terça-feira, 22 de outubro de 2013

Para tratar parasitose, médica compra e sorteia filtro para pacientes
Tiago Décimo - OESP                                        
Sortear um filtro de água comprado com recursos próprios foi uma das primeiras medidas de saúde adotada pela médica Maria da Conceição Sousa de Abreu, de 47 anos, contratada pelo programa Mais Médicos para atuar em Nova Esperança, comunidade periférica de Salvador. A qualidade da água consumida ali, de acordo com Maria da Conceição, está relacionada aos muitos casos de parasitose na região. O primeiro equipamento, que custou 48 reais, foi sorteado na última sexta-feira (18) entre famílias com crianças.    
"Decidi fazer a doação como um símbolo da importância de tratar a água antes do consumo", diz. Ela iniciou uma campanha para comprar filtros para as famílias mais carentes. Paralelamente, faz palestras para explicar os benefícios de filtrar e ferver a água. "O principal problema é a falta de saneamento básico. Isso, somado ao problema de carência de educação, acarreta doenças", declara.
Um mês e meio depois do início da atuação dos profissionais do Mais Médicos nos postos da região, as opiniões dos pacientes sobre as mudanças se dividem. Alguns elogiam a atenção durante as consultas, outros criticam o aumento da espera pelo atendimento. "Os que estavam antes eram brutos", relata a diarista Roquelina de Oliveira, de 28 anos. "Além de tratar mal, eles não cumpriam horários", lembra. "A gente tinha a opção de marcar com antecedência, mas não adiantava porque eles chegavam ao posto tarde. Agora, a médica chega às 7h e ouve o que a gente fala", diz. Já a diarista Daiana Gomes, de 22 anos, reclama da demora para o atendimento.

"A médica trata com atenção, mas demora muito para quem está na fila", diz. "Antes, a gente tinha a opção de agendar a consulta com antecedência, mas agora é por ordem de chegada", completa. De acordo com a administração da unidade, a mudança no agendamento tem relação com a falta de um dos profissionais do programa, uma argentina que ainda não teve a documentação liberada para iniciar o trabalho.
Resultados
Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde aponta que, no primeiro mês de trabalho dos profissionais do Mais Médicos, em setembro, foram realizadas cerca de 320 mil consultas nas unidades básicas do país - considerando os 577 brasileiros e os 260 estrangeiros que obtiveram registro naquele mês. Além disso, no período, 13,8 mil pacientes retiraram remédios das farmácias populares com receitas emitidas por profissionais do programa.



Pacientes se assustam com visita de médico estrangeiro em casa
Marcelo Portela - OESP                                          
Acostumada a frequentar consultórios por causa da bronquite e da sinusite que apresenta desde criança, a dona de casa Telma Ferreira, de 28 anos, teve na última sexta-feira (18), o primeiro contato com um profissional do programa Mais Médicos. Numa crise de bronquite, procurou o Posto de Saúde Vilas Reunidas, no bairro General Carneiro, uma das áreas mais carentes de Sabará, na grande Belo Horizonte.    
Telma foi atendida pelo cubano Jorge Alberto Gil de Monte Santana e gostou do serviço. "Ele foi muito atencioso, me passou um remédio na hora e melhorei", diz ela. Diariamente, de 300 a 400 pacientes procuram por um dos cinco médicos do posto, de acordo com a gerente da unidade, Fabrícia Víncola. Mas nem a alta procura impressionou Santana, que tem 32 anos de idade e sete de profissão.
Além do atendimento no posto, ele atua no Programa de Saúde da Família (PSF) e fez duas visitas a residências da comunidade. "Assustaram um pouco porque as pessoas não estão acostumadas com um médico ir à casa delas", disse. Santana ficou surpreso com a falta de informação dos pacientes. "Tive de mostrar onde devem pôr o lixo, explicar que devem beber água fervida e que devem evitar contato com água de esgoto", afirmou.

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