Rodrigo Constantino - VEJA

A vida de blogueiro não é fácil. Preciso
ficar ligado em muitos temas do cotidiano, para tentar não deixar passar
alguma coisa importante ou interessante. Claro, nem sempre é possível.
Por isso, algumas coisas chegam ao blog com certo atraso. Mas antes
tarde do que nunca!
É o caso do comentário
desse desembargador, que gerou certa celeuma na área reservada aos
leitores da Folha. Anda circulando pela internet a mensagem na íntegra,
que merece ser lida. Não apenas porque o desembargador usa a expressão
“esquerda caviar”, a qual não tenho direito algum de exclusividade e nem
pretendo. E sim porque a história que conta é ótima para ilustrar a
hipocrisia dessa turma. Lá vai:
Quando eu
era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas
Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores
infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando
reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da
enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal
de Justiça, determinei o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à
cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.
Recebi a
visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por
coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores.
Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de
justiça e até à ONU. Eu retruquei para não irem tão longe, tinha
solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos
de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a
responsabilidade delegada pelo juiz.
Pernas
para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me
denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me
“honraram” mais com suas visitas e… os menores ficaram presos. É assim
que funciona a “esquerda caviar”.
Tenho uma
sugestão ao professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Jânio de
Freitas, à Ministra Maria do Rosário e a outros tantos admiráveis
defensores dos direitos humanos no Brasil. Criemos o programa social “Adote um Preso”. Cada
cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos
humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e
ajudariam, filantropicamente, a solucionar o problema carcerário do
país. Sem desconto no Imposto de Renda”.
ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador (Belo Horizonte, MG).
Deveria ser desnecessário explicar, mas
no Brasil o óbvio é frequentemente ignorado: isso não significa defender
abusos aos presos, a situação carcerária desumana que temos (e que
piorou com o PT), nada disso. Significa apenas reconhecer que há uma
turma que dedica toda a sua energia e atenção aos marginais,
muitas vezes tratados como “vítimas da sociedade”, e nunca se lembram
das verdadeiras vítimas.
Ou seja, tem um pessoal de esquerda por
aí que parece realmente gostar de bandidos. A mensagem do desembargador,
tenho certeza disso, foi direcionada a estes. A campanha é boa: se você
é um deles, identifica-se mais com os criminosos do que com suas
vítimas “burguesas”, então adote um preso!
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