Reinaldo Azevedo - VEJA
Nunca antes na história destepaiz
o crime foi tão digno, tão senhor de si, tão cheio de honra. José
Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares insistem na farsa de que são
presos políticos. Resolveram redigir uma carta, em lulês, a língua que
se fala por lá, tornada pública por advogados. Dizem não aceitar
“humilhação” e preferir o “risco e a dignidade”. O que isso quer dizer?
Ora, nada! Trata-se apenas da demonização da Justiça. Os petistas estão
tentando ver se o “povo” sai às ruas em defesa do crime. Até agora, não
aconteceu. Abaixo, seguem os garranchos da “troika” de ódio ao estado de
direito e à democracia. O que é “troika”? É “trinca”, “trio”, “grupo de
três coisas semelhantes”. Escolhi a palavra russa para dar à coisa um
sotaque bolchevique. É a carta-testamento de três corruptores e, por
enquanto ao menos, três quadrilheiros. Mais uma vez, tentam pegar uma
carona em Getúlio Vargas. É patético. Mas não creio que corram o risco
de terminar como aquele, não é? Getúlio foi ao extremo porque era do
tipo que acreditava na própria farsa. O petismo resolveu reviver o mito
como comédia.
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