quinta-feira, 23 de agosto de 2012

SEM CIGARROS

Tasmânia quer banir consumo de cigarro da ilha
Matt Siegel - Herald Tribune
Os legisladores estaduais na Austrália propuseram estudar uma proibição da venda de produtos de tabaco para pessoas nascidas após o ano 2000, uma semana após a mais alta corte do país ter mantido algumas das leis mais duras do mundo para embalagens de cigarro.
A câmara alta do Parlamento do Estado australiano da Tasmânia aprovou por unanimidade uma moção para explorar a proibição da venda de produtos de tabaco para qualquer pessoa nascida após o ano 2000, disse um porta-voz do Parlamento na quarta-feira (22), abrindo outra frente no cabo de guerra legal entre o governo e as empresas de tabaco.
A votação não vinculante, aprovada na noite da última terça-feira (21), expressa o forte apoio do Parlamento a essa proibição caso venha a ser proposta como legislação formal. A medida ocorre menos de uma semana após a Alta Corte australiana ter rejeitado uma contestação pelas empresas multinacionais de tabaco, buscando bloquear as novas leis duras para embalagens de cigarro, que devem entrar em vigor em dezembro.
Segundo a chamada legislação da “embalagem genérica”, logos de marca estarão proibidos nos maços de cigarro e devem ser substituídos por imagens explícitas de úlceras bucais, pulmões com câncer e membros gangrenados. A decisão chamou a atenção dos lobistas do setor e dos defensores da saúde, que estão analisando atentamente a batalha legal devido às suas ramificações globais potenciais.
Não se sabe se a decisão da semana passada inspirou diretamente a proposta de proibição do tabaco, que foi apresentada por Ivan Dean, um membro do Conselho Legislativo Tasmaniano, mas pareceu ser uma tentativa de explorar o momento e a grande atenção internacional obtida pelo caso.
Dean, um ex-policial e prefeito de cidade pequena, argumentou que a proibição para pessoas nascidas após 2000 de até mesmo poderem comprar cigarro legalmente foi a forma mais eficaz de continuar reduzindo as taxas de fumo em um país que já apresenta algumas das taxas mais altas do mundo para produtos de tabaco.
“Isso significaria que teríamos uma geração de pessoas não expostas a produtos de tabaco”, disse Dean, segundo uma reportagem da “Australian Broadcasting Corp.”.
A Tasmânia, uma ilha remota e escarpada no sul do país e que já foi lar de uma das colônias penais mais temidas do Império Britânico, apresenta as taxas mais altas de fumo do país, segundo o Conselho de Câncer da Tasmânia, uma organização sem fins lucrativos. Um entre quatro jovens tasmanianos fuma, em comparação a um entre cinco jovens no restante do país.
As autoridades do governo estadual foram rápidas em sinalizar sua disposição em explorar a proposta.
Michelle O’Byrne, a secretária da Saúde da Tasmânia, disse que uma proibição do fumo era digna de séria consideração, apesar de ter admitido que seria difícil implantar uma política como essa unilateralmente, em apenas um dos seis Estados australianos.
“Eu acho que uma proibição arbitrária ao fumo seria muito difícil de policiar, particularmente em uma ilha”, ela disse à “ABC”. “Mas dizer para as pessoas que vendem cigarros legalmente que não podem vender cigarro para uma determinada idade é apropriado. Nós já fazemos isso.”
Mas outros se mostraram mais céticos em relação à ideia.
O porta-voz de saúde do Partido Liberal da Tasmânia de oposição, Jeremy Rockliff, foi citado pelo “The Sydney Morning Herald” como tendo zombado da ideia como um exemplo do exagero draconiano do governo.
“O que virá a seguir?” ele perguntou. “Cinquenta chibatadas para as pessoas que violarem a lei?”
Tradutor: George El Khouri Andolfato

ENQUANTO ALGUNS BRITÂNICOS COMETEM SUICÍDIO POR CAUSA DO DESEMPREGO, A REALEZA GOZA A VIDA COM O DINHEIRO DESSES MESMOS SÚDITOS

Site dos EUA publica fotos do príncipe Harry nu
Imagens foram feitas em uma suíte VIP de Las Vegas onde ele passava férias com amigos
MICHAEL HOLDEN - Reuters
LONDRES - Um site norte-americano publicou nesta quarta-feira, 22, fotos em que o príncipe Harry, neto da rainha Elizabeth 2a, da Grã-Bretanha, aparece sem roupa, agarrando uma moça também nua, num quarto de hotel em Las Vegas.
Fotos foram tiradas em suíte VIP em Las Vegas - Reprodução
Fotos foram tiradas em suíte VIP em Las Vegas
Uma fonte da monarquia britânica confirmou à Reuters que é Harry quem aparece nas fotos, que são um provável motivo de constrangimento para o príncipe e para a família real.
Numa das imagens publicadas pelo site de celebridades TMZ, Harry, que é piloto de helicóptero do Exército britânico, cobre os genitais com as mãos, enquanto uma moça aparentemente nua se esconde atrás dele.
Outra foto mostra o príncipe de 27 anos, terceiro na linha de sucessão do trono, de costas, abraçando uma mulher que parece ser a mesma da outra foto.
As fotos, desfocadas, foram tiradas em uma suíte VIP de Las Vegas onde o príncipe passava férias com amigos.
O TMZ disse que as fotos foram tiradas depois que Harry e seus amigos conheceram algumas mulheres no bar do hotel e as convidaram para subir aos seus apartamentos, onde teriam participado de um jogo de "strip pool" - bilhar com strip-tease. As moças não foram identificadas.
Um porta-voz da realeza disse que não faria comentários específicos sobre as fotos de Harry, que ficou conhecido como "príncipe-problema" ao admitir, em 2002, que usou maconha e bebida alcoólica quando era menor de idade.
Três anos depois, o filho do príncipe Charles com a falecida Diana causou polêmica ao usar uma farda nazista numa festa à fantasia.
Há quatro anos, ele foi enviado como militar ao Afeganistão e mais recentemente falou da sua vontade de voltar à frente de combate, o que contribuiu para melhorar sua imagem de playboy.
Recentemente, ele esteve no Caribe e no Brasil como parte das celebrações do Jubileu de Diamante do reinado da sua avó, a quem representou neste mês na cerimônia de encerramento da Olimpíada.
Na quarta-feira, o príncipe estava na capa dos jornais britânicos -- não por causa das fotos, mas por ter nadado com o medalhista olímpico Ryan Lochte numa piscina de Las Vegas.
Chineses são cada vez mais numerosos e influentes na Espanha
Luis Gómez - El Pais
Fazer uma reportagem em agosto sobre a comunidade chinesa na Espanha não é problema: os chineses não tiram férias. E assim é, exceto muito raras exceções. O faturamento da empresa Don Pin é um fiel termômetro disso: a receita em agosto é a mesma de qualquer outro mês do ano. O dado não é desprezível, levando-se em conta que a Don Pin distribui mercadorias para 4.300 estabelecimentos de alimentação, mais conhecidos como "lojas de chineses", fatura 50 milhões de euros e cresce quase 20% em plena crise.
Se um estereótipo se realiza (os chineses não descansam no verão), a maioria das lendas que cercam a comunidade chinesa na Espanha está ficando antiquada. O chinês trabalhador, pacífico e temeroso, que quase não fala castelhano e vive em um ambiente fechado, deu lugar a uma nova geração que representa um gigante econômico. Os chineses de hoje são duplamente poderosos. Têm dinheiro e influência. E a utilizam. São os olhos e ouvidos da China na Espanha.
A nova geração pisa o terreno com segurança, como faz Maodong Chen, um dos proprietários da Don Pin, um jovem de 32 anos que chegou com 18 à Espanha e transformou um negócio varejista em outro atacadista. Maodong é principalmente um chinês sem complexos: fala sem rodeios e usa um tremendo senso de humor. Tanto é assim que começa a ser assíduo conferencista em escolas de negócios. Há alguns meses, na sede do IESE em Madri, diante de executivos de multinacionais, Maodong não passou despercebido. Soube chamar a atenção. Primeiro, quando afirmou que não quer clientes espanhóis em seu negócio. "Os espanhóis não pagam", disse. "Eu não os quero em meu negócio. Fico com os chineses, que são sérios." Em outro momento ofereceu algumas imagens do que não deve fazer um chinês na Espanha: por exemplo, vender uma bola azul-grená com o escudo do Real Madrid. Assim, direto, é esse novo empresário.
Sua empresa não é um reduto chinês. "Ponho em contato fornecedores espanhóis com clientes chineses", afirma. Na Don Pin, 60% dos funcionários são espanhóis. Maodong trabalha para criar equipes que lhe permitam diversificar sua empresa e expandir-se. Sua energia é contagiosa. Responde a qualquer pergunta e não está disposto a perder tempo para ser politicamente correto, atitude que derruba o clichê do chinês temeroso. Reconhece que as duas coisas que mais agradam a seus compatriotas são, além de trabalhar, os artigos de luxo e o jogo. E reconhece outras coisas.
Por exemplo, quando afirma que uma das atuais preocupações de muitos empresários chineses de sua geração, gente com alta capacidade aquisitiva, é a educação de seus filhos na Espanha. "Não queremos que nossos filhos se transformem em 'senhoritos' espanhóis", afirma com um sorriso oriental. "E estamos muito preocupados. Aqui não se desenvolve a cultura do trabalho e do esforço."
Ele criticou a saúde espanhola ("Tive de ir à China para solucionar um problema no meu joelho") e as associações chinesas que se proliferam pela Espanha: "O chinês é individualista e desconfiado. Muitos montam associações para seus interesses. Eu gosto de ter amigos, mas não de fazer política. Sou um homem de negócios, não um playboy."
Não é fácil Maodong aceitar entrevistas, mas está prestes a se transformar em uma voz autorizada do empresariado chinês na Espanha. A seu sucesso profissional soma-se sua boa recepção nas escolas de administração. Seu estilo combina com o de Juan Roig, dono da Mercadona, o empresário que recomendou aos espanhóis trabalhar como chineses e que tem sua escola de empresários (EDEM), onde se oferece um mestrado chamado 15 por 15 (15 empresários para 15 alunos). Não seria estranho que um dia Maodong seja professor.
Mas que ninguém se engane: ele tem a humildade para tentar durante um ano que o aceitem matricular-se em um mestrado sobre finanças. Um empresário espanhol de sucesso faria algo parecido?
Maodong é da mesma geração que a advogada Lidan Qi, 34 anos, fundadora de um escritório em Barcelona junto com sua irmã Lilin Qi, que é economista. Ambas se dedicam à consultoria tanto para empresas espanholas como para multinacionais chinesas, públicas ou privadas, que querem conhecer a Espanha. Lidan Qi está há 22 anos no país e sabe o que é trabalhar na empresa familiar. Elas progrediram com seu trabalho. Criaram uma incubadora de 40 empresas em Badalona. Possuem um centro comercial. Lidan se expressa em um castelhano perfeito, quase sem vestígio de sotaque oriental: "A imagem da Espanha não é positiva". Diz isso com tranquilidade, conhecedora dos interesses das grandes empresas chinesas, para as quais não somos o melhor da Europa.
Lidan reconhece o problema geracional: "A imigração chinesa na Espanha é jovem, mas já estamos conhecendo a terceira geração. Meus sobrinhos se sentem catalães. Os jovens não querem viver como seus pais. Querem viver como espanhóis. E assistimos à luta dos pais para que os filhos não esqueçam suas raízes. Há um fenômeno hoje em dia: o de empresários que mandam os filhos estudar na China."
Esses problemas são consequência de um grupo que está em pleno crescimento. Em uma década, a comunidade chinesa na Espanha se multiplicou por seis, um crescimento superior à média de outras nacionalidades, que se multiplicou por quatro. E seu perfil mudou: apesar de 70% virem da mesma região (Qingtian e Wenzhou), estão começando a chegar profissionais procedentes de outras regiões e estudantes (calcula-se que haja cerca de 6 mil nas universidades espanholas).
De seu caráter empreendedor não há dúvida: nos últimos três anos, o número de autônomos entre os chineses cresceu 55,9%, transformando-se na comunidade estrangeira com mais autônomos da Espanha. Parte de seu segredo, além do trabalho, está nos empréstimos entre familiares e amigos. "Há um provérbio que diz: 'Você me dá uma gota de água e eu lhe devolvo uma fonte'", explica Lidan. "É um código de honra: o dinheiro é emprestado sem juros e sem papéis."
Em uma década, os chineses se tornaram muito mais visíveis. E seu perfil está se modificando. "Há novas gerações", explica o especialista Joaquín Beltrán, da Universidade Autônoma de Barcelona: "23% são menores de 15 anos e estão escolarizados, e 13% dos 178 mil chineses recenseados nasceram na Espanha". "No tema da segunda geração", aponta a especialista Gladys Nieto, da Universidade Autônoma de Madri, "costuma-se considerar que estão integrados, falam bem espanhol, conhecem seus direitos e completaram a mobilidade social em relação a seus pais. Tenho minhas dúvidas de que este seja o quadro geral dos jovens chineses na Espanha. Temos muito pouca pesquisa sobre esses setores, e o que se detecta em outros países como Itália ou Inglaterra é que muitos desses jovens vivem em um isolamento que os vincula aos negócios de seus pais, sem possibilidade de sair desses projetos."
Mas, se o problema geracional interessa aos especialistas, é seu potencial econômico que começa a saltar à vista. Os chineses não são mais só lojistas. Agora estão entre os melhores clientes.
Há exemplos de todo tipo. O banco Bankia organizou um "microevento" para 20 cidadãos chineses em 12 de julho passado, que consistia em colocar a sua disposição uma série de ativos imobiliários do banco. "Foi uma primeira experiência", afirmou um porta-voz do Bankia, "porque os chineses têm nossa cultura: não se interessam pelo aluguel." Uma funcionária chinesa fez a apresentação. Da mesma maneira, a loja de departamentos El Corte Inglés contratou vendedores chineses para suas lojas de artigos de luxo, e sabe-se de uma construtora que oferece em Fuenlabrada 22 residências unifamiliares seguindo o estilo "feng shui". Quer dizer, especiais para chineses. Do êxito dessa iniciativa este jornal não pôde obter informação: a empresa é espanhola e fechou em agosto para férias.
E no final de novembro será inaugurado em Madri o flamejante edifício Fénix. Será um centro comercial exclusivo para chineses, com supermercado, agência de viagens, karaoke e sala de jogos. A fachada é dourada, a cor predileta dos chineses, um grupo que não é homogêneo. Talvez seu poder aquisitivo seja elevado, mas se aprecia uma brecha social entre os empresários da primeira fornada e os profissionais da segunda geração. Aqueles abriram o caminho, os novos dominam.
É o caso de Margaret Chen, uma espécie de primeira-dama chinesa na Espanha. Ela se move em qualquer terreno com elegância e não evita nenhum tema de conversa, apesar de constantemente explicar que não fala em nome da Telefónica, onde trabalha como um dos principais executivos. Margaret é a reencarnação viva da geração chinesa que assombrou o mundo: engenheira informática formada em uma das melhores universidades dos EUA. Deve sua estada na Espanha ao simples fato de ter-se casado com um espanhol. Do contrário, estaria em qualquer outra parte do mundo.
Quando chegou à Espanha, ficou grávida e montou uma consultoria, que acabou colaborando com a Telefónica há 16 anos. "Em 2004 a companhia queria entrar na China", lembra, "e não sabiam que tinham um chinês em sua empresa. Queriam procurar um tradutor de confiança. Alguém lhes avisou e me propuseram. 'Não quero ser tradutor, sou engenheira', respondi, porque na China um tradutor é como um membro do serviço. 'Se vocês querem um, eu procuro.' Depois me disseram que era para acompanhar Alierta [presidente da Telefónica]. 'Bem, se é para ir com ele, o acompanho.' Foi muito engraçado."
Seu discurso é tranquilo, seu castelhano quase perfeito, se expressa com uma naturalidade assombrosa, como se todos os argumentos caíssem por efeito da lei da gravidade. Fala da Espanha com a expressão com que alguém se refere a um pobre doente ao qual respeita: nossa imagem não é boa. Em síntese, não fizemos as coisas direito, continuamos sem aprender, querem nos ajudar, lhes parecemos simpáticos, mas devemos trabalhar melhor. Essa é sua mensagem.
"Em quatro ou cinco anos isto mudou", explica Margaret. "Aqui a imigração chinesa foi feita com gente que vinha na aventura, quase todos procedentes da mesma cidade, gente que não tinha nada a perder. Gente que não fala espanhol, mas tampouco mandarim, mas que é muito fiel entre si. Não estavam integrados à sociedade. Meu mundo é diferente."
O mundo de Margaret é o das relações, do poder e da influência. Por isso ela preside a associação China Club Spain, que pretende relacionar diretores chineses e espanhóis. "A China vê a Espanha como parceiro", explica, "possivelmente sejamos hoje mais amigos que a França, porque Sarkozy não nos tratou bem. Mas a relação é frágil. A França recuperaria terreno rapidamente porque é grande sua penetração na China."
A posição da Espanha não é boa. Tampouco sua imagem. Um ocidental evitaria essa crítica, mas Margaret não. É outra forma de diplomacia: "Talvez exista uma prepotência mútua", explica, "mas os chineses pensam que a Espanha está atrasada. Há 15 anos quase só era conhecida pelo futebol. E eles são líderes. O chinês não dedica muito tempo para saber o que está acontecendo no mundo. É como o americano."
Margaret fala da Espanha como um aluno que deve progredir. "O turismo,", diz, "a Espanha não fez nada. Um turista chinês gasta entre 3 mil e 4 mil euros por cabeça em cada viagem. No ano passado houve 50 milhões de turistas chineses, este ano serão 70 milhões. A Espanha não foi capaz de capturar um milhão? Os circuitos que fazem pela Europa visitam vários países, exceto a Espanha. Isso, entre outras coisas, por problemas de segurança. Em uma viagem deram uma surra em um governador. Acontecia o mesmo com os japoneses, que agora viajam com sua própria segurança."
A Espanha está atrasada. Porque precisamos que venham mais chineses. É o que reconhecem peritos espanhóis, entre eles o professor Pedro Nueno, do IESE. Precisamos de turistas. Precisamos de executivos. Não há voos diários para Pequim e Xangai. Abusou-se da promoção mesquinha de algumas autonomias, sem perceber que os chineses não diferenciam entre Astúrias e Catalunha. Não há uma estratégia nacional. Fala-se em pequenos detalhes. "Aqui lhes colocamos todos os obstáculos do mundo para lhes dar um visto", diz outro especialista.
A China mudou. Mas também mudou dentro da Espanha. Não é mais uma minoria anedótica. É poderosa e às vezes seletiva. E, é claro, cada vez mais influente.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

A MORTE POR INANIÇÃO

Morte de britânico após parar de comer encerra caso, mas não polêmica sobre eutanásia
Tony Nicklinson perdeu, na Suprema Corte britânica, a batalha legal pelo direito à morte assistida.
BBC-Brasil
A polícia britânica anunciou que não abrirá inquérito para investigar a morte de Tony Nicklinson, que sofria da síndrome do encarceramento e morreu na quarta-feira, segundo a família, após parar de comer por vários dias e contrair pneumonia. A decisão encerra a trágica jornada do britânico, mas o caso continua alimentado a polêmica sobre o suicídio assistido no país.
Ao se referir a uma das poucas saídas "legais" à disposição de Tony Nicklinson, parar de comer, o jornal The Times escreveu que ele havia implorado para não ter de seguir o "caminho cruel e árduo da inanição".
"Este caso aterrorizador deveria levar os deputados a criar a "Lei de Nicklinson" para dar a outros a opção legal pela qual ele suplicou", disse o jornal Independent.
"Chegou a hora de conversar sobre a morte", conclui um editorial no jornal The Guardian.
Tony Nicklinson, de 58 anos, travava uma batalha legal pelo direito ao suicídio assistido. Pelas regras atuais da Grã-Bretanha, médicos ou parentes que ajudarem alguém a se matar podem ser acusados de homicídio.
Nicklinson ficou paralisado do pescoço para baixo após sofrer um derrame durante uma viagem de negócios à Grécia em 2005. Suas faculdades mentais continuaram intactas, e o britânico se transformou em um ativista pelo direito de doentes terminais ou de pessoas em situação semelhante à sua de morrer com auxílio de médicos.
Em um artigo escrito para a BBC, Nicklinson disse viver um pesadelo. A impossibilidade física de se matar o condenava "a uma 'vida' de sofrimento crescente", segundo ele.
A opção de parar de comer já havia sido apresentada pela família durante a entrevista coletiva concedida após a derrota na Justiça britânica de seu pedido de suicídio assistido na semana passada.
Na ocasião, o britânico, que se comunicava com piscadas de olhos por meio de um computador especial, chorou, enquanto sua esposa, Jane, explicava aos repórteres presentes que Nicklinson considerava apelar da decisão, mas também contemplava a inanição.
Sofrimento
Segundo a advogada da família, Saimo Chahal, a família dispunha de uma medida legal que impedia que ele recebesse cuidados médicos que prolongassem sua vida.
"Jane me disse que Tony piorou rapidamente desde o fim de semana, tendo contraído pneumonia... e também recusava comida desde a semana passada", disse a advogada em declarações à imprensa.
"Jane disse que, após Tony receber a decisão judicial negativa, ele pareceu entregar os pontos", completou.
A morte encerra mais um capítulo da polêmica questão do suicídio assistido, mas o sofrimento de Nicklinson e de sua família deve alimentar o debate sobre mudanças na lei, segundo Penney Lewis, especialista em Direito do Centro de Direito Médico e Ética do King's College, em Londres.
Na decisão da semana passada, referente ao caso de Nicklinson, a Justiça negou o pedido, considerando que a lei britânica é clara ao considerar a eutanásia um crime de homicídio.
Isso porque Nicklinson não seria capaz de ingerir sozinho drogas letais, mesmo que elas fossem preparadas por outra pessoa. Ou seja, sua morte teria de ser decorrente de um ato praticado por alguém.
Quantidade x qualidade
Na ocasião, um dos juízes afirmou que uma decisão favorável a Nicklinson "teria tido consequências muito além dos casos atuais". "Ao fazer o que Tony (Nicklinson) quer, a corte estaria promovendo uma grande mudança na lei. E não cabe à corte decidir se a lei sobre morte assistida deve ser mudada. Segundo nosso regime, isso é um assunto para o Parlamento", afirmou o juiz.
Lauren, uma das duas filhas de Nicklinson, afirmou que a família continuaria lutando para que seu pai tivesse "uma morte sem dor e em paz". E rejeitou os argumentos dos críticos da eutanásia, dizendo que "a vida não deveria ser medida apenas em quantidade, mas em qualidade".
Pelo Twitter, na manhã de quarta-feira, Beth, a outra filha de Nicklinson, disse que, antes de morrer, ele pediu que o microblog fosse atualizado com a mensagem: "Adeus, mundo, minha hora chegou. Eu me diverti". 
Sua filha Beth escreveu pelo microblog que "não poderia ter pedido um pai melhor, tão forte. Você agora está em paz, e nós ficaremos bem".

JAPÃO IMPERIALISTA X CHINA EXPANSIONISTA

Disputa por ilhas revela temor do Japão por ascensão da China
Martin Fackler - NYT
Quando a frota de 21 barcos de pesca chegou num arquipélago no centro de uma disputa territorial crescente com a China, os capitães alertaram as dezenas de ativistas e políticos a bordo a não tentarem ir para a terra.
Dez dos ativistas pularam de qualquer forma nas águas infestadas por tubarões, nadaram para a terra e espetaram a bandeira como sol nascente que evoca memórias dolorosas da marcha do Japão Imperial pela Ásia no século 20.
“Sentimos que eles nos arrastaram para um incidente internacional”, disse Masanori Tamashiro, capitão de um dos barcos que fizeram a viagem de oito horas até as formações rochosas inabitadas a nordeste daqui, chamadas de Senkakus no Japão e Diaoyu na China.
Esta sensação é compartilhada por muitos no Japão, onde um pequeno bando de nacionalistas pressiona o país para se afirmar de forma mais ousada para combater a ascensão econômica explosiva da China e da Coreia do Sul e as ambições territoriais chinesas que evoluem rapidamente.
Os nacionalistas ganharam tração para sua causa nos últimos meses tomando vantagem das fraquezas políticas do governo, obrigando o partido governista a tomar uma posição mais dura nas Senkakus.
Mas os ativistas também estão se valendo de uma ansiedade generalizada em relação à China, e a amargura resultante em relação às Senkakus já se tornou um ponto problemático internacional, gerando temores de que os Estados Unidos, antigos defensores do Japão, possam ser puxados para o conflito.
Os temores japoneses intensificaram há dois anos durante o último conflito pelas Senkakus, quando a China retaliou a prisão de um capitão de pesca por parte do Japão, deixando de fornecer as terras raras tão necessárias à indústria de eletrônicos japonesa, já em dificuldades. Esta ansiedade se tornou mais pronunciada nos últimos meses à medida que a China aumentou suas reivindicações no Mar do Sul da China, desafiando o Vietnã, as Filipinas e outros por conta de mais de 40 ilhas numa área vasta, e apoiando suas declarações com movimentos agressivos que incluíram enviar grandes barcos de patrulha para águas em disputa.
Ainda há pouco apetite no Japão pacifista por um confronto total com a China. Mas analistas dizem que o consenso está crescendo sobre a necessidade de o Japão se impor em relação à China uma vez que o poder na região parece estar escorregando do Japão economicamente fraco e dos Estados Unidos.
“Estamos todos nos preparando para um cabo-de-guerra internacional nesta região”, disse Narushige Michishita, um especialista em assuntos de segurança no Instituto Nacional Graduado para Estudos Políticos em Tóquio. “Sempre que a distribuição de poder muda de uma forma dramática, as pessoas começam a redesenhar as linhas.”
Isso é exatamente o que aconteceu no Mar do Sul da China, que já recebeu mais atenção internacional do que as batalhas territoriais do Japão. Mas os especialistas dizem que a guerra de vozes cada vez mais agudas entre o Japão e seus vizinhos no leste da Ásia, incluindo a China e a Coreia do Sul, é potencialmente mais explosiva. Diferente do Mar do Sul da China, onde o atrito se concentra na competição por recursos naturais, a disputa pelas ilhas do leste da Ásia diz mais respeito à história, e está enraizada numa raiva duradoura – e facilmente atiçada – contra a brutal dominação do Japão sobre seus vizinhos há décadas.
Essas emoções brutas foram externadas durante o final de semana, a medida que centenas e talvez milhares de chineses – em protestos que foram pelo menos tolerados pelo governo – foram para as ruas em várias cidades para denunciar as reivindicações do Japão sobre as ilhas.
“Os ricos são muito mais altos para o leste da Ásia porque há países maiores muito próximos, e os conflitos são mais diretos e emotivos”, diz Kent Calder, diretor do Centro Edwin O. Reischauer para Estudos do Leste Asiático na Johns Hopkins University.
A repercussão para os Estados Unidos também é potencialmente mais problemática, dizem analistas. Os Estados Unidos começaram a exortar o Japão e a Coreia do Sul a assumir mais uma parte do fardo da defesa contra a China e a Coreia do Norte, mas o último impasse dos países por causa das ilhas entre eles, conhecidas como Takeshima no Japão e Dokdo na Coreia, contribuiu para a decisão da Coreia do Sul de apoiar um acordo para compartilhar inteligência militar com o Japão.
Um risco ainda maior, embora mais remoto, para os Estados Unidos, dizem alguns analistas, é que eles podem ser arrastados para um conflito armado entre a China e o Japão, a quem ele é obrigado a defender por tratado.
“Há uma possibilidade real de, se a diplomacia falhar, haver uma guerra”, disse Kazuhiko Togo, ex-diplomata de carreira japonês que escreveu sobre a questão das ilhas.
A disputa atual entre o Japão e a China foi iniciada pelo governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, um antigo e eloquente defensor de temas conservadores. Na última primavera, ele disse que queria que Tóquio comprasse as ilhas de seu dono atual, um cidadão japonês, para defendê-las melhor conta a China. Pressionado para não parecer fraco antes das eleições, o primeiro-ministro Yoshihiko Noda logo disse que o governo central compraria as ilhas.
Isso desencadeou um toma-lá-dá-cá entre os ativistas de ambos os países. Primeiro, sete ativistas de Hong Kong desembarcaram na semana passada em Uotori, a maior das ilhas disputadas acabaram entre os 14 chineses presos pelo Japão e logo deportados. Os nacionalistas japoneses retaliaram desembarcando na mesma ilha no domingo. (Num sinal de como o círculo de ativistas japoneses é pequeno, um entre oito legisladores nacionais que se juntou à frota, Eriko Yamatani do Partido Liberal Democrata, de oposição, também participou de um episódio recente que ajudou a desencadear a última batalha entre a Coreia do Sul e o Japão por conta das ilhas disputadas.)
A frota saiu da ilha de Ishigaki, no extremo sul do arquipélago de Okinawa, que fica a cerca de 130 quilômetros das Senkakus.
Yoshiyuki Toita, um membro de 42 anos da assembleia municipal de Ishigaki, foi um dos poucos moradores locais que se juntou à expedição.
“O Japão chegou ao ponto de que precisa mudar”, diz Toita. “A era de apenas depender dos Estados Unidos se acabou.”
Mesmo assim, Toita concordou com a opinião corrente de que o Japão deveria aderir mais proximamente aos Estados Unidos. Ainda assim, o governo tomou pelo menos algumas medidas para mostrar sua própria disposição de peitar a China, principalmente reformulando sua estratégia nacional de defesa, que antes já havia se concentrado na União Soviética no norte, mas que agora se concentrará em se proteger da China ao sul. E uma pesquisa de opinião realizada em outubro passado pelo escritório do primeiro-ministro mostrou uma cautela crescente, com mais de 70% dos japoneses dizendo que não têm “sentimentos amigáveis” em relação à China.
Esses sentimentos já avançaram até aqui em Ishigaki, uma parte de Okinawa, onde um profundo pacifismo nasceu da raiva contra o fato de o Exército Imperial Japonês forçar civis a cometerem suicídio durante a 2ª Guerra Mundial, bem como da pesada presença de tropcas norte-americanas depois da guerra.
À medida que navios de guerra e barcos de patrulha se tornam algo mais frequente nas águas próximas daqui, alguns moradores das ilhas começaram a falar mais em apoio dos militares norte-americanos e japoneses, muito embora o sentimento contra as bases norte-americanas continue forte. Desde os acontecimentos de dois anos atrás quando a China cortou o suprimento de terras raras, o prefeito de Ishigaki, Yoshitaka Nakayama, começou a hastear a bandeira do sol nascente em frente à prefeitura pela primeira vez desde a 2ª Guerra Mundial.
Ao mesmo tempo, Nakayama, 45, disse que valoriza o crescimento do comércio de sua ilha e as ligações turísticas com o mundo que fala chinês, especialmente com Taiwan, que também reivindica Senkakus.
Tamashiro, capitão do barco de pesca, expressou sentimentos similarmente conflitantes, embora tenha levado mais ativistas para ver as ilhas.
“Basicamente, os pescadores não querem que a política prejudique seu meio de vida”, disse Tamashiro. “Mas a US$ 4.500 por barco alugado, ir para Senkakus 'não é um dinheiro ruim.'”
Tradutor: Eloise De Vylder

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MARVIN GAYE

thestrutny:

 (via Happy Birthday Marvin Gaye)

JOE BONAMASSA - DJANGO

RADIOHEAD - PARANOID ANDROID

NATASSJA KINSKI

MICHELLE

antoineverglas:

Michelle poses with Maxi, the Great Dane at the studiop | Antoine Verglas

By Antoine Verglas







God Bastos confunde diploma de advogado com licença para torturar a verdade

Augusto Nunes - VEJA
Na entrevista publicada pela Folha nesta quarta-feira, Márcio Thomaz Bastos enfim enxergou nuvens escuras no que sempre descreveu como céu de brigadeiro: muitos mensaleiros não escaparão da condenação. Mas ninguém será preso antes de 2013, garante. Pelas contas do chefe dos bacharéis do mensalão, só no ano que vem ficará pronto o acórdão, como foi batizado em juridiquês o documento que resume os votos dos ministros e oficializa as penas aplicadas aos réus pelo Supremo Tribunal Federal.
A coisa não termina aí, anima-se: “Mesmo depois do acórdão publicado, existem embargos que impedem que o acórdão transite em julgado. Então, se houver mandado de prisão, ele será expedido quando a sentença transitar em julgado”. O palavrório empobrecido por redundâncias termina com uma má notícia: “Estou adiando a aposentadoria por conta disso”. Aos 77 anos, o especialista em livrar do castigo até assassinos confessos está ansioso por acionar a usina de recursos, petições e outros truques chicaneiros forjados para retardar ou impedir o cumprimento da lei.
Ao longo da entrevista, o ex-ministro não usa uma única vez as palavrasinocente, inocência, culpa, culpado ou mensalão. God Bastos e seus devotos revogaram o compromisso com a Justiça para comprometer-se exclusivamente com a impunidade dos clientes. E transformaram o diploma de advogado em licença para torturar os fatos e assassinar a verdade.

Via quietfront

ELES NÃO FAZEM COMO O BRASIL, QUE ABRE AS PERNAS COMO UMA P*** VELHA

EUA e Japão vão à OMC contra Argentina
Washington e Tóquio acusam o governo Cristina de adotar medidas protecionistas para restringir importação
À entidade de comércio, governo americano diz que sistema argentino é "pouco transparente"; Argentina quer revidar
LUCIANA COELHO - FSP
Os EUA entraram ontem com um pedido de consultas -o primeiro passo de um processo- contra a Argentina na Organização Mundial do Comércio, acusando o governo Cristina Kirchner de restringir importações e dando início ao que pode virar uma longa guerra comercial.
O Japão fez uma solicitação semelhante, e a Argentina ameaçou revidar com um pedido de consultas contra os EUA a respeito de supostos entraves à carne bovina e aos produtos cítricos argentinos no país. Em maio, a União Europeia já havia reclamado da Argentina à OMC.
"As medidas protecionistas da Argentina têm efeito adverso sobre um segmento amplo da indústria americana, que exporta bilhões de dólares por ano a esse país", disse o representante comercial dos EUA (ministro do comércio exterior), Ron Kirk.
Os americanos acusam os argentinos de frearem a entrada de seus produtos desde que adotaram, em fevereiro, um sistema pelo qual os pedidos de licença de importação devem ser submetidos à Secretaria do Comércio Interior e avaliados caso a caso.
Os países afetados e os setores industriais argentinos que importam peças afirmam que a medida criou um gargalo de meses. Os EUA definem o processo de licenças como "pouco transparente" -as decisões cabem ao secretário Guillermo Moreno, próximo a Cristina- e "injusto".
Contestam ainda uma suposta exigência argentina de contrapartida em exportações para liberar a importação. Em seus discurso, Kirk usa o caso na OMC no contexto eleitoral, alegando defender "empregos americanos".
Em março, 40 países (incluindo EUA, Japão e vários europeus) haviam reclamado dos procedimentos argentinos à OMC, soando o alarme.
Segundo a organização, Washington e Tóquio alegam que as medidas de Buenos Aires não encontram base nos acordos da entidade.
O governo argentino, que vê motivação política no processo americano, vem se tornando um protagonista na organização em Genebra.
Ontem, segundo o jornal "Clarín", ameaçou pedir consultas contra os EUA, acusando-os de fechar as portas à sua carne bovina usando barreiras fitossanitárias.
No último dia 17, abriu um processo na entidade contra a União Europeia por causa de supostas barreiras espanholas a seu biocombustível.
O pedido de consulta abre formalmente uma disputa na OMC e dá às partes 60 dias para negociar uma solução.
Se a negociação fracassar, a queixa é remetida a um painel de solução de controvérsias na OMC, no qual uma resposta final pode levar anos.

DÓRICAS

Meia-volta no salão
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
O PT não acreditava que o julgamento do mensalão aconteceria neste ano, não esperava que o relator fosse tão enfático, claro e didático na exposição dos acontecimentos que o levaram a condenar até agora quatro réus, e tampouco imaginava que a narrativa passaria ao largo da tese do caixa 2 à qual ficaram presos os advogados.
O PT apostava na prescrição dos crimes, na desqualificação da denúncia, na contraposição da "força das ruas" ao peso dos fatos, no esvaziamento do processo por obra da retórica, nas manobras para o retorno de acusados a postos de destaque na política.
O PT escorava-se, sobretudo, na inconsistência dos autos e na impossibilidade de se construir um relato provido de nexo entre causas, efeitos, atos, funções e objetivos.
O PT tinha mesmo a expectativa de que tudo acabasse conforme o prognóstico de Delúbio Soares em entrevista ao jornalista Expedito Filho, do Estado, em outubro de 2005: "Dentro de três ou quatro anos tudo será resolvido e acabará virando piada de salão. É só ter calma. Seremos vitoriosos não só na Justiça, mas no processo político".
Acertou no varejo, o partido realmente não colheu revezes eleitorais do escândalo, mas equivocou-se no atacado porque na Justiça o prejuízo está feito, ainda que a maioria dos ministros não acompanhe na integralidade o raciocínio do relator.
O PT não contava com isso. Tanto não contava e tão autoconfiante estava que bancou o lançamento de João Paulo Cunha como candidato a prefeito de uma cidade (Osasco) "colada" a uma capital da visibilidade de São Paulo.
Para um partido que não queria ligar seu nome ao julgamento no cenário de eleição, a presença de um réu na disputa é a exposição de um elo mais que imperfeito.
Memória. Quando do recebimento da denúncia do mensalão, em 2007, o ministro Ayres Britto expôs entendimento semelhante ao adotado agora por Joaquim Barbosa em relação ao desvio dos recursos do Banco do Brasil para a turma de Marcos Valério por intermédio do fundo Visanet.
Disse ele, usando praticamente as mesmas palavras: "Para fins penais esse dinheiro é público, pois oriundo de empresa de economia mista. O dinheiro público não se metamorfoseia em privado pelo fato de ser injetado numa pessoa jurídica privada, continua público a despeito de sua movimentação".
Dose dupla. Dada a proximidade da data, muito se fala sobre a aposentadoria do ministro Cezar Peluso, em 3 de setembro. Sem grandes consequências para o julgamento em si, pois estarão presentes 10 magistrados quando o quorum mínimo exige a participação de seis.
Confusa mesmo ficaria a situação se concretizadas algumas previsões de que o julgamento pode se estender muito mais que o previsto.
Na hipótese de ir além de novembro, alcançaria a aposentadoria do presidente do Supremo, ministro Carlos Ayres Britto, cujo substituto é Joaquim Barbosa, que em princípio acumularia as funções de presidente e relator.
Recado. À primeira vista pode ficar a impressão de que a manifestação do governador Geraldo Alckmin posicionando-se como possível candidato a presidente em 2014 contraria os planos de José Serra.
Examinada mais detidamente, porém, a declaração pode ser vista como sinalização ao eleitorado de que Serra, se eleito, ficará na Prefeitura de São Paulo até o fim do mandato, pois a desconfiança a respeito disso é um dos fatores a que os tucanos atribuem a alta rejeição do candidato.

OS CANALHAS E O JUIZ OU O JUIZ CANALHA? LOGO SABEREMOS


A sessão extraordinária de Toffoli
Elio Gaspari - FSP
No meio da noite, o ministro tomou as dores de José Dirceu, réu de processo que julga durante o dia SÁBADO, 12 de agosto, 2h30 da madrugada: o repórter Ricardo Noblat deixa a casa onde se comemora o aniversário de Fernando Neves, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, passa pela sala, cumprimenta-o, despede-se também do ministro José Antonio Dias Toffoli e vai em busca de seu carro. Acidentalmente, ouve o que parecia ser uma discussão, talvez uma briga.
Descontando-se os palavrões (pelo menos seis) e as vulgaridades (pelo menos uma), ouve o seguinte:
- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.
Pelas regras da noite, podia ter dito o que quisesse, na presença da vítima. Se Toffoli não gostou de ter encontrado Noblat na festa, deveria ter saído da casa horas antes, quando ele o cumprimentou pela primeira vez. Até aí, mostrou que é um mau convidado, mas, pelo adiantado da hora, pode-se relevar que tenha produzido um bate-boca sob a forma de monólogo. O ministro não comenta o episódio.
Pelas regras da magistratura, Toffoli não poderia ter revelado a amplitude da simpatia que concede a um réu de processo que está em curso no tribunal onde tem assento. Se o "canalha" não poderia ter criticado José Dirceu porque ele escreve no blog, um ex-advogado do PT pode condenar o ex-chefe?
O doutor Toffoli fez sua carreira na advocacia petista e nas campanhas de Nosso Guia, que o nomeou o advogado-geral da União e ministro do Supremo Tribunal Federal aos 42 anos.
Entre 2003 e 2005, Toffoli ocupou a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil comandada por José Dirceu. Em voos solo, tentara por duas vezes chegar à magistratura de primeira instância, mas foi reprovado nos concursos públicos.
A presença de Toffoli no julgamento do mensalão é absolutamente legal. Não se pode dizer, como o comissário Luiz Marinho, que "ele não tem o direito de não participar".
Direito tem, e é dele a decisão. Também é seu direito de tomar as dores de José Dirceu às 2h30 da manhã numa festa onde confraternizava com advogados da bancada de defesa dos réus do processo do mensalão. Da mesma forma, estava no seu direito quando foi à boca-livre do casamento de um advogado amigo na ilha de Capri.
As sessões do STF mostraram momentos de tensão. Há ministros que se estranham, mas, no centro das divergências, sempre há argumentos que contribuem para o bom andamento do processo. São cenas que podem ser mostradas na televisão.
O comportamento de Toffoli na festa de Fernando Neves não contribui para coisa alguma, senão para a crônica dos maus modos. Ele estava fora do tribunal, num evento privado, mas emitiu opiniões relacionadas com um réu do julgamento que está em curso.
O ministro contribuiu para uma edição da autobiografia do jurista Hans Kelsen (1881-1973). Logo dele, que teve uma vida social reclusa. Ao lançar o livro, disse: "Estamos muito acostumados no mundo jurídico a falar sobre a obra da pessoa, discutir sua teoria, suas teses e posicionamentos, mas nos omitimos em estudar a vida e as circunstâncias, ou seja, o que a levou a desenvolver determinada teoria". Kelsen falava pouco e certamente dormia cedo.

DE TREM NÃO. É MUITO CARO!

Abusos no frete ferroviário devem ser eliminados
O Estado de S.Paulo
O jornal Valor publicou na sua edição de ontem o protesto dos produtores de grãos que se queixam de que a América Latina Logística (ALL) lhes cobra um frete ferroviário superior ao do transporte por caminhões, ou equivalente a 95% deste. Pode-se entender que, diante da denúncia, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) esteja querendo cortar o teto das tarifas das ferrovias.
A ALL desmente a denúncia, embora pareça existir, entre a companhia ferroviária e as grandes tradings, um acordo para reduzir o frete no caso dos clientes importantes e regulares. Isso, todavia, não justificaria um frete tão elevado para os produtores independentes de grãos.
Embora os valores variem de país a país, a regra geral é que o transporte ferroviário é 8 vezes mais barato que o rodoviário, comparação que deve ser ainda mais favorável no Brasil, considerando a péssima conservação das nossas estradas.
No caso, porém, existe um fator muito especial: a importância da safra de soja num momento em que, por causa da seca que atinge outros países e especialmente os EUA, o preço da soja está atingindo nível elevado - o que estimula a ALL a ser sócia no transporte de uma commodity cujo valor está explodindo.
Nada justifica essa tentativa de "participação indireta nos lucros" dos produtores, especialmente sabendo que, no caso de uma safra ruim, a ALL não se mostraria disposta a participar das perdas. O frete ferroviário é ainda muito elevado no Brasil, e é bem conhecido o fato de que, produzindo soja a um preço muito inferior ao da soja americana - por causa dos custos de transporte terrestre e portuário -, esse produto acaba chegando nos EUA a um preço superior ao da soja ali produzida.
A ALL, que não se arrisca a elevar o custo do frete das tradings - que lhe garantem cargas volumosas -, procura obter vantagem da demanda aquecida de uma mercadoria valorizada.
É uma situação que tem sua origem na falta de concorrência no transporte ferroviário. Não se justifica, no entanto, a implantação de uma outra ferrovia na região que não teria negócios suficientes, já que a demanda de transporte é sazonal. Em compensação, justifica-se, sim, a intervenção pública para evitar abusos no quadro de uma análise real da situação.
Não se pode admitir um excesso de preferência para as tradings, mas se pode examinar com a ALL a hipótese de aumentar a capacidade de transporte. O que não é aceitável é que o frete ferroviário negue a vantagem desse meio de transporte.

MAIS UM SENTADO NO COLINHO DO CAPETA

Morre primeiro-ministro Meles Zenawi, o 'último imperador da Etiópia
AFP
ADIS ABEBA, 21 Ago 2012 (AFP) -O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, faleceu na noite de segunda-feira, anunciou o governo, que não revelou mais detalhes sobre a morte do ex-líder guerrilheiro, que era chamado de autocrata pelos opositores e de visionário pelos seguidores, como os imperadores históricos da Etiópia.
"O primeiro-ministro Meles Zenawi faleceu ontem à meia-noite", afirmou Bereket Simon, porta-voz do governo etíope.
O vice-primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desalegn, assumirá o governo de forma interina.
"Em aplicação à Constituição da Etiópia, o vice-primeiro-ministro tem que comparecer ao Parlamento, que será convocado o mais rápido possível, para prestar juramento", declarou Simon.
"A situação é estável", completou.
Simon afirmou apenas que Zenawi lutava contra problemas de saúde há um ano, mas se considerava pronto para o trabalho.
Meles Zenawi, de 57 anos e peso pesado dos líderes africanos, governava a Etiópia com mão de ferro há 21 anos: em 1991 ele assumiu o poder à frente de uma guerrilha que derrubou o regime do ditador Mengistu Haile Mariam.
Líderes mundiais lamentaram o falecimento de Zenawi.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, manifestou nesta terça-feira a sua "tristeza" com a notícia e manifestou a sua "admiração" pela política de luta contra a pobreza realizada por Meles Zenawi.
"Soube com tristeza da morte do primeiro-ministro etíope Meles Zenawi", que "merece ser saudado por sua contribuição de longa data ao desenvolvimento da Etiópia, em particular por seu compromisso inabalável em favor dos pobres", afirmou Obama em um comunicado.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, saudou a "liderança excepcional" de Meles Zenawi na África.
Este homem austero entrou para o clube dos dirigentes africanos no poder há mais de 20 anos após uma vitória nas eleições de 2010 com direito a 99% dos votos.
Ele tinha menos de 25 anos quando assumiu o comando da FPLT (Frente Popular de Libertação de Tigray) em 1979, apenas cinco anos depois de ter abandonado a Faculdade de Medicina para entrar na rebelião de Tigray, ao norte do país.
Nascido em 8 de maio em Adua (norte), Meles Zenawi ocupou o cargo de presidente da República (1991-1995) antes da mudança na Constituição, que transformou a Etiópia em um regime parlamentar.
Ele era parte, ao lado do ruandês Paul Kagame e do ugandense Yoweri Museveni, da geração de dirigentes africanos que chegaram ao poder no fim dos anos 80 e início dos anos 90. O então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton considerava que eles poderiam ser "dirigentes do renascimento" africano.
Com o passar dos anos, Meles transformou seu país em um aliado chave dos Estados Unidos na luta contra o extremismo no Chifre da África.
"É o último imperador da Etiópia", afirmou a respeito de Zenawi, um ex-diplomata etíope há alguns anos.
"Para Meles Zenawi, o poder continua sendo uma espécie de mito, com uma autêntica dimensão mística, porque se encontra na mesma situação que os imperadores do passado, que chegaram ao poder pelas armas, e porque desprende esta aura de poder", completou.
No fim da década passada, Meles Zenawi virou o principal negociador do continente sobre a mudança climática e desde 2007 era presidente da Nova Aliança para o Desenvolvimento da África (NEPAD).
Apesar disso, a Etiópia continua sendo um dos países mais pobres do mundo. A população, explicam analistas, não se beneficiou dos programas de desenvolvimento: no mundo rural ainda não são sentidos os planos de ampliação da energia elétrica regional.
O país é acusado regularmente de violações dos direitos humanos contra os grupos de oposição e os jornalistas.
Sérias consequências para o Chifre da África Em julho, quando a hospitalização de Meles em Bruxelas foi divulgada, uma fonte diplomática afirmou que seu desaparecimento teria sérias consequências para a região mais instável do Chifre da África.
"Ele soube impor sua autoridade sobre os vizinhos e é um polo de estabilidade entre Sudão, Eritreia e Somália", explicou a fonte.
Os mandatos de Meles foram marcados por uma guerra violenta na fronteira com a Eritreia entre 1998 e 2000, além de duas intervenções militares na Somália, a primeira do fim de 2006 ao início de 2009 e a segunda a partir do final de 2011.
Meles Zenawi não aparecia em público desde junho e sua saúde era alvo de muitas especulações.

NÃO PASSAM DE PORCOS. TERRORISTAS DO TALEBAN E OS TRAFICANTES DE COCAÍNA DO PERU/BOLÍVIA/COLÔMBIA/BRASIL SÃO TODOS IGUAIS - BANDIDOS

Taleban usa estratégia histórica para combater forças de segurança no Afeganistão
Benjamin Jensen (*) - Herald Tribune
As guerras nem sempre são vencidas em batalhas decisivas. Muitas vezes elas se constituem em jogos estratégicos nos quais qualquer ação capaz de reduzir a disposição do adversário para o combate representa um avanço rumo à vitória. No Afeganistão, o Taleban está atacando exatamente a disposição de luta da comunidade internacional e do governo de Hamid Karzai ao sistematicamente infiltrar e minar as forças de segurança afegãs.
Esses ataques episódios conhecidos como “green-on-blue” (“verde contra azul”) - nos quais soldados e policiais afegãos disparam as sua armas contra os seus parceiros ocidentais de coalizão – não são incidentes isolados. Na verdade, tais ataques refletem uma estratégia do Taleban que está bastante enraizada na história afegã.
Desde o início do ano foram registrados 31 ataques do tipo “green-on-blue”, que resultaram em 40 mortes. O general Guenter Katz, um dos porta-vozes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), declarou recentemente à imprensa que esses ataques são, de forma geral, acontecimentos isolados provocados por desentendimentos pessoais, estresse e fadiga de combate.
Somente no caso dos Estados Unidos essa ameaça interna é responsável atualmente por um terço de todas as baixas. Os soldados norte-americanos correm um risco cada vez maior de serem mortos pelos parceiros afegãos que eles treinam e assessoram.
O aumento do número de ataques “green-on-blue” representa uma modificação profunda neste conflito. Os insurgentes estão perdendo terreno no campo de batalha. As suas bombas instaladas em ruas e estradas e os seus ataques de grande magnitude, embora ainda letais, não têm mais aquele efeito chocante que se via no passado. Sob uma pressão cada vez mais intensa, grupos como o Taleban estão buscando formas baratas de atacar a coalizão ocidental e as forças de segurança afegãs. Os ataques perpetrados por indivíduos infiltrados proporcionam aos insurgentes uma forma de preservar o seu poder de combate e, ao mesmo tempo, de empurrar as forças internacionais para fora do país.
Os ataques “green-on-blue” criaram uma barreira entre os assessores estrangeiros e os seus parceiros afegãos. Operações de infiltração acabam com a confiança dos militares ocidentais nos seus colegas afegãos. Os ataques fazem com que os assessores militares estrangeiros fiquem apreensivos e acabam por prejudicar a qualidade do treinamento. E as forças afegãs ficam paralisadas, já que os comandantes não podem confiar nos seus próprios subordinados. A população tem a impressão de que o seu exército é uma força comprometida. A guerra pela disposição de lutar transforma-se em uma luta pela sobrevivência.
O Taleban não precisa vencer no campo de batalha. O grupo precisa apenas que os países estrangeiros e a população afegã reduzam o seu apoio ao governo. Ao erguer uma muralha entre os parceiros da coalizão e destruir a confiança entre eles, o Taleban atinge esse objetivo. Movido pela necessidade, o inimigo está se adaptando.
Além do mais, a infiltração e a artimanha são características tradicionais do estilo de guerra afegão. A história afegã está repleta de casos de intrigas e ardis nos quais os adversários são minados de dentro para fora e grandes exércitos acabam definhando.
O assassinato de Nader Shah Afshar, o xá da Pérsia de 1688 a 1747, por membros do seu círculo interno de poder, levou o seu assessor próximo, Ahmad Shah Durrani, a fugir com forças leais e atacar tribos afegãs em Kandahar, onde eles formaram o Império Durrani, o predecessor do moderno Estado afegão. Na Primeira Guerra Anglo-Afegã (1839-1842), os britânicos apoiaram Shah Shuja para que este retomasse o poder do seu irmão, Mohammed Shah. Na Batalha de Maiwand, durante a Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878-1880), um episódio bélico frequentemente mencionado nas propagandas do Taleban, os britânicos sofreram deserções maciças de soldados afegãos.
E a mesma tendência é evidente na história militar afegã contemporânea. As deserções em massa de unidades do exército afegão aliadas aos soviéticos eram comuns durante a jihad anticomunista. Durante a guerra civil afegã, as facções mudavam de lado constantemente para obter vantagens.
O comandante militar tribal uzbeque Abdul Rashid Dostum mudou de lado três vezes. Em 1996, Gulbuddin Hekmatyar, que combatia a Aliança do Norte, liderada por tajiques, acabou juntando-se aos seus ex-inimigos e combatendo o Taleban. Karzai convenceu vários líderes tribais que apoiavam o Taleban a participar da captura de Kandahar com o apoio da coalizão ocidental em 2001.
Tendo em vista este histórico, tratar os ataques “green-on-blue” como incidentes isolados significa desconhecer a gravidade da situação e a estratégia usada pelo Taleban. Os insurgentes estão minando as forças de segurança nacional afegãs de dentro para fora.
Um adversário que é mestre em se adaptar a novas situações adotou deliberadamente como alvo os laços de confiança penosamente estabelecidos entre os parceiros militares afegãos e ocidentais. E o primeiro passo para tratar essa doença é diagnosticar o problema.
(*) Benjamin Jensen é professor da Escola de Serviço Internacional da American University, em Washington, D.C., e do Comando e do Colégio de Oficiais do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Ele é também oficial da Guarda Nacional do Estado de Maryland e serviu no Afeganistão
Tradutor: UOL
Leitores engajados poderiam ter desconto em cobrança online, diz jornalista
Vice-editor do ‘The Wall Street Journal’ instiga jornais a pensarem em alternativas ao ‘paywall’
Marcelle Ribeiro - O Globo
SÃO PAULO - O vice-editor executivo do jornal americano “The Wall Street Journal”, Raju Narisetti, instigou diretores de jornais brasileiros a pensarem na adoção de um modelo inovador de cobrança por conteúdo digital, diferente dos que vêm sendo adotados por veículos americanos e brasileiros e que é conhecido como “paywall”. Em palestra no 9º Congresso Brasileiro de Jornais, Narisetti propôs que os veículos de comunicação analisem o uso do que ele chamou de “freewall”, em que os leitores passariam a pagar menos pelo acesso ao conteúdo online à medida que usassem mais o site e se engajassem nele, comentando matérias ou as indicando no Facebook, por exemplo.
No Brasil, os jornais “Folha de S. Paulo” e “Zero Hora” já adotaram um sistema de “paywall”. Na “Folha de S. Paulo”, o leitor tem acesso gratuito apenas a uma quantidade determinada de reportagens e, ultrapassada essa quantia, tem que pagar. Outros jornais brasileiros estudam a melhor maneira de cobrar pelo seu conteúdo na web, e temem que leitores não queiram pagar para ler as reportagens.
Para o jornalista americano, “paywalls” não funcionam para todos os jornais da mesma maneira. Por isso, cada veículo deve decidir o que é melhor para si.
- Paywalls são inerentemente negativos. Estamos dizendo para o leitor que ele tem, por exemplo, 20 matérias de graça e quanto mais ele lê, mais perto ele fica de ter que nos pagar - disse Narisetti, em palestra no evento promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).
Segundo Narisetti, com o “frewall”, os leitores seriam premiados caso se engajem mais.
- A ideia é que os leitores tenham escolha. Podem pagar, mas se tiverem muita atividade no site, talvez eles possam obter o conteúdo de graça. Pode funcionar assim, não significa que é uma fórmula para todos, é só uma ideia - disse.
O vice-editor executivo “The Wall Street Journal” disse que o jornal, que cobra pelo acesso a seu conteúdo há anos, não pensa em usar o “freewall”. Ele esclareceu que teve essa ideia quando trabalhava no “Washington Post”, mas o jornal descartou a possibilidade de usá-la, porque preferiu manter seu conteúdo grátis. De acordo com Narisetti, a indústria de games teve sucesso ao fazer algo semelhante à ideia do “freewall”, premiando usuários mais engajados.
Do Blog:
Sinceramente, eu não pagaria pelas reportagens.
São muito rasas.
A discussão fica entre cobrar ou não cobrar, mas quanto à qualidade das reportagens/artigos ninguém fala.
Dos três jornais importantes do país, assino dois.
Posto o que eu acho de interessante.
Se as notícias via net ficarem indisponíves para não assinantes, o país ficará mais ignorante.

ISRAEL: O EGITO AINDA É UM PAÍS CONFIÁVEL? O BLOG ACHA QUE NÃO

Movimentação do Exército egípcio no Sinai preocupa Israel
Para analistas, este é 'teste mais significativo' nas relações entre os dois países após queda de Mubarak
BBC - Brasil
TAL-AVIV - A decisão do presidente egípcio, Mohamed Morsi, de deslocar tropas e armamentos para o deserto do Sinai desperta preocupação em Israel. A grande presença militar provoca desconfiança já que a área, segundo o acordo de Camp David, deve permanecer desmilitarizada.
Desde o dia 5 de agosto, quando um grupo radical islâmico realizou um ataque contra soldados egípcios na fronteira do deserto do Sinai com Israel, o Exército do Egito começou a transferir grandes contingentes de tropas e armamentos pesados à região.
O ataque, que matou 16 soldados egípcios, levou o presidente Morsi a coordenar com o governo israelense a entrada do Exército no deserto do Sinai. A área, que chegou a ser ocupada por Israel, foi devolvida ao Egito após a assinatura de um acordo de paz entre os dois países em Camp David, em 1979.
O governo israelense concordou com a entrada das tropas na região, porém, de acordo com analistas, espera que logo depois desta operação militar específica o Sinai retorne à situação anterior, como zona desmilitarizada.
De acordo com o veterano diplomata israelense Meir Rozen, que já foi embaixador de Israel nos Estados Unidos e também serviu como assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, "se o Egito não retirar as tropas e os armamentos ao final da operação, se configurará um casus belli (uma agressão de guerra)". Em entrevista à radio Kol Israel, Rozen afirmou que se os egípcios "insistirem em manter as tropas no Sinai, Israel terá um motivo para usar força para retirá-las".
Teste
De acordo com o analista do canal 1 da TV israelense, Oded Granot, este é o "teste mais significativo" das relações entre Israel e o Egito depois dos protestos que derrubaram o ex-presidente Hosni Mubarak e levaram à eleição do representante da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi.
Granot recomendou ao governo israelense que "tente resolver o problema com o governo egípcio nos bastidores, em vez de fazer declarações em público, para não elevar os tons da divergência". O analista também disse que Israel tem interesse de que o Egito retome o controle do deserto do Sinai, desde a Primavera Árabe uma "terra de ninguém".
De acordo com Granot, a ausência de controle do Estado egípcio no Sinai abre espaço para a infiltração de grupos radicais do Jihad Global, que por sua vez ameaçam a segurança de Israel e contrabandeiam armas para a Faixa de Gaza.
O novo governo egípcio interrompeu a exportação de gás para Israel, em medida interpretada como "hostil" por analistas locais, porém ainda no âmbito comercial.
A situação no deserto do Sinai acrescenta mais uma frente de tensão entre Israel e os países vizinhos. Nas últimas semanas cresceram os rumores sobre a possibilidade de um ataque israelense ao Irã, que teria o objetivo de destruir as instalações nucleares do país persa. Na frente libanesa também há uma tensão crescente, com trocas constantes de ameaças entre Israel e a milícia xiita Hezbollah.