sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O futuro das telecomunicações: a fusão entre Portugal Telecom e Oi
Miguel Jiménez - El Pais                                        
Francisco Seco/AP
O executivo Zeinal Bava será o presidente da nova empresa criada com a fusão de Portugal Telecom e Oi
O executivo Zeinal Bava será o presidente da nova empresa criada com a fusão de Portugal Telecom e Oi
Zeinal Bava foi recebido no Brasil com o apelido de Messias das telecomunicações. Depois de receber três vezes o prêmio de melhor executivo europeu do setor, por sua gestão na Portugal Telecom, aceitou o desafio de dirigir sua concorrente brasileira Oi sem se desligar da portuguesa. Agora capitaneará a fusão de ambas em um único grupo, com faturamento de R$ 37,5 milhões (12,5 milhões de euros). As ações de ambas comemoraram o anúncio como se fosse um gol da equipe.
O novo grupo, com o nome provisório de CorpCo, terá sede no Rio de Janeiro e será cotada em São Paulo, Lisboa e Nova York. Tentará enfrentar Telefónica, TIM e América Móvil, controlada por Carlos Slim, no pujante mercado brasileiro.
A Oi tem um problema de estrutura de capital, um problema de excesso de dívidas, um problema de foco comercial, um problema de gestão... e muitos outros. Por sua vez, a Portugal Telecom tem um problema de tamanho e tem um problema com a Oi, na qual investiu depois da venda de sua participação na também brasileira Vivo para a Telefónica.
Bava acredita que a fusão é a melhor forma de enfrentar todos esses problemas. A portuguesa, que já controlava de forma direta e indireta 22% da brasileira, trará seus ativos e passivos e seus atuais acionistas acabarão tendo em torno de 38,1% da empresa resultante, cujo tamanho será aproximadamente o dobro da atual PT.
A operação está condicionada a que a Oi realize uma ampliação de capital com a qual espera captar até 2,7 bilhões de euros. Essa injeção de fundos e a união com a PT, muito mais saudável, permitiria que a companhia reduza sua alavancagem a cerca de 3,3 vezes o resultado bruto de exploração (Ebitda).
A fotografia teórica da nova companhia é a de uma empresa transatlântica presente no Brasil, em Portugal e Angola, com mais de 100 milhões de clientes, 12,5 bilhões de euros em receitas e 4,25 bilhões de Ebitda com dados de 2012. A Oi é líder em linhas fixas, mas em celulares está atrás de Vivo, Claro e Tim. Bava espera que a fusão permita gerar 1,8 bilhão de euros em economia de custos e outras sinergias operacionais e financeiras.
A Portugal Telecom, até há pouco tempo protegida com uma ação de ouro ilegal, passará a ser a filial de um grupo brasileiro. O governo de Lisboa prometeu não dificultar a operação e Bava garantiu o apoio dos principais sócios. O encerramento da operação está previsto para o primeiro semestre de 2014.
As ações da PT fecharam na quarta-feira com alta de 6,5% (depois de disparar até 23%) e as da Oi avançaram mais de 10%.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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