Shen Nianzu - TINYT
Wang Zhao/AFP/Arquivo
Na gestão de Xi Jinping, 23 autoridades chinesas foram demitidas por corrupçãoDesde que o presidente da China, Xi Jinping, tomou posse no final de 2012, pelo menos 23 importantes autoridades locais foram demitidas por corrupção. O que é mais notável - apesar de não surpreendente - é o contraste entre a forma como essas autoridades eram descritas na imprensa antes e depois da queda.
Como todos esses casos locais demonstram, as reportagens publicadas sobre essas autoridades antes das acusações de corrupção eram artigos rotineiros sobre suas aparições em conferências ou cobertura igualmente impoluta. Mas todo mundo sabe muito bem que a desonestidade não apareceu simplesmente um dia, mas ao longo dos muitos anos em que essas autoridades locais serviram no mesmo campo ou no mesmo local. Assim que uma autoridade permanece ocupando um cargo em uma mesma região ou sistema por muito tempo, é difícil não imaginá-las formando uma rede de conexões pessoais que se transformou posteriormente em interesse próprio.
Não apenas é incrivelmente raro para a imprensa chinesa expor qualquer notícia ou pesquisa de opinião pública negativa sobre essas autoridades locais entranhadas como também aquelas com personalidades distintas costumam receber cobertura positiva injustificada. Até mesmo seus hobbies pessoais podem ganhar reconhecimento exagerado - "os dotes atléticos" e "forte força de vontade" de Wan Qingliang, por exemplo.
Poucas horas antes do ex-ministro das Ferrovias da China, Liu Zhijun, ser preso e condenado por aceitar propina e abuso de poder, a rede "Rádio China" ainda alardeava o suposto fato de ele ter sacrificado seus feriados do Ano Novo chinês por anos para assegurar o funcionamento perfeito dos serviços de trem durante esse festival importante.
Apesar da ausência da supervisão da imprensa, rumores sobre autoridades costumam fermentar por algum tempo antes que essas autoridades sejam oficialmente afastadas de seus postos. Apesar dos rumores desenfreados de comportamento impróprio, certas autoridades não enfrentam consequências após serem transferidas para diferentes cargos, ou, ao menos, não por algum tempo.
Como apontou um analista, se alguém será realmente responsabilizado depende não apenas dos rumores de improbidade, mas também de como é transferido para outro cargo. Qualquer um transferido de um cargo de poder para um cargo comum muito provavelmente estará em apuros em breve.
Rumores
Mas a menos que uma autoridade já tenha caído, a imprensa chinesa raramente faz críticas. Como demonstra uma pesquisa para livro do autor Li Dongxiao, mais de 70% dos relatos na imprensa chinesa sobre corrupção tratam de casos encerrados, que já foram tratados pelo governo chinês ou pelos departamentos judiciais. A imprensa só relata ou analisa os escândalos retrospectivamente.
"O número de escândalos está significativamente relacionado à estatura das autoridades", Li notou em um levantamento. "Quanto mais alto o cargo de uma autoridade, menor o número de escândalos relatados as envolvendo". De fato, das 23 autoridades demitidas desde que o presidente Xi tomou posse, este jornal foi incapaz de encontrar quaisquer relatos, locais ou nacionais, sobre seus atos ilegais antes de suas quedas.
Mas, na visão de Li Dongxiao, apesar de apenas pouco mais de 20% dos escândalos relatados (excluindo comentários posteriores) terem vindo à tona graças à intervenções completas ou parciais da imprensa, a cobertura ainda assim está muito melhor do que no passado.
Nesses pouco mais de 20% de investigações e reportagens na imprensa, vários escândalos foram expostos. Isso levou o público a responder, o que, por sua vez, apoiava a revelação do comportamento ilegal das autoridades. Vale a pena mencionar que 4% desses casos foram revelados diretamente pela Internet.
Fora a melhoria entre a imprensa chinesa na tomada de iniciativa, o abrandamento pelo governo chinês do controle da imprensa nos casos envolvendo corrupção está contribuindo muito para expor a improbidade.
"As reportagens sobre escândalos de corrupção revelam certos assuntos antes considerados tabus, mudam a avaliação do público e o julgamento das autoridades, assim como nutrem a participação e conscientização do público na supervisão da política", diz Li. "Isso fornecerá um bom ambiente social e cultural, assim como um ambiente na sociedade civil, para supervisão do poder oficial e anticorrupção da China".
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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