VALENTINA DE BOTAS - Blog do Augusto Nunes
As manifestações têm múltiplas vozes, aconteceram por anseios misturados, arrastaram muita gente e tal, mas todos estávamos lúcidos: ninguém protestou contra miragens como virtudes do PT. Tirar 36-milhões-de-pessoas-da-miséria é obrigação mínima em 12 anos e é menos que o mínimo para o partido que nasceu para refundar o país: deveríamos ser hoje uma fagueira versão ampliada de uma Suíça com praia, falando três línguas, inclusive; e finalmente, chegaria a hora de essa gente bronzeada mostrar seu valor integrando a elite branca de olhos azuis.
Em vez disso, somos uma versão piorada de nós mesmos, ex-governados por um jeca cuja gramática moral inspirou o assalto ao Estado e, hoje, por uma fraude que se orienta pela gramática moral do jeca e tem o próprio idioleto imbecil. Com metade do que roubou, faria mais quantos ex-miseráveis? Se o partido não tivesse “robado nem deixado robá”, como disse aquele JD condenado por roubo, os 36 milhões de ex-miseráveis não teriam educação pública vergonhosa, saúde pública indigente, segurança pública segura para criminosos, saneamento básico pela metade.
Não foi a virtude que obrigou os petistas a alianças com quem xingavam de ladrão até outro dia, nem a apoiar a escória internacional. Uniram-se em torno da ojeriza à virtude, qualquer virtude. Não, Rui Falcão não entendeu nada mesmo: as marchas não foram e não serão contra as virtudes imaginárias do PT, mas a favor das do país, reais e resistentes. Depois de fazer tanto mal à nação, os vícios do partido exterminador de virtudes já não fazem tão bem a ele. Antes agora do que ainda mais tarde: que morra de petismo.
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