terça-feira, 31 de julho de 2012

ANA CRISTINA CESAR


Quando Chegar 

Quando eu morrer,
Anjos meus,
Fazei-me desaparecer, sumir, evaporar
Desta terra louca
Permiti que eu seja mais um desaparecido
Da lista de mortos de algum campo de batalha
Para que eu não fique exposto
Em algum necrotério branco
Para que não me cortem o ventre
Com propósitos autopsianos
Para que não jaza num caixão frio
Coberto de flores mornas
Para que não sinta mais os afagos
Desta gente tão longe
Para que não ouça reboando eternos
Os ecos de teu soluço
Para que perca-se no éter
O lixo desta memória
Para que apaguem-se bruscos
As marcas do meu sofrer
Para que a morte só seja
Um descanso calmo e doce
Um calmo e doce descanso.

ZUZANA DRABINOVA

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ZUZANA DRABINOVA

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BETTY BLUE

LAWRENCE FERLINGHETTI - JUNKMAN'S OBBLIGATO (PART 02)



Let us arise and go now
 where dogs do it
Over the Hill
where they keep the earthquakes
behind the city dumps
lost among gasmains and garbage.
Let us see the City Dumps
for what they are.
My country tears of thee.
Let us disappear
in automobile graveyards
and reappear years later
picking rags and newspapers
drying our drawers
on garbage fires
patches on our ass.
Do not bother
to say goodbye
to anyone.
Your missus will not miss us.

SEAL - KISS FROM THE ROSE

AKIRA

KRISTEN STEWART

LAWRENCE FERLINGHETTI - JUNKMAN'S OBBLIGATO (PART 01)



Let’s go
Come on
Let’s go
Empty our pockets
And disappear.
Missing all our appointments
And turning up unshaven
Years later
Old cigarette papers
stuck to our pants
leaves in our hair.
Let us not
worry about the payments
anymore.
Let them come
and take it away
whatever it was
we were paying for.
And us with it.

SEM ADVOGADO


Lauro Jardim - VEJAMarcio Thomaz Bastos não é mais advogado de Cachoeira

Cachoeira e Bastos: o bicheiro terá que procurar outro advogado
Marcio Thomaz Bastos não é mais o advogado de Carlinhos Cachoeira. Bastos abriu mão do cliente depois das ameaças, da chantagem e da tentativa de corrupção ativa que Andressa Mendonça fez ao juiz Alderico Santos. Oficialmente, contudo, não será esta a explicação.
Depois da ação de madame Cachoeira, Carlinhos perdeu seu defensor, um dos melhores advogados do país. Bastos tomou ontem a decisão. Está  agora informando o seu notório cliente.


ELIÂNICAS

Sorrisos amarelos
Eliane Cantanhêde - FSP
BRASÍLIA - Não se sabe se é para rir ou para chorar, mas o que os candidatos e os principais líderes e candidatos do PT vão fazer durante todo o mês de agosto, enquanto o julgamento do mensalão vai expor ao país os podres do partido? Aliás, quando se fala dos principais líderes, fala-se dos atuais. Os antigos encabeçam a lista de 38 réus.
Lula saiu da toca ontem, a três dias do início do julgamento, como quem não quer nada: não viu, não ouviu, não soube nem quer saber. Num hotel em São Paulo, tirou fotos com mais de cem candidatos de cidades consideradas prioritárias pelo PT. Depois do clique coletivo, os individuais -de 30 segundos a um minuto para cada um.
Enquanto isso, Dilma cuidava dos preparativos finais da cerimônia da entrada triunfal da Venezuela no Mercosul, que será hoje, em Brasília, com Hugo Chávez estrelando e com participações especiais de Cristina Kirchner e José Mujica. Foto para as primeiras páginas nos jornais da véspera do julgamento histórico. Aliás, como seria mensalão em espanhol? El mensalón? Chávez vai dizer que el mensalón nunca existiu?
E os candidatos, como é que vão se virar? Fernando Haddad, em São Paulo, precisa muito aparecer, para poder crescer e sair dos atuais 7% das pesquisas antes do início do horário eleitoral gratuito -que é sua grande chance, ou grande esperança.
Mas como vai aparecer, com o noticiário tomado por entrevistas e documentos de procuradores, advogados, réus? Difícil alguém se interessar por programa fajuto de candidato com um filmaço desses na TV, dia e noite. O mensalão é como um fantasma que paira não só sobre o governo Lula, mas, especialmente agora, sobre a foto de Lula com candidatos, das gentilezas de Dilma com Chávez, das pedaladas de Haddad, às voltas com "um chopes e dois pastel" num bairro onde ele nunca pisara antes.
Agosto começa com Lula, Dilma e Haddad se esforçando para sorrir. Mas sorrindo amarelo.

DÓRICAS

A musa abusou
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Como se viu pela chamada aos costumes dada pela Polícia Federal em Andressa Mendonça, a mulher de Carlos Augusto Ramos não é só a bonitinha apaixonada e choramingas a quem o marido faz declarações públicas de amor no lugar de prestar esclarecimentos à Justiça sobre as ilegalidades de seus negócios.
Na posse plena de credenciais para fazer jus à anexação da alcunha Cachoeira ao nome de batismo, Andressa Mendonça revela-se integrante da quadrilha alvo de processo na Justiça de Goiás e de investigação em comissão parlamentar de inquérito no Congresso Nacional da qual vinha sendo apontada como "musa".
Perdeu a prerrogativa conferida pela idiotia construtora de simbologias simplistas, ao tentar chantagear o juiz federal Alderico da Rocha Santos ameaçando-o com a divulgação de um dossiê caso não tomasse decisões favoráveis ao principal acusado no processo em curso na 11.ª Vara da Justiça em Goiás e sob a responsabilidade do magistrado.
De inocente, a moça que tanto lamentou o envolvimento do marido com os políticos que o teriam tirado da zona de conforto de figura proeminente na sociedade de Goiás para a cadeia não tem nada.
A não ser presumivelmente a ilusão de que poderia levar o juiz na conversa mal ajambrada sobre a existência de um dossiê a ser publicado com acusações contra ele, sugerindo um conluio entre a revista Veja e as organizações Cachoeira de armações ilimitadas.
Um blefe tão óbvio quanto a impossibilidade de um veículo de comunicação que vive de credibilidade jogar esse ativo no lixo para servir deliberadamente como instrumento de chantagem e, consequentemente, de repasto à mesa dos detratores de plantão sempre ávidos de uma oportunidade.
A malfadada manobra da senhora Cachoeira, entre outros fatores, altera a situação dela em relação à CPI para qual foi convocada a dar depoimento no próximo dia 7.
Chamada inicialmente pela expectativa de que pudesse servir como mensageira de "recados" de Carlos Cachoeira, Andressa agora necessariamente será vista sob um prisma menos ingênuo.
Tratada até então como uma espécie de adorno a serviço da face "light" do escândalo, ela passa agora a figurar como agente ativa do esquema objeto da CPI e, nessa condição, precisará ser questionada com rigor aplicado a qualquer dos outros investigados.
Isso se não arrumar um pretexto para não ir ou até mesmo se a comissão resolver reavaliar a utilidade de uma convocação de depoente que pela faceta agora revelada provavelmente recorrerá ao direito de calar tornando-se, na prática, uma presença inútil.
Gênese. A tese do advogado de José Dirceu de que Roberto Jefferson "inventou" o mensalão não se sustenta nos fatos.
A primeira referência a um sistema de cooptação de parlamentares e partidos para a base de sustentação do primeiro governo Lula foi feita pela revista Veja em setembro de 2004, ainda sem o apelido pelo qual seria conhecido.
Na segunda vez que o assunto apareceu na imprensa, dias depois em reportagem do Jornal do Brasil, já foi usado o termo "mensalão" para definir pagamentos relatados por deputados ao então líder do governo na Câmara, Miro Teixeira.
Miro os incentivou a transformar o disse-me-disse de corredores em denúncia formal ao presidente da República, mas ressalvou à época que não subscrevia as acusações.
Os mensageiros não se animaram a ir a Lula nem ao Ministério Público e o caso morreu.
Até junho do ano seguinte quando Jefferson, irritado com o que identificou como um plano do PT para fazer do PTB o bode expiatório da corrupção na base governista, em entrevista à Folha de S. Paulo deu autoria, publicidade e compreensão à narrativa que viria a assumir a dimensão de 50 mil páginas em processo de 38 réus.
O nome, ação penal 470 ou mensalão, não faz a menor diferença, pois é do substancioso conteúdo que o Supremo Tribunal Federal cuidará a partir desta quinta-feira.

O MENTECAPTO CANCEROSO BOLIVARIANO, O TRÁFICO DE DROGAS E O MERCOSUL

O que Chávez esconde
O Estado de S.Paulo
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chegou ontem ao Brasil para a cerimônia, hoje em Brasília, na qual seu país será calorosamente recebido como sócio pleno do Mercosul. O esforço do Brasil para incluir a Venezuela - numa manobra à revelia do Paraguai, que, como se sabe, foi colocado de castigo por ter afastado seu presidente conforme manda a Constituição - vai premiar um governo que, além de autocrático, tem uma sinistra relação com o negócio das drogas, como mostra reportagem do New York Times (27/7).
Chávez tem se jactado de ser um campeão na luta contra o narcotráfico. Ele diz que seus soldados destruíram pistas para transporte de drogas, que laboratórios clandestinos foram desmontados e que muita pasta de coca foi apreendida. Além disso, a seu pedido, foi aprovada uma lei que, em tese, facilita a interceptação de aviões dos narcotraficantes. O New York Times, porém, revela que o narcotráfico não só vai muito bem na Venezuela, como o país cedeu um pedaço de território para que as Farc, a narcoguerrilha colombiana, atuem sem serem incomodadas.
A Venezuela responde por nada menos que 24% do trânsito da cocaína sul-americana destinada aos EUA, segundo um relatório americano. Na região onde as Farc intermedeiam a passagem da droga que vem da Colômbia, o New York Times constatou que as pistas destruídas na alardeada ação do Exército foram todas recuperadas pelos narcoguerrilheiros, porque os soldados não tomaram nenhuma medida para evitar sua rápida reconstrução. Ou seja: a ação contra o tráfico serviu apenas para a foto que interessava a Chávez.
Mais da metade da cocaína que transita pela Venezuela passa pelo Estado de Apure, na fronteira com a Colômbia, desde que Chávez interrompeu oficialmente sua colaboração com o governo americano no combate às drogas, em 2005. Em boa parte dessa região, o controle das Farc é absoluto. Moradores contam que os narcoguerrilheiros praticam extorsão e ocupam propriedades. E os venezuelanos dizem ter medo de denunciar a atividade criminosa às autoridades porque sabem que há conluio entre elas e as Farc.
Esse receio tem fundamento, segundo a Casa Branca. Para Washington, a "permissividade corrupta" do governo venezuelano dá total liberdade de ação para o narcotráfico. Mas a promiscuidade é ainda mais profunda, porque altos funcionários chavistas estão envolvidos até o pescoço com as Farc.
Dois ex-magistrados venezuelanos, Eladio Ramón Aponte Aponte e Luis Velásquez Alvaray, vêm contando detalhes sobre essa relação. Aponte, que foi presidente da Suprema Corte e um dos homens fortes do regime chavista, acusou quase toda a cúpula do poder venezuelano, abaixo de Chávez, de fazer parte de uma grande rede sul-americana de narcotráfico.
Velásquez Alvaray, por sua vez, afirmou que a Venezuela recebe da China armas e equipamentos militares como forma de pagamento por petróleo e que uma parte desse arsenal vai para as Farc. A operação, segundo ele, é comandada por Hugo Carvajal - atual vice-ministro do Interior, recém-nomeado por Chávez justamente para o combate às drogas. O Departamento do Tesouro americano afirma que Carvajal é importante colaborador da operação de narcotráfico das Farc. Além dele, o ministro da Defesa venezuelano, Henry Rangel Silva, também é acusado por Washington de ajudar a guerrilha colombiana a traficar cocaína. Com gente desse naipe em funções tão estratégicas, não admira que as Farc controlem tranquilamente uma parte do território venezuelano e tenham total liberdade para fazer dali sua plataforma de negócios ilícitos.
Mas o chavismo não se envergonha disso. Ao contrário: um dos líderes das Farc, Iván Ríos, disse que o narcotráfico, principal fonte de financiamento da guerrilha, era uma forma de "resistência à opressão", uma maneira de confrontar o capitalismo do "império". É desse gangsterismo dialético que se alimenta o projeto "bolivariano".
A realidade é que o Mercosul, cujas normas demandam democracia e transparência, está se abrindo a um país cujo governo tem dado reiteradas mostras de que tem muito a esconder.

O SUL DA EUROPA É CADA VEZ MAIS PARECIDO COM O BRASIL

A origem da crise: Corrupção e nepotismo assustam o sul da Europa
Hans-Jürgen Schlamp - Der Spiegel
Empregos para os amigos, contratos para os parentes, distribuição de dinheiro: é assim que funciona a política na Sicília. Agora, a ilha está em vias da falência. É um exemplo do problema que aflige muitas partes dos países sul-europeus atualmente com dificuldades para conter a crise do euro.
Marcello Bartolotta, cirurgião da cidade de Messina, na Sicília, tirou a sorte grande. Ele acaba de assumir um assento no parlamento regional, como substituto de um parlamentar de seu partido que morreu recentemente. A assembleia entrará em recesso em outubro, antes das eleições regionais. Isso, porém, não é um problema para Bartoletta. Afinal, para participar das próximas três ou quatro sessões que restam até lá, ele vai receber cerca de 40 mil euros (em torno de R$ 100 mil), além da ajuda de custo.
Isso, porém, se a Sicília não falir antes. E há chances de isso acontecer.
Os 89 colegas legisladores de Bartolotta e seus 400 assistentes já foram informados de que seus salários de julho não serão depositados pontualmente. Os “Onorevoli”, ou “honoráveis”, como os parlamentares italianos se denominam, estão em pé de guerra diante do anúncio, e o Palazzo Reale, onde a assembleia se reúne, ecoou os gritos de “Queremos nosso dinheiro!” Ainda assim, os próprios parlamentares contribuíram significativamente para o sofrimento financeiro da Sicília.
O problema não é apenas que eles recebem mensalmente um salário líquido de 10 mil a 15 mil euros --mais do que os membros da Assembleia Nacional em Roma-- sem trabalharem muito. A assembleia raramente se reúne, e a produção em geral é bastante baixa. O fato de quase um terço dos honoráveis terem ficha criminal, estarem sendo processados ou estarem sob investigação é no máximo, uma mácula. O verdadeiro problema está no que eles vêm fazendo: a classe política na Sicília, que é semiautônoma, vem distribuindo cargos e dinheiro tão generosamente que a região está em risco de colapso financeiro.
Cargos públicos
Os políticos se provaram particularmente adeptos em criar cargos no serviço público para seus amigos. Hoje, cerca de 144 mil sicilianos recebem seus salários do Estado e um em cada oito exerce função de chefia de alguma coisa. Muitas repartições estão cheias de pessoas que não têm a menor ideia do que deveriam estar fazendo.
No que concerne à criação de empregos, os políticos sicilianos demonstraram criatividade impressionante. Cerca de 27 mil pessoas, por exemplo, protegem a escassa mata da ilha, muito mais do que a província canadense da Columbia Britânica emprega para cuidar de suas extensas florestas.
A Sicília, em teoria, tem direito a 20 bilhões de euros de financiamento da União Europeia desde 2000, mas apenas uma fração desse dinheiro foi retirada. A região não executou muitos projetos aprovados pela União Europeia, e a maior parte do dinheiro que conseguiu sacar foi perdida. Pontes sem estradas de acesso e represas sem água são testemunhos dos escândalos.
Quando a Sicília tentou financiar bares e encenações de Natal com fundos da União Europeia, Bruxelas interrompeu o pagamento de 600 milhões de euros. Agora, a ilha não sabe o que fazer. Alarmado com a dívida de 21 bilhões de euros acumulada pela Sicília, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, quer despachar um inspetor para a região e exigiu a renúncia do presidente da Sicília, Raffaele Lombardo. O governo siciliano respondeu que Roma deve dar o dinheiro e se manter de fora ou enfrentar uma “guerra civil”.
A Sicília é a “Grécia da Itália”
Comentando o desastre, o jornal romano “La Repubblica” disse que a Sicília estava virando uma “Grécia da Itália”. De fato, as práticas gregas (ou sicilianas) são encontradas em todos os países sul-europeus que estão tendo dificuldades nesta crise de dívida. Dentre elas está o uso de empregos públicos como munição de campanha eleitoral, contratos lucrativos para amigos e financiadores do partido e corporativismo político, com acordos feitos para benefício mútuo. O verdadeiro problema do sul não é a crise econômica e financeira --é a corrupção, o desperdício e o nepotismo.
É claro que países como Alemanha e Holanda também têm exemplos de incompetência na administração, morosidade na justiça e políticos interessados somente em preservar seu próprio poder. Mas tais problemas não tendem a ser sintomáticos. Talvez atrapalhem a administração do país e custem muito dinheiro, mas não destroem a fundação do Estado.
A história é diferente em muitas regiões do sul da Europa. Funcionários, comerciantes e pequenos empresários muitas vezes têm que passar mais tempo se defendendo contra ditames burocráticos sem sentido do que trabalhando em seus negócios. Até mesmo a empresa mundial Ikea teve que passar seis anos negociando com autoridades municipais e regionais antes de obter a permissão para abrir uma loja de móveis perto da cidade toscana de Pisa.
A extensão da corrupção e do desperdício que se vê em partes do sul seria considerada intolerável ao norte dos Alpes. Na prática, a máfia é aceita na Itália. A Cosa Nostra na Sicília, a Camorra em Nápoles e a ‘Ndrangheta na Calábria, juntas, movimentam mais de 100 bilhões de euros por ano. A ONG SOS Impresa estima que elas lucraram 70 bilhões em 2011. Isso torna a máfia a maior empresa da Itália, muito acima da estatal do petróleo ENI, com movimento de 83 bilhões de euros e 4 bilhões de lucro.
A máfia é aceita
A máfia controla partes da coleta de lixo, da indústria de transporte e de laticínios e constrói estradas sob contratos públicos. O sistema de contratação pública se presta a todo tipo de fraude. Mas não está sendo modificado. Empresas que obtêm um contrato para construir uma seção de uma estrada por 100 milhões de euros o vendem por 90 milhões --sem levantarem um dedo. Os compradores passam para uma terceira empresa por 80 milhões de euros. E assim por diante. No final, alguém constrói a estrada que deveria custar 100 milhões de euros por apenas 10 milhões --e o resultado é correspondentemente insatisfatório.
Um claro exemplo disso é a estrada A3, de Salerno para Reggio Calabria, no sul da Itália. A construção começou em 1962 e praticamente cada quilômetro foi construído por uma empresa diferente. Quando a estrada por fim foi terminada, em 1974, que surpresa, não tinha acostamento. Depois de mais de 20 anos de debate, os trabalhos de renovação começaram em 1997, e a A3 agora deve ser terminada até 2017. Os custos de construção devem ser dez vezes maiores do que o planejado. Contudo, não há sinal de revolta nacional ou de consequências políticas.
O nepotismo originou-se nos Estados papais e se espalhou rapidamente. Em torno do Mediterrâneo ainda é considerado normal atrair eleitores oferecendo licenças, entregando empregos ou oferecendo alívio fiscal. Na Sicília, se você tiver os amigos certos, pode até construir sua casa no Vale dos Templos perto de Agrigento, considerado Herança Mundial pela Unesco.
Sem amigos em altas posições, o cidadão está perdido
Mas, se você não tiver os amigos certos, será um perdedor. Esse é o destino de alguns dos cidadãos representados pelo novo parlamentar Bartolotta, em Messina.
Enquanto ele poderá viajar de primeira classe para Palermo no futuro, cerca de 3.000 famílias em seu bairro terão de se contentar com moradias primitivas, com telhados de ferro ou telhas de amianto, muitas sem água corrente.
Essa favela originou-se depois do terremoto de 1908, e mais barracos foram erguidos depois dos bombardeios aéreos da Segunda Guerra Mundial. Os barracos mais recentes vieram depois dos deslizes de terra e das enchentes dos últimos anos. Muitas pessoas perderam suas casas e simplesmente não sabiam para onde ir.
Então terminaram em uma favela. Os políticos em geral oferecem ajuda fácil toda vez que as equipes de televisão aparecem, de fato. No dia seguinte, ninguém fala mais nada sobre ajuda, e as vítimas do desastre simplesmente voltam a ser esquecidas --porque não têm os amigos certos e conexões.
Elas não recebem um único euro dos amplos fundos disponíveis da União Europeia.
Tradutor: Deborah Weinberg

A PRIMAVERA ÁRABE TROUXE CONSIGO A AMEÇA À LIBERDADE RELIGIOSA

Liberdade religiosa no Egito é 'bastante tênue', diz Hillary
ARSHAD MOHAMMED - Reuters
A liberdade religiosa no Egito parece "bem tênue", e seu governo é incapaz de punir com rigor os responsáveis por crimes sectários, disse nesta segunda-feira a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton.
As declarações ocorreram a propósito da divulgação pelo Departamento de Estado dos EUA de um relatório anual que aponta também uma forte deterioração da liberdade religiosa na China, onde a interferência oficial em monastérios budistas tibetanos contribuiu para uma dezena de autoimolações.
O texto aponta também uma elevação mundial do antissemitismo, e um crescente uso de leis antiblasfêmia para restringir os direitos de minorias religiosas.
O relatório, relativo a 2011, deu também especial atenção aos países que tiveram governos destituídos na chamada Primavera Árabe - caso do Egito, onde Hosni Mubarak, tradicional aliado dos EUA, foi deposto.
"Estou preocupada com que o respeito pela liberdade religiosa (no Egito) seja bastante tênue", disse Hillary em resposta a uma pergunta, após discursar numa instituição de Washington. Segundo ela, a violência sectária cresceu desde a deposição de Mubarak, mas as autoridades são inconsistentes ao persegui-la.
"Isso então passa uma mensagem à comunidade minoritária em particular, mas para a comunidade como um todo, de que não haverá nenhuma consequência (para a violência)", disse ela.
Neste ano, um político ligado à Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, foi eleito presidente do país. Cristãos coptas preocupados com a ascensão dele realizaram recentemente um protesto em frente ao hotel onde Hillary se hospedava no Cairo.
O relatório abrange apenas o ano passado, não representando, portanto, uma avaliação do governo de Mursi no mais populoso país árabe.
Mas o texto cita, entre outros, um incidente de setembro de 2011 no qual forças de segurança agrediram manifestantes no Cairo, matando 25 pessoas e ferindo 350, a maioria cristãos coptas.
"Até agora, autoridades governamentais não foram responsabilizadas por suas ações, e houve indícios no começo de 2012 de uma crescente emigração de coptas", disse o texto.
Segundo o relatório, a situação da liberdade de credo piorou também no Irã e no Paquistão no ano passado.

A ESPANHA E A NOVA LEI DO ABORTO

Justiça espanhola transfere para as mulheres a decisão final do aborto
Javier Casqueiro e Jesús Duva - El Pais
O ônus da prova voltará a repercutir sobre as mulheres que abortarem, como no passado. Essa é a filosofia da reforma que o ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón, pretende aplicar, embora em seu entorno se prefira falar em "responsabilidade". A decisão final será da mulher, mas depois de passar de maneira regulamentar pelo consultório de um médico, que supervisionará a situação e aconselhará as soluções, mesmo sem poder impedir que se cumpra a vontade da gestante.
O governo de Mariano Rajoy pretende reformar neste outono a atual lei de prazos (vigente desde 2010 e que permite o aborto livre até a 14ª semana de gestação), mas não para voltar à lei das três hipóteses promovida em 1985, que possibilitou amplas facilidades tanto durante os mandatos de governos socialistas como no de José María Aznar. Aquela regulamentação descriminalizava o aborto em caso de violação (até a 12ª semana), de problemas físicos ou psíquicos do feto (até a semana 22) e de perigo para a vida da mãe (sem prazo).
A única hipótese agora da lei Gallardón será a do dano psicológico para a mulher, que englobará tudo, incluindo os casos de malformação do feto. Faltam definir os prazos para os diversos casos e se o médico que intervirá na supervisão será do sistema público ou privado.
O ministro está avisando há meses que não gosta da atual lei do aborto, reformada pelo governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero em julho de 2010, conhecida como lei de prazos, majoritária nos países mais desenvolvidos da Europa há tempos e que concede de maneira automática e gratuita às mães o direito de abortar sem alegar razões nem exigir o consentimento de um médico nas primeiras 14 semanas de gravidez. Uma norma que o PP não apoiou. Também não foi apoiada pelos conservadores a primeira lei do aborto da Espanha, ratificada pelo governo de Felipe González em 1985 e da qual então já recorreu diante do Tribunal Constitucional o deputado da Aliança Popular José María Ruiz-Gallardón, pai do atual ministro.
Muitos deputados e dirigentes do PP, entretanto, se sentiram à vontade durante anos com a lei de hipóteses de 1985. Aznar, de fato, não tocou nela durante seus dois mandatos, nos quais ocorreram mais de 500 mil abortos. É a posição a que se referem nestes dias de polêmica alguns dirigentes do PP, como Rafael Hernando ou Carlos Floriano, para defender o que agora denominam uma lei de casos, como a catalogou na sexta-feira, para não se molhar ainda mais, a vice primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaría.
No programa eleitoral com que o PP concorreu nas eleições em novembro passado, na página 108 se define a posição do partido sobre o assunto: "A maternidade deve ser protegida e apoiada. Promoveremos uma lei de proteção da maternidade com medidas de apoio às mulheres grávidas, especialmente as que se encontrem em situações de dificuldade. Promoveremos redes de apoio à maternidade. Mudaremos o modelo da atual regulamentação sobre o aborto para reforçar a proteção do direito à vida, assim como das menores". Genérico e ambíguo demais. A única coisa que Santamaría precisou na sexta-feira foi a conhecida reclamação do PP a mudar a opção que têm hoje as jovens entre 16 e 18 anos de abortar sem o conhecimento de seus pais.
Mas hoje o Ministério da Justiça quer ir um pouco mais longe. O ministério encomendou um trabalho a respeito a uma comissão de especialistas e o ministro tirou suas próprias conclusões. Primeiro avançou no domingo passado ao jornal "La Razón" que uma das hipóteses clássicas para a interrupção da gravidez, a da malformação do feto, seria eliminada de sua reforma. Diante da enorme polêmica provocada, não quis precisar muito mais e se negou a entrar nesse debate. Mutismo até que os especialistas esclareçam algumas dúvidas que têm em mente e que terão que ser resolvidas antes de setembro, para que no outono possa apresentar publicamente seu projeto.
A reforma Gallardón da lei do aborto definirá assim uma só hipótese, a do dano psicológico da mãe, para poder abortar. A decisão final será da mãe, depois de passar de maneira regulamentar pelo consultório de um médico que revisará o caso, dará a informação necessária, oferecerá alternativas e realizará seu relatório. A mãe o levará em conta, mas a opinião do médico não será definitiva. É o que se conhece como modelo alemão.
O número de semanas nas quais se permitirá a interrupção da gravidez dependerá do calendário a ser definido pelos especialistas como necessário para determinar cientificamente o tipo de problemas físicos, malformações que possa ter o feto em cada caso... Não é necessário o mesmo tempo, o mesmo número de semanas, para detectar uma síndrome de Down que uma atrofia muscular ou uma espinha bífida. Também não será igual o prazo se a mãe alegar razões psicológicas para não ter um filho por ter sido vítima de violação.
É aí que o ministério queria fixar o centro da discussão, que transbordou. A mãe como responsável final que assume se pode ou não continuar seu "projeto vital" em todos esses casos.
Outro problema a resolver é o da titularidade do médico que intervirá na supervisão. Se fizer parte do serviço público, a intervenção será gratuita e com todas as garantias da saúde estatal. Mas a afetada poderia ter problemas, por exemplo, se lhe coubesse em sua área um médico não partidário do aborto. E não está claro como poderia então mudar de supervisor. Se o médico trabalhasse em uma clínica privada, a intervenção representaria um custo. Seria uma espécie de privatização do aborto. E remeteria as afetadas aos tempos em que se peregrinava em busca das clínicas especializadas mais permissivas.
Malformação do feto, uma posição ética ou uma obrigação?
Quando o ministro Ruiz-Gallardón antecipou em "La Razón" sua polêmica intenção de suprimir na reforma da lei do aborto a hipótese da malformação do feto ou de algum tipo de deficiência, expressou sua posição política, pessoal e do governo, e também ética. Depois se preocupou em justificá-la, além disso com obrigações, recomendações e decisões de convênios internacionais. Mas primeiro fixou sua opinião particular: "Parece-me eticamente inconcebível que estejamos convivendo há tanto tempo com essa legislação. E creio que o mesmo nível de proteção que se dá a um concebido sem nenhum tipo de deficiência ou malformação deve ser dado àquele do qual se constate que carece de algumas das capacidades que têm o resto dos concebidos." Essa posição provocou imediatamente muitas associações feministas e coletivos de mães que sofreram gestações e partos nessas condições e que expuseram publicamente seus casos dramáticos.
O ministro não se intimidou e, na última quarta-feira, no Congresso dos Deputados, ratificou suas ideias sem rodeios: "Todos os incapacitados têm os mesmos direitos que qualquer cidadão; por ser incapacitado não tem por que ver seus direitos diminuídos nem sofrer qualquer tipo de discriminação. E esse critério é para os incapacitados que nasceram e para os que não nasceram."
O Ministério da Justiça, depois, compilou argumentos para sustentar essa opção do ministro. Por exemplo, agradou muito uma entrevista publicada também nesta semana com o gerente da Associação Down Espanha, Agustín Matía, na qual apoiava a tese de Gallardón não como uma iniciativa pessoal do ministro, mas como uma obrigação do direito internacional. Foi o primeiro que aludiu às normas estabelecidas na Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Incapacidade, que o governo Zapatero assinou em abril de 2008 e o Parlamento ratificou de forma unânime.
O comitê de seguimento dessa convenção amparada pela ONU já advertiu a Espanha em outubro do ano passado de que devia suprimir a distinção feita na lei do aborto para a hipótese da incapacidade. Esse mesmo comitê admite que a Espanha teria até 3 de dezembro de 2015 para apresentar um relatório sobre como pretende adotar essa recomendação.
Sobre se por trás de toda essa operação política de Gallardón pode haver outras intenções, o próprio responsável da Associação Down aproveitou para avisar o governo de que se praticasse uma reforma da lei deveria levar em conta o princípio de não discriminação, à margem de outras considerações sobre o aborto em geral. E avisava: "Não nos parece certo que sob a hipótese do impacto psicológico à mãe se abra um vertedouro para discriminar indiretamente as crianças que têm síndrome de Down."
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

NO MÉXICO, A CATÁSTROFE DA SECA

Após dois anos de uma seca histórica, México permanece em situação crítica
Frédéric Saliba - Le Monde
Cerca de 3,2 milhões de hectares de plantações destruídas, mais de 4 milhões de cabeças de gado mortas de sede ou sacrificadas, quase 10 mil comunidades sem água corrente...
O balanço da pior seca no México nos últimos 71 anos é avassalador. Durante dois anos, 22 dos 31 Estados mexicanos sofreram uma queda nas chuvas que atingiu 50% em certas regiões. Uma seca histórica, seguida de uma geada invernal que devastou as terras agrícolas em 2011.
As chuvas voltaram há pouco tempo e, no sábado (28), o ministro da Agricultura, Francisco Mayorga, declarou que “a seca havia terminado”. De fato, não há mais carcaças de bovinos sobre solos ressecados, finalmente regados por tempestades tardias. Mas as sequelas permanecem. “Na Cidade do México, os dirigentes pensam que a chuva resolveu o problema”, lamentou, no dia 10 de julho, César Duarte, o governador do Estado de Chihuahua (norte). “Mas não chove comida, nem espiga, nem pasto. Essas perdas jamais serão recuperadas.” Sem colheitas há três ciclos agrícolas, os camponeses não têm sementes de milho, de feijão ou de aveia para plantar, alertou, em meados de julho, Jorge Herrera, governador do Estado de Durango.
Para evitar o pior, o governo lançou, em janeiro, um programa emergencial de 37,3 bilhões de pesos (R$ 5,75 bilhões) dedicado à compra de caminhões-cisternas, perfurações de poços e distribuição de alimentos. Sem contar os milhares de hectares de forragem para o gado a serem replantados e as indenizações concedidas aos produtores afetados.
Para minimizar a escassez, as importações de grãos aumentaram 47,5% no primeiro trimestre, segundo o Ministério da Agricultura. Mas a demanda tem feito os preços dispararem. O valor total das sementes importadas subiu 75%, passando de US$ 2,1 bilhões para US$ 3,8 bilhões. Dos cerealistas aos produtores de laticínios, passando pelos pecuaristas, toda a cadeia produtiva foi afetada, até os consumidores.
Lentidão dos auxílios públicos
O preço do quilo de carne aumentou cinco vezes, segundo o governo de Durango. Nesse Estado, os camponeses do vilarejo El Nogalito vendiam o quilo de feijão a 6 pesos antes da seca, relata o jornal “Reforma”. Agora eles precisam comprá-lo a 27 pesos para seu consumo pessoal.
As populações rurais pobres, que praticam uma produção de subsistência, são as principais afetadas pela falta de alimentos. Nas montanhas áridas do Estado de Chihuahua, os índios Tarahumaras foram os mais expostos aos riscos de fome que provocaram ondas de emigração temporária ou definitiva para os vilarejos da região. Vitimas da lentidão dos auxílios públicos, milhares de membros dessa etnia, orgulhosa e autônoma, estão deixando suas terras ancestrais para se juntar aos boias-frias sem segurança social, nos ranchos especializados em agricultura intensiva.
E de quem é a culpa? Para Waldo Ojeda, pesquisador do Instituto Mexicano de Tecnologia da Água, “o aquecimento climático acentua a variabilidade das temperaturas e das precipitações, mas a seca também está ligada a uma falta de planejamento dos cultivos em escala nacional. Sem falar no desmatamento e na irrigação abusiva das zonas desérticas”.
Para evitar futuras catástrofes, a conferência dos governadores de Estados vem estudando desde meados de julho a construção de gigantescos aquedutos que permitam transportar água a partir das regiões do sudeste, que sofrem inundações recorrentes, até o centro e o norte do país, vítimas da aridez. “Esses projetos faraônicos não são viáveis do ponto de vista econômico”, diz Ojeda. “É melhor pensar em um uso mais racional de nossos recursos hídricos.”
Segundo esse especialista, é preciso agir rápido: “As medidas do governo contra a seca são somente paliativas, sendo que se trata de um fenômeno cíclico que voltará a afetar o país daqui a alguns anos.”
Tradutor: Lana Lim

VENEZUELA SE PREPARA PARA O MERCOSUL

Produtos da Venezuela deverão estar adequados à TEC do Mercosul
Em janeiro de 2013, primeiros produtos já devem se adequar à Tarifa Externa Comum
OESP
BRASÍLIA - Os primeiros produtos da Venezuela deverão estar adequados à Tarifa Externa Comum do Mercosul já em janeiro. O mais novo membro do bloco tem até quatro anos para aderir totalmente à TEC, mas a expectativa dos chanceleres dos quatro países é que a adesão total da Venezuela ocorra muito antes disso.
A tarifa média de importação do país está hoje em 12,5%, próxima à média do Mercosul, que oscila entre 10 e 12%. Na reunião desta segunda-feira ficou acertado que esses produtos, com valores próximos, já poderão entrar em janeiro. O primeiro passo é acertar as nomenclaturas aduaneiras usadas pela Venezuela para que sejam adequadas às usadas no bloco.
Um grupo de trabalho foi formado para discutir todo o processo, inclusive os produtos venezuelanos que seriam exceções. Internamente, membros da delegação venezuelana falam em colocar como exceções até 800 produtos, o que dificilmente seria aceito pelos demais países do grupo. Hoje, Brasil e Argentina tem direito a até 100 exceções a TEC, enquanto o Paraguai pode ter até 649 exceções e o Uruguai, 225. Terceira maior economia do Mercosul, seria difícil para a Venezuela justificar 800 produtos como exceções.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chegou no início da noite a Brasília e terá um jantar com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Alvorada. Também está prevista para esta noite a chegada dos presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Uruguai, José Mujica.
Terça-feira, a agenda começa às 9h30 com uma reunião bilateral entre Dilma e Chávez. Em seguida, haverá o anúncio de um memorando de entendimento entre Brasil e Uruguai. A reunião entre os presidentes está marcada para 11h, e será seguida por declarações à imprensa feita pelos quatro presidentes e um almoço no Palácio do Itamaraty.
Do Blog:
Só falta acontecer o contrário, o Mercosul se adequar às pretensões da Venezuela.  Com o Biscatão e o Zagueirão tudo é possível.

ROMNEY PROMETE APOIO AOS ISRAELENSES CONTRA PROJETO DO PSICOPATA IRANIANO

Romney recebe apoio de israelenses durante caminhada por Jerusalém
Jodi Rudoren e Ashley Parker - NYT
Mitt Romney disse no domingo que impedir o Irã de obter capacidades nucleares seria sua “maior prioridade de segurança nacional” se eleito presidente, em um discurso que enfatizou os valores e interesses compartilhados que ele vê entre Israel e Estados Unidos, mas oferecendo poucos detalhes específicos sobre as políticas que adotaria para isso.
“Nós temos o dever solene e um imperativo moral de negar aos líderes do Irã os meios para atingirem suas intenções malignas”, disse Romney, o candidato presidencial republicano, para um público de cerca de 300 pessoas, incluindo um grande contingente de doadores americanos que vieram a Jerusalém para ouvir o discurso. “Nós não podemos nos iludir em pensar que contenção é uma opção.”
Diferentemente do governo Obama, que geralmente fala sobre impedir o Irã de obter uma arma nuclear, Romney repetiu o discurso dos líderes de Israel, que falam em bloquear Teerã de até mesmo ter capacidade de desenvolver uma. Seu principal assessor de política externa, Dan Senor, também foi além das declarações de Obama de que todas as opções devem permanecer na mesa e que Israel tem o direito de se defender, sugerindo que Romney está pronto para apoiar um ataque militar unilateral por Israel.
“Se Israel agir por conta própria”, disse Senor antes do discurso, “o governador respeitaria essa decisão”.
A campanha, no meio de uma visita de sete dias ao exterior que teve início em Londres e prosseguiu na segunda-feira na Polônia, pareceu ao longo de todo o dia ter dificuldade com a diplomacia delicada exigida de um candidato no exterior. Após a publicação dos comentários de Senor, ele emitiu uma declaração dizendo que não mencionou uma ação unilateral e posteriormente disse que não estava necessariamente se referindo a um ataque militar. O próprio Romney manteve sua promessa de não criticar o presidente Barack Obama em solo estrangeiro, apesar de seu discurso ter incluído um ataque vago aos democratas.
“Nós não podemos permanecer em silêncio enquanto aqueles que buscam minar Israel expressam suas críticas”, disse ele. “E certamente não devemos nos juntar a essas críticas. O distanciamento diplomático em público entre nossos países encoraja os adversários de Israel.”
Ele também se referiu claramente a Jerusalém como “capital de Israel”, algo que os integrantes do governo Obama, de acordo com décadas de política americana oficial, não fazem, porque os palestinos também veem a cidade como futura capital de seu esperado Estado. A fala provocou aplausos em pé de algumas pessoas na plateia.
A visita, a quarta de Romney a Israel, coincidiu com o dia solene de jejum de Tisha B’av, que marca a destruição do Primeiro e do Segundo Templo. Entre os encontros com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente Shimon Peres e o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Salam Fayyad, Romney e sua mulher, Ann, juntamente com vários doadores, fizeram uma peregrinação até o Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo e um símbolo central do feriado.
Ao lado do rabino chefe no muro, Romney, usando um quipá preto aveludado, recebeu o Salmo 121 --“Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel”-- e posteriormente inseriu um bilhete de oração em uma fresta entre as pedras, como é a tradição (assessores de campanha se recusaram a revelar seu conteúdo).
A cena mais parecia a de um comício de campanha do que um local solene de oração. Mulheres subiam nas cadeiras para espiar por sobre a cerca que as separa dos homens, muitas das quais aplaudiam e acenavam durante a passagem do candidato e sua comitiva; pessoas que de fato oravam foram empurradas para trás enquanto seguranças isolavam um espaço para o candidato.
“Jerusalém, a capital de Israel”, gritou um homem. “Derrote Obama, governador!” disse outro.
Quem guiou Romney até o muro foi J. Philip Rosen, um advogado de Manhattan que tem casa em Jerusalém e ajudou a organizar um evento de arrecadação de fundos, custando US$ 50 mil por casal, que ocorreu na manhã de segunda-feira.
Entre aqueles que vieram para cá para o evento estavam o magnata de cassinos, Sheldon Adelson, que prometeu gastar US$ 100 milhões neste período de campanha eleitoral para derrotar Obama e usava um alfinete de lapela dizendo “Romney” em hebraico; Cheryl Halpern, uma republicana de Nova Jersey e defensora de Israel; Woody Johnson, dono do New York Jets; John Miller, presidente-executivo da National Beef Packing Company; John Rakolta, um empreendedor imobiliário de Detroit que liderou o comitê financeiro da candidatura de Romney à presidência em 2008; L.E. Simmons, o proprietário texano de uma empresa de private equity com laços com a indústria do petróleo; Paul Singer, fundador de um fundo hedge de US$ 20 bilhões; e Eric Tanenblatt, um arrecadador de fundos para Romney em Atlanta que nunca tinha visitado Israel. Scott Romney, o irmão do governador, e Spencer Zwick, seu tesoureiro nacional, também estavam presentes.
Eles forem recebidos no opulento King David Hotel aqui na noite de sábado com cestas de presentes que incluíam quipás brancos, muitos deles usados no Muro das Lamentações, e barras de chocolate israelense feitas com Pop Rocks. Alguns passaram a noite de domingo fazendo turismo por Jerusalém, enquanto outros observaram o jejum; após o discurso, Sander Gerber, um financista de fundo hedge, e Rosen estavam entre aqueles que fizeram um miniyan (quorum de dez pessoas) improvisado para o serviço religioso da noite, ficando entre filas de bandeiras americanas e israelenses alternadas com vista para a Cidade Velha.
Como têm feito há meses, Romney e seus assessores reforçaram seu relacionamento com Netanyahu, com quem ele trabalhou nos anos 70 no Boston Consulting Group. Além da reunião deles na manhã, os dois homens e suas mulheres fizeram juntos o jantar pós-jejum na casa de Netanyahu.
(David E. Sanger contribuiu com reportagem)
Tradutor: George El Khouri Andolfato