10.jun.2013 - JensWolf/AP

Imagem aérea mostra dique rompido em Fischbeck, na Alemanha, após cheia do rio Elba
Há três semanas as águas do rio Elba recuaram das enchentes que os especialistas estão chamando de o pior desastre natural a atingir a Alemanha no pós-guerra.Com isso, Siegfried Leschien já está assentando um novo piso na casa onde nasceu. Ele disse que não esperou pela ajuda do governo, mas aceitou a ajuda de amigos e de dezenas de voluntários, alguns dos quais vieram de quilômetros de distância.
"É a única forma de as coisas serem feitas", disse Leschien. "Lidar com a burocracia de tudo é um estresse desnecessário."
Restando apenas dois meses para a eleição, a chanceler Angela Merkel não pode se dar ao luxo de ser vista como deixando as vítimas das enchentes na mão. Apesar de sua posição ser forte nas pesquisas de opinião, elas está cercada por dúvidas sobre o quanto seu governo sabia a respeito da espionagem na internet pelos Estados Unidos e seus aliados. Enquanto a Alemanha destina bilhões de euros para apoiar seus parceiros na União Europeia, muitos alemães estão preocupados em cuidar de seus próprios concidadãos.
Ciente de parecer negligente e ignorar suas próprias promessas de reduzir a burocracia, Merkel visitou a área das enchentes na terça-feira, antes de sair de férias, e prometeu que os recursos de um fundo do governo no valor de US$ 10,6 bilhões chegariam "na primeira quinzena de agosto".
"Nós realmente estamos fazendo todo o possível para acelerar as coisas", disse Merkel.
A lentidão da ajuda do governo contrastou enormemente com a ajuda imediata de várias partes do país, algo que os moradores foram rápidos em apontar. O fato de a ajuda ser uma colcha de retalhos deixa os esforços de recuperação um tanto a esmo, disseram autoridades locais e moradores.
Muitas pessoas em Fischbeck --a mais duramente atingida das quatro comunidades na região onde o dique se rompeu-- não contavam com seguro contra enchente. Até o momento, elas receberam apenas US$ 520 em apoio de emergência do governo, pagos em junho.
A mãe de Leschien, Edith Leschien, 81, afirma que disse a Merkel que a assistência para reconstrução precisava ser acelerada e descomplicada. "Eu lhe disse que, após tudo o que passamos, a única coisa que não precisamos enfrentar agora é burocracia."
Mas a burocracia atormenta os esforços do governo para reparar os amplos estragos das enchentes, estimados em mais de US$ 16 bilhões. Há requerimentos longos a serem preenchidos, os danos precisam ser documentados, e as repartições públicas precisam ser visitadas.
O centro comunitário da cidade está transbordando de toalhas, roupas, pratos, brinquedos e roupas de cama, doações que vieram de toda a Alemanha.
Uma hora após a chanceler ter partido para dar continuidade à sua visita, Bodo Ladwig, o prefeito de Fischbeck, se juntou aos membros de um clube de boliche local para aceitar a doação de mais de US$ 10 mil de outro clube rio acima.
O celular de Ladwig tocou com outra oferta. "Produtos de linha branca?" ele perguntou. "Olhe, lamento dizer isso, mas nós já temos mais do que precisamos. O que as pessoas aqui precisam é de material de construção: papel de parede, telha, cimento. Não há fim para nossa necessidade de material de construção."
Após tomar posse em 2005, Merkel estabeleceu um Conselho Nacional de Controle Regulatório para reduzir a papelada desnecessária, visando poupar dinheiro para as empresas e para o governo. Segundo o conselho, as novas leis alemãs que reduziram a burocracia administrativa entre 2006 e 2010 resultaram em economias anuais de até US$ 13,9 bilhões.
Apenas no ano passado o conselho começou a se concentrar no fardo sobre os cidadãos comuns, um processo que afirma prosseguir neste mês.
Os moradores Rüdiger e Elke Reimann disseram que ainda estão aguardando as autoridades desligarem a água e a luz do que restou da casa deles, para que a estrutura condenada possa ser demolida. Ao ser perguntado sobre quando achava que as obras de sua nova casa poderiam começar, Rüdiger Reinmann deu de ombros. "Bem que eu gostaria de saber."
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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