Bolsa Família diminuiu a pobreza, mas avanços na qualificação são
pequenos
ANDRÉ PORTELA
SOUZA - FSP
Programas nos moldes do Bolsa Família nasceram com duplo objetivo. De um
lado, combater a pobreza no curto prazo via transferências de renda às famílias
pobres e, de outro, reduzir a pobreza no longo prazo via condicionalidades que
incentivam a acumulação do capital humano de suas futuras gerações.
Visto por muitos como uma política inovadora, esperava-se que com esse
esforço fosse possível eliminar a pobreza em algumas poucas gerações. Com mais
de uma década de experiências, podemos tirar algumas lições baseadas em
evidências empíricas.
Os estudos podem divergir quanto às magnitudes, mas já existem evidências
acumuladas de que o Bolsa Família ajudou a reduzir a pobreza no país --pelo
número de famílias beneficiadas e por estar predominantemente focalizado nos
mais pobres.
Já as evidências positivas de impactos sobre a acumulação do capital humano
nas novas gerações são muito tênues ou de pouca magnitude. Os impactos sobre a
educação das crianças e jovens beneficiadas são positivos, mas pequenos.
Observam-se pequenas melhorias na frequência à escola e na progressão escolar.
Não se encontram diferenças favoráveis em proficiência e não se encontram
efeitos favoráveis em indicadores de saúde como nutrição e vacinação.
Conclui-se que o programa tem sido efetivo em focalizar as transferências de
renda para as famílias mais pobres, mas não tão efetivo em estimular de maneira
significativa a acumulação de capital humano das novas gerações.
Talvez o maior mérito do programa até agora tenha sido fazer com que as
políticas sociais de transferências cheguem aos mais pobres. Criou-se no Brasil
uma tecnologia de políticas públicas. O desafio está em aproveitar a tecnologia
para aumentar a eficácia das políticas sociais para eliminar a pobreza no
Brasil.
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