O preço da civilização
Hélio Schwartsman - FSP
SÃO PAULO - Polícia é fundamental. O primeiro passo para um grupamento humano um pouco mais complexo deixar para trás a barbárie é reservar ao poder público o monopólio do uso legítimo da violência, ou seja, constituir uma polícia.
Para chegar à condição de sociedade civilizada, entretanto, isso ainda
não basta. É preciso também ser capaz de controlar essa polícia, já que,
excluído o cenário mais catastrófico da guerra de todos contra todos,
são as forças do Estado que se tornam um dos principais focos de
violência contra os cidadãos.
Hélio Schwartsman - FSP
SÃO PAULO - Polícia é fundamental. O primeiro passo para um grupamento humano um pouco mais complexo deixar para trás a barbárie é reservar ao poder público o monopólio do uso legítimo da violência, ou seja, constituir uma polícia.
Em São Paulo, realizamos precariamente o primeiro objetivo, mas só engatinhamos no segundo.
É verdade que, na comparação com o resto do Brasil, a polícia paulista figura entre as melhores. Ela é, de longe, a que mais prende. São Paulo, com 20% dos habitantes do país, responde por 35% da população carcerária. O Estado também tem uma das menores taxas de homicídio do Brasil (13,5 por cem mil habitantes, contra 27,1 no país, segundo a pesquisa Mapa da Violência 2013).
Se a comparação se dá com nações desenvolvidas, aí os números paulistas se tornam obscenos. E pioram ainda mais quando passamos a analisar a tendência de crimes menos graves do que o homicídio ou nos debruçamos sobre outros indicadores de eficácia policial, como investigações bem-sucedidas, baixa letalidade em confrontos etc.
No quesito controle da força, a situação é ainda mais devastadora. Apesar de décadas de retórica de direitos humanos, a tortura ainda é uma das principais "ferramentas de investigação" em nossas delegacias.
Os protestos e "rolezinhos" mostraram que a polícia também não está preparada para lidar com multidões e nem mesmo para identificar os tais dos "black blocs" e instruir decentemente um processo contra eles.
Não é fácil criar e manter uma polícia eficiente e não violenta, mas fazê-lo é o preço da civilização.
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