quarta-feira, 2 de abril de 2014

Rússia aumenta aposentadorias e salários para moradores da Crimeia
Andrew E. Kramer - NYT
Sadat/Xinhua
Movendo-se rapidamente para envolver a Crimeia na burocracia e na economia russas, o Kremlin disse na segunda-feira (31) que quase duplicou as aposentadorias pagas na península, aumentando-as para os níveis médios praticados na Rússia.
O presidente Vladimir Putin assinou um decreto que aumenta as aposentadorias e outros salários dos trabalhadores no setor público, como professores e médicos, segundo um comunicado publicado no site do Kremlin.
As autoridades também anunciaram vários planos de investimentos e deduções fiscais para a Crimeia, que a Rússia tomou da Ucrânia há duas semanas depois de uma votação apressada no Legislativo da Crimeia.
Os crimeanos até reajustaram seus relógios, avançando-os duas horas, para se igualarem ao fuso horário de Moscou.
Para reforçar a mensagem de Moscou, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, viajou até a capital da região para reunir-se com membros do gabinete e autoridades locais.
No que as autoridades americanas interpretaram na segunda-feira (31) como um sinal encorajador de que a Rússia não invadiria outras regiões da Ucrânia, o governo alemão divulgou um comunicado afirmando que Putin disse em um telefonema à chanceler Angela Merkel que havia ordenado a retirada parcial das tropas russas acumuladas na fronteira leste da Ucrânia, uma fonte de grande tensão com os governos ocidentais nas últimas semanas.
O comunicado alemão caracterizou o movimento de tropas descrito por Putin como uma "retirada parcial de tropas russas ordenadas na fronteira leste da Ucrânia".
Não houve confirmação direta de autoridades russas. A declaração do Kremlin descrevendo a mesma conversa telefônica não mencionou qualquer retirada de tropas.
Disse apenas que os líderes "discutiram vários aspectos da situação na Ucrânia, incluindo a possibilidade do envolvimento internacional para restaurar a estabilidade" e que os dois também conversaram sobre a reformulação constitucional na Ucrânia e outras regiões perturbadas do Leste Europeu, como a região separatista de Transnístria, na Moldávia.O Ministério da Defesa publicou uma declaração online dizendo que um batalhão mecanizado, unidade que geralmente consistiria em cerca de 500 homens, havia concluído exercícios na região de Rostov, fronteiriça com a Ucrânia, e estava retornando para a base em outro local da Rússia.
As tropas haviam simplesmente completado seus exercícios, disse o comunicado, sem esclarecer se esse movimento de tropas relativamente modesto indicava uma retirada mais ampla da fronteira da Ucrânia.
As autoridades dos Estados Unidos, que estimam que os russos mobilizaram de 40 mil a 50 mil soldados perto da fronteira ucraniana, reagiram positivamente ao aparente recuo, seja qual for seu tamanho.
"Se os relatos de que a Rússia está removendo algumas tropas da região de fronteira forem precisos, seria um passo preliminar bem-vindo", disse Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado.
"Nós pedimos que a Rússia acelere esse processo. Também continuamos pedindo que a Rússia se envolva em um diálogo com o governo de Kiev para aliviar a situação, enquanto respeita a soberania e a integridade territorial da Ucrânia."
A visita de Medvedev também foi uma demonstração de desafio ao Ocidente, ocorrendo algumas horas depois que o secretário de Estado, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, deixaram de concordar sobre uma solução diplomática para a crise da Crimeia em negociações tarde da noite em Paris. Kerry chamou a anexação de "ilegal e ilegítima".
Medvedev disse que a Crimeia se tornará uma zona econômica especial, com deduções fiscais para empresas que investirem na região.
Os benefícios de aposentadoria na Rússia não são altos pelos padrões de países desenvolvidos, mas são maiores que os da Ucrânia, o que serviu como atrativo para a anexação para os moradores da península, que inclui muitos veteranos militares soviéticos.
A pensão mensal média na Rússia em 2013 foi de aproximadamente 10 mil rublos, segundo a agência de notícias estatal RIA, ou US$ 285 pelo câmbio atual.
Em compensação, a aposentadoria média na Ucrânia em dezembro foi de US$ 160. Aumentar os benefícios de aposentadoria na península certamente será popular, embora seu custo seja modesto comparado com o tamanho do orçamento da Rússia.
Cerca de um terço dos dois milhões de habitantes da Crimeia é aposentado; a Rússia, excluindo a nova região anexada, tem uma população de 143 milhões. Em uma recente reunião de gabinete, Medvedev disse que aumentar as pensões para os níveis russos custaria cerca de US$ 1 bilhão este ano.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves 

Nenhum comentário: