É ruim o clima econômico no Brasil, segundo a FGV
O Estado de S.Paulo
O clima econômico no mundo é muito melhor do que na
América Latina - e na região o Brasil registrou a maior queda entre os
11 países pesquisados, segundo pesquisa do instituto alemão Ifo e da
FGV, relativa ao trimestre fevereiro/abril. No período, o pessimismo
aumentou tanto que o Brasil ficou atrás da Argentina num conjunto de
quesitos que levam em conta não só a situação atual, mas as
expectativas. É possível que a percepção contenha exageros, mas foi o
que predominou nas respostas dos 1.134 especialistas de 121 países
consultados em abril.
Num gráfico em que 100 pontos é o termo médio, o Índice de Clima
Econômico (ICE) mundial caiu de 114 pontos para 113 pontos na comparação
entre o trimestre novembro de 2013 a janeiro de 2014 e o trimestre
fevereiro/abril de 2014, enquanto o ICE da América Latina caiu de 95
pontos para 90 pontos. O ICE do Brasil desceu de 89 para 71 pontos (-
20%), "o pior desde janeiro de 1999", segundo a Sondagem, da FGV.
Que a América Latina perdeu posição no mundo, enquanto os Estados
Unidos e a Europa voltam a se recuperar, não há o que questionar. Mas a
deterioração da posição brasileira deveu-se à falta de compromisso do
governo com a meta de inflação de 4,5% ao ano e com a insuficiência do
superávit primário para manter a dívida pública em queda, disse a
pesquisadora Lia Valls, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). O
cenário é "nebuloso", mas "a formação de expectativas depende de
sinalizações claras", enfatizou.
Na América Latina, a pontuação brasileira só foi melhor que a da
Venezuela. Ficou 4 pontos abaixo da da Argentina. Seis países estão no
campo positivo, com destaque para a Bolívia, a Colômbia, o Peru e o
Paraguai. No bloco dos cinco que estão no campo negativo ingressaram o
Chile e o México.
Consumo, investimentos, juros, inflação, balança comercial e taxa de
câmbio são as principais questões da pesquisa, que se divide entre
Situação Atual (ISA) e Expectativas (IE). Na América Latina, o IE é
melhor do que o ISA. Na média de situação atual e expectativas dos
últimos quatro trimestres o Brasil figurou em 9.º lugar, acima apenas de
Argentina e Venezuela.
No momento, é baixa a confiança na política econômica do País - e a
competitividade internacional é a menor da região. O fluxo de recursos
externos sugere que o Brasil continua atraindo investidores, mas nem por
isso o governo deveria ignorar o alerta da Sondagem da FGV.
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