quarta-feira, 2 de abril de 2014

Frankfurt deverá ser centro de transações em yuans
Frédéric Lemaître - Le Monde
Mark Ralston/AFP
Xi Jinping esteve na Alemanha e acertou a criação de uma câmara de compensação da moeda chinesa 
Xi Jinping esteve na Alemanha e acertou a criação de uma câmara de compensação da moeda chinesa
Após sua viagem pela França e antes de sua visita a Bruxelas, a partir de domingo (30), o presidente Xi Jinping esteve na Alemanha por 48 horas, na sexta-feira e no sábado: em Berlim, para conversas políticas, e na Renânia do Norte-Vestfália, onde 800 empresas chinesas se instalarão.
O anúncio econômico mais importante provavelmente foi a escolha de Frankfurt para criar uma câmara de compensação da divisa chinesa, o yuan. Dois acordos – um entre o banco central alemão e o chinês, e o outro entre a Bolsa de Frankfurt e o Bank of China – tornaram possível essa criação, que deverá facilitar as transações em yuans efetuadas a partir da zona do euro.
Atualmente, as conversões entre o yuan e o euro só podem ser feitas em Xangai ou em Hong Kong. E muitas transações são efetuadas em dólares com uma dupla taxa de câmbio.

Fortes ligações comerciais

Segundo os setores financeiros alemães, citados pelo "Frankfurter Allgemeine Zeitung", tal acordo pode gerar uma economia de aproximadamente 500 milhões de euros para os empresários alemães, que não têm representação na China. O centro financeiro de Londres deverá ter a mesma possibilidade de criar uma câmara de compensação para os países europeus não membros da zona do euro.
Paris estava competindo com Frankfurt. Ainda que não possa se descartar a possibilidade de haver tais operações de compensação futuramente na França, nenhum acordo foi fechado durante a visita de Xi Jinping.
Para a Alemanha, a escolha dos chineses por Frankfurt é explicada pelo volume das trocas comerciais entre os dois países. Essas trocas atingiram mais de 140 bilhões de euros em 2013. 
A China é a terceira maior parceira comercial da Alemanha, atrás da França e da Holanda, e Berlim é a segunda maior parceira da China atrás dos Estados Unidos.
No sábado, Xi Jinping, acompanhado de uma grande delegação de industriais chineses, foi até um lugar que simboliza a intensidade dessas trocas: Duisbourg, no Reno, um dos maiores portos internos do mundo.
Foi lá que, em 2011, chegaram trens de mercadorias provenientes da China, após um percurso de mais de 10 mil quilômetros. Foram necessários dezesseis dias para ligar o centro industrial de Chongqing (Sichuan) a Duisbourg. Até três trens trazendo 51 contêineres cada um tomam essa linha todas as semans, ainda que o tráfego seja menor durante o inverno devido às condições climáticas na Rússia, tornando delicado o transporte de material informático.

Anúncios de acordos

A visita de Xi Jinping foi a oportunidade para anunciar acordos entre empresas. A Daimler comunicou um investimento de 1 bilhão de euros até 2015 conjuntamente com seu parceiro chinês BAIC, para aumentar suas capacidades de produção em Pequim.
Entre os outros acordos fechados estão um ampliamento da cooperação entre a Volkswagen e sua parceira chinesa SAIC para veículos movidos a célula de combustível e veículos híbridos, e um reforço dos laços entre a BMW e o grupo Brilliance.
As outras assinaturas dizem respeito a um compromisso do grupo químico Bayer em aumentar uma fábrica em Pequim por 100 milhões de euros e uma declaração de intenção para uma "cooperação estratégica no domínio da energia" entre Siemens, Huaneng Power International e Shanghai Electric.
Essa visita, a primeira de um chefe de Estado chinês à Alemanha desde a passagem do presidente Hu Jintao em 2005, também foi a oportunidade para os dois países anunciarem a retomada de sua "parceria estratégica", sobretudo a intensificação de sua colaboração no domínio da política externa.

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