Pezão alega 'direito de crise' para aumentar ICMS
Medida foi questionada pela Confederação Nacional da Indústria no STF
André de Souza - O Globo
Em documento protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF), o
governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, alegou o "direito de
crise" para defender uma lei estadual que aumentou a cobrança do imposto
sobre circulação de mercadorias e serviços (IMCS). A medida foi
questionada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mas Pezão
alega que ela é "excepcional, emergencial, anti-crise e transitória",
sendo necessária em razão dos problemas financeiros enfrentados pelo
estado.
A
lei abrange as empresas atualmente beneficiadas por qualquer isenção ou
incentivo fiscal no Rio e vai vigorar até 31 de julho de 2018. O
relator do caso no STF é o ministro Luís Roberto Barroso.
"A obrigação de pagar a parcela de 10% do ICMS que foi objeto de
isenção fiscal constitui uma norma de emergência. Direito de crise,
criado com o único propósito de combater a mais grave crise financeira
por que já passou o Estado do Rio de Janeiro", diz trecho do documento
assinado pelo governador Luiz Fernando Pezão.
Ainda segundo ele, a lei é até o momento a única medida disponível
com efeitos imediatos para tentar quitar os salários atrasados dos
servidores. Argumenta também que não haverá prejuízo às empresas, uma
vez que elas terão, no futuro, direito à prorrogação automática dos
benefícios fiscais pelo prazo necessário para ressarcimento integral das
perdas provocadas pela lei.
"Assim, o que a norma legal fez foi, apenas, criar uma modulação
temporal do benefício fiscal, de modo a reduzi-lo em 10% durante o curto
período de 19 meses, mas assegurando ao contribuinte, em caráter
irrestrito, a recuperação integral de todos os valores ora aportados ao
FEEF (Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal), mediante a prorrogação do
termo final do benefício", argumenta Pezão.
O governo do Rio vem enfrentando diversos problemas financeiros e
guarda suas esperança no acordo de ajuda firmado com o governo federal. A
Cedae, empresa de saneamento do estado, já foi privatizada como parte
do pacote. Mas ainda há medidas pendentes de aprovação, tanto no
Congresso Nacional como na Assembleia Legislativa. Depende do Congresso,
por exemplo, a suspensão da aplicação dos artigos da Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF) que impedem o Rio de obter novos
empréstimos.
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