Autoridades italianas sabiam da situação de ex-diretor do BB
Mesmo com condenação pelo mensalão e retenção de passaportes no Brasil, Pizzotato obteve 2ª via de documento
JAMIL CHADE/WILSON TOSTA - O Estado de S.Paulo
Autoridades italianas tinham ciência da situação do
ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato antes de
sua fuga. Pessoas próximas do petista afirmam que ele deixou o Brasil
via Paraguai, passou pela Argentina e, com uma segunda via de seu
passaporte italiano - ele tem dupla cidadania - embarcou para a Itália.
Condenado por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelo
Supremo Tribunal Federal, Pizzolato estava com seus passaportes
apreendidos no Brasil. Mesmo sabendo da situação do condenado, as
autoridades italianas concederam, segundo fontes do governo daquele
país, uma outra via do documento para ele embarcar para a Europa.
O governo italiano ordenou a todos os seus ministérios um silêncio
total em relação ao caso, que entra hoje em seu quinto dia desde que foi
divulgada a fuga do ex-diretor do banco estatal.
A "blindagem", segundo dizem informalmente autoridades italianas, tem
como objetivo evitar uma crise diplomática. Em sua edição de ontem, o
Estado revelou detalhes sobre a fuga de Pizzolato, desde sua residência,
na rua Domingos Ferreira, em Copacabana, Rio de Janeiro. Em Roma,
diplomatas italianos confirmaram, reservadamente, que a situação do
ex-diretor do banco estatal era "conhecida" entre as autoridades.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália não confirma como
Pizzolato recebeu seu passaporte. O motivo oficial do silêncio:
Pizzolato é cidadão italiano, sem antecedentes criminais na Itália e
que, estando no país, não teria por que ter sua vida privada revelada ou
ser constrangido por controles estatais.
Teoricamente, o caso é centralizado no Ministério da Justiça. Mas os
responsáveis por esta pasta se recusam a falar sobre o assunto e nem
mesmo confirmam se Pizzolato está na Itália. "Não temos nada a dizer
sobre esse assunto por enquanto", informou a assessoria de imprensa do
ministério. Um dos argumentos usados pelos representantes é o de que o
Ministério da Justiça passa por uma crise, com a possível demissão ainda
hoje de sua chefe, Annamaria Cancellieri, acusada de tráfico de
influência.
Em Roma, as autoridades estariam conscientes de que o caso pode
azedar a relação entre as duas capitais, principalmente diante da rota
usada pelo fugitivo para chegar até a Itália. Outro fator que chama a
atenção é o que Pizzolato já teria viajado para a Itália em 2012.
No Ministério do Interior, onde fica o escritório italiano da
Interpol, a ordem também é de vetar qualquer informação sobre o caso à
imprensa. "Estamos instruídos a não falar nada sobre esse caso",
informou um representante do ministério.
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