Winnie Hu - NYT
Michael Marlow, porteiro do Gracie Mews, um edifício residencial no Upper East Side, faz muito mais do que apenas abrir as portas para os moradores. Ele abre tampas de frascos para eles, vai até a esquina comprar suco, ouve suas queixas em relação aos cônjuges e filhos e até coloca a mão no próprio bolso para emprestar alguns dólares para o táxi.
Agora o trabalho deste porteiro amável vai incluir mais uma tarefa: ficar atento ao abuso contra os moradores idosos do prédio.
"Vemos todos que entram e saem", disse Marlow, 54 anos, que trabalha no Gracie Mews há 15 anos. "Se algo estiver errado, nós notamos".
Marlow e seus colegas de trabalho no Gracie Mews, um edifício com serviços onde o aluguel mensal de um apartamento de um quarto é de US$ 3.500 (em torno de R$ 7.000), fazem parte de um novo programa que visa utilizar a infraestrutura humana existente na cidade para manter um olhar mais atento aos idosos.
O programa, desenvolvido pelo Centro de Prevenção de Violência Contra Idosos Harry e Jeanette Weinberg, do Hebrew Home em Riverdale, oferece treinamento e assistência aos porteiros, faxineiros e outros funcionários dos prédios em Nova York.
O esforço para combater o abuso de idosos surgiu na medida em que cada vez mais os edifícios estão concentrando moradores mais velhos, em parte porque a geração do baby boom está entrando na aposentadoria. Em 2040, cerca de 21% dos adultos da cidade terão 60 anos ou mais, um crescimento significativo em relação aos 17% de 2010, de acordo com uma análise de dados do censo pelo Queens College.
Joy Solomon, diretora e advogada do Centro Weinberg, disse que os abusos contra os idosos podem assumir diversas formas, como um cônjuge que espanca o outro ou um sistema de telemarketing que drena a conta do aposentado. Com a economia em dificuldades, ela também tem visto mais adultos voltarem a morar com os pais ou avós e usarem seus bens e sua previdência.
Segundo Solomon, como muitos dos idosos não se apresentam por conta própria para denunciar eventos de abuso, o centro resolveu educar aqueles que os rodeiam: fonoaudiólogos, advogados, mesmo aqueles que levam refeições quentes em casa. O novo programa com os porteiros será uma expansão de um curso anterior de recursos humanos para porteiros, patrocinado pelo sindicato.
No Gracie Mews deste mês, Solomon deu conselhos e encorajamento a uma dúzia de porteiros e outros representantes do próprio Gracie Mews e do Symphony House, em Midtown West, que devem compartilhar o que aprenderam com os colegas de trabalho que não puderam comparecer.
Solomon contou a eles sobre um idoso que morava em um prédio no Upper East Side, cerca de cinco anos atrás, que se envolveu com uma mulher que queria roubar seu dinheiro. Ela disse que os funcionários do prédio não detiveram a mulher, mesmo quando ela tirou objetos de valor do apartamento.
"Eles sabiam que algo estava errado", disse ela. "Eles nada fizeram quando poderiam ter agido. Eu acho realmente importante dar esse passo". Vários dos porteiros disseram que queriam ajudar, mas não queriam se tornar indiscretos.
Anthony Masina, 32, porteiro do Symphony House, recordou sua experiência no ano passado com uma moradora de longa data -uma viúva que mora sozinha que lhe pediu para ajudar a pagar o aluguel.
"Dava para ver que ela não estava bem para morar sozinha", disse Masina. "Eu não sabia o que fazer, realmente". (A administração do edifício, eventualmente contatou as autoridades e hoje ela está recebendo cuidados médicos).
James Soto, 50 anos, porteiro do Gracie Mews há 12 anos, disse que estava preocupado com os moradores mais velhos. Ele disse que acompanhava quem recebia visitas regulares da família e dos amigos, e quem não recebia –e lembrava a estes últimos que estava lá para ajudar. Quando ele nota que alguém se machucou, ele pergunta o que aconteceu. No mês passado, quando uma senhora entrou parecendo abatida, ele correu para dar água para ela.
"Eu a vejo todos os dias e conversamos", disse ele. "Então, naquele dia eu notei que ela não estava bem".
Solomon disse que o centro planeja estender o programa para porteiros em bairros com grande população de idosos, mas que proporcionaria a formação sempre que necessário, a qualquer edifício que solicitasse.
Dennis P. Brady, diretor executivo da imobiliária Jack Resnick & Sons, que administra o Gracie Mews e o Symphony House, disse que tinha solicitado o treinamento porque considerava-o bom tanto para os funcionários quanto para os moradores.
"É uma boa coisa a fazer, quando podemos ajudar uma pessoa", disse ele.
Vários moradores do Gracie Mews também gostaram da ideia, mesmo que significasse que os funcionários ficassem um pouco curiosos quanto aos seus assuntos pessoais.
"Não tenho nenhum problema com isso", disse Richard Lord, 88, executivo de publicidade aposentado. "Se você vê algo errado e você não faz nada, é pior".
No hall de entrada, Marlow, que não pôde participar do treinamento porque estava em seu turno na portaria, disse que esperava pegar dicas com os colegas. Ele disse que não se importava em assumir outras responsabilidades e, de fato, já tinha estado incômoda posição de ter de informar a duas mães que suas babás não estavam cuidando de seus filhos. Uma babá foi demitida e a outra foi repreendida, disse ele.
"Eu tive que contar às mães", disse ele. "Eu sentiria a mesma coisa se ??eu visse alguém sofrendo abusos. Basicamente, nós já vemos essas coisas, mesmo que não estejamos buscando".
Tradução: Deborah Weinberg
Agora o trabalho deste porteiro amável vai incluir mais uma tarefa: ficar atento ao abuso contra os moradores idosos do prédio.
"Vemos todos que entram e saem", disse Marlow, 54 anos, que trabalha no Gracie Mews há 15 anos. "Se algo estiver errado, nós notamos".
Marlow e seus colegas de trabalho no Gracie Mews, um edifício com serviços onde o aluguel mensal de um apartamento de um quarto é de US$ 3.500 (em torno de R$ 7.000), fazem parte de um novo programa que visa utilizar a infraestrutura humana existente na cidade para manter um olhar mais atento aos idosos.
O programa, desenvolvido pelo Centro de Prevenção de Violência Contra Idosos Harry e Jeanette Weinberg, do Hebrew Home em Riverdale, oferece treinamento e assistência aos porteiros, faxineiros e outros funcionários dos prédios em Nova York.
O esforço para combater o abuso de idosos surgiu na medida em que cada vez mais os edifícios estão concentrando moradores mais velhos, em parte porque a geração do baby boom está entrando na aposentadoria. Em 2040, cerca de 21% dos adultos da cidade terão 60 anos ou mais, um crescimento significativo em relação aos 17% de 2010, de acordo com uma análise de dados do censo pelo Queens College.
Joy Solomon, diretora e advogada do Centro Weinberg, disse que os abusos contra os idosos podem assumir diversas formas, como um cônjuge que espanca o outro ou um sistema de telemarketing que drena a conta do aposentado. Com a economia em dificuldades, ela também tem visto mais adultos voltarem a morar com os pais ou avós e usarem seus bens e sua previdência.
Segundo Solomon, como muitos dos idosos não se apresentam por conta própria para denunciar eventos de abuso, o centro resolveu educar aqueles que os rodeiam: fonoaudiólogos, advogados, mesmo aqueles que levam refeições quentes em casa. O novo programa com os porteiros será uma expansão de um curso anterior de recursos humanos para porteiros, patrocinado pelo sindicato.
No Gracie Mews deste mês, Solomon deu conselhos e encorajamento a uma dúzia de porteiros e outros representantes do próprio Gracie Mews e do Symphony House, em Midtown West, que devem compartilhar o que aprenderam com os colegas de trabalho que não puderam comparecer.
Solomon contou a eles sobre um idoso que morava em um prédio no Upper East Side, cerca de cinco anos atrás, que se envolveu com uma mulher que queria roubar seu dinheiro. Ela disse que os funcionários do prédio não detiveram a mulher, mesmo quando ela tirou objetos de valor do apartamento.
"Eles sabiam que algo estava errado", disse ela. "Eles nada fizeram quando poderiam ter agido. Eu acho realmente importante dar esse passo". Vários dos porteiros disseram que queriam ajudar, mas não queriam se tornar indiscretos.
Anthony Masina, 32, porteiro do Symphony House, recordou sua experiência no ano passado com uma moradora de longa data -uma viúva que mora sozinha que lhe pediu para ajudar a pagar o aluguel.
"Dava para ver que ela não estava bem para morar sozinha", disse Masina. "Eu não sabia o que fazer, realmente". (A administração do edifício, eventualmente contatou as autoridades e hoje ela está recebendo cuidados médicos).
James Soto, 50 anos, porteiro do Gracie Mews há 12 anos, disse que estava preocupado com os moradores mais velhos. Ele disse que acompanhava quem recebia visitas regulares da família e dos amigos, e quem não recebia –e lembrava a estes últimos que estava lá para ajudar. Quando ele nota que alguém se machucou, ele pergunta o que aconteceu. No mês passado, quando uma senhora entrou parecendo abatida, ele correu para dar água para ela.
"Eu a vejo todos os dias e conversamos", disse ele. "Então, naquele dia eu notei que ela não estava bem".
Solomon disse que o centro planeja estender o programa para porteiros em bairros com grande população de idosos, mas que proporcionaria a formação sempre que necessário, a qualquer edifício que solicitasse.
Dennis P. Brady, diretor executivo da imobiliária Jack Resnick & Sons, que administra o Gracie Mews e o Symphony House, disse que tinha solicitado o treinamento porque considerava-o bom tanto para os funcionários quanto para os moradores.
"É uma boa coisa a fazer, quando podemos ajudar uma pessoa", disse ele.
Vários moradores do Gracie Mews também gostaram da ideia, mesmo que significasse que os funcionários ficassem um pouco curiosos quanto aos seus assuntos pessoais.
"Não tenho nenhum problema com isso", disse Richard Lord, 88, executivo de publicidade aposentado. "Se você vê algo errado e você não faz nada, é pior".
No hall de entrada, Marlow, que não pôde participar do treinamento porque estava em seu turno na portaria, disse que esperava pegar dicas com os colegas. Ele disse que não se importava em assumir outras responsabilidades e, de fato, já tinha estado incômoda posição de ter de informar a duas mães que suas babás não estavam cuidando de seus filhos. Uma babá foi demitida e a outra foi repreendida, disse ele.
"Eu tive que contar às mães", disse ele. "Eu sentiria a mesma coisa se ??eu visse alguém sofrendo abusos. Basicamente, nós já vemos essas coisas, mesmo que não estejamos buscando".
Tradução: Deborah Weinberg
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