Reinaldo Azevedo - VEJA
Ai, Ai…
Antonio
Carlos de Almeida Castro, o Kakay — que, até onde se sabe, não é
advogado de José Dirceu no caso do mensalão — foi visitar o herói na
Papuda. E saiu de lá com a seguinte avaliação, segundo informam Severino
Motta e Flavia Foreque, na Folha Online:
Dirceu está “altivo, lúcido e conversando sobre tudo”. Ora, por que não
estaria? Foi torturado, por acaso? Ou espancado pelos outros presos?
Fora o banho frio — que, entendo, pode tirar qualquer um do eixo —, que
outra agrura sofreu a ponto de perder a razão, que é a alternativa
oculta na fala de Kakay?
Com a
retórica tão coruscante como as gravatas que costuma exibir, Kakay
transforma Dirceu numa personagem além-do-humano, num super-homem: “Ele é
feito de outro material. Não se verga, é muito forte”. Fico cá a me
perguntar o que, nesse caso, seria vergar-se. A Papuda vai se
transformar também no reduto dos papudos.
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