Der Spiegel
Nos últimos anos, caracterizados por gigantescos pacotes de resgate da zona do euro e intermináveis discussões na União Europeia sobre o futuro do bloco, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, tornou-se mestre em minimizar as diferenças. Na manhã de quarta-feira (21), depois do colapso das negociações para superar um impasse acerca do que fazer com a dívida da Grécia, ele novamente colocou seu talento à mostra.
“Como as questões são muito complicadas, não conseguimos encontrar um fechamento”, disse Schäuble, depois de uma maratona de negociação de 12 horas. Ele acrescentou que uma série de opções foram discutidas.
O que ele não disse foi que o centro da questão é bem simples –e ressalta uma cisão séria, potencialmente perigosa, que se abriu entre os Estados membros da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional. Os dois lados estão ansiosos em ver a carga total da dívida da Grécia encolher para um nível que Atenas possa aguentar sozinha. Mas enquanto o FMI acredita que a única forma segura de se chegar lá é instaurando outro calote parcial grego, os líderes da zona do euro, e a Alemanha em primeiro lugar, gostariam de evitar a todo custo tal cenário.
Tal medida, contudo, é uma maldição para Berlim. De fato, a União Democrática Cristã (CDU), da chanceler Angela Merkel, voltou a enfatizar na quarta-feira sua oposição a tal perdão da dívida. Norbert Barthle, alto parlamentar do CDU e porta-voz orçamentário do partido no Bundestag (parlamento alemão), disse a uma rádio alemã que ele “espera muito” que a Alemanha possa evitar um perdão da dívida. Um calote parcial, disse ele, “seria um sinal fatal para Portugal, Irlanda e talvez até a Espanha”. Tais países imediatamente iam se perguntar por que deveriam adotar as duras medidas de austeridade e de reforma, acrescentou.
“Perto de um resultado”
De acordo com um documento que circulou nas conversas dos ministros de finanças da zona do euro em Bruxelas na terça-feira (20) à noite, ao qual a Reuters teve acesso, as medidas atualmente em vigor resultariam em uma redução da dívida grega para 144% do PIB em 2020 e 133% até 2022.
“Para reduzir ainda mais a dívida, seria preciso recorrer a medidas que significariam perda de capital ou teriam implicações orçamentárias para os Estados membros da zona do euro”, afirma o documento, de acordo com a Reuters. Várias possíveis medidas foram discutidas, inclusive cortar os juros que a Grécia precisa pagar pelos empréstimos de emergência recebidos até agora ou a devolução, por parte das nações credoras, dos lucros que obtiveram nos empréstimos para a Grécia.
O presidente do Euro Group, Jean Claude Juncker, teve dificuldades em projetar otimismo após o colapso das negociações. “Estamos muito perto de um resultado”, disse aos repórteres na quarta-feira pela manhã. “Não vemos nenhum grande empecilho”. A diretora do FMI, Christine Lagarde, foi mais comedida: “Estreitamos as posições”, foi tudo o que ela disse.
Mesmo que a meta imposta pelo FMI para a dívida, de 120% do PIB até 2020, seja arbitrária, um rompimento entre a zona do euro e o FMI provavelmente teria sérios danos. O envolvimento do FMI nos resgates da Grécia e de outros países em dificuldades da zona do euro deu a essas operações uma credibilidade vital. Se a organização de Lagarde se retirar, isso poderá alarmar seriamente os investidores, assim como tornar os pacotes de resgate muito mais caros para a Europa.
Frustração grega
Os credores da dívida grega e que pertencem à zona do euro, contudo, estão céticos do modelo do FMI para o perdão da dívida. Em contraste com o calote grego parcial no primeiro semestre, que afetou primariamente os investidores privados, qualquer novo corte da dívida desta vez atingiria o dinheiro público –e marcaria a primeira vez que países como a Alemanha de fato perderiam dinheiro na crise. Com Merkel diante da batalha de reeleição no ano que vem, o apetite para tal medida em Berlim é extremamente limitado.
O colapso das negociações, enquanto isso, deixou a Grécia novamente em um limbo. O país precisa desesperadamente do próximo pagamento do pacote de resgate, mas sem um acordo sobre a estrutura da dívida grega, a parcela não pode ser desembolsada. “A Grécia fez o que tinha que fazer e o que se comprometeu a fazer”, disse o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, em uma declaração na quarta-feira de manhã. “Nossos parceiros, junto como o FMI, também precisam fazer o que assumiram”.
Apesar da frustração, contudo, ele terá que esperar. As conversas entre os ministros das finanças da EU e o FMI devem ser retomadas na segunda-feira (26).
“Como as questões são muito complicadas, não conseguimos encontrar um fechamento”, disse Schäuble, depois de uma maratona de negociação de 12 horas. Ele acrescentou que uma série de opções foram discutidas.
O que ele não disse foi que o centro da questão é bem simples –e ressalta uma cisão séria, potencialmente perigosa, que se abriu entre os Estados membros da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional. Os dois lados estão ansiosos em ver a carga total da dívida da Grécia encolher para um nível que Atenas possa aguentar sozinha. Mas enquanto o FMI acredita que a única forma segura de se chegar lá é instaurando outro calote parcial grego, os líderes da zona do euro, e a Alemanha em primeiro lugar, gostariam de evitar a todo custo tal cenário.
Recentemente, a Grécia recebeu mais dois anos para alcançar suas metas de redução do déficit orçamentário. Assim, o debate agora está se focando na redução total da dívida. O FMI insiste que Atenas reduza seu atual nível de cerca de 170% do Produto Interno Bruto (PIB) para uma razão de 120% até 2020. Tomando como base as medidas que vigoram hoje e as atuais previsões de crescimento para a economia grega –além do adiamento do déficit do orçamento por dois anos- essa meta se mostra inalcançável. Assim, o FMI insiste que a Alemanha e outros credores perdoem uma parte da dívida grega.
“Perto de um resultado”
De acordo com um documento que circulou nas conversas dos ministros de finanças da zona do euro em Bruxelas na terça-feira (20) à noite, ao qual a Reuters teve acesso, as medidas atualmente em vigor resultariam em uma redução da dívida grega para 144% do PIB em 2020 e 133% até 2022.
“Para reduzir ainda mais a dívida, seria preciso recorrer a medidas que significariam perda de capital ou teriam implicações orçamentárias para os Estados membros da zona do euro”, afirma o documento, de acordo com a Reuters. Várias possíveis medidas foram discutidas, inclusive cortar os juros que a Grécia precisa pagar pelos empréstimos de emergência recebidos até agora ou a devolução, por parte das nações credoras, dos lucros que obtiveram nos empréstimos para a Grécia.
O presidente do Euro Group, Jean Claude Juncker, teve dificuldades em projetar otimismo após o colapso das negociações. “Estamos muito perto de um resultado”, disse aos repórteres na quarta-feira pela manhã. “Não vemos nenhum grande empecilho”. A diretora do FMI, Christine Lagarde, foi mais comedida: “Estreitamos as posições”, foi tudo o que ela disse.
Mesmo que a meta imposta pelo FMI para a dívida, de 120% do PIB até 2020, seja arbitrária, um rompimento entre a zona do euro e o FMI provavelmente teria sérios danos. O envolvimento do FMI nos resgates da Grécia e de outros países em dificuldades da zona do euro deu a essas operações uma credibilidade vital. Se a organização de Lagarde se retirar, isso poderá alarmar seriamente os investidores, assim como tornar os pacotes de resgate muito mais caros para a Europa.
Frustração grega
Os credores da dívida grega e que pertencem à zona do euro, contudo, estão céticos do modelo do FMI para o perdão da dívida. Em contraste com o calote grego parcial no primeiro semestre, que afetou primariamente os investidores privados, qualquer novo corte da dívida desta vez atingiria o dinheiro público –e marcaria a primeira vez que países como a Alemanha de fato perderiam dinheiro na crise. Com Merkel diante da batalha de reeleição no ano que vem, o apetite para tal medida em Berlim é extremamente limitado.
O colapso das negociações, enquanto isso, deixou a Grécia novamente em um limbo. O país precisa desesperadamente do próximo pagamento do pacote de resgate, mas sem um acordo sobre a estrutura da dívida grega, a parcela não pode ser desembolsada. “A Grécia fez o que tinha que fazer e o que se comprometeu a fazer”, disse o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, em uma declaração na quarta-feira de manhã. “Nossos parceiros, junto como o FMI, também precisam fazer o que assumiram”.
Apesar da frustração, contudo, ele terá que esperar. As conversas entre os ministros das finanças da EU e o FMI devem ser retomadas na segunda-feira (26).
Tradutor: Deborah Weinberg
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