Reinaldo Azevedo - VEJA
Correm
na Internet petições para que os mensaleiros sejam transferidos para o
presídio de Pedrinhas, no Maranhão, capitania hereditária governada pela
Família Sarney, a oligarquia que soube se reciclar e que passou a
falar, assim, com um sotaque bem companheiro.
É evidente
que ninguém — ou, vá lá, quase ninguém — pretende a sério que os
corruptos ativos e passivos, peculatários e quadrilheiros sejam
decapitados. Seria um desejo estúpido. Aliás, por mais que a maldade em
estado puro — e ela pode existir, acreditem — tenha se manifestado no
Maranhão, o que aquela gente merece é cumprir a pena a que foi condenada
segundo o que lhe assegura a lei.
O gracejo
um tanto macabro, no entanto, nos diz muito desses dias. Todos vimos o
escarcéu feito pelos mensaleiros e seus porta-vozes na imprensa, nas
redes sociais e na subimprensa financiada por estatais. Parecia que
aqueles patriotas estavam sendo condenados ao inferno quando ganharam a
sua vaguinha na Papuda, especialmente preparada para receber hóspedes
ilustres.
Até então,
as condições em que se amontoavam e se amontoam os mais de 500 mil
presidiários não mobilizavam ninguém. Jamais me esqueço de uma resposta
dada por Lula, quando confrontado com a falta de investimento do governo
federal em presídios. Segundo disse, ele preferia erguer escolas, como
se uma coisa pudesse substituir a outra.
Na
essência da resposta, o viés estúpido que pretende associar pobreza e
ignorância à violência, como se os pobres e ignorantes fossem também
destituídos de moral, o que é uma tese falaciosa. Entre o desídia e a
mistificação ideológica, a questão dos presídios foi deixada de lado.
Como observei em texto desta manhã, em 2013, o governo federal
desembolsou para o setor menos do que em 2012.
E assim
foram se constituindo as sucursais do inferno Brasil afora. Investir na
reclusão em condições humanamente aceitáveis custa caro e talvez não
renda assim tantos votos. Eis uma razão por que, ao contrário do que
querem alguns militantes, prende-se pouco no Brasil — no Maranhão, como
vimos, menos do que em qualquer outro estado.
Os
presidiários só ganharam um lugarzinho na pauta quando os companheiros
estrelados foram condenados a passar uma temporada atrás das grades. A
diferença entre Pedrinhas e a Papuda de Dirceu é maior do que a separa o
inferno do céu.
Quando se
faz então o motejo, ainda que tendo eventos trágicos como referência,
para que os mensaleiros sejam transferidos para o presídio maranhense, o
que se quer é chamar a atenção para essa diferença.
Sim, o
desejo civilizado é que todos os presos brasileiros contem com parte ao
menos das garantias de que dispõem os corruptos ativos, os corruptos
passivos, os peculatários e os quadrilheiros do mensalão. O que bom voto
é que se nivelem por cima as condições dos presídios, pouco importando
quão baixo desceram os condenados.
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