Reinaldo Azevedo - VEJA
Corre na Justiça Federal de Brasília, em sigilo, uma investigação contra o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) por enriquecimento ilícito. Ele concorre hoje à Presidência da Câmara. É o favorito. Seus adversários são Rose de Freitas (ES), também uma peemedebista, e Júlio Delgado, do PSB de Minas. Pipocou um monte de denúncias contra Alves nos últimos tempos, o que ele atribui à manobra de adversários e coisa e tal. Mas sua maior antípoda, nessa área, é Mônica Infante de Azambuja, sua ex-mulher. Numa ação que pedia aumento da pensão alimentícia, ela o acusou, em 2002, de manter UR$ 15 milhões em contas no exterior, dinheiro que, se existente, ele jamais declarou. “Tudo ressentimento de ex…”, dirão alguns. Pode ser. Os casos recentes, vejam no arquivo, evidenciam que o deputado não é, assim, um exemplo de ortodoxia.
Com o apoio do governo, é o franco favorito. Mas não é só. Ele conta também com a simpatia de uma boa parcela de parlamentares da oposição. Em tempos em que se fala em renovação, vejam que graça!, Alves é o mais antigo deputado da Câmara: está lá desde 1971. Como se de diz por aí, o diabo é diabo porque é velho, mas porque é sábio. É bem verdade que ele é bastante sabido nas artes em que se especializou o PMDB.
O Congresso brasileiro, assim, será mesmo papa-fina. Se eleito presidente da Câmara, Alves, investigado por enriquecimento ilícito, passa a ser o segundo homem na linha sucessória — só atrás do vice, Michel Temer. O terceiro é o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que pode se tornar réu no STF. Sim, eu me lembro: o relator é o ministro Ricardo Lewandowski, que já avisou, em outras palavras, que ele pode demorar a decidir.
Num país em que o Executivo é hipertrofiado por tradição e, não há como negar, por causa da Constituição de 1988, um Congresso com esse comando é o sonho de consumo de qualquer chefe do Executivo. Quanto a presidente é uma Dilma Rousseff, então, é o caso de soltar rojões.
Não é segredo para ninguém que uma das razões do prestígio popular de Dilma, que é inegável, é sua fama de durona com a corrupção — sim, ela apoia Alves. Num eventual embate entre o Executivo e o Legislativo, será a “incorruptível” de um lado contra tipos como Renan e Alves do outro. Adivinhem com quem ficará a opinião pública, ainda que o Congresso possa estar certo…
Oposições
Também nesse caso, insisto, as oposições, se unidas e atentas ao que se passa em parcelas importantes do Brasil, deveriam propor um nome alternativo, ainda que certa da derrota. “Ah, mas e os cargos na Mesa?” Bem, aí é preciso saber com quem os oposicionistas querem e precisam falar. Em tempo de Ficha Limpa (a lei é torta, mas a intenção é louvável) e de condenação de mensaleiros no STF, também essa eleição não poderia se dar no ambiente que o senador Pedro Taques (PDT-MT) classificou de silêncio cúmplice.
Também nesse caso, insisto, as oposições, se unidas e atentas ao que se passa em parcelas importantes do Brasil, deveriam propor um nome alternativo, ainda que certa da derrota. “Ah, mas e os cargos na Mesa?” Bem, aí é preciso saber com quem os oposicionistas querem e precisam falar. Em tempo de Ficha Limpa (a lei é torta, mas a intenção é louvável) e de condenação de mensaleiros no STF, também essa eleição não poderia se dar no ambiente que o senador Pedro Taques (PDT-MT) classificou de silêncio cúmplice.
Insisto neste aspecto: as oposições teriam de perceber que não se vive um tempo qualquer e que Renan e Alves não são homens quaisquer.
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