João Bosco Leal
Atualmente, pode-se dizer que são raras as pessoas no
mundo, que não acessam alguma das chamadas redes sociais de comunicação.
Por meio delas e interligadas de modo exponencial
e sem limites, é possível conhecer pessoas das mais diversas partes do mundo e
com os mais distintos interesses.
Desde fotos particulares, passeios familiares,
receitas de alimentos, pensamentos de filósofos, poetas a discussões
científicas, tudo é debatido e divulgado nas redes.
As insatisfações políticas, econômicas ou sociais
são transmitidas a uma velocidade inimaginável aos que uma década atrás já eram
adultos.
Em qualquer parte do mundo as revoluções,
deposição de governos, protestos e os mais diversos tipos de manifestações são
programados, organizadas e agendadas através das mesmas, sem que ninguém consiga
impedir.
Mas tanto em quantidade como em velocidade, essas
transformações também estão ocorrendo em relação aos sentimentos pessoais e
assuntos antes totalmente privados de cada um.
Através das redes todos se comunicam com uma
espontaneidade e liberdade antes desconhecida, pois nesse tipo de contato todos
estão – ou se sentem -, livres de preconceitos, tabus ou qualquer outro tipo de
cultura socialmente imposta.
Virtualmente, as pessoas se sentem mais seguras,
livres para se aventurar, fazer confissões e expressar desejos, sentimentos e
fantasias, que certamente não fariam a outra pessoa que estivesse fisicamente
diante delas.
Através das redes, milhões de pessoas casadas
realizam suas fantasias com uma frequência inimaginável e surpreendente até
mesmo para os que frequentemente usam esse tipo de comunicação, como se isso não
significasse nenhum tipo de traição para com seu cônjuge.
Estão emocionalmente livres de qualquer
compromisso socialmente imposto e não abrem mão disso, tanto que em uma dessas
redes divulgou-se uma brincadeira onde um caboclo dizia: “Óia só comu qui
tá o mundu sô: Nus namoro de hoji in dia, ocê podi pegá na bunda, nas coxa,
durmi junto,……só num podi sabê a senha du feicibuqui e nem mexê nu celulá, qui
aí já é farta di respeitu.”
Existem pessoas para quem o simples fato de se
tocar em seu celular já é uma agressão à sua liberdade, tamanha é a quantidade
de “segredos” que lá deve guardar.
Para essas pessoas, nas redes sociais as regras
são outras, diferentes, ali vale tudo, mas o que lá é dito ou feito não pode ser
divulgado para pessoas que participam da sua vida real, pois esses dois mundos
são totalmente distintos, não se misturam. O que se vive em um não pode ser do
conhecimento do outro.
Entretanto, inconscientemente, essa liberdade vai
sendo adicionada também à vida real, e percebe-se nelas – principalmente no
aspecto sexual -, que para sua satisfação, todo tipo de comportamento passa a
ser válido, inclusive vários traços de libertinagem.
Comportamentos antes impensáveis para pessoas que
socialmente e profissionalmente possuem determinada estabilidade – ou até mesmo
destaque -, passam a ser por elas considerados normais.
A mistura da vida real com a virtual terá
consequências imprevisíveis para as estruturas sociais conhecidas.
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