Desde o dia 1° de janeiro de 2009, Hans-Peter Keitel é presidente do BDI (sigla para Confederação da Indústria Alemã). Reunindo 38 ramos profissionais, que hoje contam com a adesão de 100 mil empresas, a BDI é a maior organização patronal alemã e, por isso, um interlocutor privilegiado dos poderes públicos tanto na Alemanha quanto em outros países.
Le Monde: A crise do euro atingiu seu ápice?
Hans-Peter Keitel: Ela ainda não foi superada. E está longe de ser. Chegamos ao fundo, na medida em que hoje entendemos melhor a complexidade dessa crise. Não tenho certeza de que já tenhamos todas as soluções. No entanto, acredito que demos um grande passo. Mas a crise durará mais tempo do que todos nós gostaríamos.
Le Monde: A Alemanha deve aceitar uma reestruturação da dívida grega?
Keitel: O que foi acordado resolve a questão da liquidez, mas não da solvabilidade da dívida da Grécia. Um dia, a reestruturação dessa dívida constituirá uma opção, mas digo isso muito claramente, não devemos aceitar para esse país soluções que não estamos dispostos a conceder a outros.
Le Monde: O senhor está pessimista quanto à economia alemã?
Keitel: Não. Uma diminuição do crescimento dentro da zona do euro naturalmente limita as possibilidades de crescimento na Alemanha. Isso mostra que ela sozinha não é tão eficiente como quando associada à Europa. Nós dependemos de nossos parceiros europeus. Se estes não andarem bem, então a Alemanha não pode andar bem por muito tempo.
Le Monde: O que o preocupa?
Keitel: Na Europa, nós estamos em território conhecido: a conjuntura vem se degradando. Precisamos nos adaptar. A indústria alemã está ainda bem posicionada, mesmo em nível mundial. E é isso que faz nossa força e explica por que aqui somos menos afetados que os outros.
Não é daí que vem o perigo. Este reside em uma excessiva autoconfiança que causa inércia: acreditar que nossa indústria vai bem hoje e que portanto irá bem amanhã. Acreditar que tudo está bem e contar com isso leva à estagnação.
A indústria alemã, no início deste século, fez enormes esforços e se reestruturou totalmente com o objetivo de ser mais competitiva em nível mundial. Precisamos agir hoje em tempo de não sermos obrigados a passar dificuldades novamente.
Le Monde: De quais reformas a Alemanha precisa?
Keitel: Nós fizemos o último pacote de reformas, a “Agenda 2010”, há quase dez anos. Por exemplo, flexibilizamos o mercado de trabalho para que mais pessoas encontrassem um emprego. Até o momento fomos beneficiados por essas reformas. Entre outras coisas, a Alemanha tem o índice de emprego mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial.
Infelizmente, aos poucos as políticas já voltaram atrás em suas sábias reformas. Além disso, em matéria de política energética, as empresas hoje têm encargos bem maiores do que em outros países europeus, inclusive a França. E não somente em razão de custos mais elevados da energia devido ao abandono da energia nuclear, mas também por causa dos encargos.
Assim, os impostos e os encargos sobre a eletricidade subiram 1.000% em quinze anos. E para um país dotado de importantes indústrias que consomem muita energia elétrica, isso pode ser fatal.
Le Monde: O senhor apoiou o abandono da energia nuclear. O senhor se arrepende?
Keitel: Não. Uma oposição fundamental não tem sentido. As empresas não podem se opor à opinião da imensa maioria da sociedade. Só se pode influenciar em um fenômeno se aceitarmos seu princípio. Agora nos comprometemos com todo nosso conhecimento para que a mudança energética seja efetivamente um sucesso.
Le Monde: O senhor diria hoje que a mudança energética é uma sorte para o país?
Keitel: Sim, se a mudança for implementada corretamente. Mas ainda estamos muito longe disso. Devo dizer claramente: a gestão da crise energética na verdade está bem longe de estar em seu máximo.
Devemos definitivamente abandonar uma mudança energética gerida segundo critérios políticos para ir na direção de uma mudança mais inspirada por leis da economia de mercado.
E para que isso seja um sucesso, devemos impor que os dirigentes políticos finalmente pensem a mudança energética em um contexto europeu.
Tradutor: Lana Lim
Hans-Peter Keitel: Ela ainda não foi superada. E está longe de ser. Chegamos ao fundo, na medida em que hoje entendemos melhor a complexidade dessa crise. Não tenho certeza de que já tenhamos todas as soluções. No entanto, acredito que demos um grande passo. Mas a crise durará mais tempo do que todos nós gostaríamos.
Le Monde: A Alemanha deve aceitar uma reestruturação da dívida grega?
Keitel: O que foi acordado resolve a questão da liquidez, mas não da solvabilidade da dívida da Grécia. Um dia, a reestruturação dessa dívida constituirá uma opção, mas digo isso muito claramente, não devemos aceitar para esse país soluções que não estamos dispostos a conceder a outros.
Le Monde: O senhor está pessimista quanto à economia alemã?
Keitel: Não. Uma diminuição do crescimento dentro da zona do euro naturalmente limita as possibilidades de crescimento na Alemanha. Isso mostra que ela sozinha não é tão eficiente como quando associada à Europa. Nós dependemos de nossos parceiros europeus. Se estes não andarem bem, então a Alemanha não pode andar bem por muito tempo.
Le Monde: O que o preocupa?
Keitel: Na Europa, nós estamos em território conhecido: a conjuntura vem se degradando. Precisamos nos adaptar. A indústria alemã está ainda bem posicionada, mesmo em nível mundial. E é isso que faz nossa força e explica por que aqui somos menos afetados que os outros.
Não é daí que vem o perigo. Este reside em uma excessiva autoconfiança que causa inércia: acreditar que nossa indústria vai bem hoje e que portanto irá bem amanhã. Acreditar que tudo está bem e contar com isso leva à estagnação.
A indústria alemã, no início deste século, fez enormes esforços e se reestruturou totalmente com o objetivo de ser mais competitiva em nível mundial. Precisamos agir hoje em tempo de não sermos obrigados a passar dificuldades novamente.
Le Monde: De quais reformas a Alemanha precisa?
Keitel: Nós fizemos o último pacote de reformas, a “Agenda 2010”, há quase dez anos. Por exemplo, flexibilizamos o mercado de trabalho para que mais pessoas encontrassem um emprego. Até o momento fomos beneficiados por essas reformas. Entre outras coisas, a Alemanha tem o índice de emprego mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial.
Infelizmente, aos poucos as políticas já voltaram atrás em suas sábias reformas. Além disso, em matéria de política energética, as empresas hoje têm encargos bem maiores do que em outros países europeus, inclusive a França. E não somente em razão de custos mais elevados da energia devido ao abandono da energia nuclear, mas também por causa dos encargos.
Assim, os impostos e os encargos sobre a eletricidade subiram 1.000% em quinze anos. E para um país dotado de importantes indústrias que consomem muita energia elétrica, isso pode ser fatal.
Le Monde: O senhor apoiou o abandono da energia nuclear. O senhor se arrepende?
Keitel: Não. Uma oposição fundamental não tem sentido. As empresas não podem se opor à opinião da imensa maioria da sociedade. Só se pode influenciar em um fenômeno se aceitarmos seu princípio. Agora nos comprometemos com todo nosso conhecimento para que a mudança energética seja efetivamente um sucesso.
Le Monde: O senhor diria hoje que a mudança energética é uma sorte para o país?
Keitel: Sim, se a mudança for implementada corretamente. Mas ainda estamos muito longe disso. Devo dizer claramente: a gestão da crise energética na verdade está bem longe de estar em seu máximo.
Devemos definitivamente abandonar uma mudança energética gerida segundo critérios políticos para ir na direção de uma mudança mais inspirada por leis da economia de mercado.
E para que isso seja um sucesso, devemos impor que os dirigentes políticos finalmente pensem a mudança energética em um contexto europeu.
Tradutor: Lana Lim
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.