamente. E outros Estados, passo a passo, exigirão mais exclusividade para si e buscarão algo como uma Europa a la carte. O núcleo da Europa tomará cada vez mais decisões em conjunto, enquanto que os outros países ficarão cada vez mais na periferia.
Der Spiegel: Em outras palavras, teríamos uma “Europa de duas marchas”?
Prodi: Poderíamos ter uma Europa de até mais de duas marchas. Mas, no que diz respeito ao futuro da Europa, nós temos que ficar de dedos cruzados e torcer para que ela não tenha o mesmo destino que foi designado para a Itália na Renascença.
Der Spiegel: Você se refere a uma Europa fragmentada, que não seja mais competitiva no cenário mundial?
Prodi: Veneza, Florença, Milão, Gênova – no passado estas cidades tiveram domínio nas ciências, nas artes, no poder militar e na economia e pavimentaram o caminho para a primeira globalização ocorrida no mundo. E depois disso, por estarem divididas, elas permitiram que outras potências como a Espanha e a França as superassem. Atualmente não são só a Europa e os Estados Unidos que estão conduzindo a globalização, mas também a China e outras potências asiáticas.
Der Spiegel: E você teme que a União Europeia possa ficar para trás?
Prodi: Sim. Existem sinais disso. A União Europeia ainda pode ser a número um em termos de produto interno bruto, setor de exportação e produção industrial. Mas no Oriente Médio as pessoas estão fazendo perguntas como esta: se vocês são excelentes em tantas áreas, por que é que não contam com nenhuma autoridade? Essa é uma situação inacreditável.
Tradução: UOL
PRIMAVERA ÁRABE OU O INÍCIO DO INVERNO PARA A LIBERDADE DAS MULHERES?
Mulheres árabes temem retrocesso dos poucos direitos que tinham na ditadura
Mathieu Von Rohr - Der Spiegel
A primavera árabe parecia anunciar uma nova era de emancipação para as mulheres no mundo árabe. Mas os islâmicos estão em ascensão na Tunísia e no Egito e há relatos preocupantes de ataques sexuais nas manifestações na praça Tahrir, no Cairo. Muitas mulheres na região temem um retrocesso dos poucos direitos que tinham na ditadura.
Ela parece séria no retrato que postou na Internet. Ela também está nua: uma jovem egípcia mostrando seu corpo ao seu país. Aliaa Magda Elmahdy, estudante de artes de 20 anos da Universidade Americana no Cairo, queria protestar contra a opressão das mulheres e o conservadorismo em seu país. Para alcançar isso, fez algo quase inédito.
“Tire a roupa, fique diante de um espelho e queime seu corpo que você tanto despreza e livre-se para sempre de seus complexos sexuais”, escreveu em seu blog. Em um país onde os casais não podem se beijar em público, seu ato foi um choque.
Desde que causou escândalo há duas semanas, a egípcia teve que se esconder do ódio dos conservadores religiosos, e até os egípcios seculares se distanciaram dela. Eles não querem estar associados com seu ato e têm medo de ser caracterizados como mundanos, libertinos e imorais.
Há muito em jogo para os jovens no Egito, que estão novamente protestando na praça Tahrir, desta vez contra o controle militar do país, como se a revolução de janeiro e fevereiro nunca tivesse acontecido. Não é mais apenas uma questão se o país vai alcançar a transição para a democracia, mas também que tipo de sociedade o Egito quer e qual será o status das mulheres nesta sociedade.
Houve inúmeros relatos na última semana de ataques sexuais contra as mulheres na praça Tahrir, ataques envolvendo tanto as forças de segurança quanto manifestantes. A jornalista egípcio-americana Mona Eltahawy, que tomou parte nos protestos na praça, ficou horas presa, vendada. Policiais a agarraram e quebraram seu braço e sua mão. “Eles me agarraram e tocaram nos meus seios, apertaram minha região genital e perdi a conta de quantas mãos tentaram entrar nas minhas calças”, escreveu no Twitter. “Eles são cães, e seus chefes são cães”.
Confusão sobre o papel feminino
O Ocidente está confuso. Em janeiro e fevereiro, muitos ficaram entusiasmados com os levantes na Tunísia e no Egito, particularmente pelo papel das mulheres. Elas protestaram ao lado dos homens na avenida Habib Bourguiba, na Tunísia, e na praça Tahrir, no Cairo. Seu envolvimento transmitiu uma nova imagem do jovem árabe e das mulheres árabes. Muitos fotógrafos ocidentais no Cairo e em Túnis enviaram imagens aos seus escritórios de mulheres atraentes tomando parte na revolução.
Os ocidentais se reconheceram nos rostos das jovens manifestantes e ficaram contentes que as pessoas nesses países não eram tão diferentes quanto muitos acreditavam. A certeza que os árabes eram incompatíveis com a democracia foi destruída, assim como o clichê da mulher árabe como um ser oprimido e passivo.
Nenhum dos levantes nos países árabes teria sido possível sem a participação das mulheres. Elas estavam entre os primeiros a protestar na praça Pearl no Bahrein, elas organizaram protestos na Síria, fizeram parte do levante na Líbia desde o início e uma ativista iemenita foi uma das vencedoras do Prêmio Nobel da Paz deste ano.
Medo de perder direitos
Tudo isso explica porque tantas pessoas ficaram desapontadas com as notícias das últimas semanas. Na Tunísia, onde a Primavera Árabe começou e onde as mulheres apreciam maiores liberdades do que em qualquer parte do mundo árabe, os islâmicos surgiram nas recentes eleições como os mais fortes. O mesmo deve acontecer no Egito, que está em período eleitoral. E nem uma única mulher foi nomeada para o conselho que será responsável pela redação da constituição.
No Egito, não foram apenas os islâmicos os responsáveis pelos ataques contra as mulheres desde então. Foram também os membros dos regimes antigo e novo. Em março, houve relatos que o exército estava fazendo “testes de virgindade” nas manifestantes, um procedimento que muitas entenderam como estupro.
Elas tiveram que ficar nuas diante de soldados em festa, que usaram seus celulares para filmar os exames da genitália das mulheres. Um general depois anunciou que as mulheres não eram como nossas filhas ou a dele. Mais recentemente, atos de violência sexual estão sendo perpetrados contra as mulheres na praça novamente.
Será que as mulheres árabes lutaram por sua liberdade somente para então perder os direitos que tinham antes, na ditadura?
Um projeto da elite
Há muito existe uma classe urbana educada, de mulheres profissionais na Tunísia e no Egito. Os direitos da mulher, porém, eram um projeto da elite. Para déspotas como o ex-presidente da Tunísia Zine el Abidine Ben Ali ou o ex-presidente do Egito Hosni Mubarak também era um meio para um fim. Eles defendiam os direitos das mulheres para levar o Ocidente a crer que seus regimes eram progressistas.
Mas a realidade deixava muito a desejar. De fato, o famoso Relatório do Desenvolvimento Humano Árabe da Organização das Nações Unidas de 2002 citou o pobre estado dos direitos das mulheres no mundo árabe como uma das três razões porque essa parte do mundo permanecia tão subdesenvolvida.
No Egito, ironicamente, foi Suzanne Mubarak, hoje a odiada mulher do ex-presidente, que defendeu os direitos das mulheres e combateu a horrível prática de mutilação genital feminina. Apesar de ter feito algum progresso, muitas das suas conquistas em nome das mulheres hoje estão associadas ao seu nome.
Não é de surpreender que um contra-modelo islâmico agora esteja ganhando força, após a derrubada de regimes que se fingiam ocidentais e seculares. Particularmente na Tunísia, a elite secular sempre se acreditou mais europeia do que árabe, imitando o estilo de vida do antigo poder colonial, a França. Nos subúrbios ricos de Túnis, não era incomum ver mulheres usando saias curtas, e as feministas se orgulhavam disso.
Quase igualdade
Na Tunísia, as mulheres estão em condições similares aos homens na maior parte das áreas. Elas podem se divorciar, a poligamia é proibida, e o aborto é legal. Os efeitos dessa política se refletem em dois índices. Enquanto metade de todas as mulheres já estavam casadas aos 20 anos em 1960, em 2004 somente 3% das mulheres entre 15 e 19 anos estavam casadas. Esse status das mulheres pode ser atribuído a Habib Bourguiba, fundador secular da República da Tunísia, que muitas vezes é tido como similar tunisiano do primeiro presidente da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk. Entretanto, continua sendo um fenômeno primariamente urbano. Como a Turquia, a Tunísia era em grande parte secular por este ser o desejo das elites. No interior do país, as pessoas são conservadoras.
Foi um erro acreditar que o mundo árabe ia se tornar mais ocidentalizado após as revoluções. Pelo contrário, em muitos locais, os moradores estão voltando aos seus próprios valores.
Nas ruas de Túnis, mulheres usando lenço na cabeça ainda eram a exceção em janeiro, mas em junho parecia que cerca de metade das mulheres já estavam usando o lenço. Algumas o faziam simplesmente por motivos religiosos, mas para muitos o hijab é uma expressão de uma identidade recém descoberta. Antes das revoluções, era quase visto como estigma ser árabe. Mas desde a derrubada de Ben Ali, um renovado orgulho nacional e identidade árabe são evidentes na Tunísia.
Sana Ben Achour, principal feminista da Tunísia, não esconde sua decepção diante das mudanças. Ela não gosta da impressão gerada que o corpo da mulher é algo que deve ser coberto. Ela salienta, contudo, que há jovens vestindo jeans apertados e véu, deixando claro que nada está sendo de fato coberto. Achour acha que isso é moda, mas ainda assim não gosta.
Renascimento conservador
No Egito, por outro lado, durante anos poucas mulheres se aventuravam nas ruas sem um véu. É um sinal de uma sociedade conservadora que parece muito mais removida da Europa do que a Tunísia.
Mulheres com véus já tomaram as ruas em protesto contra os britânicos mesmo em 1919. Após Gamal Abdel Nasser assumir o poder em 1954, o país passou por um despertar social, e as mulheres foram estimuladas a tomar parte na vida profissional. Ainda assim, houve uma forte retomada no conservadorismo desde os anos 80, com as mulheres sendo empurradas de volta aos seus papeis tradicionais.
Muitas feministas árabes olham para o Iraque com preocupação, onde a derrubada de um tirano secular não ajudou as mulheres e onde quatro quintos de todas as estudantes pararam de frequentar a escola desde então.
Um novo modelo de islâmicas
Uma mulher atraente e sorridente apareceu diante dos jornalistas ocidentais para falar em nome dos vencedores na noite após a vitória eleitoral islâmica em Túnis. Ninguém será forçado a vestir o lenço na nova Tunísia, disse ela. Ela estava maquiada e usava um lenço colorido enrolado firmemente em torno do rosto. Ela parecia confiante e inteligente, e quando perguntada o que a vitória islâmica significaria para as mulheres, ela disse que não via contradição entre o islã e o direito da mulher.
Esta era Soumaya Ghannouchi, filha de Rachid Ghannouchi, líder do partido islâmico Ennahda e o novo homem forte do país. Ela foi criada em Londres, onde o pai morou no exílio por 20 anos, e onde ela era jornalista, escrevendo para o “Guardian” entre outras publicações. Ela é politicamente engajada, muçulmana independente que defende o movimento do pai, como faz a irmã Intissar, que é advogada em Londres.
As quatro filhas de Ghannouchi não se encaixam nas noções ocidentais da mulher árabe oprimida. É assim que devem ser as islâmicas?
As filhas de Ghannouchi, que se tornaram exemplos para algumas jovens na Tunísia, não são a única evidência que é possível ser uma mulher muçulmana, vestir lenço na cabeça e ainda ser forte. Por anos, as redes de televisão via satélite árabes na região do Golfo também popularizaram o ideal de pura beleza feminina por todo o mundo árabe.
Emancipação muçulmana
Mulheres determinadas não necessariamente têm que se parecer como na fantasia ocidental. Anos atrás, pesquisadores do centro de estudos para Paz Internacional Carnegie Endowment, de Washington, identificou um movimento que seria caracterizado como emancipação muçulmana dentro de tais organizações como a Irmandade Muçulmana egípcia. Mesmo este grupo de mulheres conservadoras muçulmanas envolve uma nova geração de ativistas confiantes e educadas, que exigem seus direitos e insistem em ser ouvidas dentro de suas organizações.
Muitas delas estavam à frente das marchas de protesto no último inverno e agora estão lá novamente, lado a lado com as manifestantes seculares. Juntas, estão enfrentando um confronto com o pior adversário das mulheres egípcias: os militares. Durante a revolução na praça Tahrir, muitas jovens egípcias vivenciaram a igualdade de gêneros pela primeira vez. Elas protestaram junto com os homens e foram igualmente importantes na derrubada de Mubarak, e não houve ataques sexuais naquele período.
Desde então, têm sido primordialmente as forças de segurança e o conselho militar do Egito que procuraram colocar as mulheres em seus lugares por meio da violência –e não os islâmicos.
Ao mesmo tempo, os salafistas radicais se tornaram cada vez mais influentes no Egito. Os salafistas são muçulmanos fundamentalistas que querem que as mulheres fiquem em casa e cubram seus corpos da cabeça aos pés. Os cartazes de campanha do partido salafista Nour mostram sete candidatos barbudos. Não há foto da oitava candidata, somente a imagem de uma rosa.
Mas os salafistas não são a maioria no Egito. A Irmandade Muçulmana, que também é islâmica e provavelmente vencerá as eleições, é mais pragmática em sua posição em relação às mulheres. São conservadores, mas não se deve esperar deles uma interpretação da lei islâmica baseada no modelo misógino saudita.
Notícias preocupantes
Na Tunísia, os islâmicos sob Rachid Ghannouchi alegam ser mais favoráveis às mulheres do que em qualquer outra parte. Na campanha eleitoral, eles insistiram que não iam procurar reduzir os direitos e que não estão interessados na poligamia ou em tornar obrigatório as mulheres usarem lenço na cabeça. Eles citam como modelo o partido governante islâmico moderado na Turquia, o AKP.
Muitos conservadores, porém, sentiram-se fortalecidos por sua vitória eleitoral e há notícias preocupantes vindo de Túnis. As mulheres informam que foram criticadas em público por suas roupas. Na universidade, estudantes impediram as palestrantes de entrarem na sala por estarem vestidas sem modéstia.
Ainda assim, não se deve esperar que a forte posição das mulheres na Tunísia mude rapidamente, pois está muito firmemente estabelecida, especialmente nas cidades. No Egito, por outro lado, as mulheres não são forçadas apenas a defenderem seus direitos contra os radicais islâmicos, mas também contra uma aliança de machistas de linhas ideológicas totalmente diferentes.
Após os ataques da semana passada, a jovem ativista Lara El Gibaly escreveu no Twitter: “Sob o risco de parecer feminista, hoje em particular estou realmente enojada com a sociedade patriarcal movida a testosterona em que vivo. O Egito é um lugar horrível para as mulheres.”
Tradução: Deborah Weinberg
Mathieu Von Rohr - Der Spiegel
A primavera árabe parecia anunciar uma nova era de emancipação para as mulheres no mundo árabe. Mas os islâmicos estão em ascensão na Tunísia e no Egito e há relatos preocupantes de ataques sexuais nas manifestações na praça Tahrir, no Cairo. Muitas mulheres na região temem um retrocesso dos poucos direitos que tinham na ditadura.
Ela parece séria no retrato que postou na Internet. Ela também está nua: uma jovem egípcia mostrando seu corpo ao seu país. Aliaa Magda Elmahdy, estudante de artes de 20 anos da Universidade Americana no Cairo, queria protestar contra a opressão das mulheres e o conservadorismo em seu país. Para alcançar isso, fez algo quase inédito.
“Tire a roupa, fique diante de um espelho e queime seu corpo que você tanto despreza e livre-se para sempre de seus complexos sexuais”, escreveu em seu blog. Em um país onde os casais não podem se beijar em público, seu ato foi um choque.
Desde que causou escândalo há duas semanas, a egípcia teve que se esconder do ódio dos conservadores religiosos, e até os egípcios seculares se distanciaram dela. Eles não querem estar associados com seu ato e têm medo de ser caracterizados como mundanos, libertinos e imorais.
Há muito em jogo para os jovens no Egito, que estão novamente protestando na praça Tahrir, desta vez contra o controle militar do país, como se a revolução de janeiro e fevereiro nunca tivesse acontecido. Não é mais apenas uma questão se o país vai alcançar a transição para a democracia, mas também que tipo de sociedade o Egito quer e qual será o status das mulheres nesta sociedade.
Houve inúmeros relatos na última semana de ataques sexuais contra as mulheres na praça Tahrir, ataques envolvendo tanto as forças de segurança quanto manifestantes. A jornalista egípcio-americana Mona Eltahawy, que tomou parte nos protestos na praça, ficou horas presa, vendada. Policiais a agarraram e quebraram seu braço e sua mão. “Eles me agarraram e tocaram nos meus seios, apertaram minha região genital e perdi a conta de quantas mãos tentaram entrar nas minhas calças”, escreveu no Twitter. “Eles são cães, e seus chefes são cães”.
Confusão sobre o papel feminino
O Ocidente está confuso. Em janeiro e fevereiro, muitos ficaram entusiasmados com os levantes na Tunísia e no Egito, particularmente pelo papel das mulheres. Elas protestaram ao lado dos homens na avenida Habib Bourguiba, na Tunísia, e na praça Tahrir, no Cairo. Seu envolvimento transmitiu uma nova imagem do jovem árabe e das mulheres árabes. Muitos fotógrafos ocidentais no Cairo e em Túnis enviaram imagens aos seus escritórios de mulheres atraentes tomando parte na revolução.
Os ocidentais se reconheceram nos rostos das jovens manifestantes e ficaram contentes que as pessoas nesses países não eram tão diferentes quanto muitos acreditavam. A certeza que os árabes eram incompatíveis com a democracia foi destruída, assim como o clichê da mulher árabe como um ser oprimido e passivo.
Nenhum dos levantes nos países árabes teria sido possível sem a participação das mulheres. Elas estavam entre os primeiros a protestar na praça Pearl no Bahrein, elas organizaram protestos na Síria, fizeram parte do levante na Líbia desde o início e uma ativista iemenita foi uma das vencedoras do Prêmio Nobel da Paz deste ano.
Medo de perder direitos
Tudo isso explica porque tantas pessoas ficaram desapontadas com as notícias das últimas semanas. Na Tunísia, onde a Primavera Árabe começou e onde as mulheres apreciam maiores liberdades do que em qualquer parte do mundo árabe, os islâmicos surgiram nas recentes eleições como os mais fortes. O mesmo deve acontecer no Egito, que está em período eleitoral. E nem uma única mulher foi nomeada para o conselho que será responsável pela redação da constituição.
No Egito, não foram apenas os islâmicos os responsáveis pelos ataques contra as mulheres desde então. Foram também os membros dos regimes antigo e novo. Em março, houve relatos que o exército estava fazendo “testes de virgindade” nas manifestantes, um procedimento que muitas entenderam como estupro.
Elas tiveram que ficar nuas diante de soldados em festa, que usaram seus celulares para filmar os exames da genitália das mulheres. Um general depois anunciou que as mulheres não eram como nossas filhas ou a dele. Mais recentemente, atos de violência sexual estão sendo perpetrados contra as mulheres na praça novamente.
Será que as mulheres árabes lutaram por sua liberdade somente para então perder os direitos que tinham antes, na ditadura?
Um projeto da elite
Há muito existe uma classe urbana educada, de mulheres profissionais na Tunísia e no Egito. Os direitos da mulher, porém, eram um projeto da elite. Para déspotas como o ex-presidente da Tunísia Zine el Abidine Ben Ali ou o ex-presidente do Egito Hosni Mubarak também era um meio para um fim. Eles defendiam os direitos das mulheres para levar o Ocidente a crer que seus regimes eram progressistas.
Mas a realidade deixava muito a desejar. De fato, o famoso Relatório do Desenvolvimento Humano Árabe da Organização das Nações Unidas de 2002 citou o pobre estado dos direitos das mulheres no mundo árabe como uma das três razões porque essa parte do mundo permanecia tão subdesenvolvida.
No Egito, ironicamente, foi Suzanne Mubarak, hoje a odiada mulher do ex-presidente, que defendeu os direitos das mulheres e combateu a horrível prática de mutilação genital feminina. Apesar de ter feito algum progresso, muitas das suas conquistas em nome das mulheres hoje estão associadas ao seu nome.
Não é de surpreender que um contra-modelo islâmico agora esteja ganhando força, após a derrubada de regimes que se fingiam ocidentais e seculares. Particularmente na Tunísia, a elite secular sempre se acreditou mais europeia do que árabe, imitando o estilo de vida do antigo poder colonial, a França. Nos subúrbios ricos de Túnis, não era incomum ver mulheres usando saias curtas, e as feministas se orgulhavam disso.
Quase igualdade
Na Tunísia, as mulheres estão em condições similares aos homens na maior parte das áreas. Elas podem se divorciar, a poligamia é proibida, e o aborto é legal. Os efeitos dessa política se refletem em dois índices. Enquanto metade de todas as mulheres já estavam casadas aos 20 anos em 1960, em 2004 somente 3% das mulheres entre 15 e 19 anos estavam casadas. Esse status das mulheres pode ser atribuído a Habib Bourguiba, fundador secular da República da Tunísia, que muitas vezes é tido como similar tunisiano do primeiro presidente da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk. Entretanto, continua sendo um fenômeno primariamente urbano. Como a Turquia, a Tunísia era em grande parte secular por este ser o desejo das elites. No interior do país, as pessoas são conservadoras.
Foi um erro acreditar que o mundo árabe ia se tornar mais ocidentalizado após as revoluções. Pelo contrário, em muitos locais, os moradores estão voltando aos seus próprios valores.
Nas ruas de Túnis, mulheres usando lenço na cabeça ainda eram a exceção em janeiro, mas em junho parecia que cerca de metade das mulheres já estavam usando o lenço. Algumas o faziam simplesmente por motivos religiosos, mas para muitos o hijab é uma expressão de uma identidade recém descoberta. Antes das revoluções, era quase visto como estigma ser árabe. Mas desde a derrubada de Ben Ali, um renovado orgulho nacional e identidade árabe são evidentes na Tunísia.
Sana Ben Achour, principal feminista da Tunísia, não esconde sua decepção diante das mudanças. Ela não gosta da impressão gerada que o corpo da mulher é algo que deve ser coberto. Ela salienta, contudo, que há jovens vestindo jeans apertados e véu, deixando claro que nada está sendo de fato coberto. Achour acha que isso é moda, mas ainda assim não gosta.
Renascimento conservador
No Egito, por outro lado, durante anos poucas mulheres se aventuravam nas ruas sem um véu. É um sinal de uma sociedade conservadora que parece muito mais removida da Europa do que a Tunísia.
Mulheres com véus já tomaram as ruas em protesto contra os britânicos mesmo em 1919. Após Gamal Abdel Nasser assumir o poder em 1954, o país passou por um despertar social, e as mulheres foram estimuladas a tomar parte na vida profissional. Ainda assim, houve uma forte retomada no conservadorismo desde os anos 80, com as mulheres sendo empurradas de volta aos seus papeis tradicionais.
Muitas feministas árabes olham para o Iraque com preocupação, onde a derrubada de um tirano secular não ajudou as mulheres e onde quatro quintos de todas as estudantes pararam de frequentar a escola desde então.
Um novo modelo de islâmicas
Uma mulher atraente e sorridente apareceu diante dos jornalistas ocidentais para falar em nome dos vencedores na noite após a vitória eleitoral islâmica em Túnis. Ninguém será forçado a vestir o lenço na nova Tunísia, disse ela. Ela estava maquiada e usava um lenço colorido enrolado firmemente em torno do rosto. Ela parecia confiante e inteligente, e quando perguntada o que a vitória islâmica significaria para as mulheres, ela disse que não via contradição entre o islã e o direito da mulher.
Esta era Soumaya Ghannouchi, filha de Rachid Ghannouchi, líder do partido islâmico Ennahda e o novo homem forte do país. Ela foi criada em Londres, onde o pai morou no exílio por 20 anos, e onde ela era jornalista, escrevendo para o “Guardian” entre outras publicações. Ela é politicamente engajada, muçulmana independente que defende o movimento do pai, como faz a irmã Intissar, que é advogada em Londres.
As quatro filhas de Ghannouchi não se encaixam nas noções ocidentais da mulher árabe oprimida. É assim que devem ser as islâmicas?
As filhas de Ghannouchi, que se tornaram exemplos para algumas jovens na Tunísia, não são a única evidência que é possível ser uma mulher muçulmana, vestir lenço na cabeça e ainda ser forte. Por anos, as redes de televisão via satélite árabes na região do Golfo também popularizaram o ideal de pura beleza feminina por todo o mundo árabe.
Emancipação muçulmana
Mulheres determinadas não necessariamente têm que se parecer como na fantasia ocidental. Anos atrás, pesquisadores do centro de estudos para Paz Internacional Carnegie Endowment, de Washington, identificou um movimento que seria caracterizado como emancipação muçulmana dentro de tais organizações como a Irmandade Muçulmana egípcia. Mesmo este grupo de mulheres conservadoras muçulmanas envolve uma nova geração de ativistas confiantes e educadas, que exigem seus direitos e insistem em ser ouvidas dentro de suas organizações.
Muitas delas estavam à frente das marchas de protesto no último inverno e agora estão lá novamente, lado a lado com as manifestantes seculares. Juntas, estão enfrentando um confronto com o pior adversário das mulheres egípcias: os militares. Durante a revolução na praça Tahrir, muitas jovens egípcias vivenciaram a igualdade de gêneros pela primeira vez. Elas protestaram junto com os homens e foram igualmente importantes na derrubada de Mubarak, e não houve ataques sexuais naquele período.
Desde então, têm sido primordialmente as forças de segurança e o conselho militar do Egito que procuraram colocar as mulheres em seus lugares por meio da violência –e não os islâmicos.
Ao mesmo tempo, os salafistas radicais se tornaram cada vez mais influentes no Egito. Os salafistas são muçulmanos fundamentalistas que querem que as mulheres fiquem em casa e cubram seus corpos da cabeça aos pés. Os cartazes de campanha do partido salafista Nour mostram sete candidatos barbudos. Não há foto da oitava candidata, somente a imagem de uma rosa.
Mas os salafistas não são a maioria no Egito. A Irmandade Muçulmana, que também é islâmica e provavelmente vencerá as eleições, é mais pragmática em sua posição em relação às mulheres. São conservadores, mas não se deve esperar deles uma interpretação da lei islâmica baseada no modelo misógino saudita.
Notícias preocupantes
Na Tunísia, os islâmicos sob Rachid Ghannouchi alegam ser mais favoráveis às mulheres do que em qualquer outra parte. Na campanha eleitoral, eles insistiram que não iam procurar reduzir os direitos e que não estão interessados na poligamia ou em tornar obrigatório as mulheres usarem lenço na cabeça. Eles citam como modelo o partido governante islâmico moderado na Turquia, o AKP.
Muitos conservadores, porém, sentiram-se fortalecidos por sua vitória eleitoral e há notícias preocupantes vindo de Túnis. As mulheres informam que foram criticadas em público por suas roupas. Na universidade, estudantes impediram as palestrantes de entrarem na sala por estarem vestidas sem modéstia.
Ainda assim, não se deve esperar que a forte posição das mulheres na Tunísia mude rapidamente, pois está muito firmemente estabelecida, especialmente nas cidades. No Egito, por outro lado, as mulheres não são forçadas apenas a defenderem seus direitos contra os radicais islâmicos, mas também contra uma aliança de machistas de linhas ideológicas totalmente diferentes.
Após os ataques da semana passada, a jovem ativista Lara El Gibaly escreveu no Twitter: “Sob o risco de parecer feminista, hoje em particular estou realmente enojada com a sociedade patriarcal movida a testosterona em que vivo. O Egito é um lugar horrível para as mulheres.”
Tradução: Deborah Weinberg
MUÇULMANOS GANHAM ELEIÇÕES NO MARROCOS
Islamistas ganham pela primeira vez eleição no Marrocos
Prévias apontam vitória do Partido Justiça e Desenvolvimento
O Globo, com agências
RABAT — Os islamistas moderados do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD) estão prestes a ganhar a eleição parlamentar no país, indica resultado parcial do pleito divulgado neste sábado. É o segundo partido islâmico a ganhar uma eleição no Norte da África após a “Primavera Árabe”.
Os resultados parciais apontam que os islamistas vão liderar um governo de coalizão em parceria com o partido secular conservador do primeiro-ministro demissionário e duas outras agremiações políticas.
Ao anunciar os resultados parciais, o ministro do Interior Taib Cherkaoui disse que o PJD teria a maior representação no Parlamento marroquino. Os resultados já eram conhecidos para 288 assentos dos 395 assentos do Parlamento, e, pelas prévias, o PJD iria ter 80 representantes.
Tunísia, berço da “Primavera Árabe”, contagiou o Oriente Médio no mês passado quando um partido islâmico moderado venceu a primeira eleição democrática do país.
Marrocos não passou por uma revolução semelhante a de outros países da região, mas o rei Mohammed ainda está firma no poder. Ele concedeu reformas limitadas para dispersar uma rebelião, e o PJD se beneficiou do ressurgimento de islamistas radicais na região.
Prévias apontam vitória do Partido Justiça e Desenvolvimento
O Globo, com agências
RABAT — Os islamistas moderados do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD) estão prestes a ganhar a eleição parlamentar no país, indica resultado parcial do pleito divulgado neste sábado. É o segundo partido islâmico a ganhar uma eleição no Norte da África após a “Primavera Árabe”.
Os resultados parciais apontam que os islamistas vão liderar um governo de coalizão em parceria com o partido secular conservador do primeiro-ministro demissionário e duas outras agremiações políticas.
Ao anunciar os resultados parciais, o ministro do Interior Taib Cherkaoui disse que o PJD teria a maior representação no Parlamento marroquino. Os resultados já eram conhecidos para 288 assentos dos 395 assentos do Parlamento, e, pelas prévias, o PJD iria ter 80 representantes.
Tunísia, berço da “Primavera Árabe”, contagiou o Oriente Médio no mês passado quando um partido islâmico moderado venceu a primeira eleição democrática do país.
Marrocos não passou por uma revolução semelhante a de outros países da região, mas o rei Mohammed ainda está firma no poder. Ele concedeu reformas limitadas para dispersar uma rebelião, e o PJD se beneficiou do ressurgimento de islamistas radicais na região.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
CRISE DO EURO
Euro foi uma armadilha para pobres, diz moradora da periferia de Paris
Miguel Mora - El País
"Todo mundo se tornou mais egoísta, não existe solidariedade, ninguém mais ajuda ninguém. Não sei muito sobre a dívida, mas sei que esta crise é uma merda, porque os mesmos de sempre é quem vão pagá-la, e dá na mesma que governe a esquerda ou a direita, porque quem manda são os bancos, as financeiras." Quem fala é Diabira, um jovem de 24 anos de raça negra que acaba de terminar seu turno na fábrica da PSA Citroën-Peugeot, um enorme edifício com os muros coroados de espinhos.
Parece uma prisão, mas é uma fábrica e dá emprego para milhares de trabalhadores. Por enquanto. O gigante francês dos automóveis anunciou que em 2012 deverá demitir 5.800 pessoas na Europa, 4 mil delas na França. Diabira conta que "na fábrica todos têm medo de perder o emprego". Ele trabalha aqui há três anos, no controle de qualidade das peças. Em sua seção, explica, "já nos disseram que no final do mês sairão todos os contratados temporários. Dizem que os fixos não, mas vamos ver".
Estamos em Saint-Ouen, a "banlieue" (periferia) do norte de Paris. O departamento chama-se Seine-Saint-Denis, mas todos o chamam de 93 por causa de seu código postal. É o lugar da França onde vivem, proporcionalmente, mais emigrantes; a zona com mortalidade infantil mais elevada (5,7%), com a população mais jovem (14% têm entre 14 e 24 anos) e o índice de emprego mais baixo: 11,6% de desemprego no segundo trimestre de 2011, contra 9,1% nacionais. Mas a cifra entre os jovens já alcança 43%.
Desde que começou a crise, em 2008, o modelo francês do Estado assistencial teve de se esforçar neste bairro pobre. O desemprego juvenil disparou 27% em três anos, e em abril só havia 66 jovens ganhando a Renda de Solidariedade Ativa (RSA), a prestação social para os trabalhadores e as pessoas com menos renda, criada em 2009 pelo governo. Mas a RSA, que beneficia 3 milhões de franceses, quase não serve para os desempregados menores de 25 anos, porque para ter acesso ao subsídio é preciso ter trabalhado 24 meses em tempo integral nos últimos três anos.
Nestas ruas sem butiques nem "brasseries", havia nos anos 1970 e 80 muitas empresas metalúrgicas e químicas. A deslocalização foi fechando quase todas, e as tentativas do governo para converter a zona em um grande polo empresarial --aqui estão as sedes da Alstom, BNP Paribas, Generali, Hermès e a telefônica SFR-- parecem ter rendido poucos benefícios a seus habitantes. Nas últimas eleições regionais, 67% dos inscritos no 93 preferiram não votar.
Saint-Ouen não é a pior área do 93, mas as barracas do mercadinho Ottino vendem a mesma quinquilharia que se pode encontrar nos bazares árabes e africanos. Enquanto a crise da dívida açoita a Europa, essas pessoas de todas as raças e cores lutam diariamente para encontrar ou manter um trabalho, chegar ao fim do mês, ir à universidade.
Diabira é um jovem educado, culto e com vontade de aprender, mas não pôde completar os estudos: "Comecei direito enquanto trabalhava à noite como agente de segurança. Depois conheci minha namorada, fomos morar juntos e precisei começar a trabalhar de dia. Entrei de aprendiz na PSA e hoje sou fixo e ganho 1.300 euros líquidos. Me dei bem, mas tive de renunciar ao meu sonho. Cada momento que estou na fábrica penso: 'Merda, eu queria ser político e ajudar as pessoas'. Mas agora tenho uma filha de 10 meses e esse é meu dever. Se o estado não me ajuda, é impossível sair dessa roda".
Passeando rua abaixo vem a senhora Chatti com uma grande barriga que anuncia sua iminente maternidade. Conta que é argelina e está há um ano em Paris; antes vivia no sul da França e quando estava na Argélia era secretária de direção de uma empresa de energias renováveis. "Queria me formar melhor e trabalhar, mas é difícil. A vida aqui é dura e cara. Os franceses são pouco acolhedores, e tenho medo de andar sozinha pela rua, vejo muitos ladrões e agressões."
Os dados parecem lhe dar razão: este ano houve 4 milhões de roubos na França. Sobre a Europa, Chatti tem uma opinião muito comum no bairro: "O euro foi uma armadilha para os pobres, tornou mais difícil a vida de muita gente, tudo ficou mais caro de um dia para o outro". Ela também ganha a RSA de 470 euros, mas só chega ao fim do mês graças a amigas que a ajudam, diz ela. "Mas quero que meu filho nasça na França e continuarei aqui."
No 93 há gente que está pior. Ahmed, 61 anos, ex-pedreiro, e Pascal, 45 embora aparente 20 a mais, matam o tempo bebendo cerveja no parque. São SDF: sem domicílio fixo, sem-teto. Os dois ganham seus 470 euros de subsídio, pedem esmolas na rua para comer e beber e expressam a mesma desconfiança na política e no mundo moderno: "A Internet e os celulares mudaram a vida. As pessoas andam pela rua com fones de ouvido ou o celular e ninguém fala com ninguém, passam ao seu lado sem vê-lo", protesta Pascal.
Só Arnaud Beseme, 27 anos, financista na multinacional Alstom, parece mostrar alguma esperança. Com seu primeiro emprego já ganha 2 mil euros, tem contrato fixo e se sente "muito mais europeu que francês". Inclusive está de acordo com "Merkozy": "Estão tentando resolver a crise, mas Sarkozy terá de aprovar ajustes mais duros, mesmo que isso custe sua reeleição. Seu problema é que parece que trabalha mais fora que em casa, e isso poderia favorecer a Frente Nacional".
Diabira sorri, cético. "Sarkozy fez algumas coisas boas, mas todos sabemos que são a senhora Merkel e os bancos quem decide nosso destino."
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Miguel Mora - El País
"Todo mundo se tornou mais egoísta, não existe solidariedade, ninguém mais ajuda ninguém. Não sei muito sobre a dívida, mas sei que esta crise é uma merda, porque os mesmos de sempre é quem vão pagá-la, e dá na mesma que governe a esquerda ou a direita, porque quem manda são os bancos, as financeiras." Quem fala é Diabira, um jovem de 24 anos de raça negra que acaba de terminar seu turno na fábrica da PSA Citroën-Peugeot, um enorme edifício com os muros coroados de espinhos.
Parece uma prisão, mas é uma fábrica e dá emprego para milhares de trabalhadores. Por enquanto. O gigante francês dos automóveis anunciou que em 2012 deverá demitir 5.800 pessoas na Europa, 4 mil delas na França. Diabira conta que "na fábrica todos têm medo de perder o emprego". Ele trabalha aqui há três anos, no controle de qualidade das peças. Em sua seção, explica, "já nos disseram que no final do mês sairão todos os contratados temporários. Dizem que os fixos não, mas vamos ver".
Estamos em Saint-Ouen, a "banlieue" (periferia) do norte de Paris. O departamento chama-se Seine-Saint-Denis, mas todos o chamam de 93 por causa de seu código postal. É o lugar da França onde vivem, proporcionalmente, mais emigrantes; a zona com mortalidade infantil mais elevada (5,7%), com a população mais jovem (14% têm entre 14 e 24 anos) e o índice de emprego mais baixo: 11,6% de desemprego no segundo trimestre de 2011, contra 9,1% nacionais. Mas a cifra entre os jovens já alcança 43%.
Desde que começou a crise, em 2008, o modelo francês do Estado assistencial teve de se esforçar neste bairro pobre. O desemprego juvenil disparou 27% em três anos, e em abril só havia 66 jovens ganhando a Renda de Solidariedade Ativa (RSA), a prestação social para os trabalhadores e as pessoas com menos renda, criada em 2009 pelo governo. Mas a RSA, que beneficia 3 milhões de franceses, quase não serve para os desempregados menores de 25 anos, porque para ter acesso ao subsídio é preciso ter trabalhado 24 meses em tempo integral nos últimos três anos.
Nestas ruas sem butiques nem "brasseries", havia nos anos 1970 e 80 muitas empresas metalúrgicas e químicas. A deslocalização foi fechando quase todas, e as tentativas do governo para converter a zona em um grande polo empresarial --aqui estão as sedes da Alstom, BNP Paribas, Generali, Hermès e a telefônica SFR-- parecem ter rendido poucos benefícios a seus habitantes. Nas últimas eleições regionais, 67% dos inscritos no 93 preferiram não votar.
Saint-Ouen não é a pior área do 93, mas as barracas do mercadinho Ottino vendem a mesma quinquilharia que se pode encontrar nos bazares árabes e africanos. Enquanto a crise da dívida açoita a Europa, essas pessoas de todas as raças e cores lutam diariamente para encontrar ou manter um trabalho, chegar ao fim do mês, ir à universidade.
Diabira é um jovem educado, culto e com vontade de aprender, mas não pôde completar os estudos: "Comecei direito enquanto trabalhava à noite como agente de segurança. Depois conheci minha namorada, fomos morar juntos e precisei começar a trabalhar de dia. Entrei de aprendiz na PSA e hoje sou fixo e ganho 1.300 euros líquidos. Me dei bem, mas tive de renunciar ao meu sonho. Cada momento que estou na fábrica penso: 'Merda, eu queria ser político e ajudar as pessoas'. Mas agora tenho uma filha de 10 meses e esse é meu dever. Se o estado não me ajuda, é impossível sair dessa roda".
Passeando rua abaixo vem a senhora Chatti com uma grande barriga que anuncia sua iminente maternidade. Conta que é argelina e está há um ano em Paris; antes vivia no sul da França e quando estava na Argélia era secretária de direção de uma empresa de energias renováveis. "Queria me formar melhor e trabalhar, mas é difícil. A vida aqui é dura e cara. Os franceses são pouco acolhedores, e tenho medo de andar sozinha pela rua, vejo muitos ladrões e agressões."
Os dados parecem lhe dar razão: este ano houve 4 milhões de roubos na França. Sobre a Europa, Chatti tem uma opinião muito comum no bairro: "O euro foi uma armadilha para os pobres, tornou mais difícil a vida de muita gente, tudo ficou mais caro de um dia para o outro". Ela também ganha a RSA de 470 euros, mas só chega ao fim do mês graças a amigas que a ajudam, diz ela. "Mas quero que meu filho nasça na França e continuarei aqui."
No 93 há gente que está pior. Ahmed, 61 anos, ex-pedreiro, e Pascal, 45 embora aparente 20 a mais, matam o tempo bebendo cerveja no parque. São SDF: sem domicílio fixo, sem-teto. Os dois ganham seus 470 euros de subsídio, pedem esmolas na rua para comer e beber e expressam a mesma desconfiança na política e no mundo moderno: "A Internet e os celulares mudaram a vida. As pessoas andam pela rua com fones de ouvido ou o celular e ninguém fala com ninguém, passam ao seu lado sem vê-lo", protesta Pascal.
Só Arnaud Beseme, 27 anos, financista na multinacional Alstom, parece mostrar alguma esperança. Com seu primeiro emprego já ganha 2 mil euros, tem contrato fixo e se sente "muito mais europeu que francês". Inclusive está de acordo com "Merkozy": "Estão tentando resolver a crise, mas Sarkozy terá de aprovar ajustes mais duros, mesmo que isso custe sua reeleição. Seu problema é que parece que trabalha mais fora que em casa, e isso poderia favorecer a Frente Nacional".
Diabira sorri, cético. "Sarkozy fez algumas coisas boas, mas todos sabemos que são a senhora Merkel e os bancos quem decide nosso destino."
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
ALEMANHA SOB A SOMBRA DO NEONAZISMO
Após 15 anos como militante de grupos neonazistas, alemão é salvo por turcos
Julia Jüttner - Der Spiegel
Ele acabou sendo salvo, ironicamente, por dois turcos. Manuel Bauer estava na prisão em Leipzig e deu a entender a seus colegas extremistas de direita que estava pensando em renunciar ao neonazismo. Pouco tempo depois, no pátio da prisão, os detentos de extrema direita atacaram Bauer e começaram a espancá-lo impiedosamente. Foi então que dois prisioneiros turcos correram a ajudá-lo, em um episódio que provocou uma reviravolta na vida de Bauer.
Bauer, que atualmente tem 32 anos de idade, é nativo da vila de Torgau, a leste de Leipzig, e durante cinco anos foi um ardente militante neonazista. Corpulento e de cabeça raspada, ele participou de um ataque com bombas incendiárias contra um quiosque de comida turca e era temido pela força dos seus punhos. Bauer usava frequentemente uma jaqueta militar verde ou uma jaqueta preta Harrington e botas de combate cor de vinho. Ele afirma que era “o cliché andante de um skinhead”.
A carreira de Bauer como skinhead teve início quando ele tinha 11 anos de idade. Ele fez amizade com um grupo de colegas de classe que glorificavam Adolf Hitler e que atacavam estudantes estrangeiro no pátio da escola. Isso foi pouco após a reunificação da Alemanha, quando o extremismo de direita, que havia permanecido preponderantemente na clandestinidade durante o regime comunista, pôde emergir subitamente das sombras. Por toda a Alemanha Oriental, os extremistas começaram a se encontrar --e a criar grupos neonazistas. No início, eles eram desorganizados e informais, o que os tornava praticamente invisível aos olhos das autoridades policiais.
Não demorou muito para que Manuel Bauer passasse a integrar um desses grupos e gradualmente galgasse postos na hierarquia neonazista. Os pais dele, cristãos profundamente religiosos, ficaram indignados.
"Eu achava que era um herói"
Bauer tornou-se o líder de um grupo que se intitulava "Wehrsportgruppe Racheakt" (algo como “Grupo de Treinamento Paramilitar de Vingança”), e criou um segundo grupo com outros neonazistas chamado "Associação de Combatentes Arianos". Cada grupo tinha cerca de 30 membros, muitos deles oriundos de Torgau, mas também da pequena cidade de Loburg, que fica mais ao norte. "Eu achava que era um herói", diz ele atualmente, emitindo um profundo suspiro. "Mas na realidade eu era um tremendo idiota".
O "movimento", conforme Bauer chama o universo da extrema direita, lhe ofereceu um lar. "Eu sentia que era livre e que eles me aceitavam. Os meus camaradas me deram força, que eu a seguir transformei em violência". Estimulado pelo álcool e pelo rock de direita que ressoava a toda altura no equipamento de som do carro, ele e outros dirigiam até o Estado da Saxônia, atacando estrangeiros durante o percurso. Roupas manchadas de sangue eram usadas com orgulho, como se fossem uma espécie de troféu.
Quando ingressou nas forças armadas alemãs em 1997, não demorou muito tempo para que ele conhecesse outros militares que compartilhavam a sua visão de mundo racista --incluindo dois indivíduos que, segundo Bauer, pertenciam a ramificações da célula terrorista de direita de Zwickau, que é acusada de ter assassinado nove imigrantes e uma policial no decorrer de vários anos. Ele se recusa a citar nomes.
Bauer diz que gostou do tempo que passou como membro de uma brigada de infantaria motorizada aquartelada nas montanhas Erzgebirge. "Aquele era um bom ambiente para uma pessoa como eu", diz ele.
Durante o serviço militar, Bauer aprendeu a manejar armas – um conhecimento que ele mais tarde repassou a neonazistas em um campo de treinamento em Ulsti nad Labem, uma cidade no norte da República Tcheca. Durante um ano, ele ensinou militantes de direita a atirar, a construir bombas e a colocar em prática técnicas de sobrevivência. Ele conta que o campo em que trabalhava estava longe de se constituir em uma anomalia – há outros do mesmo tipo na Hungria, na Polônia, na Rússia e na Romênia. Segundo Bauer, eles se inspiram na "Heimattreue Deutsche Jugend" (“Juventude Alemã Patriota”), um grupo de extrema direita que ministrava treinamento militar e ideológico a jovens até ser banido em 2009.
Apoio de patrocinadores
Na época, Bauer vivia quase que exclusivamente do dinheiro estatal do seguro desemprego, mas conseguia “ganhar” um pouco de dinheiro extra com as suas atividades de extrema direita. A extorsão era um dos métodos que ele utilizava. Bauer também envolveu-se com um grupo de extrema direita chamado “Organização de Auxílio aos Prisioneiros Políticos Nacionais e às suas Famílias”, uma das maiores organizações extremista de direita da Alemanha. Ela fornecia assistência aos detentos de extrema direita, tanto durante quanto depois do cumprimento das penas de prisão. Mas esse grupo acabou também sendo banido em setembro deste ano.
Porém, Bauer também diz que a extrema direita conta com o apoio de patrocinadores. Ele afirma que uma cervejaria alemã “ajudou a financiar a luta desses grupos durante anos” e também lhes forneceu grandes quantidades de bebidas alcoólicas. No que se refere a armas, somente aqueles que participam dessas organizações há muito tempo têm acesso a elas. Ele alega que o Partido Nacional Democrata Alemão (em alemão, Nationaldemokratische Partei Deutschlands, ou NPD), uma organização política de extrema direita, os ajudava a obter armas. Segundo Bauer, na época a maioria dessas armas era oriunda da Europa Oriental.
O relacionamento entre grupos paramilitares como aquele com o qual ele estava envolvido e o partido NPD era profundo, diz Bauer. “O NPD é a companhia e os membros paramilitares são os funcionários”, explica ele. Bauer diz que ele próprio jamais foi membro do NPD, mas conta ter conhecido vários grupos vinculados ao partido que tinham grande talento para burlar a vigilância das autoridades alemãs com táticas diversionistas.
"O Estado subestimava o extremismo de direita e concentrava as suas atenções exclusivamente no campo esquerdista e antifascista", afirma Bauer. "Mas a direita é muito mais bem organizada e estruturada do que a esquerda. E ela segue uma estratégia clara. Na tentativa de confundir os investigadores, são criadas identidades fictícias, companhias imaginárias de encomendas pelo correio e outras coisas do gênero – com o único objetivo de ludibriar as autoridades". Ele diz que o Estado provavelmente não sabe quantos grupos paramilitares existem de fato, e tampouco quantos radicais de extrema direita operam na clandestinidade. "Existem vários neonazistas cujos nomes são conhecidos pelas autoridades, mas que há anos não são vistos", diz Bauer. "Esses indivíduos estão com frequência comandando as ações por trás dos bastidores."
"Campanha maluca"
E quanto a ele próprio? Será que alguém consegue passar 15 anos como militante de grupos neonazistas e subitamente mudar de ideologia? Bauer nem sempre tem respostas para perguntas como essa, e ele próprio compreende as dúvidas que podem emergir. "A minha visão de mundo mudou oito anos atrás, mas foi só três anos mais tarde que eu fui capaz de abandonar o neonazismo". Ele diz que atualmente é um "social-democrata convicto", referindo-se ao principal partido alemão de centro-esquerda.
Ele alega que atualmente o seu círculo de amizades inclui muitos daqueles indivíduos que ele costumava perseguir: judeus, lésbicas, imigrantes. "Todas as pessoas que eu combatia naquela época", diz ele. "Hoje em dia eu me sinto feliz e com sorte por ter tais amigos". Ele insiste que todos eles conhecem o seu passado e sabem que, durante um determinado período, havia uma recompensa de 10 mil euros (US$ 13,3 mil) pela cabeça dele nos círculos extremistas de direita. Ele diz que ainda existe uma “campanha maluca” contra ele em fóruns de extrema direita na Internet.
Atualmente, Bauer mora no sul da Alemanha e ajuda neonazistas a abandonar o universo do extremismo de direita, da mesma forma como ele foi ajudado por um grupo de Berlim chamado EXIT, que durante anos procurou auxiliar os indivíduos que desejavam abandonar as organizações extremistas. "Sem tais pessoas, eu não teria sido capaz de sair daquele círculo", diz ele. "Eles me mostraram claramente que, independentemente do que acontecesse, eles não me abandonariam".
"Encontros difíceis"
Bauer conta que cinco neonazistas do leste da Alemanha decidiram imitá-lo e dar as costas ao extremismo de direita. Ele narra isso com orgulho, e é possível perceber sinais do desejo de ser aceito que o atormentou durante tanto tempo.
A ficha policial de Bauer é longa – agressão, espancamento, extorsão, criação de grupos inconstitucionais, vandalismo e destruição de propriedade alheia. Ele foi condenado a dois anos e dez meses de prisão. Depois que foi libertado, ele tentou manter contato com algumas das suas vítimas. Muitas rejeitaram a iniciativa dele, enquanto que outras ouviram as suas desculpas mas tiveram dificuldades em aceitá-las. São muito poucos aqueles que dizem ser capazes de perdoá-lo.
Recentemente, ele se encontrou com um adolescente indiano que era apenas uma criança quando Bauer o atacou brutalmente, dez anos atrás, porque ele não tinha um tipo físico germânico. Bauer também se encontrou com um empresário homossexual que ele extorquiu e ameaçou de morte. "Esses encontros foram muito difíceis", explica Bauer. Todos os dois fizeram uma série de perguntas a ele. Mas Bauer não foi capaz de respondê-las.
Tradução: Der Spiegel
Julia Jüttner - Der Spiegel
Ele acabou sendo salvo, ironicamente, por dois turcos. Manuel Bauer estava na prisão em Leipzig e deu a entender a seus colegas extremistas de direita que estava pensando em renunciar ao neonazismo. Pouco tempo depois, no pátio da prisão, os detentos de extrema direita atacaram Bauer e começaram a espancá-lo impiedosamente. Foi então que dois prisioneiros turcos correram a ajudá-lo, em um episódio que provocou uma reviravolta na vida de Bauer.
Bauer, que atualmente tem 32 anos de idade, é nativo da vila de Torgau, a leste de Leipzig, e durante cinco anos foi um ardente militante neonazista. Corpulento e de cabeça raspada, ele participou de um ataque com bombas incendiárias contra um quiosque de comida turca e era temido pela força dos seus punhos. Bauer usava frequentemente uma jaqueta militar verde ou uma jaqueta preta Harrington e botas de combate cor de vinho. Ele afirma que era “o cliché andante de um skinhead”.
A carreira de Bauer como skinhead teve início quando ele tinha 11 anos de idade. Ele fez amizade com um grupo de colegas de classe que glorificavam Adolf Hitler e que atacavam estudantes estrangeiro no pátio da escola. Isso foi pouco após a reunificação da Alemanha, quando o extremismo de direita, que havia permanecido preponderantemente na clandestinidade durante o regime comunista, pôde emergir subitamente das sombras. Por toda a Alemanha Oriental, os extremistas começaram a se encontrar --e a criar grupos neonazistas. No início, eles eram desorganizados e informais, o que os tornava praticamente invisível aos olhos das autoridades policiais.
Não demorou muito para que Manuel Bauer passasse a integrar um desses grupos e gradualmente galgasse postos na hierarquia neonazista. Os pais dele, cristãos profundamente religiosos, ficaram indignados.
"Eu achava que era um herói"
Bauer tornou-se o líder de um grupo que se intitulava "Wehrsportgruppe Racheakt" (algo como “Grupo de Treinamento Paramilitar de Vingança”), e criou um segundo grupo com outros neonazistas chamado "Associação de Combatentes Arianos". Cada grupo tinha cerca de 30 membros, muitos deles oriundos de Torgau, mas também da pequena cidade de Loburg, que fica mais ao norte. "Eu achava que era um herói", diz ele atualmente, emitindo um profundo suspiro. "Mas na realidade eu era um tremendo idiota".
O "movimento", conforme Bauer chama o universo da extrema direita, lhe ofereceu um lar. "Eu sentia que era livre e que eles me aceitavam. Os meus camaradas me deram força, que eu a seguir transformei em violência". Estimulado pelo álcool e pelo rock de direita que ressoava a toda altura no equipamento de som do carro, ele e outros dirigiam até o Estado da Saxônia, atacando estrangeiros durante o percurso. Roupas manchadas de sangue eram usadas com orgulho, como se fossem uma espécie de troféu.
Quando ingressou nas forças armadas alemãs em 1997, não demorou muito tempo para que ele conhecesse outros militares que compartilhavam a sua visão de mundo racista --incluindo dois indivíduos que, segundo Bauer, pertenciam a ramificações da célula terrorista de direita de Zwickau, que é acusada de ter assassinado nove imigrantes e uma policial no decorrer de vários anos. Ele se recusa a citar nomes.
Bauer diz que gostou do tempo que passou como membro de uma brigada de infantaria motorizada aquartelada nas montanhas Erzgebirge. "Aquele era um bom ambiente para uma pessoa como eu", diz ele.
Durante o serviço militar, Bauer aprendeu a manejar armas – um conhecimento que ele mais tarde repassou a neonazistas em um campo de treinamento em Ulsti nad Labem, uma cidade no norte da República Tcheca. Durante um ano, ele ensinou militantes de direita a atirar, a construir bombas e a colocar em prática técnicas de sobrevivência. Ele conta que o campo em que trabalhava estava longe de se constituir em uma anomalia – há outros do mesmo tipo na Hungria, na Polônia, na Rússia e na Romênia. Segundo Bauer, eles se inspiram na "Heimattreue Deutsche Jugend" (“Juventude Alemã Patriota”), um grupo de extrema direita que ministrava treinamento militar e ideológico a jovens até ser banido em 2009.
Apoio de patrocinadores
Na época, Bauer vivia quase que exclusivamente do dinheiro estatal do seguro desemprego, mas conseguia “ganhar” um pouco de dinheiro extra com as suas atividades de extrema direita. A extorsão era um dos métodos que ele utilizava. Bauer também envolveu-se com um grupo de extrema direita chamado “Organização de Auxílio aos Prisioneiros Políticos Nacionais e às suas Famílias”, uma das maiores organizações extremista de direita da Alemanha. Ela fornecia assistência aos detentos de extrema direita, tanto durante quanto depois do cumprimento das penas de prisão. Mas esse grupo acabou também sendo banido em setembro deste ano.
Porém, Bauer também diz que a extrema direita conta com o apoio de patrocinadores. Ele afirma que uma cervejaria alemã “ajudou a financiar a luta desses grupos durante anos” e também lhes forneceu grandes quantidades de bebidas alcoólicas. No que se refere a armas, somente aqueles que participam dessas organizações há muito tempo têm acesso a elas. Ele alega que o Partido Nacional Democrata Alemão (em alemão, Nationaldemokratische Partei Deutschlands, ou NPD), uma organização política de extrema direita, os ajudava a obter armas. Segundo Bauer, na época a maioria dessas armas era oriunda da Europa Oriental.
O relacionamento entre grupos paramilitares como aquele com o qual ele estava envolvido e o partido NPD era profundo, diz Bauer. “O NPD é a companhia e os membros paramilitares são os funcionários”, explica ele. Bauer diz que ele próprio jamais foi membro do NPD, mas conta ter conhecido vários grupos vinculados ao partido que tinham grande talento para burlar a vigilância das autoridades alemãs com táticas diversionistas.
"O Estado subestimava o extremismo de direita e concentrava as suas atenções exclusivamente no campo esquerdista e antifascista", afirma Bauer. "Mas a direita é muito mais bem organizada e estruturada do que a esquerda. E ela segue uma estratégia clara. Na tentativa de confundir os investigadores, são criadas identidades fictícias, companhias imaginárias de encomendas pelo correio e outras coisas do gênero – com o único objetivo de ludibriar as autoridades". Ele diz que o Estado provavelmente não sabe quantos grupos paramilitares existem de fato, e tampouco quantos radicais de extrema direita operam na clandestinidade. "Existem vários neonazistas cujos nomes são conhecidos pelas autoridades, mas que há anos não são vistos", diz Bauer. "Esses indivíduos estão com frequência comandando as ações por trás dos bastidores."
"Campanha maluca"
E quanto a ele próprio? Será que alguém consegue passar 15 anos como militante de grupos neonazistas e subitamente mudar de ideologia? Bauer nem sempre tem respostas para perguntas como essa, e ele próprio compreende as dúvidas que podem emergir. "A minha visão de mundo mudou oito anos atrás, mas foi só três anos mais tarde que eu fui capaz de abandonar o neonazismo". Ele diz que atualmente é um "social-democrata convicto", referindo-se ao principal partido alemão de centro-esquerda.
Ele alega que atualmente o seu círculo de amizades inclui muitos daqueles indivíduos que ele costumava perseguir: judeus, lésbicas, imigrantes. "Todas as pessoas que eu combatia naquela época", diz ele. "Hoje em dia eu me sinto feliz e com sorte por ter tais amigos". Ele insiste que todos eles conhecem o seu passado e sabem que, durante um determinado período, havia uma recompensa de 10 mil euros (US$ 13,3 mil) pela cabeça dele nos círculos extremistas de direita. Ele diz que ainda existe uma “campanha maluca” contra ele em fóruns de extrema direita na Internet.
Atualmente, Bauer mora no sul da Alemanha e ajuda neonazistas a abandonar o universo do extremismo de direita, da mesma forma como ele foi ajudado por um grupo de Berlim chamado EXIT, que durante anos procurou auxiliar os indivíduos que desejavam abandonar as organizações extremistas. "Sem tais pessoas, eu não teria sido capaz de sair daquele círculo", diz ele. "Eles me mostraram claramente que, independentemente do que acontecesse, eles não me abandonariam".
"Encontros difíceis"
Bauer conta que cinco neonazistas do leste da Alemanha decidiram imitá-lo e dar as costas ao extremismo de direita. Ele narra isso com orgulho, e é possível perceber sinais do desejo de ser aceito que o atormentou durante tanto tempo.
A ficha policial de Bauer é longa – agressão, espancamento, extorsão, criação de grupos inconstitucionais, vandalismo e destruição de propriedade alheia. Ele foi condenado a dois anos e dez meses de prisão. Depois que foi libertado, ele tentou manter contato com algumas das suas vítimas. Muitas rejeitaram a iniciativa dele, enquanto que outras ouviram as suas desculpas mas tiveram dificuldades em aceitá-las. São muito poucos aqueles que dizem ser capazes de perdoá-lo.
Recentemente, ele se encontrou com um adolescente indiano que era apenas uma criança quando Bauer o atacou brutalmente, dez anos atrás, porque ele não tinha um tipo físico germânico. Bauer também se encontrou com um empresário homossexual que ele extorquiu e ameaçou de morte. "Esses encontros foram muito difíceis", explica Bauer. Todos os dois fizeram uma série de perguntas a ele. Mas Bauer não foi capaz de respondê-las.
Tradução: Der Spiegel
DESPACHANDO O IRÃ E O SEU PSICOPATA DE ESTIMAÇÃO EM DIREÇÃO A ALLAH
Reino Unido diz que haverá 'consequências sérias' para o Irã
UE, EUA e Conselho de Segurança condenam invasão à embaixada britânica em Teerã
O Globo - Com agências internacionais
TEERÃ - O Reino Unido condenou de forma firme os protestos e a invasão, nesta terça-feira, em dois complexos diplomáticos britânicos em Teerã. Em comunicado, o primeiro-ministro David Cameron classificou como inaceitáveis e ultrajantes os incidentes e prometeu que haverá sérias consequências para o Irã.
“O ataque à embaixada britânica hoje foi ultrajante e indefensável. A falha do governo iraniano em defender nossos funcionários e nossa propriedade foi uma vergonha”, disse Cameron em comunicado, fazendo eco a declarações divulgadas mais cedo pelo chanceler William Hague. “O governo iraniano precisa reconhecer que haverá sérias consequências, e nós vamos avaliar que medidas tomar nos próximos dias.”
Em tom parecido se manifestaram União Europeia, Estados Unidos e o Conselho de Segurança da ONU, que, em comunicados separados, exigiram que as autoridades iranianas protejam os diplomatas estrangeiros.
"Os membros do Conselho de Segurança condenam em termos firmes os ataques contra a embaixada britânica em Teerã, que resultaram na invasão e em sérios danos", diz a nota assinada pelo embaixador português no organismo, José Filipe Moraes Cabral, e referendada por todos os 15 membros, inclusive China e Rússia.
Aos gritos de "morte à Inglaterra", dezenas de manifestantes quebraram vidros, jogaram documentos pela janela, queimaram a bandeira britânica e substituíram pela iraniana na embaixada, no centro de Teerã. Quase simultaneamente, no norte da capital, outras centenas protestaram e chegaram a invadir outro complexo diplomático britânico. Ambas as ações terminaram após um ultimato policial, segundo a imprensa estatal.
Os protestos acontecem dois dias depois de líderes iranianos reduzirem o nível de relação com os britânicos, numa retaliação às recentes sanções impostas a Teerã pelo Ocidente - em especial pelo Reino Unido - dentro da questão nuclear. A situação parece levar os dos países para o pior momento em suas relações diplomáticas em duas décadas.
Não há informação de feridos nos dois protestos. A imprensa estatal iraniana chegou a informar sobre a tomada de seis reféns, funcionários da embaixada, mas Hague não confirmou. Segundo ele, todos os britânicos estão bem.
Segundo a Press TV, emissora iraniana que transmitiu o protesto ao vivo, os manifestantes exigiam que o embaixador britânico fosse expulso de Teerã. Sua saída está contemplada na lei aprovada no domingo pelo Parlamento iraniano que rebaixa as relações entre Irã e Reino Unido - também aceita pelo Conselho de Guardiães iraniano.
Em uma ação coordenada com Estados Unidos e Canadá, o Reino Unido impôs na semana passada novas sanções contra o Irã por conta de seu programa nuclear. O governo britânico proibiu todas as instituições financeiras do país de manter negócios com suas equivalentes no Irã, inclusive o Banco Central do país persa.
Comparação à tomada da embaixada dos EUA
Os iranianos pediam também o fechamento da embaixada, chamada de "antro de espiões". O mesmo termo foi usado por manifestantes que invadiram a embaixada dos EUA em Teerã em 1979, e mantiveram 52 reféns no local por 444 dias.
No domingo, quando o Parlamento aprovou a decisão de expulsar o embaixador britânico e reduzir os laços com o Reino Unido, o congressista Mehdi Kuchakzadeh alertou que a embaixada britânica poderia ser atacada assim como aconteceu com a representação dos EUA em 1979.
- O governo britânico deve saber que se insistir nessas posturas ruins o povo iraniano vai atingi-lo na boca, exatamente como aconteceu contra o antro de espiões americano - disse Kuchakzadeh.
Mahmoud Ahmadi Bighash, outro parlamentar, também defendeu retaliações ao Reino Unido.
- Devemos fechar a embaixada britânica e ignorá-los, até que venham implorando como os americanos.
A embaixada americana foi invadida por estudantes iranianos em novembro daquele ano. Eles exigiam que o xá Reza Pahlevi, então nos EUA, fosse extraditado para ser julgado no Irã. A crise dos reféns se arrastou até janeiro de 1981, quando o grupo foi libertado, e levou ao rompimento das relações diplomáticas dos dois países.
UE, EUA e Conselho de Segurança condenam invasão à embaixada britânica em Teerã
O Globo - Com agências internacionais
TEERÃ - O Reino Unido condenou de forma firme os protestos e a invasão, nesta terça-feira, em dois complexos diplomáticos britânicos em Teerã. Em comunicado, o primeiro-ministro David Cameron classificou como inaceitáveis e ultrajantes os incidentes e prometeu que haverá sérias consequências para o Irã.
“O ataque à embaixada britânica hoje foi ultrajante e indefensável. A falha do governo iraniano em defender nossos funcionários e nossa propriedade foi uma vergonha”, disse Cameron em comunicado, fazendo eco a declarações divulgadas mais cedo pelo chanceler William Hague. “O governo iraniano precisa reconhecer que haverá sérias consequências, e nós vamos avaliar que medidas tomar nos próximos dias.”
Em tom parecido se manifestaram União Europeia, Estados Unidos e o Conselho de Segurança da ONU, que, em comunicados separados, exigiram que as autoridades iranianas protejam os diplomatas estrangeiros.
"Os membros do Conselho de Segurança condenam em termos firmes os ataques contra a embaixada britânica em Teerã, que resultaram na invasão e em sérios danos", diz a nota assinada pelo embaixador português no organismo, José Filipe Moraes Cabral, e referendada por todos os 15 membros, inclusive China e Rússia.
Aos gritos de "morte à Inglaterra", dezenas de manifestantes quebraram vidros, jogaram documentos pela janela, queimaram a bandeira britânica e substituíram pela iraniana na embaixada, no centro de Teerã. Quase simultaneamente, no norte da capital, outras centenas protestaram e chegaram a invadir outro complexo diplomático britânico. Ambas as ações terminaram após um ultimato policial, segundo a imprensa estatal.
Os protestos acontecem dois dias depois de líderes iranianos reduzirem o nível de relação com os britânicos, numa retaliação às recentes sanções impostas a Teerã pelo Ocidente - em especial pelo Reino Unido - dentro da questão nuclear. A situação parece levar os dos países para o pior momento em suas relações diplomáticas em duas décadas.
Não há informação de feridos nos dois protestos. A imprensa estatal iraniana chegou a informar sobre a tomada de seis reféns, funcionários da embaixada, mas Hague não confirmou. Segundo ele, todos os britânicos estão bem.
Segundo a Press TV, emissora iraniana que transmitiu o protesto ao vivo, os manifestantes exigiam que o embaixador britânico fosse expulso de Teerã. Sua saída está contemplada na lei aprovada no domingo pelo Parlamento iraniano que rebaixa as relações entre Irã e Reino Unido - também aceita pelo Conselho de Guardiães iraniano.
Em uma ação coordenada com Estados Unidos e Canadá, o Reino Unido impôs na semana passada novas sanções contra o Irã por conta de seu programa nuclear. O governo britânico proibiu todas as instituições financeiras do país de manter negócios com suas equivalentes no Irã, inclusive o Banco Central do país persa.
Comparação à tomada da embaixada dos EUA
Os iranianos pediam também o fechamento da embaixada, chamada de "antro de espiões". O mesmo termo foi usado por manifestantes que invadiram a embaixada dos EUA em Teerã em 1979, e mantiveram 52 reféns no local por 444 dias.
No domingo, quando o Parlamento aprovou a decisão de expulsar o embaixador britânico e reduzir os laços com o Reino Unido, o congressista Mehdi Kuchakzadeh alertou que a embaixada britânica poderia ser atacada assim como aconteceu com a representação dos EUA em 1979.
- O governo britânico deve saber que se insistir nessas posturas ruins o povo iraniano vai atingi-lo na boca, exatamente como aconteceu contra o antro de espiões americano - disse Kuchakzadeh.
Mahmoud Ahmadi Bighash, outro parlamentar, também defendeu retaliações ao Reino Unido.
- Devemos fechar a embaixada britânica e ignorá-los, até que venham implorando como os americanos.
A embaixada americana foi invadida por estudantes iranianos em novembro daquele ano. Eles exigiam que o xá Reza Pahlevi, então nos EUA, fosse extraditado para ser julgado no Irã. A crise dos reféns se arrastou até janeiro de 1981, quando o grupo foi libertado, e levou ao rompimento das relações diplomáticas dos dois países.
† POESIA GÓTICA †
Ó saudade sentimento das trevas!
Angustia minha vida
E toma as palavras que surgem...
De onde vem este sentimento maligno?!
Para onde vai este aperto no coraçao?!
Só o tempo dirá...
Por um curto instante
A alegria invade minha alma
Com lembranças dos bons momentos
Que pena...
Foi apenas um instante
Um mízero instante que não sse compara
À dor que me toma!
Que mundo cruel é este?!
Este mundo que separam os que amam...
Este mundo que muitas vezes
Aproxima os que se odeiam.
Por este motivo,
Eu profundamente te odeio,
Quem sabe assim essa vida nos une...
MEU SONHO
Meu sonho é colocar todos esses vagabundos, pilantras, safados e malditos num grande salão e distribuir uma Beretta M93, 20 projéteis para cada um. A luz apaga e num escuridão terrível, eles têm que eliminar um ao outro. Os sobreviventes (poucos) seriam condenados à pena máxima - 30 anos. E todos os sobreviventes, durante a pena, seriam transformados em "vadias" dos outros presos.
Só assim eles aprenderiam a se desculpar pelo mal que causam ao NOSSO país!
E ao nosso povo tão sofrido.
Só assim eles aprenderiam a se desculpar pelo mal que causam ao NOSSO país!
E ao nosso povo tão sofrido.
ESSA É A FARC - COMPANHEIROS NARCOTRAFICANTES DO CANCEROSO E DE TODA A CORJA DO PT
O massacre de seqüestrados pelas FARC e a inépcia de Santos
Cel. Luis Alberto Villamarín - MSM
O comunismo continua matando na América Latina.
Nota da tradutora:
O fato a que o autor se refere foi um massacre ocorrido neste sábado (26.11), em que as FARC fuzilaram três policiais e um sargento do Exército seqüestrados há 13 e 14 anos respectivamente, mandando-os deitar no chão e disparando contra suas cabeças. Um deles foi fuzilado pelas costas tentando fugir. As quatro vítimas levaram quase todos esses anos acorrentados em árvores, e no momento do covarde assassinato estavam acorrentados, pois encontrou-se junto aos corpos as correntes que os prendiam às árvores. O seqüestrado mais antigo em cativeiro, o sargento do Exército José Libio Martínez, completaria 14 anos de cativeiro em 21 de dezembro, e sequer chegou a conhecer seu único filho que nasceu depois do seqüestro.
Em reiteradas ocasiões especificamos que para ganhar a guerra contra o narcoterror comunista que assedia a Colômbia, é necessário conhecer o Plano Estratégico das FARC e, ao mesmo tempo, com infatigável trabalho dos soldados e policiais, fazer face com ações integrais nos campos político, econômico, social, diplomático e de justiça, tanto em nível nacional como internacional.
Em contraste, a soberba, a auto-suficiência e o egocentrismo de quem se imagina similar a Churchill como estadista e superior a Mac Arthur como estrategista militar, conduziram o presidente Santos a anunciar seu eterno desejo de poder, vanglória e culto à sua personalidade. Não importa o caos que há na Colômbia. Importam seus desejos “pastranistas” de figuração dentro e fora do país.
É tal o desconhecimento do governo e dos sucessivos ministros de relações internacionais em seu conjunto acerca do conteúdo estrutural do Plano Estratégico das FARC, que desde há mais de uma década as FARC têm posto como objeto mercantil a vida dos seqüestrados, para que os cúmplices do Foro de São Paulo e os mal chamados “colombianos pela paz” legitimem o grupo terrorista. E por desconhecer a intenção estratégica e objetivo das FARC, sucedem episódios lamentáveis como o de hoje [1] que, diga-se de passagem, não é a primeira vez que ocorre. E por desgraça poderá não ser a última, ao rítimo da ignorância e indiferença político-estratégica dos altos funcionários da administração Santos.
Com contadas e esporádicas ações individuais de algum cônsul, nenhum dos sucessivos governos desde 1982 até esta data, tiveram a intenção estratégica para desarticular ou opor-se à diplomacia paralela das FARC. Parece que ocupar uma embaixada ou um consulado colombiano no exterior equivale a estar no lugar ideal para viver a glória dourada do exílio diplomático de costas para a realidade do narco-terrorismo comunista que padecemos, os que pagamos os impostos para sustentar essas elites intocáveis do outro lado das fronteiras.
Sem que, ao que parece, estes personagens sui generis da política colombiana no exterior se inteirem do que acontece a seu lado, enquanto as FARC e seus alcoviteiros dão conferências nas universidades, têm contatos nos meios de comunicação, participam em foros políticos, distribuem propaganda e projetam a imagem de que são um grupo armado com supostas intenções políticas.
Ao mesmo tempo, sua porta-voz, chamada por eles de “Teodora de Bolívar”, promove a sinistra proposta de fazer um intercâmbio humanitário, enfocado em meio de obscuros artifícios para dar status de beligerância, embaixadas e apoio aberto às FARC por parte dos governos comunistas, na etapa final do ataque totalitarista contra a Colômbia.
É inconcebível, e que sendo do conhecimento de todos que os seqüestrados são a jóia da coroa desse perverso estratagema, a chancelaria e seus funcionários diplomáticos creditados no exterior com empolados títulos, ribombantes cargos e imerecidos salários, não tenham feito nada ou, em sua falta, fizeram muito pouco para que as cortes internacionais julguem Rafael Correa, Hugo Chávez, Daniel Ortega, a ditadura cubana e os demais delinqüentes de colarinho branco que aparecem comprometidos com as FARC nos computadores de Raúl Reyes.
É inaceitável que todos esses brilhantes funcionários que nos representam no exterior, não tenham feito campanhas agressivas para que os governos democráticos, as organizações internacionais, as organizações não-governamentais, os intelectuais, as universidades e os meios de comunicação qualifiquem as FARC e seus padrinhos do Partido Comunista como terroristas. E em conseqüência, para que os persigam e impeçam-lhes, por exemplo, da vagabundagem que têm na Suécia com ANNCOL e outras organizações afins.
Tampouco se entende porque durante o governo Uribe os computadores de Reyes tiveram um manejo midiático excelente e um péssimo manejo jurídico, pois não foram levados às cortes internacionais. Para rematar, uma das salas da questionada Corte Suprema de Justiça proferiu a folclórica e descabida sentença de invalidar estas provas em processos contra os cúmplices das FARC, quando todo mundo sabia, ou pelos menos se a inteligência não lhes chega para isso, são os mesmos que por coincidência manipulam a dor das vítimas seqüestradas e de modo descarado pretendem legitimar as FARC, por meio de um calculado acordo humanitário.
Muito menos se entende o estranho silêncio do governo Santos e da justiça colombiana com os computadores do Mono Jojoy e Tirofijo apreendidos do primeiro. É óbvio que esses arquivos eletrônicos re-confirmam o que continham nos computadores de Raúl Reyes. E, óbvio, os computadores de Cano reafirmam pela segunda vez todo o anterior.
Porém... Qual é o estranho propósito de calar isto? A custa de que os grotescos e desrespeitosos governantes da Venezuela e Equador não se ofendam? Ou para que a camarada Dilma não perca seu status de mediadora em cada montagem de uma “libertação unilateral”?
Para completar, o presidente Santos chama Chávez de seu “novo melhor amigo”, em que pese que as evidências demonstrem que para a Colômbia este sujeito é o “velho pior inimigo”. Ao mesmo tempo, a chanceler Holguín se preocupa de que Chávez não vocifere nada contra Santos, mas parece que não lhe interessa, ou pelo menos não exterioriza, saber que Chávez tem mentalidade delinqüencial e que nunca renunciou a apoiar as FARC, pois fazem parte de seu projeto bolivariano imerso no socialismo do século XXI, e que continuam na Venezuela com escritórios e acampamentos na fronteira bi-nacional dentro do território venezuelano.
Em contraste, e sem fazer grandes coisas para defender a soberania nacional e evitar uma guerra posterior, pois para lá vai o país se não se submete Chávez e Correa à justiça internacional, a chanceler Holguín anda como agente de viagem pelo mundo fazendo ridicularias pagas pelo erário público, tais como alicerçar a paz entre israelenses e palestinos ou fazendo visitas protocolares à rainha da Inglaterra.
Presidente Santos, chanceler Holguín, magistrados das altas cortes, senadores da República, senhora Promotora Geral, meios de comunicação, universidades, o acontecido hoje com o massacre dos policiais e militares seqüestrados, é de suma gravidade e põe em evidência a mediocridade com que tem-se manejado o problema da guerra contra o narcoterror nos campos político e diplomático.
A Colômbia não espera reações insípidas nem frases de efeito, como por exemplo, o indignado reclamo do novato ministro Pinzón, cujas sentidas palavras contrastavam com seus gestos e semblante. A Colômbia necessita de ações judiciais fortes contra os cúmplices das FARC. Além disso, não mais palhaçadas e operas bufa em torno das libertações unilaterais calculadas, em consonância com os duvidosos interesse dos mal chamados “colombianos pela paz”.
E, claro, que a Chanceler suspenda o bate-pernas pelo mundo em busca de protagonismo midiático para Santos, e melhor: que se dedique a resolver primeiro os problemas nacionais, com ênfase em buscar a pressão internacional de condenação e obrigação para que as FARC libertem os seqüestrados sem nenhuma contra-partida, nem compromissos anti-patrióticos de regressar às mesas de conversação.
As FARC constituem um grupo armado composto por terroristas, narcotraficantes, sicários, ladrões, violadores de menores, extorsionistas e bandidos que só representam os interesses do Partido Comunista Colombiano, agrupamento que já está na hora de ser julgado e condenado penalmente por seu conchavo com o terrorismo e, ademais, obrigado a compensar todas as vítimas das atrocidades de seus co-partidários armados.
Tradução: Graça Salgueiro
Cel. Luis Alberto Villamarín - MSM
O comunismo continua matando na América Latina.
Nota da tradutora:
O fato a que o autor se refere foi um massacre ocorrido neste sábado (26.11), em que as FARC fuzilaram três policiais e um sargento do Exército seqüestrados há 13 e 14 anos respectivamente, mandando-os deitar no chão e disparando contra suas cabeças. Um deles foi fuzilado pelas costas tentando fugir. As quatro vítimas levaram quase todos esses anos acorrentados em árvores, e no momento do covarde assassinato estavam acorrentados, pois encontrou-se junto aos corpos as correntes que os prendiam às árvores. O seqüestrado mais antigo em cativeiro, o sargento do Exército José Libio Martínez, completaria 14 anos de cativeiro em 21 de dezembro, e sequer chegou a conhecer seu único filho que nasceu depois do seqüestro.
Em reiteradas ocasiões especificamos que para ganhar a guerra contra o narcoterror comunista que assedia a Colômbia, é necessário conhecer o Plano Estratégico das FARC e, ao mesmo tempo, com infatigável trabalho dos soldados e policiais, fazer face com ações integrais nos campos político, econômico, social, diplomático e de justiça, tanto em nível nacional como internacional.
Em contraste, a soberba, a auto-suficiência e o egocentrismo de quem se imagina similar a Churchill como estadista e superior a Mac Arthur como estrategista militar, conduziram o presidente Santos a anunciar seu eterno desejo de poder, vanglória e culto à sua personalidade. Não importa o caos que há na Colômbia. Importam seus desejos “pastranistas” de figuração dentro e fora do país.
É tal o desconhecimento do governo e dos sucessivos ministros de relações internacionais em seu conjunto acerca do conteúdo estrutural do Plano Estratégico das FARC, que desde há mais de uma década as FARC têm posto como objeto mercantil a vida dos seqüestrados, para que os cúmplices do Foro de São Paulo e os mal chamados “colombianos pela paz” legitimem o grupo terrorista. E por desconhecer a intenção estratégica e objetivo das FARC, sucedem episódios lamentáveis como o de hoje [1] que, diga-se de passagem, não é a primeira vez que ocorre. E por desgraça poderá não ser a última, ao rítimo da ignorância e indiferença político-estratégica dos altos funcionários da administração Santos.
Com contadas e esporádicas ações individuais de algum cônsul, nenhum dos sucessivos governos desde 1982 até esta data, tiveram a intenção estratégica para desarticular ou opor-se à diplomacia paralela das FARC. Parece que ocupar uma embaixada ou um consulado colombiano no exterior equivale a estar no lugar ideal para viver a glória dourada do exílio diplomático de costas para a realidade do narco-terrorismo comunista que padecemos, os que pagamos os impostos para sustentar essas elites intocáveis do outro lado das fronteiras.
Sem que, ao que parece, estes personagens sui generis da política colombiana no exterior se inteirem do que acontece a seu lado, enquanto as FARC e seus alcoviteiros dão conferências nas universidades, têm contatos nos meios de comunicação, participam em foros políticos, distribuem propaganda e projetam a imagem de que são um grupo armado com supostas intenções políticas.
Ao mesmo tempo, sua porta-voz, chamada por eles de “Teodora de Bolívar”, promove a sinistra proposta de fazer um intercâmbio humanitário, enfocado em meio de obscuros artifícios para dar status de beligerância, embaixadas e apoio aberto às FARC por parte dos governos comunistas, na etapa final do ataque totalitarista contra a Colômbia.
É inconcebível, e que sendo do conhecimento de todos que os seqüestrados são a jóia da coroa desse perverso estratagema, a chancelaria e seus funcionários diplomáticos creditados no exterior com empolados títulos, ribombantes cargos e imerecidos salários, não tenham feito nada ou, em sua falta, fizeram muito pouco para que as cortes internacionais julguem Rafael Correa, Hugo Chávez, Daniel Ortega, a ditadura cubana e os demais delinqüentes de colarinho branco que aparecem comprometidos com as FARC nos computadores de Raúl Reyes.
É inaceitável que todos esses brilhantes funcionários que nos representam no exterior, não tenham feito campanhas agressivas para que os governos democráticos, as organizações internacionais, as organizações não-governamentais, os intelectuais, as universidades e os meios de comunicação qualifiquem as FARC e seus padrinhos do Partido Comunista como terroristas. E em conseqüência, para que os persigam e impeçam-lhes, por exemplo, da vagabundagem que têm na Suécia com ANNCOL e outras organizações afins.
Tampouco se entende porque durante o governo Uribe os computadores de Reyes tiveram um manejo midiático excelente e um péssimo manejo jurídico, pois não foram levados às cortes internacionais. Para rematar, uma das salas da questionada Corte Suprema de Justiça proferiu a folclórica e descabida sentença de invalidar estas provas em processos contra os cúmplices das FARC, quando todo mundo sabia, ou pelos menos se a inteligência não lhes chega para isso, são os mesmos que por coincidência manipulam a dor das vítimas seqüestradas e de modo descarado pretendem legitimar as FARC, por meio de um calculado acordo humanitário.
Muito menos se entende o estranho silêncio do governo Santos e da justiça colombiana com os computadores do Mono Jojoy e Tirofijo apreendidos do primeiro. É óbvio que esses arquivos eletrônicos re-confirmam o que continham nos computadores de Raúl Reyes. E, óbvio, os computadores de Cano reafirmam pela segunda vez todo o anterior.
Porém... Qual é o estranho propósito de calar isto? A custa de que os grotescos e desrespeitosos governantes da Venezuela e Equador não se ofendam? Ou para que a camarada Dilma não perca seu status de mediadora em cada montagem de uma “libertação unilateral”?
Para completar, o presidente Santos chama Chávez de seu “novo melhor amigo”, em que pese que as evidências demonstrem que para a Colômbia este sujeito é o “velho pior inimigo”. Ao mesmo tempo, a chanceler Holguín se preocupa de que Chávez não vocifere nada contra Santos, mas parece que não lhe interessa, ou pelo menos não exterioriza, saber que Chávez tem mentalidade delinqüencial e que nunca renunciou a apoiar as FARC, pois fazem parte de seu projeto bolivariano imerso no socialismo do século XXI, e que continuam na Venezuela com escritórios e acampamentos na fronteira bi-nacional dentro do território venezuelano.
Em contraste, e sem fazer grandes coisas para defender a soberania nacional e evitar uma guerra posterior, pois para lá vai o país se não se submete Chávez e Correa à justiça internacional, a chanceler Holguín anda como agente de viagem pelo mundo fazendo ridicularias pagas pelo erário público, tais como alicerçar a paz entre israelenses e palestinos ou fazendo visitas protocolares à rainha da Inglaterra.
Presidente Santos, chanceler Holguín, magistrados das altas cortes, senadores da República, senhora Promotora Geral, meios de comunicação, universidades, o acontecido hoje com o massacre dos policiais e militares seqüestrados, é de suma gravidade e põe em evidência a mediocridade com que tem-se manejado o problema da guerra contra o narcoterror nos campos político e diplomático.
A Colômbia não espera reações insípidas nem frases de efeito, como por exemplo, o indignado reclamo do novato ministro Pinzón, cujas sentidas palavras contrastavam com seus gestos e semblante. A Colômbia necessita de ações judiciais fortes contra os cúmplices das FARC. Além disso, não mais palhaçadas e operas bufa em torno das libertações unilaterais calculadas, em consonância com os duvidosos interesse dos mal chamados “colombianos pela paz”.
E, claro, que a Chanceler suspenda o bate-pernas pelo mundo em busca de protagonismo midiático para Santos, e melhor: que se dedique a resolver primeiro os problemas nacionais, com ênfase em buscar a pressão internacional de condenação e obrigação para que as FARC libertem os seqüestrados sem nenhuma contra-partida, nem compromissos anti-patrióticos de regressar às mesas de conversação.
As FARC constituem um grupo armado composto por terroristas, narcotraficantes, sicários, ladrões, violadores de menores, extorsionistas e bandidos que só representam os interesses do Partido Comunista Colombiano, agrupamento que já está na hora de ser julgado e condenado penalmente por seu conchavo com o terrorismo e, ademais, obrigado a compensar todas as vítimas das atrocidades de seus co-partidários armados.
Tradução: Graça Salgueiro
Assinar:
Postagens (Atom)