Parlamento britânico aprova eleições antecipadas para 8 de junho
Proposta da primeira-ministra Theresa May recebeu 522 votos a favor e 13 contra
O Globo
O Parlamento britânico aprovou com folga nesta terça-feira a
proposta da primeira-ministra, Theresa May, de antecipar as eleições
gerais para 8 de junho. A premier argumenta que uma vitória dos
conservadores na disputa lhe dará mais poder para negociar a saída do
Reino Unido da União Europeia (UE) — o chamado Brexit.
May
precisava do apoio de pelo menos dois terços dos 650 deputados e
conseguiu superar em muito a meta: 522 aprovaram a antecipação das
eleições, originalmente previstas para 2020. Apenas 13 votaram contra a
proposta.
—
Creio que neste momento deve haver unidade aqui em Westminster, não
divisão — discursou May ao Parlamento antes da votação. — É por isso que
votar em uma eleição geral é a coisa certa e responsável para todos nós
aqui hoje.
Já em clima de campanha, May e o líder opositor, Jeremy
Corbyn, se confrontaram em um debate no Parlamento. Enquanto a premier
disse que o país iria à falência com os trabalhistas no poder, Corbyn
afirmou que não se pode confiar na conservadora, uma vez que ela mudou
de ideia sobre a antecipação das eleições.
O líder trabalhista disse ainda aos deputados que os
conservadores tinham quebrado promessas em relação ao sistema de saúde,
além de "privavem as escolas de dinheiro enquanto reduziam impostos para
os ricos".
May, por sua vez, observou que só os conservadores poderiam
garantir uma "economia e defesa fortes" e teriam sucesso nas negociações
do Brexit.
PREMIER DEFENDE CLAREZA SOBRE O FUTURO
Em
uma entrevista à rede BBC horas antes da votação, May disse que não
busca “um cheque em branco” para o Brexit e que a realização de eleições
antecipadas, em vez de esperar até 2020, evitaria uma situação em que a
disputa iria coincidir com o ponto culminante do processo de separação
da UE.
— Eu quero clareza sobre o futuro — declarou.
De acordo com o cronograma, espera-se que O Reino Unido
deixe formalmente a União Europeia em março de 2019. Antecipando as
eleições para junho deste ano, May não terá que convocar uma nova
disputa eleitoral até 2022, garantindo uma maior margem de manobra
durante o final do Brexit.
— Se você olhar para o calendário, se as eleições fossem
realizadas em 2020, nos aproximaríamos da parte mais crucial das
negociações — explicou a premier, garantindo que não haveria um segundo
referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE.
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