O fim da euforia do consumo
Raquel Landim - FSP
Agora nem os mais governistas podem negar. O "boom" de consumo, que
garantiu uma imensa sensação de bem-estar para a população desde o
início dos anos Lula, acabou.
As montadoras estão vendendo menos carros - produto que se tornou um dos
símbolos do surgimento da nova classe média. De janeiro a novembro, as
vendas de veículos caíram 0,8% em relação ao ano anterior. As montadoras
não tinham um resultado negativo desde 2003.
As vendas deste Natal também foram as piores em mais de uma década.
Segundo a Serasa Experian, entre os dias 18 e 24 de dezembro, as vendas
do varejo cresceram 2,7% - o menor percentual desde 2003. Em média, esse
indicador avançava 7,5% todo ano.
Pelas projeções da Confederação Nacional do Comércio, as vendas do
varejo no Brasil vão crescer 4,5% em 2013, um aumento importante, quando
comparado com o pífio desempenho da indústria, mas muito longe das
taxas chinesas de 8% a 10% que predominaram no varejo nos últimos anos.
Vários fatores colaboraram para a explosão do consumo no Brasil: forte
crescimento da economia, inflação em queda, valorização do real, juros
mais baixos, aumento do salário mínimo, e, principalmente, mais crédito.
A euforia de consumo dos brasileiros passou praticamente incólume pela
crise global em 2008, graças às políticas do governo, que reduziu o IPI
(Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros, móveis e vários
outros produtos.
Agora o cenário mudou completamente. As famílias estão endividadas, a
inflação aumentou, os juros subiram e o real está se valorizando. Tudo
isso colabora para reduzir a renda e a disposição da pessoas a gastar.
Os governos Lula e Dilma esticaram o quanto puderam o "boom" de consumo,
mantendo por muito mais tempo que o recomendado as desonerações
tributárias. Mas hoje a situação das contas públicas do país não dá mais
margem para brincadeiras e o IPI começou lentamente a ser recomposto.
Não é nenhuma tragédia, porque, afinal, o desemprego está muito baixo.
Mas será desafiador com a economia crescendo apenas 2%. Só restou a
lição de casa mais difícil: incentivar o investimento.
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