Reinaldo Azevedo - VEJA
Pois é, pois é…
O próprio
governo Dilma havia tomado a iniciativa de, digamos assim, cobrir o
rombo provocado por estados e municípios para garantir a meta de
superávit primário, que não será cumprida, mas não só por causa dos
excessos dos demais entes. Que se lembre sempre: o principal gastador é o
governo federal, que não é obrigado a se submeter aos rigores da Lei de
Responsabilidade Fiscal. Agora, como se lê no post anterior,
pretende-se mudar a regra. Quando Dilma decidiu adotá-la, quis sinalizar
para os mercados que tem um lado fiscalista, de pessoa preocupada com
as contas. Se, agora, desiste, emite sinal contrário.
Atenção! A
gravidade maior nem é a coisa em si. O problema é mais amplo. O governo
está é sem rumo. O governo havia decidido apoiar projeto que permite
renegociar a dívida de estados e municípios — o que, em si, é uma
necessidade. Esses entes estão arcando com o peso de juros realmente
escorchantes. Já escrevi a respeito. Ocorre que a medida foi lida como
mais uma aposta no relaxamento fiscal. E o governo fez o quê? Abandonou a
proposta. Não quer mais saber.
Resumo: a
proposta que cobria o rombo de estados e municípios era vista como sinal
de rigor; agora, o Planalto mudou de ideia; a que renegociava as
dívidas era tida como laxista; mais uma vez, toma-se rumo diverso.
Corolário: o governo não sabe para onde vai. Guido Mantega há muito
tempo perdeu a capacidade de planejar o futuro. Vive da mão para a boca.
E só. É por isso que o Brasil deu agora para desenterrar cadáveres.
Deixamos essa coisa de futuro pra lá…
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