Difícil de entender
Eliane Cantanhêde - FSP
CINGAPURA - Falar em Ásia hoje corresponde a falar na China. Isso vale
para nós, brasileiros, e provavelmente para a maior parte do mundo, mas há vida
na Ásia, e inclusive uma economia vigorosa, além das fronteiras da China.
Voltemos a Cingapura, o menor país do continente e um dos menores do planeta
e, apesar disso, com PIB de US$ 276,5 bilhões, PIB per capita de US$ 52 mil e um
comércio externo de estonteantes US$ 788 bilhões em 2012. Atenção à proporção do
comércio em relação ao PIB...
De surpresa em surpresa, uma delas é descobrir (e tentar entender) como um
país desse tamaninho consegue atrair mais de 7.000 empresas, das mais diferentes
áreas.
Daí em diante, não é mais tão surpresa assim saber que brasileiras, como as
gigantes Petrobras e Vale e a contemporânea Natura, têm presença, negócios e
prestígio em Cingapura, do outro lado do mundo, a 30 horas de voo de Brasília. O
país, aliás, importa frango nacional (70% do consumo interno) e mira petróleo,
Copa e Olimpíada.
Em contrapartida, o Brasil aproveita a expertise do país na área de portos. A
Petrobras tem enormes contratos com a Keppel cingapuriana para a construção e
manutenção de plataformas, e o governo Dilma encomendou estudos à consultoria
IDA sobre informatização, logística e otimização das operações dos portos
brasileiros.
Já não era sem tempo, pois o Brasil vai ter de correr muito para chegar perto
do ritmo de Cingapura, que embarca e desembarca 80 mil contêineres por dia,
gastando minutos para cada um e cruzando 600 destinos na região. Ainda bem que o
espaço da coluna é curto para comparações...
A visão geral dessa Cidade-Estado é impressionante, mesmo quando se foge dos
compromissos oficiais e da rota turística. Qualquer que seja o caminho, ele
passa por ousadia, tecnologia e educação. A dúvida é onde ele vai parar no
futuro.
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