Beatriz Catta Preta ainda precisa explicar algo
A
advogada acusa “membros da CPI” da Petrobras de tê-la ameaçado e diz
que, por causa disso, decidiu “encerrar a carreira”. Isso faz sentido?
Ana Clara Costa - VEJA
CONVERSA
TRUNCADA - Catta Preta disse que as pressões contra ela cresceram
depois de seu cliente acusar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ele
nega ter influenciado a convocação da advogada à CPI (Jorge William/Agência o Globo)
Beatriz
Catta Preta diz que se sente ameaçada. Ninguém pode arvorar-se a
desmenti-la. O sentimento, como a renúncia de um presidente da
República, é unilateral. Não cabe discussão. Excelente penalista, Catta
Preta sabe bem o que dispõe o Artigo 147 do Código Penal brasileiro.
Está estabelecido pela jurisprudência que ameaça é crime formal e sua
consumação ocorre independentemente de qualquer resultado, não sendo
necessário que a vítima se sinta ameaçada. A questão psicológica é
indiscutível. Mas, quanto ao direito, cabe a ela transcender o
sentimento e revelar quais foram as ameaças recebidas. O assunto deixa
de ser de foro íntimo para entrar no campo jurídico, que ela domina
profissionalmente como poucos.
Que ameaças foram essas que a levaram a anunciar que sairia dos casos
em que trabalha na Operação Lava-Jato e, mais drástico ainda, "encerrar
a carreira"? Por mais que ela tenha dominado a cena na semana que
passou, a doutora tem de esclarecer que ameaças sofreu, pois em relação à
autoria ela foi clara: "Membros da CPI da Petrobras". A questão só
começará a ser elucidada quando Catta Preta oferecer evidências que
tirem as ameaças do campo do sentimento e as coloquem na letra do Código
Penal, que, aliás, lhe é muito mais favorável, pois basta que se prove a
ameaça, não sendo necessário sequer que ela tenha se sentido ameaçada.
No início de julho, a advogada, res-ponsável por nove das dezoito
dela-ções fechadas àquela altura na Lava- Jato (agora são 22), foi ao
salão de ca-beleireiros Studio W, no shopping Iguatemi de São Paulo,
escoltada por dois seguranças - uma cena que chamou a atenção dos
funcionários, acos-tumados a ver a cliente habitual chegar sozinha. Em
maio, ela já havia tranca-do a matrícula escolar do fi lho mais velho. No
mês seguinte, tirou da escola a caçula, de 3 anos. Por fi m, no meio de
julho, a advogada fechou seu escritó-rio. Na quinta- feira, em
entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, afi r-mou que decidiu
"encerrar carreira na advocacia" porque vinha recebendo ameaças
"veladas, cifradas" e temia pela segurança de sua família.
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