Em uma obra intitulada "Manufacturing Morals: The Values of Silence in Business School Education", Michel Anteby, professor da Harvard Business School (assim como a autora desta crônica…), tomou a instituição na qual ele trabalha como objeto de investigação etnográfica, desprezando a tradição que recomenda aos pesquisadores um distanciamento em relação ao seu objeto de estudo. É um mergulho inédito no coração do funcionamento da escola, inclusive em seus recônditos.
Nesse ambiente, onde o estudo e a discussão de casos estão no centro do método de ensino, a análise das notas de preparação para as aulas escritas pelos professores permite estudar ali o lugar da ética. A diferença entre a precisão técnica dessas notas e as questões de moralidade, deixadas a critério de cada professor, é gritante.
Mas seria um engano acreditar que isso se deva a uma vontade de abafar essas questões morais. Na verdade, as questões listadas nas notas de preparação e as regras de discussão aprofundada dos casos em sala de aula contribuem para encorajar todos – professores ou estudantes – a "povoarem" esses silêncios. Portanto, não se trata de "uma" ética, mas sim visões diferentes da ética que são debatidas.
A mais importante é provavelmente a capacidade dos professores de engajarem os alunos em uma reflexão coletiva em torno da ética. Segundo o autor, o recrutamento de professores e a forma como eles não treinados para guiar essa reflexão são, portanto, cruciais.
Os estudantes também têm um papel a cumprir, uma vez que os debates dos quais eles participam em classe visam fazer com que eles avancem em sua reflexão coletiva. Os recentes escândalos financeiros foram um choque para alguns, que, acompanhados de seus professores, tomaram a iniciativa de instaurar um juramento de deontologia profissional, que todos os detentores de um MBA hoje têm a possibilidade de prestar. Esse juramento é um compromisso de respeitar certo número de princípios éticos.
Até hoje, pouco mais de 6.000 formandos prestaram juramento. Essa iniciativa merece ser encorajada. Ela mostra que falar de ética no mundo dos negócios não é um mero paradoxo.
Tradutor: UOL
Nesse ambiente, onde o estudo e a discussão de casos estão no centro do método de ensino, a análise das notas de preparação para as aulas escritas pelos professores permite estudar ali o lugar da ética. A diferença entre a precisão técnica dessas notas e as questões de moralidade, deixadas a critério de cada professor, é gritante.
Mas seria um engano acreditar que isso se deva a uma vontade de abafar essas questões morais. Na verdade, as questões listadas nas notas de preparação e as regras de discussão aprofundada dos casos em sala de aula contribuem para encorajar todos – professores ou estudantes – a "povoarem" esses silêncios. Portanto, não se trata de "uma" ética, mas sim visões diferentes da ética que são debatidas.
O pesquisador não avalia a eficácia desse sistema para evitar os abusos no mundo dos negócios, mas ele especifica as condições necessárias para seu bom funcionamento.
Os estudantes também têm um papel a cumprir, uma vez que os debates dos quais eles participam em classe visam fazer com que eles avancem em sua reflexão coletiva. Os recentes escândalos financeiros foram um choque para alguns, que, acompanhados de seus professores, tomaram a iniciativa de instaurar um juramento de deontologia profissional, que todos os detentores de um MBA hoje têm a possibilidade de prestar. Esse juramento é um compromisso de respeitar certo número de princípios éticos.
Até hoje, pouco mais de 6.000 formandos prestaram juramento. Essa iniciativa merece ser encorajada. Ela mostra que falar de ética no mundo dos negócios não é um mero paradoxo.
Tradutor: UOL
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