Governo chileno lamenta a decisão tomada pela Corte Internacional de Justiça de Haia, a mais alta instância judicial da ONU
O Globo
Um grupo de pessoas assiste à sessão final da decisão judicial de uma disputa marítima entre Peru e Chile, em um telão no pátio do Palácio do Governo em Lima ENRIQUE CASTRO-MENDIVIL / REUTERS
- Lamentamos profundamente esta decisão, que carece de fundamento - expressou o chefe da delegação chilena, Alberto van Klaveren Sort.
Como consequência, a decisão quebra o status quo, mas, de acordo com as primeiras avaliações de especialistas, não afetará muito os pescadores chilenos, principalmente os menores.
- Houve sim uma decisão desfavorável, mas não tão mau como se esperava, e isso porque o Estado fez uma boa defesa - disse um pescador de Arica (norte do Chile) à imprensa local.
A leitura da sentença pelo juiz Peter Tomka durou duas horas. O documento analisou ponto por ponto as alegações feitas pelos dois países para apoiar suas causas. As autoridades de ambos os países haviam reiterado nos últimos dias que respeitariam a decisão da CIJ.
O processo, iniciado em 2008 por Lima contra Santiago, pedia aos juízes que definissem como fronteira uma linha equidistante traçada a partir da costa. Pretendia assim dividir por igual a porção de mar correspondente a cada país, incorporando para o lado peruano uma zona pesqueira de 38 mil quilômetros quadrados hoje controlada pela nação vizinha. O lado chileno, por sua vez, defendia a delimitação atual, ou seja, uma linha paralela (latitudinal) decorrente dos tratados chileno-peruanos de 1952 e 1954.
O caso “Peru versus Chile”, como tecnicamente se denomina o processo, provocou uma reação também da Bolívia, o terceiro vizinho envolvido na discórdia. La Paz há mais de um século reivindica recuperar a saída ao mar perdida na Guerra do Pacífico (1879-1883), travada contra o Chile. Aliado do Peru nessa disputa, o atual presidente boliviano, Evo Morales, decidiu que havia chegado o momento de atuar. Depois de analisar atentamente o que ocorria em Haia, apresentou sua própria queixa em abril de 2013. Queria recuperar os 400 quilômetros de costa e 120 mil quilômetros quadrados de território perdidos depois da derrota do século XIX. Para justificar seu gesto, Morales assegurou que esperava de Santiago “uma negociação de boa-fé para poder acessar de forma soberana o oceano Pacífico”.
A sentença é de cumprimento obrigatório e sem direito a apelação. O resultado será comentado pelas duas delegações, em Haia, e também pelos presidentes Ollanta Humala, em Lima, e Sebastián Piñera, em Santiago.
Além da transferência de território, o que está em jogo são os direitos econômicos exclusivos, como pesca, mineração e gás, sobre essa zona de 38.000 km2 de mar, que atualmente está sob controle chileno.
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