sábado, 4 de maio de 2013

Como empreendedores podem transformar sonhos em realidade
Richard Branson
Viktor Koen/The New York Times
P: Que atividades diárias você considera inspiradoras e motivadoras? (Linda, Malmo, Suécia)
R: Na segunda-feira, eu fui ao Deserto de Mojave para assistir a Virgin Galactic, nossa empresa de turismo espacial, concluir seu primeiro voo com propulsão de foguete. Foi uma visão realmente incrível. Estimo esses momentos, quando minha equipe e eu encontramos formas de tornar possível o impossível, inspirando a nós mesmos e aos outros a tentar feitos ainda maiores.
Não busco motivação e inspiração, mas essas qualidades são essenciais para o meu trabalho. Costumo ter muita energia, de modo que frequentemente tenho dificuldade em não pensar e falar sobre todas as possibilidades diante de nossas empresas. Quando estava escrevendo minha autobiografia, "Perdendo Minha Virgindade", pensei em chamá-la "Falando Antes de Mim Mesmo", porque sempre que tenho uma nova ideia empolgante ou ouço uma nova proposta emocionante, quero contar ao mundo imediatamente.
Isso ocorre em parte porque considero motivador contar nossas ideias aos outros: mesmo quando algumas pessoas acham que não estamos sendo realistas. O primeiro passo para transformar uma ideia em realidade é apenas compartilhá-la. Quando falo publicamente sobre nossos planos, isso às vezes gera interesse de investidores potenciais e, no caso de expansão externa, de parceiros locais, o que dá às nossas equipes talentosas na Virgin um incentivo extra para seguir adiante.
Muitas de nossas melhores ideias para tornar possível o impossível e o ímpeto para ir atrás delas vêm de uma fonte improvável: nossas piadas de Primeiro de Abril. Há muito tempo, nós adotamos uma tradição anual de realizar brincadeiras elaboradas com nossos concorrentes, com a mídia e o público. No passado, nós anunciamos que compramos Plutão; nós dissemos que estávamos lançando uma empresa chamada Virgin Volcanic para explorar os vulcões mais ativos do mundo; e, em 1989, nós até mesmo fizemos um OVNI sobrevoar Londres (era na verdade um balão de ar quente com a aparência de um disco voador).
Neste ano, nós anunciamos que a Virgin Atlantic introduziria novos aviões com chão de vidro que voariam entre Londres e Aberdeen, Escócia. O conceito cativou a imaginação das pessoas, e muitas nos pediram para que acontecesse, de modo que demos início ao trabalho. Nossa equipe descobriu que apesar da construção de aviões com a parte inferior de vidro não ser prática, já que a bagagem geralmente é armazenada abaixo, a instalação de janelas gigantes no teto de nossos aviões para olhar as estrelas à noite e para que os passageiros possam ver as belas vistas durante o dia pode algum dia ser possível, quando alguém desenvolver um tipo mais leve de vidro. (Nós estamos discutindo as possibilidades com os fabricantes e manteremos as pessoas informadas.)
Nós descobrimos que há valor real em inspirar nossos clientes, já que isso faz com que não esqueçam de nosso espírito aventureiro e de nosso compromisso de sacudir setores estagnados. Como somos conhecidos por pregar peças, às vezes as pessoas não acreditam em nós quando estamos falando sério. Em 2004, quando anunciamos nossos planos para criação da Virgin Galactic, muita gente achou que estávamos brincando. Mas, em 2008, quando fizemos o anúncio de uma nova parceria com o Google para lançamento do Virgle, um empreendimento dedicado a criar um assentamento humano em Marte, algumas pessoas, incluindo algumas agências de notícias, nos levaram a sério. Muitos na plateia em Las Vegas, onde apresentamos a brincadeira, queriam se candidatar.
Se sua empresa entra no espírito do Primeiro de Abril, tenha cuidado ao fazer brincadeiras com seus concorrentes –você pode acabar os inspirando. Em 1986, fiz uma brincadeira de Primeiro de Abril com a indústria fonográfica, alegando que tínhamos criado um supercomputador chamado Music Box (caixa de música) que permitiria às pessoas baixar qualquer canção, em qualquer lugar. Chefões de gravadoras de toda parte do mundo ligaram para nós e imploraram para que não matássemos o negócio deles. Mas nós acabamos vítimas da piada: Steve Jobs, o cofundador da Apple, me disse que a história ajudou a inspirar o iTunes, a loja de música online que revolucionou a indústria da música –e deixou de joelhos nosso setor de varejo, as Virgin Megastores.
Se você é um empreendedor à procura de uma ideia revolucionária, você provavelmente precisará de inspiração de qualquer lugar onde puder encontrá-la, incluindo produtos e serviços de concorrentes, ficção, até mesmo seus sonhos de infância. Ou talvez precise inspirar sua equipe a buscar metas mais ordinárias, como melhorar a margem de lucro da empresa ou introduzir um novo produto que ainda esteja em estágio de protótipo. O sentido é dar início à discussão: se você falar antes, sua equipe entenderá sua visão para a empresa e vocês poderão começar a trabalhar juntos para que ela se concretize.
Quando você encontra pessoas do contra, apenas siga em frente. Afinal, quem imaginaria que a empresa que lançou os Sex Pistols algum dia dirigiria um banco? Ou que o sujeito que precisou pegar emprestado um avião usado para lançar uma companhia aérea, um dia ajudaria a criar o setor de turismo espacial? Como a grande atriz Audrey Hepburn dizia: "Nada é impossível, a própria palavra ('impossible' em inglês) diz 'I'm possible' (sou possível)!"
* Richard Branson é o fundador do Virgin Group e de empresas como Virgin Atlantic, Virgin America, Virgin Mobile e Virgin Active.
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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