Rosario G. Gómez - El Pais
Os editores de jornais espanhóis se uniram à corrente de alguns países europeus, como a Alemanha e a França, e reclamam ao governo que aproveite a prometida reforma da Lei de Propriedade Intelectual para incluir a chamada "taxa Google".
Com este imposto, os editores aspiram receber uma compensação dos grandes buscadores e agregadores da Internet pelo uso de suas notícias. Durante a assembleia anual da Associação dos Editores de Jornais Espanhóis (Aede), realizada na terça-feira (27), representantes dos principais grupos de comunicação reclamaram que as companhias que fazem uso comercial na internet das notícias dos jornais remunerem o titular dos direitos.
“Isso não afetaria o usuário final nem o blogueiro, mas sim os grandes mecanismos de busca que fazem um uso comercial”, explicaram. O novo presidente da Aede, José María Bergareche, lançou oficialmente a proposta durante o fechamento da assembleia. Os motores de busca de notícias estão causando “um indubitável prejuízo econômico” à imprensa, garantiu Bergareche.
“Eles põem em perigo a consolidação e o futuro dos jornais digitais, e portanto o acesso dos cidadãos a uma informação livre e de qualidade na internet”. Na agenda do novo presidente da Aede está o diálogo com os poderes públicos para que o resultado final desta revisão legislativa sirva “para amparar e tutelar nossos direitos legítimos, como já está começando a acontecer em países vizinhos”.
Os editores estudarão assim a possibilidade de se juntarem à iniciativa de organizações homólogas da França, Alemanha e Itália. A Alemanha, por exemplo, quer impor uma taxa sobre o Google pelo uso dos conteúdos dos jornais. O governo de Angela Merkel aprovou uma reforma legislativa para que as empresas editoras possam cobrar dos agregadores de notícias como o Google News por usar parte de seus artigos.
A França também estuda criar a taxa Google, uma regra que se aplicaria aos rendimentos publicitários dos sites na internet. No Brasil também houve resistência aos buscadores. Um total de 145 veículos pedem que o gigante da internet, o mecanismo de busca mais utilizado do mundo, pague por usar seus conteúdos.
“O Google Notícias se beneficia comercialmente deste conteúdo de qualidade e se nega a discutir um modelo de remuneração pela produção destes materiais”, dizem os editores brasileiros.
Espanha pretende aderir à tendência
“Não nos opomos às notícias circularem nos mecanismos de busca. O que reclamamos é que, como criadores de conteúdo, os jornais sejam remunerados”, apontam os especialistas. Mais ainda num momento “tão difícil e hostil” como o presente.
Bergareche recordou que sem imprensa haveria muito poucas notícias na internet. De fato, um estudo de Telos revela que oito em cada dez notícias que circulam pela rede vêm da imprensa. Mas os editores não veem esta presença recompensada economicamente. Cerca de 80% da publicidade que se investe na internet passa pelos cofres dos grandes buscadores.
Com 73 jornais digitais, a Espanha está abaixo da média comunitária (108), enquanto que em papel circulam 116 jornais (a média da UE está em 70). A difusão dos jornais caiu no ano passado em 6% e as rendas por publicidade diminuíram em 12%.
No total, os rendimentos de exploração alcançaram 1.996 milhões (8% a menos que em 2010) e o resultado operacional foi de 43,8 milhões (53% a menos), o que dá um benefício depois de impostos de 28,1 milhões de euros (58% a menos que em 2010). Os funcionários passaram de 8.500 para 8.554.
O setor está imerso numa crise “severa e prolongada” pela queda da publicidade, e as perspectivas para este ano não são favoráveis. Um informe da consultora Deloitte estima que o resultado operacional será similar ao do exercício passado: as rendas cairão 13% e os custos 11%. Os diários regionais líderes em seu território e os jornais esportivos são os que melhor passarão pela crise.
Tradutor: Eloise De Vylder
“Isso não afetaria o usuário final nem o blogueiro, mas sim os grandes mecanismos de busca que fazem um uso comercial”, explicaram. O novo presidente da Aede, José María Bergareche, lançou oficialmente a proposta durante o fechamento da assembleia. Os motores de busca de notícias estão causando “um indubitável prejuízo econômico” à imprensa, garantiu Bergareche.
“Eles põem em perigo a consolidação e o futuro dos jornais digitais, e portanto o acesso dos cidadãos a uma informação livre e de qualidade na internet”. Na agenda do novo presidente da Aede está o diálogo com os poderes públicos para que o resultado final desta revisão legislativa sirva “para amparar e tutelar nossos direitos legítimos, como já está começando a acontecer em países vizinhos”.
Os editores estudarão assim a possibilidade de se juntarem à iniciativa de organizações homólogas da França, Alemanha e Itália. A Alemanha, por exemplo, quer impor uma taxa sobre o Google pelo uso dos conteúdos dos jornais. O governo de Angela Merkel aprovou uma reforma legislativa para que as empresas editoras possam cobrar dos agregadores de notícias como o Google News por usar parte de seus artigos.
A França também estuda criar a taxa Google, uma regra que se aplicaria aos rendimentos publicitários dos sites na internet. No Brasil também houve resistência aos buscadores. Um total de 145 veículos pedem que o gigante da internet, o mecanismo de busca mais utilizado do mundo, pague por usar seus conteúdos.
“O Google Notícias se beneficia comercialmente deste conteúdo de qualidade e se nega a discutir um modelo de remuneração pela produção destes materiais”, dizem os editores brasileiros.
Espanha pretende aderir à tendência
“Não nos opomos às notícias circularem nos mecanismos de busca. O que reclamamos é que, como criadores de conteúdo, os jornais sejam remunerados”, apontam os especialistas. Mais ainda num momento “tão difícil e hostil” como o presente.
Bergareche recordou que sem imprensa haveria muito poucas notícias na internet. De fato, um estudo de Telos revela que oito em cada dez notícias que circulam pela rede vêm da imprensa. Mas os editores não veem esta presença recompensada economicamente. Cerca de 80% da publicidade que se investe na internet passa pelos cofres dos grandes buscadores.
Com 73 jornais digitais, a Espanha está abaixo da média comunitária (108), enquanto que em papel circulam 116 jornais (a média da UE está em 70). A difusão dos jornais caiu no ano passado em 6% e as rendas por publicidade diminuíram em 12%.
No total, os rendimentos de exploração alcançaram 1.996 milhões (8% a menos que em 2010) e o resultado operacional foi de 43,8 milhões (53% a menos), o que dá um benefício depois de impostos de 28,1 milhões de euros (58% a menos que em 2010). Os funcionários passaram de 8.500 para 8.554.
O setor está imerso numa crise “severa e prolongada” pela queda da publicidade, e as perspectivas para este ano não são favoráveis. Um informe da consultora Deloitte estima que o resultado operacional será similar ao do exercício passado: as rendas cairão 13% e os custos 11%. Os diários regionais líderes em seu território e os jornais esportivos são os que melhor passarão pela crise.
Tradutor: Eloise De Vylder
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