Reinaldo Azevedo - VEJA
É o fim da picada! O Supremo decidiu que, no caso dos mensaleiros, os respectivos mandatos dos parlamentares condenados estão cassados. Não cabe à Câmara acatar ou não a decisão do tribunal porque é dele o controle de constitucionalidade. E aquela decisão está tomada. Inicialmente, Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara (PMDB-RN), afirmou que não acataria a decisão. Depois, diante do risco de um conflito entre Poderes, mudou de ideia. Agora, voltou à posição original.
Atenção! A
corte constitucional do país, o tribunal supremo, já decidiu que os
parlamentares estão cassados. Mas pelo menos cinco dos sete membros da
Mesa Diretora da Câmara discordam. Ora, meu bom brasileiro, no Brasil,
quando alguém discorda de uma decisão judicial, deve fazer o quê?
Descumpri-la, é claro! Não parece razoável? Se a Mesa decidir abrir o
processo, o caso segue para a CCJ. Mas pode nem acontecer. Petistas
podem pedir vista.
É claro
que é um deboche. Mas isso tem história. E, infelizmente, suas raízes
estão no próprio Supremo. Quando, em outro caso, a maioria do tribunal,
com nova composição — já com Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso —,
decidiu que cabia ao Senado arbitrar sobre o mandato do senador
condenado Ivo Cassol, estava abrindo as portas para o absurdo. Essa
decisão foi tomada a 8 de agosto. No dia 28 do mesmo mês, o plenário da
Câmara manteve o mandato de Natan Donadon. A maioria votou pela cassação
(233 a 131). Ocorre que eram necessários 257 votos (metade mais um dos
513 deputados).
Se a
Câmara preservou o mandato de um Donadon, imaginem o que não aconteceria
com José Genoino, vivendo seus dias de juiz dos juízes, ou de João
Paulo Cunha, ex-presidente da Casa. Ocorre, meus caros, que, no caso de
Donadon, não havia decisão do Supremo determinando a cassação; para os
mensaleiros, há.
A Câmara
decide, assim, abrir guerra contra o Supremo. Caso se leve o delírio
adiante, qual é a consequência? Quem desrespeita decisão judicial comete
um crime. No caso, a responsabilidade cabe ao presidente da Câmara. Ele
não tem imunidade para dar um pé no traseiro do Supremo. Já não basta a
Papuda se tornar o núcleo petista mais influente do país. Parece que
tudo caminha para que se tenha também a bancada da Papuda.
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