quarta-feira, 2 de abril de 2014

Foxconn não quer mais depender da Apple
Harold Thibault - Le Monde
É inegável que foi graças à Apple, sua principal cliente, que a Foxconn – a gigante taiwanesa fabricante de componentes de informática – voltou a ter resultados excelentes em 2013. O grupo, também conhecido pelo nome Hon Hai, anunciou, na sexta-feira (28), um aumento de 13% em seus lucros em 2013, em um total de 106,7 bilhões de dólares taiwaneses, ou seja, 2,5 bilhões de euros (R$7,8 bilhões)
Esses lucros são trazidos diretamente pelas vendas do iPhone, sendo que as encomendas da Apple representariam 40% de seu faturamento. O grupo californiano vendeu 51 milhões de seus smartphones no último trimestre de 2013, após o lançamento de seus últimos modelos, o 5S e o 5C. No entanto, é um número 4 milhões menor que o previsto pelos analistas.
Mas embora a Apple tenha feito de Terry Gou, o presidente da Foxconn, um dos mais poderosos bilionários de Taiwan, a prosperidade desse discreto executivo pode estar diminuindo. De fato, sua principal cliente está buscando outras fornecedoras concorrentes para seus iPads e seus iPhones.
Agora a Foxconn precisa dividir essa fortuna com uma outra empresa taiwanesa de eletrônicos, a Pegatron. Essa empresa, que paga menos a seus operários, ainda que suas fábricas estejam situadas no subúrbio de Xangai, onde o custo de vida é bem mais alto que em torno da cidade secundária de Zhengzhou, onde a Foxconn monta o iPhone 5S, conseguiu os contratos para o iPhone 5C e o iPad mini.

Muitos investimentos

E, segundo a imprensa taiwanesa, a produção de um novo modelo, provavelmente o iPhone 6, esperado para o outono, poderia ser dividida entre as duas concorrentes.
Ao mesmo tempo, outros clientes históricos da Foxconn, como a Nokia, continuam perdendo terreno, ainda que tenham sido substituídas por marcas chinesas – a Huawei e a recém-chegada Xiaomi também passam pelas linhas de produção de Terry Gou.
É por esses motivos – e também talvez porque estejam despontando dúvidas quanto à capacidade da Apple de continuar desenvolvendo produtos inéditos e muito populares – que o discretíssimo Gou tem buscado ativamente a diversificação. O empresário parece determinado em relação aos investimentos anunciados aos acionistas de seu império.
Em junho de 2013, a Foxconn anunciou uma parceria com a Fundação Mozilla, que produz o navegador Firefox, para desenvolver cinco aparelhos, entre eles um tablet.
Em novembro de 2013, a empresa disse estar considerando construir uma fábrica por US$ 30 milhões (R$68 milhões) na Pensilvânia, nos Estados Unidos, para montar ali grandes telas planas, uma vez que o transporte da Ásia para os Estados Unidos é delicado.

Lançamento de uma marca de acessórios

Depois, em dezembro de 2013, a BlackBerry confiou à Foxconn o design de seus smartphones destinados a países emergentes. Um modelo batizado de Z3, por menos de US$ 200, será lançado em abril na Indonésia.
Em fevereiro, Gou se encontrou em Taiwan com Andy Rubin, o homem que lançou o sistema operacional Android do Google, e agora é encarregado dos projetos de robótica do Google.
A Foxconn também acaba de lançar uma marca de acessórios (cabos, capas) para telefones, a Coverbank.
Por fim, na sexta-feira (28), o principal empregador privado da China continental – com pelo menos 1 milhão de operários – manifestou sua intenção de gastar quase 11 milhões de euros em uma fábrica de robôs, 30 milhões de euros em uma unidade de produção de componentes eletrônicos e ainda quase 22 milhões de euros em desenvolvimento de softwares.
Tudo isso na China, mostrando a urgência que o misterioso Gou, que construiu sua fortuna sobre os baixos salários chineses, tem em buscar os lucros em um ponto mais elevado na cadeia industrial.

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