Assembleia Nacional aprova em 2ª votação Lei Habilitante, que permite ao presidente legislar por decreto por um ano
Sucessor de Chávez diz que usará lei em defesa da economia; oposição vê perseguição política e concentração de poder
FSP
A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou ontem em votação final a Lei Habilitante, que dará ao presidente do país, Nicolás Maduro, poderes para legislar por decreto em um período de 12 meses.
A lei permite ao presidente, nos termos do seu artigo 1º, "ditar ou
reformar" leis, normas e instrumentos relativos a "luta contra a
corrupção" e "defesa da economia".
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A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou ontem em votação final a Lei Habilitante, que dará ao presidente do país, Nicolás Maduro, poderes para legislar por decreto em um período de 12 meses.
A votação aconteceu a três semanas das eleições municipais de 8 de dezembro, consideradas cruciais pelo governo, e logo depois de Maduro ordenar a empresários que baixassem os seus preços.
Segundo o presidente, os "burgueses" são culpados pela inflação anualizada de 54,3% no país e pela falta de diversos produtos básicos.
"Por que a cúpula da MUD [Mesa da Unidade Democrática, a coalizão oposicionista] não aceita a Habilitante, que pedi para enfrentar a corrupção e a guerra econômica contra o país? O que escondem?", perguntou Maduro em sua conta no Twitter.
Anteontem, o presidente prometeu decretar "logo ao amanhecer" de hoje uma norma para estabelecer margens de lucro das cadeias produtivas e outra para regular importações e exportações.
No governo de Hugo Chávez (1954-2013), a lei foi acionada quatro vezes de 1999 a 2010, por motivos que iam do atendimento a desabrigados de enchentes à implantação do "socialismo do século 21".
A oposição acusa o presidente de querer a lei para promover uma "caça às bruxas". Além disso, por ser genérica, ela permite que o governo tome medidas em diversos setores, bastando que estejam vagamente ligadas ao combate à "guerra econômica".
Em nota, a MUD defendeu seu voto contrário, alegando que o governo quer "acentuar a perseguição política e criminalizar as fontes lícitas de financiamento da oposição" e que a aplicação da lei vai aprofundar a crise no país.
Ontem à noite, ao receber o texto da lei do presidente da Assembleia, o também chavista Diosdado Cabello, Maduro prometeu empreender uma "ofensiva estremecedora contra a corrupção" a partir de janeiro de 2014.
'ORDEM DE CHÁVEZ'
Assim como aconteceu na primeira votação da lei, na quinta-feira, a sessão de ontem teve debates acirrados.
O discurso do deputado oposicionista Julio Borges foi interrompido por chavistas, mas autorizado pelo presidente da Assembleia, que ironizou: "Deixe que falem e defendam os especuladores", referindo-se aos empresários acusados pelo governo.
O oposicionista retrucou: "O direito à palavra me foi dado pelos venezuelanos com os seus votos, não por vocês".
"Estamos apenas cumprindo uma ordem de Chávez", afirmou Cabello. "O comandante nos disse: façam o que for necessário para torcer o pescoço dos especuladores."
Para a oposição, a primeira votação da lei foi "fraudulenta" porque, para ter o quórum necessário de 99 votos (três quintos da Assembleia), a maioria governista afastou a parlamentar chavista dissidente María Mercedes Aranguren, substituída por um suplente leal ao chavismo.
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