Sobrevivente relata ao jornal ‘Corriere della Sera’ que os 500 passageiros da embarcação mal podiam se mexer
Prefeita de Lampedusa diz que Itália tem normas desumanas
Reprodução de vídeo divulgado pela Guarda Costeira italiana mostra alguns dos imigrantes resgatados perto da ilha de Lampedusa - HO / AFP
ROMA - Depoimentos de alguns dos sobreviventes do naufrágio de Lampedusa nesta quinta-feira apresentam novos detalhes sobre o que aconteceu perto da ilha italiana. Segundo uma das testemunhas, três barcos pesqueiros viram o acidente, mas não pararam para ajudar. Ao menos 130 pessoas morreram e centenas ainda estão desaparecidas.
- Estávamos voltando de uma pesca e, com o binóculo, vimos chamas saindo de um barco. Seguimos para lá. Tiramos 18 pessoas vivas e duas mortas - contou Francesco Colapinto, de 24 anos, que estava com os tios Domenico, de 59, e Raphael, de 65.
Outro, não identificado, afirmou ao canal Sky TG24 ter retirado 47 pessoas da água depois de um amigo insistir em que algo de errado estava acontecendo:
- Estava amanhecendo, e começamos a ouvir sons vindos do mar. Eu pensei que eram gaivotas, mas ele insistiu: ‘vamos ao mar, vamos ao mar’. A cena era dramática. Chamamos a guarda costeira e botamos o máximo de pessoas que conseguimos no nosso barco.
Ao jornal “L’Espresso”, o oculista Carmine, que aparentemente estava no mesmo barco - confirmou os 47 resgates - disse que viu outros barcos de pesca não prestarem socorro.
- Se você está diante de pessoas se afogando, não dá para não ajudar. Mas eu vi barcos passando reto, que não pararam - relatou.
Ministro: pescadores não viram incêndio
De acordo com a prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini, sobreviventes contaram que acenderam fogo para chamar atenção porque os telefones não funcionavam. Mas, por causa do combustível, o incêndio teria feito com que o barco afundasse rapidamente. Giusi incluiu em suas declarações a versão dos imigrantes de que “aparentemente alguns pescadores passaram e continuaram seu caminho sem ajudar”.
- A Itália tem normas desumanas: três pescadores foram embora do local da tragédia porque outros que salvaram vidas já foram processados por favorecer a imigração ilegal - protestou ela, segundo o jornal “La Stampa”. - O governo deve suspender este delito imediatamente.
A prefeita afirmou que a denúncia deve ser esclarecida. Mas o ministro do Interior italiano, Angelino Alfano, descartou a possibilidade.
- Eles não viram, porque senão teriam feito alguma coisa. Os italianos têm um grande coração e socorremos 16 mil náufragos - disse Alfano ao jornal. - Infelizmente, ninguém tinha um celular a bordo do navio naufragado, e ninguém foi avisado, como geralmente é feito nessas viagens, a telefones de emergência e socorro. Se eles tivessem a possibilidade de ligar teriam sido salvos.
Relatos indicam que alguns pescadores foram os primeiros a soar o alarme e atender aos sobreviventes, já que a embarcação não foi vista com antecedência pelas forças de segurança italianas.
A tragédia aconteceu horas após outro barco com 463 imigrantes atracar no porto da ilha.
- Não sabemos onde colocar os mortos e os vivos - admitiu a prefeita.
A situação também está se tornando dramática no centro de acolhida de imigrantes, que atualmente abriga 1.350 pessoas, apesar de ter uma capacidade de cerca de 700.
No único cemitério da ilha, há dezenas de túmulos de imigrantes, sem nome, sem nacionalidade. A prefeitura só tem colocado uma foto do mar na qual está escrita a suposta idade, se eram homens, mulheres ou crianças, a origem e a data em que o corpo foi encontrado.
Milhares de imigrantes chegam à Itália provenientes da África em embarcações precárias a cada ano, sendo que a maioria chega à Lampedusa, uma pequena ilha a apenas 113 quilômetros da costa da Tunísia. Lampedusa está mais perto da África do que da Itália continental e é um destino comum para barcos de contrabandistas.
- Saímos há dois dias do porto líbio de Misurata. No barco éramos cerca de 500. Não podíamos nos mover. Durante a viagem, vimos três barcos de pesca, mas nenhum veio nos socorrer - contou um sobrevivente ao jornal italiano “Corriere della Sera”.
Mas um pescador deu também ao “Corriere” sua versão da história:- Estávamos voltando de uma pesca e, com o binóculo, vimos chamas saindo de um barco. Seguimos para lá. Tiramos 18 pessoas vivas e duas mortas - contou Francesco Colapinto, de 24 anos, que estava com os tios Domenico, de 59, e Raphael, de 65.
Outro, não identificado, afirmou ao canal Sky TG24 ter retirado 47 pessoas da água depois de um amigo insistir em que algo de errado estava acontecendo:
- Estava amanhecendo, e começamos a ouvir sons vindos do mar. Eu pensei que eram gaivotas, mas ele insistiu: ‘vamos ao mar, vamos ao mar’. A cena era dramática. Chamamos a guarda costeira e botamos o máximo de pessoas que conseguimos no nosso barco.
Ao jornal “L’Espresso”, o oculista Carmine, que aparentemente estava no mesmo barco - confirmou os 47 resgates - disse que viu outros barcos de pesca não prestarem socorro.
- Se você está diante de pessoas se afogando, não dá para não ajudar. Mas eu vi barcos passando reto, que não pararam - relatou.
Ministro: pescadores não viram incêndio
De acordo com a prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini, sobreviventes contaram que acenderam fogo para chamar atenção porque os telefones não funcionavam. Mas, por causa do combustível, o incêndio teria feito com que o barco afundasse rapidamente. Giusi incluiu em suas declarações a versão dos imigrantes de que “aparentemente alguns pescadores passaram e continuaram seu caminho sem ajudar”.
- A Itália tem normas desumanas: três pescadores foram embora do local da tragédia porque outros que salvaram vidas já foram processados por favorecer a imigração ilegal - protestou ela, segundo o jornal “La Stampa”. - O governo deve suspender este delito imediatamente.
A prefeita afirmou que a denúncia deve ser esclarecida. Mas o ministro do Interior italiano, Angelino Alfano, descartou a possibilidade.
- Eles não viram, porque senão teriam feito alguma coisa. Os italianos têm um grande coração e socorremos 16 mil náufragos - disse Alfano ao jornal. - Infelizmente, ninguém tinha um celular a bordo do navio naufragado, e ninguém foi avisado, como geralmente é feito nessas viagens, a telefones de emergência e socorro. Se eles tivessem a possibilidade de ligar teriam sido salvos.
Relatos indicam que alguns pescadores foram os primeiros a soar o alarme e atender aos sobreviventes, já que a embarcação não foi vista com antecedência pelas forças de segurança italianas.
A tragédia aconteceu horas após outro barco com 463 imigrantes atracar no porto da ilha.
- Não sabemos onde colocar os mortos e os vivos - admitiu a prefeita.
A situação também está se tornando dramática no centro de acolhida de imigrantes, que atualmente abriga 1.350 pessoas, apesar de ter uma capacidade de cerca de 700.
No único cemitério da ilha, há dezenas de túmulos de imigrantes, sem nome, sem nacionalidade. A prefeitura só tem colocado uma foto do mar na qual está escrita a suposta idade, se eram homens, mulheres ou crianças, a origem e a data em que o corpo foi encontrado.
Milhares de imigrantes chegam à Itália provenientes da África em embarcações precárias a cada ano, sendo que a maioria chega à Lampedusa, uma pequena ilha a apenas 113 quilômetros da costa da Tunísia. Lampedusa está mais perto da África do que da Itália continental e é um destino comum para barcos de contrabandistas.
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